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sábado, 4 de dezembro de 2010

POR QUE O COMPLEXO DO ALEMÃO?


No jornal virtual Diógeneshttp://www.diogenes.jex.com.br/ – um leitor, depois de ler a matéria “TRÁFICO É PRETEXTO PARA INTERVENÇÃO MILITAR”, colocou o seguinte comentário:

mano él - 2.12.2010 22:08:57:
em todos os estados do brasil, o trafico róla solto, em são paulo , minas gerias , enfim em todos os estados, porque o governo só interessa acabar o trafico no morro do alemão. isso é uma vergonha

     A respeito da matéria referida acima, publicada originalmente no site www.pco.org.br/conoticias, e depois no jornal virtual DIÓGENES, a chamada é muito interessante:

     “É com esse argumento que a polícia sistematicamente provoca inúmeros massacres nas favelas, realizando "operações" nas quais o alvo é qualquer um que esteja no caminho e que frequentemente acabam com uma enorme quantidade de mortos entre os trabalhadores que vivem ali. Até porque não há a intenção de acabar com o tráfico, mas apenas de controlar os traficantes para que não adquiram muito poder. Isso porque o tráfico de drogas, um negócio que envolve mundialmente bilhões de dólares evidentemente não está sob o controle dos tais traficantes dos morros, mas de pessoas muito mais poderosas, como banqueiros, que movimentam o tráfico internacionalmente e ficam com a maior parte do dinheiro. Isso para não falar que a polícia é sócia do tráfico nas favelas.”

     Mas esta não é a única razão, mano él. A invasão do Complexo do Alemão não é somente um pretexto para a intervenção militar dos boinas azuis brasileiros que treinaram bastante no Haiti as melhores maneiras de atacar o povo. Também é um pretexto, porque agora eles podem entrar e ficar e o povo aplaude sob a batuta da Globo, que é aliada do governo. Mas não é somente isso.

     Quando eu publiquei a matéria “DESRATIZAÇÃO NO RIO DE JANEIRO”, o comentário da leitora ccoppola foi bastante elucidativo. Veja:

FAUSTO

A obra do PAC está atrasada. Devia ser concluida em 2008, portanto......, sua análise é perfeita.

Veja os dados do projeto:

Função e significado estratégico do sistema de estruturação socio-espacial

Os objetivos principais do projeto são:

- desencravar a área do Complexo do Alemão como um todo, simbolicamente uma das mais problemáticas do Rio, e do Brasil;

- promover e facilitar uma nova conectividade da região do Complexo com os bairros do entorno e com a cidade;

- recompor as centralidades existentes introduzindo outras novas, junto com serviços e equipamentos de qualidade, criando uma nova acessibilidade;

- incorporar edificações de valor arquitetônico e urbanístico ao tecido da favela, capazes de atuar como reconfiguradores sociais e espaciais;

- resimbolizar o lugar criando marcas visíveis fortes da nova presença do Poder Público, mediatizada através das estações dos teleféricos e dos serviços, edificações e espaços públicos a elas associados;

- introduzir no contexto arquitetônico e ambiental da favela, equipamentos públicos de alta qualidade capazes de desencadear um processo de transformações e resignificação de todo o Complexo;

- realizar um tipo de intervenção estrutural, ativando pontos neurálgicos do tecido da favela;

- reduzir o movimento veicular dentro do Complexo, facilitando o deslocamento de pessoas.

Neste sentido, é um grande mérito do governador do Estado do Rio ter tido a perspicácia de perceber que o sistema de transporte que ele visitou em Medellín, poderia significar uma grande modificação da qualidade de vida em áreas carentes da cidade do Rio de Janeiro.

PAC COMPLEXO DO ALEMÃO.

