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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

WIKILEAKS – A FARSA BRASILEIRA DESMASCARADA


As revelações do site Wikileaks sobre as relações diplomáticas com os Estados Unidos, através do Itamaraty, e a interferência do Ministro da Defesa Nelson Jobim, que tem atuado como defensor do império e contra a soberania brasileira, tem feito dos últimos momentos do governo Lula, entre declarações e desmentidos do atual presidente e da sua sucessora, um período bastante tormentoso.

     A Caixa de Pandora está aberta e fica claro que quem manda de fato no governo brasileiro, principalmente no que diz respeito às relações exteriores e possibilidade de privatizações no país, é o ministro Nelson Jobim.

     O seu poder reside nas Forças Armadas e as Forças Armadas o tem como aquele que poderá trazer de volta o prestígio perdido durante os longos anos de ditadura e repressão. E, quem sabe, com a volta das Forças Armadas ao poder, mesmo que aos poucos, através de uma estratégia de convencimento sobre o povo brasileiro, com o auxílio das redes de televisão, principalmente a Rede Globo, o governo Dilma venha a ser conhecido como aquele que reinstalou a ditadura militar no Brasil.

     Não uma ditadura como aquela de 1º de abril de 1964, quando os generais brasileiros treinados em bases dos Estados Unidos impuseram um regime totalitário que visava acabar com a esquerda no Brasil.

A FARSA INTERNACIONAL

     Assim foi feito também nos demais países da América do Sul – Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Colômbia, Equador, Venezuela, Bolívia, Peru, etc. – e da América Central – República Dominicana, Haiti, Guatemala, Panamá, Honduras e outros, com as exceções de Cuba e Guiana (ex-Guiana Inglesa), que são países socialistas.

     Com diferenças de poucos anos, de país para país tivemos ditaduras militares em quase todo o Hemisfério Sul da Américas. Todas com o apoio dos Estados Unidos e todas impostas pelas Forças Armadas desses países que eram (e muitos ainda são, como os militares brasileiros) treinadas na ideologia fascista em bases militares norte-americanas. Formou-se o império e seus vice-reinados.

     De 1954 a 1976, praticamente toda região mergulhou em regimes militares. Vários dos governos sul-americanos colaboraram na Operação Condor(1). As ditaduras foram enfrentadas por movimentos guerrilheiros de esquerda.

     Com o fim da guerra fria, devido à traição de Gorbachev e à desmoralização do Exército Vermelho na guerra contra o Afeganistão, além de outros fatores sócio-políticos - como a ascensão de uma nova geração consumista na União Soviética, produto de uma casta aburguesada que nada mais tinha a ver com socialismo – os países do Leste europeu, dependentes economicamente da União Soviética, entraram em débâcle e seus governos pseudo-socialistas foram sendo substituídos por governos pró-Ocidente.

     Com raras exceções, como Albânia e Iugoslávia, que enfrentaram uma longa guerra contra as tropas da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte). A Albânia rendeu-se rápido, mas a Iugoslávia foi totalmente destruída e dividida em vários países.

     Mudava-se o panorama político internacional e não havia mais necessidade das ditaduras anticomunistas na América do Sul.

     Governos supostamente democráticos teriam que substituir aquelas ditaduras, mas de maneira negociada – jamais rebeliões populares. As mudanças foram sendo feitas e a mídia dominante, até então pró militares, passou a dar espaço para as vozes que falavam em democracia. Em todos os países que tinham governos ditatoriais repetiu-se a mesma farsa, com o povo acreditando que era ele, o povo, que estava provocando essas mudanças.

     Assim como no Leste europeu, onde alguns países resistiram, na América do Sul, algumas ditaduras foram mais recalcitrantes que outras - como a de Somoza, na Nicarágua, Pinochet no Chile e a de Fujimori, no Peru. Mas, aos poucos, as próprias Forças Armadas que os tinham colocado no poder lhes tiraram o apoio, porque os Estados Unidos insistiam que era urgente a redemocratização em todos os países onde eles mesmos tinham colocado ditaduras de extrema-direita.

     O império, naquele momento, necessitava de propaganda política favorável aos seus interesses, que incluía a formação de um grande público consumidor para as suas empresas, que, então, passavam a ter o total domínio econômico e político mundial, e precisavam expandir os seus negócios através da política neoliberal, que propugna o Estado apenas como gerente e defensor (através de sua máquina bélica) dos interesses das multinacionais.

A FARSA NACIONAL

     No Brasil não houve nenhuma revolução socialista ou algum grande movimento social como responsável direto pelo fim da ditadura militar de direita.

