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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

RONALDINHO CARIOCA


Como gaúcho e gremista acredito que Ronaldinho fez muito bem em escolher o Flamengo. E também acho que Ronaldinho deveria tirar o apelido de “Gaúcho”. Não se torna mais necessário. Se era para distinguir do outro Ronaldo, o Fenômeno, não há mais necessidade. Agora todos sabem quem é quem.

     Não é para querer ofender o povo carioca, mas acredito que seja consenso entre os gaúchos que Ronaldinho deveria adotar o apelido de “Carioca”. Ficaria mais adequado para ele. Claro que Ronaldinho nasceu em Porto Alegre e tem direito de ser chamado de “gaúcho”. Mas esse apelido, que apenas especifica o seu lugar de nascimento, torna-se, agora, demasiado.

     Além disso, a palavra gaúcho não designa apenas quem nasceu aqui no Rio Grande do Sul. Os catarinenses, com toda razão, são gaúchos, e a maioria dos paranaenses tem um sentimento de gauchismo. E não só no Brasil. Gaúchos, ou “gauchos”, são os uruguaios, os argentinos e os paraguaios, sendo que o Rio Grande é o centro dessa nacionalidade. Aqui se cultiva, talvez mais acentuadamente, no Brasil, o espírito de gauchismo.

     Há quem queira dizer que existe uma “ideologia do gauchismo”. Até já li algo a respeito. Ledo engano. Ser gaúcho é, antes de tudo, um estado de espírito agradavelmente nacionalista. As nossas crianças, quando aprendem as primeiras letras, e até antes, ficam sabendo que são brasileiras. Mas o professor ou professora sempre acrescenta: “e, além disso, você é gaúcho”. Aos poucos, as crianças aprendem, sem que sejam necessárias grandes teorizações, o que é “ser gaúcho”.

     E “ser gaúcho” tem a ver com honra, unidade nacional em torno de uma mesma história e cultura, sentimento interno de força que faz com que os gaúchos de verdade suplantem os maiores obstáculos sem nenhum queixume. Porque ser gaúcho é transcendência. Sem querer desfazer dos demais estados do Brasil, o gaúcho sabe que tem “algo mais”.

     Da mesma forma que o mineiro, o baiano, o macuxi, e todos aqueles povos que cresceram em torno de valores e tradições e formam o Brasil.

     Mas, infelizmente, desconfio que aqueles dois estados do sudeste que dominam o Brasil – São Paulo e Rio de Janeiro – não cultivem esse sentimento de nacionalismo próprio. O paulista é um aglomerado de pessoas de diversos estados, que procuraram ali o seu ganha-pão. Diversas culturas que ainda tentam organizar-se em uma só cultura. Tanto que os paulistas acreditam que a sua atual música regional tem o nome de “country” – mesmo que a música não represente toda a cultura de uma região ou estado.

     Não se percebe uma cultura nativa de São Paulo. Se há uma cultura, deve ser a do “crescimento acelerado”, adotada por Dilma. Algo assim como “vamos crescer de qualquer jeito, mesmo que seja necessário destruir o resto do Brasil, porque o que interessa é nóis”.

     O Rio de Janeiro é aquela coisa leve e suave. "Cartão postal do Brasil", Cristo Redentor, Ipanema, Copacabana, samba, futebol e até a ilusão da beleza das favelas cariocas. Podem chamar isso de cultura, mas acho muito pouco. As raízes daquela cultura estão à beira d’água salinizada. Capital do Brasil por muito tempo, arrogou-se o direito, junto com São Paulo, de dominar o nosso país.

     E agora, com o petróleo do pré-sal, valha-nos Deus! Em plena época do supremo capitalismo no Brasil, o Rio de Janeiro orgulha-se de ser o Estado mais rico. Isto, devido ao Lula, que também deveria ser chamado de Lula “Carioca”, assim como o Ronaldinho. Lula decretou que o dinheiro da extração de petróleo deve ficar apenas no Rio de Janeiro e Espírito Santo.

     Ele tem o direito de vetar – o que é um estranho direito, quando se diz que o Brasil é uma democracia. E vetou a emenda Ibsen Pinheiro, que previa a distribuição dos royalties da exploração do petróleo para todos os estados da federação. Isto, na pressuposição de que o petróleo é brasileiro e não apenas carioca.

     E são 26 estados, mais o Distrito Federal. Mas Lula vetou a emenda. E Dilma não fará diferente se a emenda for reapresentada. E o dinheiro do petróleo ficará apenas nos estados onde é extraído: Rio de Janeiro e Espírito Santo. Algumas migalhas irão para os outros estados. Mais uma prova de que o Congresso Nacional não tem força alguma e de que a União não é uma união.