E mais:

Área de intervenção : 1.813.000 m2

• População atual estimada: 80 mil habitantes

• Número de domicílios: 22 mil

Fonte: IBGE/2000 - projeção

• Valor da Intervenção: R$ 495 milhões

• Data de início das obras: abril de 2008

• Previsão de conclusão: agosto de 2010

E mais ainda:

Nome: Projeto do Teleférico do Complexo do Alemão

Fotógrafo: Divulgação

Evento: Divulgação Projeto do Teleférico do Complexo do Alemão

Categoria: Projeto

Data cadastrada: 02/07/2007

Descrição: Projeto do Teleférico do Complexo do Alemão com as estações de Bonsucesso, Morro do Adeus, Baiana, Nova Brasília, Alemão e Alvorada/Cruzeiro

Dá para entender, esse povo idiota e cego, que isso é uma ação realizada para determinados "fins"?

Desentocar os ratos era a questão. Como intervir numa área dominada pelos marginais?

E a pergunta, que você já respondeu:

- Como fica o Rio em 2014?

Quem sabe essa gente acorda.

abraços

28 de novembro de 2010 11:21

     Uma ação realizada para “determinados fins”, mano él, sacou?

     Não há interesse algum em acabar com o tráfico ou com os viciados. O tráfico é uma excelente fonte de renda para muita gente de “caráter ilibado” no Brasil – e principalmente no exterior. E quem sustenta o tráfico são os idiotas da classe média, classe média alta e burguesia, que não se contentam com os seus “drinks” diários e querem algo mais excitante para passar o tempo, enquanto combinam entre si a melhor maneira de fazer o povo de bobo.

     E não esqueça que vem por aí, a partir de 1º de janeiro, a mais nova invenção do PT e do Sistema, a nossa futura “Dama de Ferro”, que ninguém sabe de onde saiu, mas que o povo aclamou nas urnas, porque tinha muito dinheiro rolando durante as eleições, mano él.

     E essa pessoa que diz que passou três anos sendo torturada pela ditadura – e, se fosse assim, ao fim do primeiro mês já teria morrido – na verdade deve ter conversado bastante com os seus pseudo-torturadores, porque ninguém é presidente da República no Brasil sem um acordo prévio com os verdadeiros donos do poder, que são os militares. Com essas urnas eletrônicas que só tem no Brasil, no mínimo muito discutíveis, as eleições podem ser programadas e ninguém tem acesso à recontagem dos votos.

     E o PAC, obra da ex-ministra e seu programa de campanha. Aceleração do crescimento a qualquer preço. Mesmo que tenha que matar. Estamos ficando especialistas em genocídio. Quando ela fizer a hidrelétrica de Belo Monte e mais aquelas duas hidrelétricas em Rondônia vai ser por cima do cadáver de muitos seres, provocando muita desolação e desestruturando completamente o ecossistema das regiões afetadas. E não há desculpa que chegue a tempo para tudo isso, mano él.

     E se você me perguntar o que faz o Congresso a respeito, a resposta é rápida: nada! Os "representantes do povo" só representam os seus próprios interesses. Todos eles tem a espinha dobrada.

     E olha só o Lula, no que acabou virando, mano él. Dizem que quando ele foi no último encontro do UNASUL (União de Nações Sul-Americanas) as reuniões importantes eram feitas longe dele, porque já sabem que ele e sua turma no mínimo são suspeitos. Suspeitos de estarem ali como representantes oficiosos dos interesses de Washington.

     Na verdade, se pensarmos bem, nunca houve redemocratização no Brasil, mano él. O que houve foi uma troca de guarda.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

FICÇÃO


Vamos imaginar, apenas imaginar, uma grande empresa de telecomunicações que tem tanta influência, mas tanta influência em determinado pais, também imaginário, que é capaz de colocar e tirar presidentes, idiotizar completamente o povo, manipular consciências, provocar desejos e fazer até guerras civis.