     O que houve foi uma série de "movimentos sociais" - como passeatas e outras manifestações e somente nas capitais estratégicas - orquestrados pela mídia dominante, que sempre apoiou e apóia a ideologia fascista das Forças Armadas brasileiras. O objetivo era fazer parecer que o povo tinha exigido das Forças Armadas a sua volta aos quartéis, quando, na verdade, era de grande interesse dos EUA que os países da América Latina que estavam sob ditaduras militares ligadas a Washington, voltassem à normalidade constitucional.

     O acordo de elites feito nos anos 1980, que permitiu a “redemocratização” do Brasil, com o recuo das Forças Armadas para os quartéis e as eleições livres no Brasil, não significou o fim da ditadura "de fato", mas apenas "de direito".

     De certo modo, foi até conveniente para os militares passar o poder para seus sócios civis, porque deixaram de ser vistos como alvo de manifestações populares e como exemplo de anti-democracia. Com o passar do tempo e a sucessão de governos de direita no Brasil, as Forças Armadas - que tem seus oficiais de confiança treinados em bases dos EUA - acostumaram-se a ganhar muito sem fazer nada.

     Os partidos políticos proliferaram, e destacou-se o PT, que tinha como líder carismático o metalúrgico Luiz Inácio da Silva, o “Lula”, que lutava pelas reivindicações dos metalúrgicos do interior paulista, na região do ABC. Por ser trabalhador braçal, as elites intelectuais da esquerda o tomaram como líder, apesar de sua total ignorância política e cultural. Juntaram os restos dos partidos que misturavam New Age com guerrilha e fundaram o PT propondo uma transformação social.

     Com o passar do tempo, com as eleições se sucedendo e com maiores oportunidades, a cada eleição, de Lula ser eleito Presidente, o PT começou a expurgar os verdadeiros socialistas do seu partido e tornou-se um partido meramente reivindicativo de cadeiras no Congresso. Quando Lula foi eleito, o PT já era um partido de direita, embora ainda posando, como até hoje, de esquerdista.

     Com o advento do governo Lula - que fingia ser de esquerda para angariar votos da classe média desinformada - os militares alvoroçaram-se, mas Lula prometeu que, naquele momento em que tomava posse pela primeira vez como Presidente da República, seria o que ele mesmo denominou de "Lulinha paz e amor". E assim tem sido, porque as medidas populares que Lula e seu governo tomaram - como Bolsa Família e Bolsa Escola - são meramente eleitoreiras e não visam, em nenhum momento, a mudança do sistema capitalista no Brasil.

     Ao contrário, o que se percebe é que o governo brasileiro colocou-se ao lado da política imperialista norte-americana, provavelmente em troca de promessas, como tornar-se líder da América do Sul, participar futuramente do G-8, ter maior influência na ONU...

     Essa liderança americana que Lula e seus aliados tanto aspiram é perfeita para a política dos EUA, que tanto teme a ascensão de verdadeiros governos socialistas na América hispânica, como os de Evo Morales e, principalmente, o de Hugo Chávez, na Venezuela bolivariana. A política externa do governo petista - de apaziguamento e conciliação - se necessário poderá transformar-se em um freio agressivo contra os países socialistas da América Latina.

     Alguns indícios, como o rearmamento das Forças Armadas brasileiras e sua política "neutra" em relação à Colômbia e às FARCs, revelam que, em um futuro próximo as Forças Armadas brasileiras poderão colocar-se ao lado dos EUA contra a Venezuela e demais países que pretendem a sua autonomia social e política na América do Sul. Fala-se em um patrulhamento ostensivo das fronteiras do norte, junto à Bolívia Equador e Venezuela. A desculpa seria evitar a entrada de drogas. A verdade, ao que parece, é fazer um cinturão armado na fronteira daqueles três países.

     Está sendo feito um teste sociológico com o povo brasileiro, notadamente nas favelas do Rio de Janeiro. Com a invasão e permanência – totalmente inconstitucional – das Forças Armadas naqueles lugares e a propaganda intensiva da Rede Globo com as suas pesquisas a favor dessa ilegalidade, está havendo uma séria tentativa de incutir no povo a idéia de que a presença das Forças Armadas é a única maneira de debelar o tráfico de drogas. Mas o combate ao tráfico é apenas um pretexto para a presença das Forças Armadas entre o povo brasileiro, incutindo um caráter “salvacionista” à sua permanência.

