segunda-feira, 24 de outubro de 2011

BRAÇO FORTE, MÃO AMIGA


Se você necessitar de internação no Hospital Militar de Bagé, RS, deverá preparar-se para acampar. O hospital fornece o básico, mas não mais que isso.

     Leve cobertores e travesseiros, caso contrário poderá passar frio ou sofrer um torcicolo. A teoria é de que soldado dorme em cima da própria mochila e que travesseiros e cobertores são adereços desnecessários.

     Não esqueça o celular, que será indispensável. O hospital não tem telefone. Ou, por outra, o telefone do hospital não é disponibilizado para os pacientes ou acompanhantes.

     Se você tiver algum familiar naquele hospital, não esqueça de levar a comida. Se optar pelo rancho, prepare-se para usar talheres de plástico. Haverá um pouco de arroz e um caldo negro lembrando feijão. Talvez uma verdura. Uma comida espartana. Tente comer o tijolinho que lhe dão de sobremesa para diminuir o ardor da forte comida militar. E depois use o único palito que lhe foi ofertado. Leve água, apenas por garantia de não passar sede.

     Se desejar tomar um chimarrão, leve água quente de casa.

     Não esqueça também, de levar papel higiênico, sabonetes, toalhas...

     Acredito que devemos fazer uma campanha cívica para salvar o Hospital Militar de Bagé. Por uma questão de saúde. Saúde e civismo.

     Observe que se o paciente estiver sozinho, desacompanhado e necessitar de atendimento de urgência, não terá como acionar a campainha, porque não existe campainha nos quartos e apartamentos.

     Em substituição, há um telefone ligado diretamente com a enfermaria. Somente com a enfermaria. Se o paciente estiver sozinho e necessitar de algum atendimento de urgência, poderá ou não ter tempo de tirar o fone do gancho. Caso consiga, deve contar com a sorte para ser atendido rapidamente.

     Em caso de muita preocupação a respeito de uma pessoa querida que se encontre baixada naquele hospital e você desejar telefonar para saber a respeito, prepare-se para obter uma resposta depois de um tempo não inferior a dez minutos. Os rapazes da recepção, muito solícitos, encaminharão a sua ligação para a enfermaria e isso significa demora. Mas não se preocupe em demasia, porque ficará ouvindo uma música, que poderá ser interpretada como uma calma marcha marcial. Enfim, quando uma enfermeira atender e der as informações solicitadas você se sentirá mais feliz, mas talvez reste alguma dúvida, momento em que você poderá pedir que lhe telefonem de volta. Não peça, ou ficará sabendo que o telefone do hospital não tem bina, o seu número não ficou gravado e não adiantará informar o número, porque não é permitido telefonar do hospital para meras informações.

     Urge uma campanha da sociedade civil bajeense para salvar o Hospital Militar. Talvez uma campanha de doações, como tantas que são feitas. Uma campanha assistencialista, com chamadas em rádios, jornais e televisão.

     Quanto ao atendimento, é bom. Daquele jeito militar, entenda-se, mas, dadas as extremas dificuldades do hospital, devemos ser compreensivos.

     Enfermeiras e médicos são muito compreensivos com os pacientes. Perguntam a toda hora se desejam ter alta. Não é brincadeira. Aconteceu com minha esposa.

     Teve que ser internada devido a uma infecção estomacal. Não sabemos ainda se de origem viral ou bacteriana. Não sabemos se é (era?) realmente somente uma infecção estomacal. O diagnóstico não nos foi revelado. O médico que assinou a baixa apenas disse que era uma infecção. Mais nada. Militares são lacônicos, economizam palavras. O médico viu os exames e disse que ela teria que tomar soro contínuo e depois fazer novos exames para ver se deveria ou não ter alta.

     Isso foi na sexta-feira passada, dia 21 de outubro. Ela foi encaminhada à enfermaria e uma enfermeira a levou para um apartamento muito bonito. Depois, pediu que ela deitasse e administrou o soro. Ela deitou com a roupa que estava vestindo. No quartel é tudo muito rápido.

     Ficamos esperando o médico para nos inteirarmos do diagnóstico, e prováveis maiores orientações. O médico não apareceu. Até agora.

     No dia seguinte, o almoço estava salgado. Em um papel pendurado por fita durex na bandeja estava escrita a palavra “Livre”.

     No mesmo dia, de tarde, uma médica muito simpática perguntou se ela sentia dores no estômago, se estava bem e se desejava tirar o soro e ter alta. Expliquei que o médico que tinha assinado a baixa é que teria que assinar a alta da paciente, mas depois dos exames – conforme ele mesmo tinha dito. Quase brigamos, mas a médica condescendeu que talvez eu tivesse alguma razão e Lidia continuou com o soro.

