terça-feira, 6 de setembro de 2011

INDEPENDÊNCIA PARA QUEM?



Quem comemora independência no dia 7 de setembro? Com certeza não será o povo que recebe esmolas do governo para continuar apenas povo, sem nenhuma participação na política do país. O povo perdeu a sua independência desde que mataram Getúlio e, posteriormente, com o golpe militar de 1964, quando o Brasil foi entregue, gradativamente às multinacionais.

     E até hoje, com o governo entreguista de Dilma Roussef, um governo sem personalidade, apenas a extensão e a continuidade do corrupto governo Lula, com um Parlamento igualmente submisso a qualquer demanda do exterior. Esses festejam a independência. A independência deles, mas não a da nação.

     Independência que não existe, principalmente para a grande maioria de brasileiros que tem a miséria e a pobreza como único presente dos donos do país. E os verdadeiros donos, além das multinacionais, são os banqueiros, os latifundiários e os grandes empresários. Esses lucram com a miséria moral do governo e com a miséria de um povo que apela para outra moral para continuar sobrevivendo.

     E por isso é atacado e bombardeado pelas forças da repressão nos morros e favelas onde tenta subsistir.

     Não é por acaso que no dia da independência deles, há um aparatoso desfile militar em quase todas as cidades do Brasil. É para lembrar ao povo que, qualquer coisa, qualquer sintoma de revolta, os militares estarão atentos e bem armados para usar a sua argúcia e as suas armas contra o povo.

     Temos independência no Brasil com milhões e milhões de pessoas passando fome e sendo alimentadas apenas pelos discursos do poder? Há independência em um país que conta milhões e milhões de analfabetos que são usados como massa de manobra pelos escravocratas de mentes famélicas?

     Há independência em um país onde a grande maioria do povo só tem de seu a vontade de gritar contra uma situação da qual sabem que não podem sair e que não apresenta futuro para os seus filhos?

     Qual a independência que se pode festejar no dia 7 de setembro?

     A independência de um governo que destrói a Amazônia, que entrega os minérios da nação para quem der mais, que destrói as matas e o solo do país por ganância – através dos transgênicos, da monocultura e do desmatamento?

     A independência de poder votar periodicamente e nada mais além de poder votar? Votos que se transformam no poder de um grupo de conformistas e aproveitadores, aliados de todas as impurezas que mancham a nossa bandeira e a transformam em um pano colorido, sem qualquer significado para o povo?

     Qual a independência que existe no país que tem o maior número de impostos do mundo, que possui um dos piores sistemas de saúde e previdência social, que promove a deseducação no ensino, que empurra a maioria do seu povo para favelas, que tem fome no campo e nas cidades e um governo que diz que tudo vai bem?

     Independência para quem?

sábado, 3 de setembro de 2011

OS QUADROS


Estavam todos lá. Lula, Dilma, Zé Dirceu e os inumeráveis que mamam nosso dinheiro diariamente. Todos lá. Não faltou ninguém. O nome da coisa era Congresso do PT. Talvez ainda estejam lá. Um congresso não dura somente um dia. Ainda há chances. Por que pegar um por um em processos distintos?

     É claro que não é só o PT. Dizer que o PT é o único partido corrupto do Brasil é uma injustiça. A maioria daqueles partidos que formam o Congresso brasileiro são aliados, e os que não são aliados querem participar da grande aliança. Tem dinheiro para todos, novos partidos estão surgindo com a intenção de participar da festa.

     O dinheiro é nosso, mas quem somos nós? Apenas povo. E eles não ligam para povo a não ser em época de eleições. E nas eleições, todos sabemos como funciona aquela estranha máquina arrecadadora de votos, que eles chamam de urna eletrônica. Ou talvez não saibamos. Povo existe para não saber; somente para votar e ficar calado. Se for funcionário do governo deve aplaudir sempre, para garantir o emprego. Se não for, deve se contentar com futebol, carnaval e novela.

     Mas estavam todos lá. Ou estão todos lá. Festejando, discursando, trocando cheques e segredos místicos da política. É uma grande chance que não pode ser desperdiçada.

     É claro que a Veja errou ao dizer que o Zé Dirceu estava conspirando contra a Dilma. Faltou visão jornalística. Dilma é apenas um quadro, aquele que aparece para os discursos oficiais. Fazendo hora no governo, esperando o tempo passar, para depois dar lugar ao Lula, aos zés do PT, Palocci e todos os demais. Inumeráveis. O dinheiro é muito. Sobra para todos eles e para os seus aliados.

     Dilma foi escolhida para ser presidente porque não havia outro quadro disponível. Todos os outros chefes eram suspeitos de corrupção. A Dilma ainda não. Até agora. E tinha aquela estória de ter sido guerrilheira, de ter assaltado o Ademar de Barros, de ter sido torturada... Tudo isso atrai os votos dos ingênuos. Fora isso, Dilma nada. E os chefes do PT precisavam de alguém assim. Caiu do céu.

     Dilma é um quadro, nada mais. E um quadro é para ser usado, colocado ali, mudado pra lá. Mas quem manda mesmo? Lula? Zé Dirceu? Palocci? Algum general oculto nas sombras do poder?

     Provavelmente o PT também é um quadro, assim como os demais partidos que participam do jogo. Todos são quadros manipuláveis – os indivíduos e os partidos aos quais pertencem. Ganham muito dinheiro para continuarem como quadros. Ali, parados, fazendo o papel deles, com caras expressionistas ou impressionistas; alguns até cubistas, outros apenas abstratos. Mas quadros. À disposição dos donos.

     E estavam e estão todos lá. Trocando sorrisos e discursos de bem-aventurança; prometendo-se santidade e perfeição. Estavam e estão do jeito que sempre os conhecemos. Quadros na parede do poder a sorrir para a eternidade. E as mãos nos bolsos, segurando as cuecas, disfarçadamente. Todos lá. Que chance desperdiçada...!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A CONQUISTA DO PARALELO 33


O Paralelo 33 norte, que abrange grande parte das terras emersas, tem sido objeto de guerras de conquista através de toda a História conhecida das civilizações.

     O Império Romano não descansou enquanto não conquistou o Egito, a atual Líbia, e toda aquela região do norte da África. Expandiu-se um pouco mais e alcançou a Palestina e Israel. Dominou inteiramente o mar Mediterrâneo e as regiões adjacentes, a ponto de chamar o Mediterrâneo de Mare Nostrum. E ali fincou o bastão do seu império.

     Alguns séculos antes, Alexandre tinha feito o mesmo trajeto de conquistas, com a diferença de que foi até a Índia e parou às margens do Ganges, por exigência dos seus soldados, cansados de tantas guerras.