     Tudo indica que o governo de Dilma Silva Roussef será caracterizado pela ditadura das Forças Armadas, que cada vez mais terão maior poder. Uma ditadura disfarçada.

     Este é um período em que novamente os Estados Unidos precisam de um forte aliado no Hemisfério Sul. Há sinais claros de guerra com o Irã, com a Coréia do Norte e, num futuro não muito distante, com a China. E o império necessita de um país de confiança neste lado das Américas - caso seja necessário uma guerra contra Chávez, Fidel e os seus aliados.

     Tudo estava correndo conforme o plano arquitetado e, inclusive, a eleição de Dilma, que se mostra muito amiga das Forças Armadas, veio no momento certo, mas sempre há o perigo de surgir aquele fator inesperado. E foi o que aconteceu. E o nome do imponderável chama-se Wikileaks – um site que está vazando informações que eram confidenciais sobre as sujeiras do império e de seus vce-reinos, como o Brasil.

CAI A MÁSCARA

     O governo petista – que se autodenomina de esquerda e é aliado militar dos Estados Unidos – neste final de mandato de Lula e às vésperas da posse de Dilma, vê-se envolvido em uma série de indiscretos comentários, vazados pelo Wikileaks – que tem como protagonista principal o todo-poderoso Nelson Jobim, que continuará sendo o Ministro de Defesa.

     Nelson Jobim é um advogado que subiu em sua carreira através de concursos durante a ditadura militar e chegou a ser membro do Supremo Tribunal Federal por decreto presidencial. Também foi deputado pelo PMDB e ministro da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso.

     Em 2004, o Exército brasileiro passou a chefiar uma “Força de Paz” no Haiti, com o objetivo específico de derrotar a guerrilha que, depois da fuga do presidente Jean Bertrand Aristide, já dominava as principais cidades do país. Foi quando apareceu a política externa de Lula como francamente favorável ao império, inclusive com apoio bélico contra o povo haitiano.

     No segundo mandato de Lula, em 2005, Jobim foi chamado para o Ministério da Defesa, passando a coordenar as três Armas (Exército, Marinha e Aeronáutica) e a INFRAERO (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária), que é um órgão civil. Os comandantes das três Armas, primeiro mostraram-se insatisfeitos com esse comando unificado, mas depois perceberam que Jobim era um grande aliado.

     Principalmente quando combateu o Programa Nacional de Direitos Humanos-3, o PNDH-3. Jobim não queria – e foi obedecido por Lula – que houvesse o Direito à Memória e à Verdade. Ou seja, ele atuou como um eco das Forças Armadas, que não desejam que as pessoas saibam como foi de fato a ditadura militar (1964-1985) – nada sobre as torturas e assassinatos.

     Junto com Jobim, a mídia dominante, liderada pela Globo, ficou furiosa com a probabilidade de reformulação da Lei de Anistia. No dia 06 de Janeiro, no Jornal da Globo, William Wack perguntava ao telespectador: “Quem nos defenderá daqueles que dizem defender os direitos humanos?”.

     Os ministros militares ameaçaram pedir demissão, caso o PNDH-3 não fosse reformulado e Lula cedeu em todos os pontos. Somente a OAB permaneceu firme e pediu a demissão de Jobim, mas no atual Brasil a OAB não conta mais. Resultado, Lula reuniu-se com Dilma, tirou alguns artigos que incomodavam os militares, a Igreja e a Globo e o PNDH-3 quase sumiu. E Jobim saiu fortalecido.

     Jobim, as Forças Armadas e os boinas azuis que voltam de sua luta contra o povo do Haiti passaram a lutar contra o povo nas favelas do Brasil, inicialmente no Rio de Janeiro. É o primeiro passo para que o povo passe a considerar as Forças Armadas eficientes naquilo que o governo civil não pode fazer: o combate ao narcotráfico. E o primeiro passo para o povo considerar a volta das Forças Armadas ao poder quando essa hipótese for aventada. E se essa intervenção militar não der certo até as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro não estará afastada a possibilidade de uma “Força de Paz” estrangeira nas quase mil favelas cariocas. Igualzinho ao Haiti.

     Mas o Wikileaks mostrou os reais interesses de Nelson Jobim. De acordo com aquele site, Jobim estaria atuando como uma espécie de “espião” junto a Washington.

     Algumas de Nelson Jobim:

- Nelson Jobim foi ministro da Justiça de FHC e um dos principais responsáveis pelo plano nacional de privatizações.