     Às vezes eu fico pensando se o verdadeiro presidente do Brasil não seria o Sérgio Cabral... Com Dilma apenas fazendo a frente.

     Além disso, Rio e São Paulo são o centro da cultura brasileira. Por ridículo que isso seja. Explicando melhor, naqueles dois estados é criada uma “cultura”, que é chamada de brasileira, e espraiada para todos os demais estados do Brasil como sendo uma “cultura brasileira”. Faz parte da estratégia de dominação daquele centro de poder: vender um Brasil mentiroso para os demais brasileiros.

     Assim como os Estados Unidos nos vendem um mundo mentiroso - através das suas agências de informação, que tem as suas “informações” reproduzidas pelas redes de televisão brasileiras.

     Da mesma maneira, e usando a mesma estratégia, as grandes redes de televisão com sede no Rio e em São Paulo nos passam uma visão distorcida de um Brasil irreal através das suas novelas, núcleos informativos, entrevistas, etc. Tudo centralizado naquele pequeno eixo, como se o Brasil se limitasse ao que eles querem que acreditemos que seja Brasil. Uma visão norteamericanizada, porque paulistas e cariocas adoram norte-americanos.

     Percebem que eles – as redes de televisão deles – nunca, ou quase nunca informam sobre a América do Sul e Caribe, a não ser em caso de desastre, golpe de estado ou para criticar governos que não estão a mando dos Estados Unidos?

     A idéia é passar para os demais brasileiros que nós somos parecidos com os Estados Unidos, e devemos seguir a sua ideologia, e que fazemos parte da América do Sul por acidente.

     Nós, aqui no sul, percebemos isso claramente. Talvez por termos uma cultura própria, um modo de pensar e de agir que é somente nosso; talvez por formarmos uma nação de verdade.

     Mas percebemos, também, que muitos que nascem aqui, aqueles de uma mentalidade mais mesquinha e de pouco capacidade crítica, facilmente se deixam enganar pela subcultura do eixo Rio-São Paulo. De tal maneira, que gostariam de ir morar naqueles estados. São os que se transformam em malandros e chiam quando falam. Para esses, pagaríamos até a passagem de ida, mas só de ida.

     Mais uma razão para o Ronaldinho ficar no Rio de Janeiro: é lá que está o dinheiro. É lá que estão as grandes redes de televisão e toda a propaganda em torno de um Brasil idealizado por elas. É lá que se realizam grandes festas, torneios e campeonatos e outras coisas grandiosas e leves para agradar os olhos e o coração do povo mais ingênuo. Lá também se mata diariamente, por ordem do governo, mas o Ronaldinho é muito rico e deve ter muitos guarda-costas.

     Aqui no Rio Grande do Sul, a nossa riqueza é a honra, o orgulho, as tradições, a cultura, a força e a união. Ou, como gritou Sepé Tiaraju para os invasores mamelucos (que era o apelido dos paulistas): “Esta terra tem dono!”.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

DESTAQUES DE 2010


O ano de 2010 deixa saudades para alguns e tristezas para outros, como sempre acontece em todos os anos. Tivemos nascimentos, mortes, tragédias, guerras e momentos emocionantes...

     No Brasil, a eleição de Dilma e a convocação de “Dilmetes” para todos os cargos possíveis – desde segurança até Apontadora Oficial de Lápis Para a Presidente mostrou que a ideologia de Dilma é o Feminístico, ou a mistificação do feminismo. E este é o fato mais brega e engraçado do ano de 2010.

     Não escrevi sobre as lágrimas do Lula ao deixar o Palácio do Planalto com os seus muitos caminhões repletos de presentes – biscuits, fitinhas, porta-retratos, coisas assim... Ou sobre as enchentes ou o assalto às favelas do Rio de Janeiro. Ou, ainda, sobre as fabulosas vitórias dos nossos atletas em suas diversas competições.

     Esses assuntos mais importantes eu vou deixar para as grandes redes de televisão e suas equipes de reportagem.

     Este é um blog simples, limitado. Por isto, simplesmente, limitadamente, segue abaixo o que considerei alguns destaques do ano de 2010.


     A frase do ano: “Você sabe que eu tenho o poder do veto!”. Lula para o seu amigo Sérgio Cabral, sobre os royalties do pré-sal.

     A piada do ano: COP 16. Terminou como começou – emissão de gases 100%, principalmente dos participantes.

     O fiasco: a seleção dos Amigos do Dunga na Copa da África do Sul.

     Prêmio “Segredo de Estado”: a “zerésima” urna eletrônica brasileira. Todos desconfiam e ninguém tem certeza.