     A tomada do Egito por Napoleão foi considerada inexplicável para alguns, porque fugia do teatro da guerra européia, mas muito proveitosa para os sábios que acompanharam aquela expedição guerreira, porque ali, no Paralelo 33, puderam tomar contato com outros povos e adquirir novos conhecimentos. Sempre é bom lembrar que foi Champollion que deu início à decifração dos hieróglifos ao deparar-se com a pedra de Rosetta. Isto, o que sabemos; a ponta do iceberg que foi permitida ser tocada pelos historiadores. Napoleão era maçom e tivera conhecimento de assuntos que a nós profanos, são vedados.

     Durante a II Guerra Mundial ficaram famosos os combates na Líbia, principalmente em Tobruk. Calculavam os estrategistas dos dois lados em confronto, que aquele que tomasse o norte da África e demais regiões do Paralelo 33 estaria com a vitória a meio caminho. Nunca é demais lembrar, também, que a I Guerra Mundial começou nos Bálcãs, a região mais estratégica da Europa, bem perto do Paralelo 33. E o atentado que serviu de estopim para aquela primeira guerra européia, segundo muitos, teria sido ordenado pelos Iluminados da Baviera – os Illuminati.

     Desde o início deste século temos visto a invasão de países, como Afeganistão e Iraque, em 2003, sob a desculpa de terrorismo islâmico, pelos Estados Unidos e seus aliados. Não foi um ato repentino ou impensado, mas planejado com todo o cuidado, que teve como motivo aparente a derrubada das torres gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque. Sabe-se, mesmo dentro dos Estados Unidos, o quanto aqueles atos são suspeitos de terem sido feitos por pessoas ligadas ao governo estadunidense e aventou-se a possibilidade de que por trás estariam os Illuminati infiltrados na Maçonaria, que governa o governo dos Estados Unidos. Há vários indícios que apontam para isso, que eu coloquei em três de minhas matérias neste blog.

     Os Illuminati, ou Iluminados da Baviera, é uma organização secreta luciferiana, criada por Adam Weishaupt, no mesmo ano da independência dos Estados Unidos, em 1776. Se somarmos 4 mais 7 (julho – dia da independência), encontramos o número 11, um número muito importante para os Illuminati – basta lembrarmos o 11 de setembro de 2001. E se acrescentarmos ao 11 o número do ano (2001) que as torres gêmeas foram derrubadas, que é 3, encontramos o número 5.

     O número cinco equivale ao pentagrama no simbolismo ocultista, sendo que o pentagrama pode ser utilizado, em operações mágicas, de duas maneiras. A primeira é com a ponta virada para cima, simbolizando uma estrela e a busca de contato com seres espirituais. A segunda maneira é com a ponta do pentagrama virada para baixo, lembrando um bode, que revela a busca de poderes materiais através das forças telúricas, a magia negra.

     Observe-se que o dia da independência dos Estados Unidos – 4/7/1776 – é igual ao número cinco (5), quando se somam todos os números, reduzindo-os, depois, para um único número da escala numerológica de 1 a 9. Ou seja: 4+7+1+7+7+6 = 32 = 3+2 = 5. O mesmo acontece com o dia em que as torres gêmeas foram implodidas, ou derrubadas, como queiram. Somando-se 11+9 (setembro) + 2001 encontramos 23 ou 2+3 = 5. E o número 5 também significa mudança. Naquele dia do atentado às torres gêmeas, os Illuminati estariam anunciando aos seus confrades que estava começando uma mudança que instituía a Nova Ordem Mundial. Cabe lembrar que a sede da máquina de guerra dos Estados Unidos foi construída na forma de um pentagrama - e por isso é chamada de Pentágono.

     Vários pesquisadores tem afirmado que os Illuminati se infiltraram na Maçonaria com o objetivo de utilizá-la como veículo para a concretização dos seus objetivos. Que muitos maçons nada saberiam a respeito, principalmente aqueles iniciados nos primeiros graus da seita. Mas, se é assim, porque os maçons, que sempre controlaram o governo dos Estados Unidos e demais governos europeus, se deixaram induzir facilmente pelos Illuminati? Não seria mais lógico admitir que a própria Maçonaria atual e os Illuminati são uma coisa só, com um único objetivo, que seria o total domínio do mundo e o controle das pessoas?

     Saint-Martin, que deu origem à Ordem Martinista, foi maçom, mas pediu para sair da Maçonaria quando soube que os objetivos daquela seita, na época da Revolução Francesa, deixavam de ser espirituais, pregando o ateísmo e o domínio da razão. Também por isso os martinistas foram muito perseguidos durante aquela sangrenta revolução, sendo que mais de quarenta dos seus membros foram guilhotinados, segundo Papus. O mesmo Papus (pseudônimo de Gerard Encausse) considerava a Maçonaria da sua época algo bastante superficial no que tange a aspirações místicas e espirituais. As lojas maçônicas tinham se transformado em lugares onde se conspirava ao velho estilo Illuminati.

OS TEMPLÁRIOS

     Na época, a Maçonaria tinha apenas três graus: Aprendiz, Companheiro e Mestre. C.W. Leadbeater, em “O Rito Escocês Antigo e Aceito” (http://www.samauma.biz), conta como o cavaleiro Ramsay proferiu célebre palestra em 1737 na Grande Loja Provincial da Inglaterra em Paris. Naquela ocasião, Ramsay, que era graduado pela Universidade de Oxford e membro da Real Sociedade, teria feito afirmações revolucionárias que originaram o Grau 33. Ainda conforme Leadbeater, no texto referido, “foi um discurso toleravelmente bom, porém sem nada de extraordinário; não obstante, logrou dar o impulso que justamente se necessitava para por em atividade o movimento francês do alto grau, e daí em diante os criadores dos altos graus passaram a considerar Ramsay seu padrão e modelo.”

     Entre outras coisas, Ramsay afirmou que a Maçonaria se originava dos cavaleiros Templários, o que foi uma surpresa para burgueses e nobres que se reuniam em lojas maçônicas para conspirar contra Luís XVI e apenas sabiam da Maçonaria que era uma herança das antigas guildas de operários que construíram as catedrais – a Compagnonage. Depois, a Maçonaria Operativa – que usava palavras e sinais de passe entre os irmãos construtores para que o segredo das construções permanecesse dentro daquela classe de trabalhadores – foi influenciada a deixar que ilustres membros da nobreza inglesa a infiltrasse, em troca de proteção. Formou-se a Maçonaria Especulativa, em1717, fortemente influenciada por tradições e lendas judaicas que, mais tarde, passou a chamar-se simplesmente Maçonaria, uma organização secreta altamente elitista, permeada pelos Illuminati, que se arrogava o direito de prescrever o mundo no qual as pessoas deveriam viver.