     Virtuais, ou quase isso. Guerras civis sem o nome de guerras civis, sem o rótulo de guerras civis, mas guerras civis. Tudo pela audiência. Essa empresa se deu conta, desde a primeira guerra do Iraque, que guerra dá mais audiência que novela. As pessoas ficam hipnotizadas ao verem aquelas balas coloridas cruzando os céus, principalmente se for de noite, ouvindo explosões, vendo o fogo de prováveis alvos destruídos e ouvindo alguns narradores entusiasmados, que se revezam a cada hora, explicar como funcionam os ataques, as armas que são usadas, as situações que são criadas e as prováveis conseqüências de tudo aquilo. As pessoas acabam ficando entusiasmadas e a audiência é incalculável. Ganhos astronômicos.

     A empresa fictícia já tem o seu público certo, mas, também, existem outras empresas do mesmo ramo que estão crescendo e ameaçando abocanhar parte desse público. Então é necessário inventar algo novo. Por que não uma guerra civil? – diz alguém. É uma possibilidade. Tudo é possível, pois o país é tão fictício quanto a empresa. É claro que o país tem um território, pessoas dentro dele, um governo que governa as pessoas e essa empresa que governa o governo.

     Mas é um país fictício. Ninguém no mundo acredita em sua existência. Oficialmente ele existe – está delimitado em um mapa, tem uma História oficial, mitos particulares e a mística necessária em cima de tudo isso, tudo o que um país deve ter – mas é difícil acreditar na sua existência. As pessoas são sorridentes demais, acessíveis demais, cordatas demais, submissas demais, maleáveis demais, quase sem vontade própria, quase não são pessoas. Parecem animais domésticos, robôs programados. Dá um nervoso em todos os que chegam naquele país e sempre recebem um “sim” para qualquer pedido. Algo está errado naquele país. Ou certo demais.

     Mas aquela empresa, que manda em todos e em tudo, decide que algo deve ser feito, vamos mexer com esse povo, criar uma guerra civil, fazer com que se interesse por algo diferente daquilo que mandamos ele se interessar, precisamos de respostas e somente as enquetes não bastam, as inúmeras entrevistas estão ficando ociosas, alguém tem que nos contradizer em alguma coisa para que novos caminhos sejam abertos, precisamos fabricar um fato novo!

     Guerra civil. Mas como fazer uma guerra civil com um povo tão bom e pacifico? Supremo desafio! Surge uma idéia: existem bandidos no país...

- Bandidos? Mas não são aqueles que?...

- Aqueles mesmo!

- Mas são bandidos bons, somente seguem a tradição dos outros países...

- Mas usam e vendem drogas e drogas são proibidas.

- É claro que são proibidas! Mas faz parte do jogo: tudo o que é proibido é mais atraente, e as pessoas gostam de coisas assim, sentem-se motivadas.

- Pois é este o ponto. Mexer no fator de motivação das pessoas. Fazer com que elas se assustem, se entusiasmem.

- E depois?

- Depois, está criado o fato novo. E um fato novo gera novos acontecimentos, tomadas de posição, coisas novas acontecem dentro das pessoas e elas revelam desejos, contradições, mudanças de comportamento...

- Talvez fiquem mais alertas!

- Talvez fiquem mais alertas, despertem vontades adormecidas e nós estaremos aqui para satisfazê-las, e finalmente dominaremos todo o mercado.

- Genial! Dominaremos o mercado das vontades e das satisfações. Ficaremos anos-luz à frente das empresas concorrentes!

- Então, mãos à obra! Vamos fazer uma grande campanha, mostrando ao povo que os bandidos representam o Mal e que o Governo e as Forças Armadas estão do lado do Bem.

- Forças Armadas? Mas basta a polícia.

- Claro que basta a polícia. Mas o plano tem que ser completo. Não somente a idéia da luta do Bem contra o Mal. Olha só, faz muitos anos que as Forças Armadas estão desmoralizadas neste país. Houve aquela época da ditadura, quero dizer, do governo de exceção... Depois, o período em que o povo pode votar, uma nova Constituição, direitos civis assegurados...

- Estou começando a entender... Uma ditadura democrática, com as Forças Armadas sendo aplaudidas pelo povo...