- Nos primeiros entraves ao processo de privatização da Cia. VALE DO RIO DOCE – hoje VALE –, FHC decidiu indicá-lo para o STF (Supremo Tribunal Federal) com a tarefa de remover obstáculos à entrega da empresa.

- Cumprida a missão saiu do STF, voltou à Câmara dos Deputados e virou ministro da Defesa.

- Como ministro da Defesa também negou ter afirmado que as FARCs atuam na Venezuela e foi enfático ao dizer que se a organização vier ao Brasil "vai ser recebida a bala".

- A exemplo do Haiti, Jobim criou uma “Força de Paz” para atuar nas favelas do Brasil. A princípio no Complexo do Alemão e na Penha. Essa “Força de Paz” terá poder de polícia.

- Jobim classificou o ministro Samuel Pinheiro Guimarães como antiamericano, junto ao embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel.

- Para o mesmo embaixador, Jobim disse que o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, é um “acadêmico esquerdista”.

- Definiu o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, como "nacionalista".

     E isto que Marco Aurélio Garcia é considerado como o “Maquiavel brasileiro” junto aos governos da América do Sul e Celso Amorim é declaradamente anti-socialista.

- Confirmado como o ministro da Defesa de Dilma Silva Roussef, Jobim declarou aos membros do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) o projeto da presidente eleita.

     A Secretaria Especial de Aviação Civil será ligada à Presidência da República e vai abrigar a Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária), a Secretaria de Aviação Civil (SAC) e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

     A intenção é deixar essa secretaria fora da partilha político-partidária entre a base aliada. O Estado apurou que a criação da secretaria especial deve ser acompanhada da abertura do capital da Infraero, o que daria mais agilidade à empresa estatal e multiplicaria as fontes de investimentos em aeroportos. Objetivo: privatizar a Infraero.

- Documentos obtidos pelo WikiLeaks revelam que a embaixada dos Estados Unidos procurou o ministro da Defesa, Nelson Jobim e o comandante da FAB Brigadeiro Juniti Saito para influenciar na decisão da venda de 36 caças para a FAB. A menos de um mês do final do governo Lula, a compra dos caças continua sem definição e deve ser decidida pela presidente eleita Dilma Rousseff. Nesta semana, ela retoma a discussão em reunião com o ministro Jobim. Mas já está decidido, visto que Dilma apenas obedecerá aos Estados Unidos. Segundo o ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel, o brigadeiro Juniti Saito, comandante da FAB (Força Aérea Brasileira), afirmou que o caça americano tem o “melhor custo-benefício” para o Brasil.

- Wikileaks: para Jobim, Chávez seria uma “nova ameaça” para a estabilidade regional. Segundo Jobim, seria necessário a criação de um Conselho de Defesa Sul-Americano, que permitiria ao Brasil controlar as atividades dos vizinhos.

     A farsa está desfeita. Está claro que o Governo Dilma será pró – Estados Unidos, Jobim será o seu primeiro-ministro oficioso e as Forças Armadas passam a mandar no Brasil.

     Simples assim? Não tanto. Ainda haverá muita demagogia emoldurando o espetáculo. Mas as ditaduras enfeitadas de democracia são assim: necessitam do espetáculo da demagogia. O Bolsa-Família continuará e o povo mais pobre sente-se agradecido por cada centavo dado pelo governo. Uma das maneiras de dominar as pessoas é conservar a pobreza e a miséria. As consciências serão compradas pela Gobo e por outras redes de televisão menos importantes. Aos poucos, será imposta a censura na Internet. O povo somente se dará conta de que está completamente dominado e amordaçado por Dilma e seus amigos das Forças Armadas quando o obrigarem a pintar as fachadas de suas casas de azul. O Congresso continuará fingindo de democracia e sempre haverá um Coronel Aureliano Buendía(2) enfastiado e disposto a trair a revolução, porque sempre estará chovendo em Macondo(3).

     E agora, sobre a farsa chamada Dilma Silva Roussef.

     Perguntado por um repórter, em junho de 1964, com que espírito assumia seu novo posto, o então embaixador designado do Brasil em Washington, Juracy Magalhães, foi cândido: "O Brasil fez duas guerras como aliado dos Estados Unidos e nunca se arrependeu. Por isso eu digo que o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil" (cf. Juracy Magalhães, em depoimento a J. A. Gueiros, O Último Tenente. 3ª ed., Rio de Janeiro: Record, 1996, p. 325).