     Por isso, naquela noite em que o cavaleiro Ramsay proferiu uma palestra em que dizia que a Maçonaria provavelmente fosse mais antiga que os maçons, os nobres e burgueses presentes ufanaram-se da sua antiguidade, uma vez que antiguidade costuma relacionar-se com nobreza e posses.

     Principalmente a posse de segredos, porque o maior poder do mundo continua a ser a informação privilegiada – como diria Palocci. E uma das informações privilegiadas daqueles cavaleiros que se diziam defensores dos peregrinos da Terra Santa – e ficaram conhecidos como Templários, porque tinham como sede o templo de Jerusalém – teria sido a descoberta, conforme Leadbeater, no texto citado, “numa sepultura, pelos Cruzados Escoceses, da inefável Palavra há muito perdida, em cuja procura tinham de trabalhar com a espada numa mão e a trolha na outra”.

     Na verdade, não era mais o Templo de Jerusalém, mas a Mesquita de Omar que foi ocupada pelos Templários. O primeiro Templo, que teria sido construído durante o reinado de Salomão foi destruído completamente pelos babilônios no ano 586 a.C. Aquele era o templo que continha a arca da aliança. O segundo templo foi construído por Zorobabel, com permissão de Ciro, rei da Pérsia (atual Irã), pela elite judia que tinha sido levada cativa por 70 anos – mas já não continha a arca da aliança. O povo judeu que construiu o segundo templo não recuperou o antigo poder e teve de se submeter aos povos da região (hoje chamados de palestinos), à invasão de Alexandre da Macedônia e, posteriormente, ao imperialismo romano.

     Foi na época do domínio romano que houve uma completa reforma do segundo templo – que foi apelidado de “terceiro templo” – aumentando-se a altura do templo de sessenta côvados, mas sem que as suas estruturas fossem mexidas ou alteradas. Quando houve a revolta dos judeus contra os romanos, o templo foi totalmente destruído, no ano 70 d.C. No entanto, o imperador mandou que o pedaço de um muro da cidade, próximo ao templo, não fosse destruído, a fim de que se construíssem fortalezas, o que, entretanto, não ocorreu. Este pedaço do muro que ficou intacto, hoje é considerado o mais sagrado dos locais do Judaísmo e chamado de “Muro das Lamentações”.

     Mais tarde, com a conquista de Jerusalém pelos muçulmanos foi construída, no mesmo local do primeiro templo, a Cúpula da Rocha ou Domo da Rocha. Segundo antigas tradições, teria sido o lugar de partida da Al Miraaj (viagem aos céus realizada pelo profeta Maomé). A Cúpula da Rocha serviu para os alicerces em que estão apoiadas as fundações localizadas no subsolo da Mesquita de Omar. Segundo as estimativas de historiadores mais minuciosos, sob essas fundações existe uma "rocha sagrada", localizada exatamente sob a cúpula da Mesquita de Omar. Ou seja, no cume de um altiplano denominado Monte Moriah existe uma construção que inscreve um altar usado em sacrifícios. A Mesquita de Omar, que está sobre a Cúpula da Rocha, ainda não pode ser retomada ou destruída pelos judeus porque é parte integrante da paisagem de Jerusalém e patrimônio da humanidade reconhecido pela UNESCO como interesse histórico, turístico e arquitetônico.

OS SANTOS SEGREDOS

     Naquele lugar sagrado e misterioso os nove cavaleiros que deram origem à Ordem do Templo teriam feito uma importante descoberta. Muito provavelmente, não uma descoberta por acaso. A mídia oficial devidamente doutrinada costuma passar para o público que as guerras acontecem devido a uma necessidade de conquista ou motivadas pela fé, como foi o caso da expansão muçulmana e das Cruzadas.

     Como todos sabem, as Cruzadas surgiram como consequencia de um grande movimento patrocinado pela Igreja que tinha como motivação oficial a conquista da Terra Santa. E principalmente a conquista de Jerusalém.

     Em 1118, depois que Jerusalém já era território cristão, nove cavaleiros apresentaram-se ao rei Balduíno II dizendo que tinham o propósito de fundar uma ordem para proteger os peregrinos. Imediatamente o rei lhes cedeu um lugar nas proximidades da Mesquita de Omar, que tinha sido construída por volta de 692, exatamente no lugar do primeiro templo judeu.

     E ali aqueles nove cavaleiros ficaram durante quase dez anos, até que o papa Inocêncio II, em 1128 e por intercessão de Bernardo de Clairvaux, que escreveu a regra da Ordem do Templo, aprovou a Ordem e a colocou diretamente sob a autoridade do Vaticano.

     A pergunta que todos se fazem é o que aconteceu naquele período em que os Templários se organizaram como ordem quase secreta? O que eles descobriram? Alguns dizem que foi o Graal; outros, que teria sido a Arca da Aliança. Informa Leadbeater que em uma sepultura teria sido descoberta “a inefável Palavra há muito perdida”. O que dá o que pensar.

     Se invertermos o que se conhece da história daquele período e dissermos que, devido a informações confidenciais alguns nobres europeus teriam formado uma ordem secreta, antes das Cruzadas, e passado alguma coisa dessas informações para o Vaticano, incentivando-o a promover as Cruzadas, não para conquistar a Terra Santa por motivos místicos, mas para tomar posse de determinados itens sagrados que lá se encontravam, talvez não estejamos errados.

     Porque é muito provável que os nove cavaleiros que foram à corte de Balduíno II requerer um lugar para fundar a Ordem dos Pobres Soldados de Cristo e do Templo de Jerusalém – os Templários – já soubessem exatamente o que fazer quando ali chegaram. E teriam passado aqueles quase dez anos trabalhando como arqueólogos, na busca da corroboração das informações recebidas. E somente quando tiveram aqueles itens em mãos foram reconhecidos pelo Vaticano como uma Ordem especial. E ficaram imensamente poderosos em toda a Europa por mais de duzentos anos.

     Uma das acusações que pesou contra os Templários, quando da extinção da ordem, foi justamente a de renegar Cristo. Renegarem a santidade de Jesus e se aliarem a outras ordens secretas do Oriente Próximo – como a dos sufis e a do Velho da Montanha - que lhes teriam passado interessantes segredos mágicos, mas magia negra, magia ligada à conquista dos bens terrenos.