     Prêmio “Brumas de Avalon”: as eleições brasileiras com as inescrutáveis urnas eletrônicas.

     O canal de televisão do ano: Globo News, que provou que é possível não informar sorrindo.

     O canal de televisão estrangeiro do ano: Globo News (!), que também acumula o prêmio “Nós Amamos Os Estados Unidos”. Os jornalistas até sabem falar português.

     Prêmio “Time do Ano”: Mazembe.

     Prêmio “Mamãe Eu Quero”: PSDB e aliados.

     Prêmio “Amigo Secreto do Ano”: Aécio Neves, amigão do PT.

     Prêmio “Impostômetro”: vai para o brasileiro, que paga os impostos mais altos do mundo e ainda faz carnaval.

     Prêmio “O Que Será, Que Será?”: para Eduardo Suplicy (PT), que deu cartão vermelho para José Sarney (PMDB), no início do ano, pedindo a sua renúncia e o Sarney terminou o ano como presidente do Senado e aliado do PT.

     Prêmio “Luzes Que Se Apagam”: Yeda Crusius, que conseguiu a façanha de conquistar 19% do eleitorado na tentativa de reeleição como governadora do Rio Grande do Sul.

     Prêmio “Expectativa”: ao Supremo Tribunal Federal, por suas (in)decisões.

     Prêmio “Quem Sou Eu?”: INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), que continua atolado na beira da História.

     Destaque “Quase Poder do Ano”: a Câmara Federal, agora representada dignamente por Tiririca.

     Prêmio “Estória Infantil”: Os Três Porquinhos – de Dilma, la Rousseff.

     O idioma do ano: o Dilmês, somente inteligível pelos altos iniciados do partido da caríssima R$26.723 e todas as mordomias Dilma.

     Melhor Atriz: Marina Silva.

     Melhor Ator: Lula Silva.

     Melhor Atriz coadjuvante: Dilma Silva Rousseff.

     Melhor Ator Coadjuvante: José Serra (que não é Silva).

     Prêmio “Eu Voltei”: Antonio Palocci.

     Chefão do ano: Sérgio “Pré-Sal” Cabral.

     Morte anunciada: Julian Assange, criador do Wikileaks.

     Prêmio “Ditadura II – O Regresso”: Dilma, por arquitetar e construir a hidrelétrica de Belo Monte, em pleno parque do Xingu - o que provocará grande impacto ambiental e desalojará mais de 30 povos indígenas.

     Prêmio “Esquerda Amestrada”: PSOL.

     Prêmio “Direita Travestida”: PT.

     Prêmio “Este É Um País Que Vai Pra Frente”: Ministério da Educação, que acumula o prêmio “Comigo Ninguém Roda”.

     Prêmio Ignóbil da Guerra: Obama, por razões óbvias.

     O desmatador do ano: Aldo Rebelo, do patético PC do B, também conhecido como o partido pelego preferido do PT. Foi o relator do projeto que permitirá desmatar ainda mais a Mata Atlântica.

     O “CARA” do ano: Nelson Jobim – o poderoso invasor de favelas, que também leva o prêmio “O Haiti É Aqui”.

     Prêmio “WikiLeaks do Ano”: Nelson Jobim (de novo?), pela sua estreita amizade com o Grande Irmão do Norte.

     Prêmio “A Raça do Ano”: os nordestinos, segundo Dilma e seus fiéis crentes.

     Prêmio “Boneco Sorridente do Ano”: José Serra, que também leva o Prêmio “Me Engana Que Eu Gosto”.

     A intelectual: Dilma Silva Roussef, por suas inovações lingüísticas.

     Prêmio “Calcinha Preta”: para a semigótica música caipira, que pensa que é country e se diz sertaneja.

     Prêmio “Chico Buarque”: Ministério da Cultura de Dilma.

     Prêmio “Inteligência Artificial”: para os que desejam proibir Monteiro Lobato nas escolas.

     Prêmio “Zé Padilha Ataca Novamente”: “Tropa de Elite 2”, por defender a violência policial.

     Prêmio “Esperançoso”: Michel Temer, vice de Dilma.

     Prêmio “Temerária”: Dilma.

     Prêmio “Carnaval do Ano”: as eleições.

     Prêmio “Povo Brasileiro”: Tiririca.

     Prêmio “Bobo do Ano”: o povo brasileiro.

     Destaque artístico: Lucas Thomazinho. Um dos melhores pianistas brasileiros. 15 anos.

     Destaque de Honra: o povo grego que, ao contrário do brasileiro, vai para a rua e luta pelos seus direitos.


Um Feliz Ano Novo!

Fausto.

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