     Em sua primeira visita a Washington, perguntado por que razão o PT havia estabelecido uma parceria com o Partido Comunista da China, Lula saiu-se da seguinte maneira, tendo sido muito aplaudido, durante e após sua resposta: "Eu não conhecia a China muito bem, até que o governo americano fez da China seu parceiro comercial preferencial. E eu pensei comigo mesmo: ‘se é bom para os americanos, deve ser bom para os brasileiros.’

     Em recente entrevista, a presidente eleita disse: “Eu acredito que os EUA têm uma grande contribuição a dar ao mundo. E, acima de tudo, acredito que o Brasil e os EUA têm um papel a cumprir juntos no mundo.”

     Sempre o mesmo espírito de subserviência seja em 1964 ou em 2010. Jobim deve estar rindo sozinho.

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(1) Operação Condor - A Operação Condor foi uma aliança político-militar entre os vários regimes militares da América do Sul — Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai — criada com o objetivo de coordenar a repressão a opositores dessas ditaduras instalados nos seis países do Cone Sul. Montada no início dos anos 1970, durou até a onda de redemocratização, na década seguinte. A operação, liderada por militares da América Latina, com o apoio da CIA e batizada com o nome do condor, abutre típico dos Andes que se alimenta de carniça , como os urubus.
Fonte: Wikipédia.

(2) Coronel Aureliano Buendía – personagem do romance “Cem Anos de Solidão”, do colombiano Gabriel Garcia Marquez.

(3) Macondo – cidade fictícia do mesmo romance.



segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A INDEPENDÊNCIA DELES





Estava, no dia 20 de agosto, assistindo televisão quando me deparei, no Canal da Câmara, com uma sessão em homenagem à Maçonaria, por ser aquele o seu dia. Fiquei vendo um pouco os auto-elogios dos “irmãos”, e de como eles fazem e acontecem, e como a história daquela seita está estreitamente vinculada à História do Brasil, quando me dei conta! - percebi que a Câmara, o Congresso Nacional, naquele momento estava se auto-anulando.

     Se a História do Brasil é, como eles mesmos dizem, ditada pelas Lojas maçônicas, para que serve o Congresso Nacional? Talvez apenas para referendar o que já foi decidido “ocultamente” entre os verdadeiros donos do poder. Neste caso, o voto dos profanos, como eu, e de tantos milhões de brasileiros – ai de nós! – que também são profanos – e principalmente das brasileiras (porque é vedada a participação de mulheres) é apenas uma maneira formal de fingir democracia.

     E o Congresso declarou, naquela sessão, a sua nulidade no instante em que concordou – com os seus múltiplos aplausos – tudo o que foi dito pelos irmãos maçons aos outros irmãos da platéia. E concordou que a História do Brasil foi feita, e está sendo feita, pela Maçonaria, e não pela vontade do povo. Se isso é verdade, para que votamos?

     Se é realmente verdade que os donos do poder são os maçons – e isto foi dito por eles, mesmo que em termos oblíquos – é de se supor que o restante do povo, que eles chamam de “profanos”, são considerados cidadãos de segunda classe, apenas número para fazer votos e que nem todos são iguais perante a Lei. Porque se o Poder é deles, obviamente não emana do povo. E isso não pode ser chamado de democracia.

O 20 DE AGOSTO E O 7 DE SETEMBRO

     O dia 20 de agosto é o Dia da Maçonaria porque foi em 20 de agosto de 1822 que a Maçonaria decidiu que o Brasil deveria separar-se de Portugal. Sem o povo saber de nada. Para que o povo soubesse disso e para que ficasse oficializada essa separação, o Príncipe-Regente, Dom Pedro I, conhecido como “irmão Guatimozim” na Maçonaria, deu o famoso grito do Ipiranga, no dia 7 de setembro daquele ano. Recebeu a prancha, leu e gritou. Uma encenação perfeita.

     E o povo perplexo, sem nada entender. Ao contrário dos demais países da América Latina, que fizeram as suas revoluções de independência com o apoio do povo e devido à força desse mesmo povo, no Brasil tudo foi feito dentro das Lojas e de cima para baixo. Aliás, neste ano de 2010, a América Latina em peso comemora os duzentos anos de independência, graças à luta e ao sangue do seu povo.

     No Brasil, a independência de Portugal foi declarada devido a fortes interesses. Independência para aqueles que já detinham o poder econômico e queriam a emancipação política para consolidar aquele poder.