     O fato é que eles procuraram e acharam algo dentro ou nas imediações do antigo templo de Jerusalém, e Jesus, assim como a primitiva religião cristã, nada tinha a ver com o Judaísmo ou com o Templo. Apesar de a Bíblia conter os principais livros das duas religiões, Judaísmo e Cristianismo tem concepções opostas. Basta lembrar que o Cristianismo primitivo pregava a igualdade e a busca de bens espirituais e não dos bens terrenos. E os Templários teriam achado alguma coisa, ou uma série de itens, dentro do antigo Templo judaico que lhes trouxe poder material, apesar de estarem unidos ao Vaticano, mas este já tinha judaizado desde Constantino e o I Concílio de Nicéia.

     Outro fato interessante é que a Maçonaria é toda ela baseada no Judaísmo, a começar pelos templos maçons, que são réplicas do Templo judaico. Além disso, os maçons adotam o calendário judaico e não o cristão, e os três primeiros graus tem como base a Lenda de Hiram, que teria sido o construtor do 1º Templo de Jerusalém. Por esses tópicos, não estará errado se afirmar que a Maçonaria é uma extensão do Judaísmo. Um Judaísmo ocidentalizado, com grande força de penetração nos governos europeus, desde que esses começaram a se organizar durante a Idade Média e necessitaram do dinheiro que captavam dos judeus – que estavam dispersos, mas atuantes em toda a Europa - através de vultosos empréstimos.

O RITO ESCOCÊS

     O rito Escocês, com trinta e três graus, embora tenha sido aparentemente criado a partir do discurso de Ramsay, na França, se estabeleceu primeiramente nos Estados Unidos, exatamente em Charleston, por onde passa o Paralelo 33.

     Lá, sempre segundo Leadbeater, “em 1761, apenas três anos após a sua fundação, o Conselho dos Imperadores do Oriente e Ocidente outorgou uma carta patente a um tal Stephen Morin para estabelecer a perfeita e sublime Maçonaria em todas as partes do mundo, constituindo-o Grande Inspetor do Rito de Perfeição.” Mas, “Stephen Morin foi também infeliz na escolha de seus lugares-tenentes, pois em muitos casos eram judeus de reputação não muito boa, e é por meio destas mãos algo sujas que temos de investigar o Rito de Perfeição durante os quarenta anos subseqüentes. O rito atravessou um período de obscurecimento, quando os graus eram vergonhosamente vendidos a quem quer que comprasse os seus títulos, ao passo que o significado interno das cerimônias foi quase esquecido” – lamenta-se Leadebeater.

     Continua Leadebeater: “Mas embora se houvesse perdido o esplêndido conhecimento oculto dos Imperadores e os ritos fossem despidos da maioria de seu poder, as sementes da sucessão foram ainda assim transmitidas, mesmo de judeu a judeu - Moisés Cohen, Isaac Long, Moisés Hayes, Isaac da Costa de Charleston e outros - até que para o Rito foi guiada uma classe superior de egos, iniciando-se então uma nova era. Este Rito foi estabelecido em Charleston em 1783 por Isaac da Costa, que foi nomeado Deputado-Inspetor em 1783 por Moisés Hayes. Ver-se-á que as autoridades do Rito se atribuem definitivamente uma sucessão.”

     Durante aquele período do estabelecimento do Rito Escocês a partir dos Estados Unidos, talvez para dar maior ênfase ao rito, alegou-se que Frederico II, em seu leito de morte, teria ratificado as leis que ainda regulam o Rito Escocês e que ele teria constituído pessoalmente o grau 33, delegando seus poderes, como Soberano da Maçonaria, a nove maçons em cada país. Mas outros afirmam que tudo isso não passa de invenção. Sempre segundo o texto citado de Leadebeater, “a verdade é que Frederico não tomou nenhuma parte ativa no Rito de Perfeição; jamais ratificou a Constituição nem criou o 33º”. Mas, acrescenta o mesmo autor, “Em 1785, um ano antes da morte do rei, encontramos uma carta endereçada a Frederico por um tal Salomão Bush (judeu, com certeza), Deputado Grande Inspetor da América do Norte, pedindo-lhe o reconhecimento de uma Loja que ele havia consagrado”.

     Salomão Bush.

     O fato é que o Rito Escocês teve grande acolhida nos Estados Unidos. Tendo como ponto principal a idéia da vingança de Jacques De Molay, que justificava a lenda da morte de Hiram e sua vingança posterior, deu motivo a que os maçons norte-americanos acreditassem que eram herdeiros de grandes verdades e que os Estados Unidos estariam destinados a conquistar o mundo. Tudo segundo a agenda Illuminati.

     Como qualquer organização política, mas com cunho ocultista, os maçons estadunidenses passaram a ter uma “ideologia” esotérica que justificava as suas ações imperialistas. Consideram-se herdeiros de verdades ancestrais, verdades essas que teriam pertencido aos cavaleiros Templários que em sua época foi a organização mais poderosa do Ocidente.

     Entre essas verdades está a descoberta do Paralelo 33 norte, que a partir de Charleston, onde foi criado o Rito Escocês com trinta e três graus, passa por lugares extremamente estratégicos. E um país que deseja conquistar o mundo deve dominar esses lugares.

     O Paralelo 33 passa pela Argélia, Tunísia, Líbia, Israel (principalmente os disputados montes de Golan), Síria, Jordânia, Iraque, Irã, Afeganistão, Paquistão, Caxemira, Índia, Aksai Chin, China, Japão, Estados Unidos, Portugal, Marrocos e Argélia. Passa pelo Mediterrâneo, Mar da China Oriental e partes do Oceano Pacífico e Oceano Atlântico. Quem conquistar a maioria dessas regiões será dono do mundo.

     Depois que destruíram a União Soviética, que era o principal entrave à sua expansão – durante a “guerra fria”, que poderia ser considerada como a legítima Terceira Guerra Mundial – a partir dos anos 1990 os Estados Unidos reiniciaram os seus planos de conquista. Quando entrou o século 21, os objetivos estavam claramente delineados – a conquista deveria ter como base a posse dos países do Paralelo 33, a espinha dorsal estratégica da humanidade.

     Primeiro foi o Afeganistão, depois o Iraque e o Paquistão, que não está oficialmente ocupado, mas tem diversas bases militares norte-americanas. Pensaram em atacar o Irã, mas perceberam que, primeiro, deveriam ter os países do norte da África nas mãos. Para isso usaram a alienação das massas, muita infiltração dos seus serviços secretos e a tecnologia da Internet, como Facebook e Twitter. Os fatos históricos, assim como a vida, não ocorrem por geração espontânea.