- Ditadura democrática não. Vamos eliminar a palavra ditadura e trocá-la por Democracia Radical – o que você acha?

- Isso! E uma grande campanha na mídia mostrando o quanto as Forças Armadas são boas para o povo. Depois do primeiro impacto, quando a guerra civil estiver vencida, reconstrói-se a imagem das Forças Armadas. Esta é uma nova geração que aceita tudo o que dissermos.

- Perfeito, mas temos que analisar alguns detalhes.

- Claro. Por exemplo?

- Por exemplo, a relação da polícia com os bandidos, as milícias... Há um ganho muito grande – e para todos – com a venda de drogas. Não podemos acabar de repente com tudo isso. São muitos interesses em jogo.

- Interesses que continuarão sendo satisfeitos, ou você acha que a venda de drogas vai terminar? Nem pensar! É um dinheiro extra – e que dinheiro! – que, como você mesmo diz, é para todos. O problema é que aquele pessoal das favelas está pensando que é só para eles. Tem que levar uma lição!

- Mas e a polícia? E as milícias?

- Continuarão ganhando o seu. Apenas haverá uma transferência de funções. Incorporamos milicianos na polícia, fardamos eles... Fazemos um novo acordo, com bases mais satisfatórias para nós, com os traficantes.

- Mas não vamos combater os bandidos? Eliminá-los?

- Combater sim. Eliminar é outra coisa. Eles tem os contatos que viabilizam o tráfico. Continuará sendo essa a função deles.

- É claro que há alguns que deveriam ser eliminados...

- É claro. E serão.

- Uns cem, cento e cinqüenta...

- Talvez até duzentos, mas os outros serão necessários. Por isso a guerra civil: uma maneira de pegar esse pessoal oficialmente, ao mesmo tempo em que teremos uma audiência espetacular!

- Mas você sabe que algumas coisas ilegais – talvez até inconstitucionais – poderão acontecer...

- Nada que não possa ser justificado como ações pelo Bem Comum.

- Mas a Ordem dos Advogados, o pessoal dos Direitos Humanos e outros grupos do gênero poderão reclamar.

- Reclamar eles podem, mas falta para eles aquilo que nós temos: Poder. Um ou outro mais insistente poderá sofrer um acidente...

- Mas as leis...

- As leis existem para acalmar o povo. Ficções necessárias que atuam no subconsciente da massa para que ela se sinta mais protegida. A verdadeira proteção é física. E esta nós daremos a todos depois da guerra civil.

- É claro, o povo desejará a polícia ostensiva e a presença da Forças Armadas. Uma presença democrática...

- A nossa vantagem é que estamos numa democracia e devemos sempre reafirmar isso: tudo o que for feito será para o bem do povo, que é a maioria e democracia é o governo do povo, logo...

- E na falta de leis, uma pequena pressão no Congresso resolverá tudo.

- Perfeito. Agora só falta provocar a ação. Algo tem que acontecer para que as favelas sejam invadidas. Ônibus e carros queimados, por exemplo. Algumas ligações e pronto.

- Ligações para quem?

- Para os traficantes. Precisamos combinar essa guerra. Eles sairão perdendo no início, mas depois tudo irá se recompor em novas bases.

- Se tudo der certo, ao final teremos as Forças Armadas no poder, mas democraticamente. Esmagaremos a esquerda nesse país. Eles já são poucos, mas sempre incomodam.

- Com o apoio do governo democrático eleito pelo povo.

- Mas...

- Não se preocupe com mais nada. Só faltam aquelas ligações para confirmar detalhes.

- Para os traficantes?

- Para os traficantes, para o governo, para as Forças Armadas, para todos os interessados.

- Você falou na possibilidade de ônibus queimados, mortes...

- Natural. Não se faz um omelete sem quebrar os ovos.

- Os fins justificam os meios!

- Um brinde a isso, ou melhor, uma cafungada a isso: os fins justificam os meios!
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