     Não foi uma independência que tenha trazido consigo a liberdade, o fim da escravidão, a igualdade e a democracia, como aconteceu na maioria dos demais países latino-americanos, que se constituíram logo em repúblicas após a sua independência da Espanha e, mesmo tendo chefes revolucionários que defendiam a aristocracia, como San Martín, também tiveram defensores do povo, como Bolívar.

     Mesmo assim, os povos dos países latino-americanos continuam lutando pela sua independência até hoje, porque naquele momento, há 200 anos atrás, foram as oligarquias daqueles países que herdaram o poder.

     Ao contrário do povo brasileiro, nos demais povos latinos há uma crescente consciência do significado de liberdade que faz com que a sua luta avance, gradualmente, ano a ano. Uma luta pelo bem-estar dos seus povos, pela independência econômica e conseqüente verdadeira liberdade; uma luta para desmascarar aqueles obscuros “poderes ocultos” que defendem a estagnação, o retrocesso e o entreguismo.

     No Brasil, não surgiu nenhuma revolução visando a independência e a libertação do povo brasileiro. A revolução brasileira ainda está por ser feita. O que aconteceu em 7 de setembro de 1822 foi uma declaração de independência em relação a Portugal, que beneficiou somente as classes dominantes, notadamente a aristocracia rural que ganhava muito dinheiro com a agroexportação e, para que isso continuasse, necessitava do trabalho escravo, e depois, quando a escravidão foi abolida oficialmente, em 1888, o trabalho escravo do povo miserável também foi oficializado, mas sem os grilhões e as senzalas.

     Naquele momento do “Grito do Ipiranga”, Dom Pedro I foi usado, e sabia disso. Ele havia sido alertado por Dom João VI para que tomasse o poder “antes que algum aventureiro” o fizesse. E Dom João VI, em Portugal, era um rei que não reinava, totalmente cerceado por uma Constituição que lhe tirava todos os poderes.

     Dom Pedro I, aliciado para a Maçonaria pelo todo poderoso ministro José Bonifácio, sabia que a independência do Brasil seria o primeiro passo para a República. Mesmo assim, concordou em ser iniciado e proclamar a Independência. Uma semana depois de iniciado na Loja Comércio e Artes já era Mestre Maçom.

     Sabia que era inevitável a independência. Para prepará-la, escreveu o Manifesto de Seis de Agosto – considerado por muitos historiadores como mais importante que a oficial proclamação de independência. Naquele documento, ele escreve: “... Eu, com o conselho dos Representantes populares, e na presença e sob a proteção de Deus Todo-Poderoso, Declaro e proclamo que o Brazil é uma Nação Livre e Independente, e que o Governo Estabelecido é em todos os atos um Governo Independente e Soberano. E a todas as nações amigas Eu declaro que os portos do Brasil estão livres e abertos ao Comércio...”

     Em 7 de setembro, voltando de Santos para São Paulo, recebeu despachos que lhe davam notícias das ordens intransigentes das Cortes de Portugal para a sua volta e do envio de expedições militares. À cavalo, rodeado pelos dragões de sua guarda de honra, uniformizados à austríaca, e dos membros de sua comitiva, arrancou da espada e gritou: “Laços fora, soldados! Pelo meu sangue, pela minha honra, juro fazer a liberdade do Brasil. Independência ou morte!”.

     Um dos despachos, no entanto, segundo Varnhagen, dizia que a independência já fora proclamada pela Maçonaria na sessão de 20 de agosto, “em assembléia geral do povo maçônico”, quando foram reunidas na sede do Apostolado, as três lojas metropolitanas, sob a presidência de Gonçalves Ledo. Cabia ao "irmão Guatimozim" apenas referendar a decisão, fazendo a proclamação da independência ao restante do povo brasileiro.

     Em 9 de setembro, em reunião maçônica no Grande Oriente do Brasil, Dom Pedro foi proclamado imperador. A 4 de outubro, Dom Pedro recebeu o título de Grão-Mestre da Maçonaria brasileira. No dia seguinte, 5 de outubro de 1822, foi-lhe dado o de “Defensor Perpétuo do Brasil”. Logo em seguida, o de “Arconte-Rei”.

     Os maçons se rejubilavam. Tinham o país nas mãos – do Imperador ao último cidadão. Então começou a briga entre eles. Uma das facções, a de Gonçalves Ledo, queria a república; a outra, a dos Andradas, era monarquista. O grupo republicano, de Gonçalves Ledo, ganhava cada vez mais forças. Assim, D. Pedro I alegando "haver muita divergência entre José Bonifácio e Gonçalves Ledo" (as duas principais lideranças maçônicas na época) simplesmente fechou o Grande Oriente do Brasil.