     Tunísia e Egito foram conquistados facilmente, locais onde os governos foram trocados para que o principal entrave do norte da África – a Líbia – pudesse ser infiltrado em uma penetração em forma de cunha – através do Leste e do Oeste do país - por mercenários fortemente armados, que apelidaram de “rebeldes”. Como isso não foi o suficiente, as forças da OTAN encarregaram-se do resto.

     Agora é a vez da Síria. A estratégia é a mesma que foi utilizada na Tunísia e no Egito, e tentada na Líbia. Insuflar o povo através da Internet. Na hora certa, a OTAN entrará em cena. Com a destruição próxima do governo da Síria, Israel poderá expandir-se. Depois virá a Jordânia e o Irã, assim como a Argélia. O caminho estará aberto para uma grande pressão sobre a Índia, talvez forçando uma troca de governo pró-Ocidente. A partir da Índia, o Tibete estará a um passo e a China cercada terá de ceder às pressões econômicas ou aceitar a guerra.

     Esta a visão linear de uma estratégia bem organizada para a conquista do Paralelo 33 e do mundo. Mas a História não é linear.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

DILMA CANSOU DE FAXINA



Dilma mudou de ideia. Não quer mais saber de faxina. Disse, quarta-feira passada, que vai deixar a faxina ética em segundo plano. Isso, segundo todas as fontes confiáveis, mas acredito que essas fontes interpretaram mal o pensamento da nossa presidenta com “a”. Como se sabe, Dilma fala o dilmês, uma língua própria, às vezes não devidamente interpretada pelos meros mortais que não pertencem à turma do MEC que tanto deseja destruir a língua portuguesa.

     Ou reconstruí-la de acordo com a inteligência superna dos votantes do partido do governo. Há quem afirme que a novilíngua que está sendo proposta e imposta pelos pós-doutores do MEC – para que os votantes acreditem que aquela máquina de votar é igual a uma urna eleitoral de verdade e que falar portugueis é o mesmo que falar português – é inspirado no português camoniano – ou camonesco, conforme ele diria – do Lula .

     Observem que agora, depois de deixar o governo, Lula transformou-se em um doutor. Diversas universidades amigas deram a ele o título de Doutor Honoris Causa – e ele acreditou. Conforme as informações confidenciais que tenho (quem dá mais?), o MEC teria se baseado no camonesco falar do doutor Lula, agora aperfeiçoado para o dilmês dílmico para lançar a língua do “nóis temo i nóis tamo” como inculta, mas bela.

     Língua que está sendo aperfeiçoada gradualmente pela futura doutora Dilma. Sempre que ela fala todos pedem intérpretes e, às vezes, os jornalistas a interpretam mal. Assim, quando ela supostamente disse que deixaria a faxina ética em segundo plano, penso que queria dizer que estava deixando a faxina e a ética em segundo plano. Ficaria mais adequado não só ao discurso dilmês como à realidade brasileira.

     No mesmo dia, ela disse que o Brasil não é igual à Roma antiga – o que, convenhamos, significa um grande avanço nos seus conhecimentos. Tenho certeza que ela fez essa declaração visando aprofundar a cultura dos seus votantes, pois muitos deles, talvez a maioria, acreditam que o Brasil é a Roma antiga. Ou qualquer outro país, menos o Brasil. De preferência os Estados Unidos. Mas Roma antiga também serve. Para extirpar esse erro - principalmente da mente dos trabalhadores do MEC – a trabalhadora Dilma disse que não, que o Brasil não é igual à Roma antiga.

     Não sei se ela afirmou isso para rejubilar-se, porque aqui não temos leões que comem cristãos em arenas, mas apenas arenas de futebol, sem nenhum leão dentro e as feras que restam no Brasil, como onças, por exemplo, estão sendo devidamente exterminadas por projetos contra a natureza, como Belo Monte, ou se ela afirmou que o Brasil não é igual à Roma antiga com um certo ar de nostalgia. Nunca se sabe exatamente o que Dilma fala, quando fala.

     Mas o fato é que ela disse que chega de faxina. Que não gosta nem da palavra faxina. Que a única faxina que fará será a faxina contra a miséria. Mas isso já está acontecendo, embora talvez ela não perceba. Não faltam polícias especializadas para matar suspeitos de miséria e pobreza, no Brasil inteiro. E Exército, Marinha e Aeronáutica estão atuando fortemente nos morros cariocas para extirpar a miséria, com seus tanques e metralhadoras, antes da Copa do Mundo. E também são mortos os trabalhadores sem terra e os que protestam contra o latifúndio, contra o desmatamento desenfreado e acelerado do Brasil de Dilma, que pensa que isso é progresso.

     Mas ela não quer mais faxina. Não só disse que faxina ética – ou faxina e ética – ficam para segundo plano no seu governo, como quer e está acabando com a miséria, ou a escondendo embaixo do tapete ou nas valas comuns. Não só afirmou – ou deu a entender - tudo isso como reconheceu que o Brasil não é a Roma antiga – para suspiros profundos de alguns e alegria de outros.

     E disse que não quer mais demitir ninguém, por mais que os jornalistas bradem e mostrem os antros de corrupção no Executivo, também conhecidos como ministérios. Demitir nem pensar! Principalmente se for de algum partido aliado ou aliadíssimo, como o PMDB. Já imaginaram se continua a demitir todos os corruptos do seu governo?

     Duas coisas aconteceriam. Primeiro, o povo brasileiro teria a certeza de que o governo Lula foi extremamente corrupto; governo que incluía Dilma, com dilmês e tudo. Porque Dilma apenas confirmou as equipes dos ministérios que eram do Lula. Segundo, Dilma seria a última a sair e teria a grande responsabilidade de apagar a luz.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

GETÚLIO, UM BRASILEIRO


Foi jornalista nos seus tempos de estudante de Direito. Era positivista e acreditava na doutrina de Auguste Comte, assim como toda a sua geração. Formou-se como bacharel e pouco atuou na advocacia; logo foi indicado para o cargo de promotor, onde ficou pouco tempo. A sua vocação era a política. Foi eleito como deputado federal e no Rio de Janeiro percebeu como a nossa pátria estava entregue aos interesses de paulistas, mineiros e cariocas. Como hoje.

     Mais tarde, como Presidente do estado do Rio Grande do Sul, que equivalia a Governador, liderou uma revolução, em 1930, liquidando com a República Velha e com feudalismo dos estados em relação à União. No poder, sentiu que não tinha poder. O Brasil não era dos brasileiros, e o seu governo, as suas idéias e a razão de ser da revolução somente teriam alguma força se fossem apoiados pela legítima força do povo.

     Mas o povo não sabia que tinha força ou que poderia ter força. Acostumara-se a ser escravo das oligarquias que desejavam se eternizar. E foram essas oligarquias que o combateram em 1932, porque se sentiam ameaçadas por um poder que para elas era estranho e começava a acontecer a partir do apoio popular.

     Mas foram derrotadas, porque naquela época, o Brasil tinha militares nacionalistas. Com a vitória, consolidou-se o poder. Criou o Ministério da Indústria e Trabalho, o Ministério da Educação, o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação e Cultura. Criou o primeiro Código Eleitoral do Brasil, o voto secreto, o voto feminino e a Justiça Eleitoral. Outorgou a constituição de 1934, ampliou os direitos trabalhistas, consolidando-os pela CLT. Criou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Correio Aéreo Militar, depois Correio Aéreo Nacional e o Departamento de Aviação Civil.

     Disciplinou o ensino superior no Brasil, criou o Departamento Nacional do Café, o horário de verão e o Departamento de Correios e Telégrafos (ECT). Regulamentou, no Brasil, o exercício da medicina, odontologia, medicina veterinária, da enfermagem e da profissão de farmacêutico. Instituiu, através do decreto nº 21.175, a carteira de trabalho, ou carteira profissional. Foi garantida, aos trabalhadores do comércio, a jornada de trabalho de 8 horas diárias e 48 horas semanais. Essa duração da jornada de trabalho foi estendida aos trabalhadores da indústria.

     Criou o Instituto Nacional do Açúcar e do Álcool, o Código Florestal, o Instituto Nacional de Estatística (IBGE), o Código da Águas.

     Regulamentou a sindicalização das classes patronais e operárias, tornando-se obrigatória a aprovação dos estatutos dos sindicatos trabalhistas e patronais pelo Ministério do Trabalho. Regulamentou, através de decreto, a concessão de férias aos empregados em estabelecimentos comerciais e bancários e em instituições de assistência privada bem como em secções comerciais de estabelecimentos industriais, assim como também regulamento a concessão de férias aos empregados na indústria, sindicalizados.

     Criou o Banco Central e em agosto de 1931, foi declarada uma moratória e renegociada a dívida externa brasileira, com um "Funding loan" de 3 anos, contado a partir de outubro de 1931, autorizado, em 2 de março de 1932, pelo decreto nº 21.113.

     Foram abolidos e proibidos, em 17 de maio de 1932, pelo decreto nº 21.418, os antiquados impostos sobre o comércio interestadual e sobre o comércio intermunicipal, extinguindo-se as barreiras nas fronteiras interestaduais.Também, no mesmo dia, o decreto nº 21.417-A, regulamentou as condições do trabalho das mulheres nos estabelecimentos industriais e comerciais, ordenando que se pagasse, a elas, salários iguais aos dos homens e proibindo o trabalho a gestantes, um mês antes e um mês após o parto.

     Foi proibido, em 7 de abril de 1933, os juros bancários abusivos, através do decreto nº 22.626, conhecido como lei da usura, não revogado até hoje. Em 15 de janeiro de 1934, pelo decreto nº 23.746, é revogado o decreto nº 4.743, de 1923, que era uma lei sobre crimes de imprensa muito repressiva, chamada de "lei infame", e são anistiados todos os condenados por aquele decreto. Em 1934, é iniciada a construção do Aeroporto Santos Dumont no Rio de Janeiro. As obras foram concluídas em 1936.

     Em 10 de julho de 1934, o decreto nº 24.645 estabelece medidas de proteção aos animais. Este decreto ficou conhecido como "lei de proteção aos animais". Está ainda em vigor.

     Antes do seu governo o Brasil não existia. Ou existia apenas para os latifundiários, banqueiros, usineiros e empresários. Como hoje.

     Criou a Carteira de Crédito Agrícola e Industrial do Banco do Brasil, a qual, pela lei nº 454, de 9 de julho de 1937, passou a captar recursos no mercado de capitais e nos fundos de pensões, para finaciamento da agricultura e da pecuária.

     Estatizou o Lloyd Brasileiro, pelo decreto nº 1.708, que explorava a navegação de cabotagem de médio e longo curso, dando início a um período longo de estatizações que se prolongou, no Brasil, até à década de 1980.

     Criou o Conselho Nacional do Petróleo, o Departamento Administrativo do Serviço Público pelo decreto-lei nº 579, de 30 de julho de 1938, com o objetivo de racionalizar a administração pública e que foi extinto, pelo decreto nº 93.211, de 3 de setembro de 1986, a Companhia Siderúrgica Nacional, a Companhia Nacional de Álcalis pelo decreto-lei nº 5.684, de 20 de julho de 1943, a Companhia Vale do Rio Doce pelo decreto-lei nº 4.352, de 1 de junho de 1942, o Instituto de Resseguros do Brasil pelo decreto-lei nº 1.186, de 3 de abril de 1939, a Companhia Hidrelétrica do São Francisco, o Conselho Federal do Comércio Exterior, a lei da sociedade anônima e a Estrada de Ferro Central do Brasil, através do decreto-lei nº 3.306, de 24 de maio de 1941, foi reorganizada como autarquia e ampliadas suas funções.

     Criou Ministério da Aeronáutica e da FAB, a construção de um novo quartel-general do exército, de novos quarteis e vilas militares, da nova escola militar em Resende (AMAN), criação de fábricas de armamentos para reduzir a dependência externa e novas leis de organização do exército, de promoções, de ensino, montepio e o Código de Justiça Militar.

     Criou o Código Brasileiro do Ar, para regular o transporte aéreo, que vigorou até 1966.

     Pelo decreto-lei 395 de 29 de abril de 1938, declarou de utilidade pública o abastecimento nacional de petróleo, tornou de competência exclusiva do governo federal a regulamentação da indústria do petróleo e criou o Conselho Nacional do Petróleo. Em 1939, em Lobato (Salvador), na Bahia, pela primeira vez, no Brasil, foi extraído petróleo.

     Foi promulgado o Código Penal Brasileiro, a Lei das Contravenções Penais, o Código de Processo Penal Brasileiro. Foi criado o Código Brasileiro de Trânsito. O Código de Processo Civil, de 1939, ainda vigora parcialmente. Pelo decreto-lei nº 1.985, de 29 de janeiro de 1940, é instituído o Código de Minas, que teve vigência até 1967, quando foi substituído pelo Código de Mineração. O Decreto-Lei nº 7.661, de 21 de junho de 1945, estabeleceu a Lei de falências, que vigorou até 2.005. Pelo decreto-lei nº 2.994, logo substituído pelo decreto-lei nº 3.651, foi criado o primeiro código nacional de trânsito brasileiro.