     E aquele ato uniu ainda mais a Maçonaria contra o Império. Depois de uma luta surda de bastidores, em 7 de abril de 1831 D. Pedro I abdicou em favor de seu filho, Pedro de Alcântara (Dom Pedro II) – o qual reinou de 1840 a 1889, quando foi deposto pelos militares maçons que deram o golpe que proclamou a República.

     Mas, naquele 7 de setembro de 1822, Dom Pedro I, prestes a tornar-se Imperador e “Rei-Arconte”, sabia que a independência custava caro. Mas não sabia o quanto!

A DEPENDÊNCIA ECONÔMICA

     Quando Dom João VI veio para o Brasil, em 1808, fugindo do exército de Napoleão, teve que pedir ajuda à Inglaterra, que escoltou os navios da corte portuguesa, com os seus navios de guerra, até a sua chegada ao Brasil. Em troca, quatro dias após chegar ao Brasil, Dom João VI promulgou uma carta-régia que decretava a abertura dos portos às nações amigas – um eufemismo que encobria a entrega dos nossos produtos, para comércio, para a Inglaterra.

     Assim, quando Dom Pedro I declarou que o Brasil era um reino independente de Portugal e teve de enfrentar a reação das tropas portuguesas no Brasil, como não tinha exército ou Marinha contratou mercenários ingleses sob ordens de chefes militares ingleses para fazer o que foi chamado depois de Guerra da Independência. Essa guerra durou até 1824, quando a independência do Brasil foi formalmente reconhecida pelo Reino Unido e por Portugal.

     Em 1824, para poder continuar mantendo o Brasil independente, Dom Pedro I autorizou a realização de uma operação de crédito na Inglaterra. O empréstimo foi feito em duas partes, cabendo o contrato da primeira a um consórcio das casas Farquar Crawford, Fletcher Alexander e Thomas Wilson, e o da segunda a Nathan Mayer Rotschild. Todos maçons.

     Depois, a casa Rotschild comprou todo o empréstimo. O total do empréstimo era de 3,7 milhões de libras esterlinas. Mas as cláusulas contratuais foram tão escorchantes que, pelo dinheiro da época, o Brasil recebeu 12 mil contos e ficou devendo 60 mil contos. Pela primeira vez foram hipotecadas as rendas das alfândegas. Era o início da infindável dívida externa brasileira, que empobreceu principalmente o povo brasileiro, enquanto os oligarcas, os donos do poder, as classes dominantes, enriquecem cada vez mais.

     Em 2008, o Banco Central do Brasil informou que o Brasil possui recursos suficientes para quitar a sua dívida externa. Pois o país registrou reservas superiores à sua dívida externa do setor público e do setor privado. Mas se usarmos essas reservas para pagar a dívida o país ficará... sem reservas. E este tipo de dívida em um país capitalista não é passível de ser paga. Constitui parte do jogo politico. Paga-se as amortizações dos juros da dívida, jamais a dívida. A dívida externa para junho de 2010, somou US$225 bilhões, elevando-se US$6,8 bilhões em relação à posição estimada para o mês anterior.

O RESULTADO

     Deodoro da Fonseca, Prudente de Moraes,Campos Salles, Rodrigues Alves, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Wenceslau Brás, Washington Luís. Toda a República Velha foi constituída por presidentes maçons, que nada fizeram pelo povo, mas lutaram pelos seus interesses pessoais.

     Depois, em 1930, Getúlio Vargas tomou o poder. Não era maçom, mas nacionalista. Foi deposto em 1945. Eurico Dutra foi eleito presidente, com o apoio do exército e da Maçonaria. Em 1950 Vargas foi eleito e alvo de campanhas difamatórias preferiu o suicídio a entregar o país a essas “forças ocultas”, que, na época, já eram aliadas dos Estados Unidos. Com a sua morte, assumiu a presidência o maçom Café Filho.

     De 1956 a 1961 foi presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, que era maçom, construiu Brasília e endividou ainda mais o Brasil. O maçom Jânio Quadros foi o próximo presidente eleito. Teve um curto mandato - de 31 de janeiro de 1961 e 25 de agosto de 1961 — data em que renunciou, alegando que "forças terríveis" o obrigavam a esse ato. Com a renúncia de Jânio, assumiu o vice João Goulart – apesar da resistência das Forças Armadas e da Maçonaria – que, por não ser maçom e desejar fazer um governo honesto e voltado para o povo, foi golpeado em 1º de abril de 1964.