     Criou a Justiça do Trabalho, no dia 1 de maio de 1939, pelo decreto-lei nº 1.237. Criou o salário mínimo, e concedeu a estabilidade no emprego do trabalhador, após de dez anos no emprego.

     Foi golpeado em 1945 pelos militares brasileiros que voltavam da II Guerra Mundial e que desejavam seguir o imperialismo norte-americano.

     Voltou ao poder em 1950, por eleições livres e diretas e enfrentou uma incansável campanha difamatória financiada pelos Estados Unidos e promovida pela CIA, que tinha agentes no Congresso, como Carlos Lacerda, apelidado de “Abutre”.

     Mesmo assim, naquele período conturbado e tendo contra si a imprensa que já se tornava, naquela época, seguidora entusiasta da ideologia estadunidense, conseguiu várias realizações:

     • A lei nº 1.521, de 26 de dezembro de 1951, sobre crimes contra a economia popular, ainda em vigor.

     • A lei nº 1.522, de 26 de dezembro de 1951, que autoriza o governo federal a intervir no domínio econômico para assegurar a livre distribuição de produtos necessários ao consumo do povo. Esta lei foi substituída pela lei delegada nº 4, em 26 de setembro de 1962.

     • O decreto nº 30.363, de 3 de janeiro de 1952, que dispôs sobre o retorno de capital estrangeiro, limitando-o a 8% do total dos lucros de empresas estrangeiras para o país de origem, revogado em 1991.

     • O decreto nº 31.546, de 6 de outubro de 1952, regulamentou o trabalho do menor aprendiz e vigorou até 2005.

     • A lei nº 1.802, de 5 de janeiro de 1953, que definia os crimes contra o Estado e a Ordem Política e Social, e que revogava a Lei de Segurança Nacional de 1935. A lei 1.802 vigorou até 1967 quando foi substituída por outra Lei de Segurança Nacional.

     • A lei n° 2004, de 3 de outubro de 1953, sobre o monopólio estatal da exploração e produção de petróleo, revogada em 1997.

     • A lei nº 2.083, de 12 de novembro de 1953, sobre a Liberdade de imprensa que vigorou até 1967.

     • A Instrução Sumoc (Superintendência da Moeda e do Crédito) nº 70, de 1953, que criou o câmbio múltiplo e os leilões cambiais.

     • Em 20 de junho de 1952, pela lei nº 1.628, o BNDE, atual BNDES.

     • Em 19 de julho de 1952, pela lei nº 1.649, o Banco do Nordeste.

     • Pela lei nº 1.779, de 22 de dezembro de 1952, o IBC (Instituto Brasileiro do Café), o qual foi extinto em 1990.

     • Em 1953, a PETROBRAS, no aniversário da Revolução de 1930, 3 de outubro, pela citada lei nº 2.004.

     • Em 29 de dezembro de 1953, a lei nº 2.145, criou a CACEX, "Carteira de Comércio Exterior" do Banco do Brasil.

     • Em 11 de janeiro de 1954, foi criado o seguro agrário, pela lei nº 2.168, não revogada até hoje.

     Sancionou a lei nº 2.252, de 1 de julho de 1954, que dispunha sobre a “corrupção de menores”, esta lei vigorou até 2009, revogada pela lei nº 12.015.

     Era demais para os abutres de plantão, que pressionaram o seu governo com uma gigantesca campanha de desinformação. Na noite de 23 de agosto de 1954 reuniu o seu ministério pela última vez e pediu a todos que cumprissem com o seu dever. Na ocasião, um dos seus ministros, chamado Tancredo Neves, disse que a única solução seria a sua renúncia. Ele retrucou que somente morto sairia do Palácio do Catete. O seu corpo foi encontrado na manhã seguinte. Teria sido suicídio, informa a História oficial.

     Seu nome era Getúlio Vargas, um brasileiro.

domingo, 21 de agosto de 2011

BELO MONTE: A FAXINA CONTRA A VIDA


O que se esconde por trás da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte – principal razão de Dilma Roussef ter sido eleita? Porque Dilma é a mentora do que ela apelidou de Projeto de Aceleração do Crescimento (PAC), que tem como jóia da coroa ou qualquer outro clichê do gênero a construção de Belo Monte.

     Além dos bilhões que o governo está gastando – quase a fundo perdido – com a construção do nefasto monumento à morte, que destruirá a região do Xingu e provocará o maior impacto socioambiental do planeta, destruindo fauna e flora e marginalizando as populações indígenas, qual o segredo de Belo Monte?

     Como pode uma pessoa – representando o pensamento do grupo que se instalou no poder – ter uma mentalidade tão doentia a ponto de desejar a qualquer custo levar avante um projeto que somente provocará destruição e morte?

     Será apenas megalomania, porque se Belo Monte for construída será a terceira maior hidrelétrica do mundo?

     Será porque está tão presa aos interesses do grande capital envolvido na obra, que desistiu de raciocinar a respeito?

     Será apenas pelo seu espírito autocrata, que a impede de ouvir o grito do povo do Xingu, o grito do povo da Amazônia, o grito dos brasileiros menos alienados, o grito dos povos do mundo inteiro que se unem contra a construção do gigantesco mausoléu?

     O que faz uma pessoa pensar que é dona de tudo e de todos e que pode dispor da natureza e das pessoas de acordo com a sua destrutiva vontade?

     Herança da época da ditadura militar?

     No sábado, 20, em diversas capitais do Brasil foram realizados atos contra a construção de Belo Monte. Igualmente, foram confirmados protestos na Alemanha, Austrália, Canadá, Estados Unidos, França, Portugal, México, Inglaterra, Holanda, Escócia, Taiwan, Turquia e País de Gales. A OEA (Organização dos Estados Americanos) já condenou Belo Monte.

     Em Belém, cerca de duas mil pessoas gritavam: “Governo Dilma, mas que vergonha, constrói Belo Monte e destrói a Amazônia!”.

     A manifestação de Belém aconteceu em sintonia com outras realizadas pelo Brasil e por vários continentes. Para o economista Dion Monteiro e membro do Comitê Metropolitano Xingu Vivo Para Sempre, este ato foi uma demonstração pública de indignação e repúdio em escala mundial contra esta mega ação destruidora, planejada pelo governo da presidenta Dilma Rousseff, “No mundo todo, as pessoas e as organizações estão unidas contra este projeto de destruição e morte que é Belo Monte. O governo vai ter que ouvir a população da Amazônia e a população do mundo todo dizendo Pare Belo Monte!”.

     Para o arquiteto e professor Edmilson Rodrigues, deputado estadual do Pará, Belo Monte é uma ameaça para a conservação da sociobiodiversidade da Amazônia, “É bonito ver a humanidade, é bonito ver os lutadores do povo no mundo inteiro, em todos os países, dizendo não a Belo Monte, dizendo não aos grandes projetos que alavancam as riquezas nas mãos de poucos e, ao mesmo tempo, produzem desgraça, assassinatos, prostituição infantil, enfim, ampliam as profundas desigualdades sociais. O Brasil e o mundo dizem não a Belo Monte. O povo paraense diz: Pare Belo Monte!”.

     Marcos Mota do Fórum da Amazônia Oriental avalia que as ações de protesto que ocorrem pelo mundo ajudam a esvaziar o discurso falacioso do governo, “De fato, a usina causará um impacto social e ambiental sem precedente na região e entre habitantes locais.”

     O povo grita, mas o Governo finge ignorar. O que há por trás dessa ignorância oficial?

     Por que os grandes meios de comunicação – como Globo, Bandeirantes, SBT, Record – também fingem ignorar o que está acontecendo na Amazônia e o desastre que a construção de Belo Monte provocará?

     Por que os deputados e senadores – com exceção de alguns poucos – fingem que tudo vai bem no Xingu?

     O que está escondido por trás da construção de Belo Monte?

     Por que a presidente – que se diz democrata e contra a corrupção – está a favor da corrupção da natureza?

     Existem faxineiras que, no afã de limpar, tiram tudo do lugar, quebrando algumas coisas, destruindo irremediavelmente outras e, ao fim do dia, ainda exigem o seu pagamento.

     Que tipo de faxina é a da Dilma?

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O BRASIL DELES


Estava assistindo Internacional e Botafogo, um daqueles jogos terrivelmente ruins do nosso medíocre futebol brasileiro, onde um time não ataca e o outro também não e o pobre do narrador faz o possível para que os ouvintes e sofridos telespectadores acreditem que o jogo é entre grandes times e o triste do comentarista não sabe o que comentar e quando surge o único gol o atacante é incensado como grande craque e o gol é gritado histericamente com 84 “os” depois da palavra mágica que faz os brasileiros acordarem de vez em quando...

     ... Estava assistindo aquilo, ou meio dormindo e quase ouvindo e vendo quando fui completamente despertado por uma daquelas janelinhas interativas que é hábito nos canais de televisão globais, onde o torcedor aparece fazendo perguntas ou diluindo-se em exclamações e um torcedor do Internacional disse que estava briosamente torcendo pelo seu time do coração e tomando um mate gaudério(1).

     Era noite profunda na República do Rio Grande de São Pedro. Tudo indicava que iria chover e depois fazer um friozito(2) carioca(3) de dez ou quinze graus. Tudo normal. O Internacional vencia, o meu Grêmio tinha levado uma goleada – conforme o esperado, depois que Odone e Roth se uniram – e os quero-queros queroqueravam nos lugares planos do pampa(4). E o narrador comentou com o comentarista e o comentarista concordou com o narrador que a expressão “mate gaudério”, ou “chimarrão gaudério” deveria ser um mate fraco e eu pensei ó meu Brasil perdido entre cariocas e paulistas!

     Será que a culpa é do MEC e da sua novilíngua? Das marchas pela maconha? Dos ministros que são acusados de corrupção? Será que a culpa é da faxina da Dilma?

     O fato é que a língua oficiosa do Brasil é o carioquês misturado com o paulistês e que tudo aquilo que esses canais de televisão querem que entendamos como cultura brasileira, na verdade é a cultura (?) daquele eixo endinheirado que manda no nosso país. E como aquela cultura é uma subcultura, completamente aculturada pela também subcultura norte-americana, eles passam para o nosso povo um país Rio-São Paulo que nem cultura tem.

     Ou tem. Uma cultura que vem sendo engendrada há muito tempo, através das novelas e outros rituais televisivos, porque os donos do Brasil sabem que a televisão é que realmente educa o nosso povo. Ou deseduca.

     E esse deseducar implica em fazer o povo pensar que o nortista é um povo esfarrapado, que vive em barcas e é tão preguiçoso como o autor de “Macunaíma”(5) deu a entender; que o nordestino é um povo ignorante, que a cada três palavras diz “oxente” e vive sedento; que a região central do Brasil existe apenas para cultura de transgênicos e criação de gado, além de Brasília orquestrando tudo. E que no Sul, Paraná e Santa Catarina são os celeiros do Brasil, onde se planta de tudo e se fala, principalmente, alemão. E aqui no Rio Grande, essa cultura paulistês-carioquês informa o resto do Brasil que vivemos com lenços vermelhos amarrados no pescoço, de bombachas e botas e falando algumas palavras muito estranhas – como gaudério e milonga(6).

     Lembram da história da milonga? Se não lembram, eu lembro. Já faz anos, mas ficou eterna. Um daqueles célebres especialistas em futebol, às vésperas de um jogo importante entre um dos times deles e um time da Argentina, descobriu que a palavra milonga existia e intuiu ou lhe disseram que “milonga” era uma maneira de ser dos argentinos, um jeito entre traiçoeiro e malandro e que o time argentino iria empregar essa tal de milonga contra os brasileiros.

     No mínimo, engraçado, mas típico da subcultura que querem nos passar, da maneira como pretendem domar o povo brasileiro, fazendo-o acreditar que o bom mesmo é Rio de Janeiro e São Paulo e que o resto do Brasil deve apenas admirar e servir tão ricos e sábios senhores.

     Da mesma forma o “gaudério”. Quando aquele rapaz colorado disse para todo o Brasil que estava torcendo pelo seu time enquanto tomava um chimarrão gaudério, logo os globais intuíram ou inventaram que mate gaudério deveria ser um mate mais fraco. E o resto do Brasil que não é gaúcho acreditou.

     E assim vamos. Com ou sem a ajuda do já afamado MEC e da péssima educação brasileira, os donos da televisão brasileira seguem deseducando o nosso povo. Ou o povo deles.

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1. Gaudério - forte, másculo, gaúcho.
2. Friozito - friozinho; quase frio de verdade.
3. Friozito carioca - expressão usada no Rio Grande do Sul para designar uma temperatura amena, de 10 a 15 graus centígrados.
4. Pampa - região pastoril de planícies com coxilhas.
5. Autor de Macunaíma – Mario de Andrade.
6. Milonga - é um estilo de música tradicional muito tocada em vários países da América do Sul, assim como no Rio Grande do Sul.
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