     Seguiu-se uma terrível ditadura militar contra o povo, que durou até 1985. A Maçonaria juntamente com os militares, tentou liquidar com os movimentos de esquerda. No governo de Ernesto Geisel, no dia 15 de maio de 1974, o próprio Grão–Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil sendo senador e do partido situacionista, leu um oficio em que o Grande Oriente reafirmava o seu apoio ao regime de governo que se havia instalado em 1964.

     Nos anos ’80, durante o governo do general Figueiredo, não havendo mais necessidade de ditadura, foi feito um acordo de elites entre os maçons Tancredo Neves e Ulisses Guimarães, por um lado, e o maçom Golbery do Couto e Silva, por outro. Ficou acordado que as Forças Armadas passariam o poder para os civis e se retirariam para os quartéis, porque já era tempo do Brasil ostentar um regime “democrático”.

     Assim como no 7 de setembro, quando Dom Pedro I deu o famoso "Grito do Ipiranga" para proclamar uma independência que já tinha sido proclamada nas Lojas maçônicas, nos anos '80 - com o apoio da grande mídia - fizeram-se passeatas e “exigências populares” por “Diretas Já” e “Anistia” para parecer ao povo que era ele - o povo - que tomava a frente do processo político.

     Seguiram-se eleições indiretas, onde foi eleito o maçom Tancredo Neves. Com a sua morte prematura, tomou posse o maçom José Sarney. Em 1988, com a aprovação da nova Constituição, foi referendado o pacto das elites. As eleições diretas poderiam acontecer. O primeiro presidente eleito por voto direto foi o maçom Fernando Collor de Mello, que foi retirado do poder para dar lugar ao seu vice, o maçom Itamar Franco. Depois, o maçom Fernando Henrique Cardoso foi eleito duas vezes, sendo presidente por oito anos, período em que completou a obra dos seus antecessores ao implantar o neoliberalismo econômico e a era das privatizações, que entregou de vez o Brasil ao capital estrangeiro.

     Depois de FHC foi a vez de Lula. Mas somente depois que ele se transformou no “lulinha paz e amor”. Por seis vezes foi candidato a presidente da República. Na sexta vez, já devidamente domesticado, foi eleito. Há evidências de que Lula também tenha se tornado maçom e, por essa razão, daquela vez tenham lhe permitido vencer as eleições. O aperto de mão maçônico que ele trocou com George W. Bush é uma das evidências. E o seu governo é outra. Extremamente demagogo, pouco ou nada fez para diminuir as desigualdades sociais no Brasil, está reestruturando as Forças Armadas, seguiu o modelo neoliberal de FHC, fez uma aliança militar com os Estados Unidos e a sua base política inclui todos os partidos que quiserem participar. Não tem qualquer ideologia.

     E o que restou da influência maçônica no Brasil? Qual o resultado de tantos presidentes maçons?

     Desigualdade social, miséria, analfabetismo, fome, massificação, corrupção, entrega do Brasil ao capital estrangeiro. Tudo isso é tipicamente maçom.

     A Maçonaria no Brasil, que acabou com o Império, lutou contra a escravidão e deu o golpe que instituiu a República, não foi além disso.

     Hoje, nem todos os maçons são extremamente reacionários, mas todos são reacionários.

     A Revolução Francesa colocou no poder a classe burguesa, que já tinha o poder de fato através da sua força econômica. A partir da Revolução Francesa e da Independência dos Estados Unidos, todos os demais países seguiram aquele modelo – com uma fachada democrática que preserva a divisão de classes e o domínio das classes ricas.

     Até ali foi o “progressismo” maçônico. Aquele era o seu objetivo: o domínio e a manipulação do poder. E quando alcançaram o objetivo, deixaram de ser revolucionários.

     Passaram a reagir contra todo o tipo de revolução social, porque se sentiram ameaçados no seu trono imperial construído com juros a prazo fixo.

     Tornaram-se alienados, estanques, envelheceram junto com os seus conceitos que se transformaram em preconceitos. Mostraram-se retrógrados, defensores da divisão de classes, das anomalias sociais, da estupidez policial e das guerras.

     Fecharam-se em grades. Tem medo do povo. Medo do novo.
     Envelheceram e ficaram com medo da morte.
     Vivem da memória dos seus antecessores, que vestiram as mesmas vestes rituais e usaram os mesmos símbolos.
     De vez em quando, para não perderem o hábito, conspiram.
   Conspirações horizontais, visando a preservação e não a evolução.
     Morreram e não sabem que estão mortos.



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