     Por mais alguns minutos. Procedimentos médicos em hospitais militares são procedimentos militares. Pouco depois, uma enfermeira – forte, falando alto, quase aos gritos, disse que tinha ordem para tirar o soro da paciente. E tirou. Deixou-a com uma agulha presa no braço para o caso de futuras injeções na veia. Injeções que não aconteceram.

     No dia seguinte, de tarde, Lidia estava tomando os seus remédios – porque sofre de outras doenças que não cabe aqui serem relatadas – quando foi surpreendida por uma enfermeira, que perguntou por que ela estava se medicando.

     Lidia respondeu que estava se medicando por que sofre de outras doenças. Ninguém naquele hospital muito militar sabia disso. O médico não tinha perguntado. Nem o médico nem nenhuma enfermeira. Lidia ainda perguntou para a enfermeira se sabia o que significava “interação medicamentosa”.

     Vejam na Wikipédia:

     “As interacções entre fármacos são alterações que se produzem nos efeitos de um fármaco devido à ingestão simultânea de outro fármaco (interacção fármaco-fármaco ou interacções medicamentosas) ou aos alimentos consumidos (interacções fármaco-alimento). Esta interação pode reduzir o efeito de um dos fármacos ou potencializá-lo, o que pode causar efeitos imprevisíveis no tratamento.”

     Ela teve sorte, mas poderia ter sido vítima de danos ou até de perigo de morte, devido à ignorância militar do médico e das enfermeiras.

     Pouco depois, Lidia, sentindo-se totalmente desprotegida, perguntou se poderia ir embora. E lhe foi dito que sim! Ela chamou um táxi e veio para casa. Antes, retirou a ociosa agulha que pendia do seu braço.

     Minha esposa é pensionista militar e paga mais de oitenta reais por mês para o FUSEX (Fundo de Saúde do Exército) para ser atendida, quando necessário. O pai dela foi um oficial que serviu a vida inteira ao Exército Brasileiro. Ela esperava ser atendida decentemente. Somente isso, nada mais.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

MATARAM KADHAFI


Mataram Kadhafi. Ele tivera a percepção de que seria morto logo no início do conflito com os invasores – que a mídia ocidental chama de “rebeldes” – quando disse uma frase que ficou histórica: “Viver e morrer na Líbia”.

     Antes de matarem Kadhafi, mataram dois de seus netos, um filho e 60.000 líbios, em uma invasão covarde inteiramente respaldada pelos meninos e meninas da Globo News e afins do mundo inteiro como, também, pelo coletivo dos inconscientes que passam 24 horas no Twiter e no Facebook, apenas repetindo informações infiltradas que não sabem digerir. Esses também mataram Kadhafi e devem estar felizes.

     Kafhafi escreveu o “Livro Verde”, que propunha uma terceira via entre o capitalismo e o comunismo. Uma terceira via que passava, inevitavelmente, pelo nacionalismo. E o nacionalismo é o maior entrave para que o império se expanda e domine a todos, transformando-os em conformados robôs. Porque o nacionalismo diz, simplesmente, que você deve ter amor ao seu país e não às multinacionais; que deve preservar o solo e a natureza e não entregá-lo à maior oferta. O nacionalismo propõe uma democracia participativa e não representativa.

     Mataram Kadhafi porque era nacionalista e um defensor do Islã. E o Islamismo, assim como o Catolicismo, está sob forte ataque do império desde o início do século, porque aqueles que desejam a todos dominar primeiro precisam acabar com as grandes religiões.

     Mataram Kadhafi porque era socialista e defendia um socialismo de estado não alinhado com as grandes potências.

     Mataram Kadhafi porque queriam o petróleo e o gás da Líbia.

     Mataram Kadhafi porque querem dominar o Paralelo 33 norte, que passa pela Líbia e pela Síria e deixa o caminho livre para a futura invasão do Irã.

     Mataram Kadhafi por despeito. Despeito pela sua força, independência e liderança.

     Abaixo, uma das últimas mensagens de Kadhafi.


     "Povos do mundo!

     O inimigo está fugindo.

     Eles estão com medo de um movimento de resistência que eles não podem ver nem prever.

     Nós agora escolhemos quando, onde e como atacar. E como os nossos ancestrais acenderam a primeira chama de civilização, nós agora redefiniremos a palavra “conquista”.

     Hoje nós escrevemos um novo capítulo nas artes da guerra urbana.

     Nós não pedimos armas ou soldados, pois já temos muitos.

     Nós os pedimos para formar uma frente mundial contra a guerra e a OTAN. Uma frente que seja governada por sábios. Uma frente que traria reforma e ordem e, também, novas instituições que substituiríam o que agora está corrompido.

     Povos do mundo!

     Estas palavras vêm à vocês por aqueles que lutam para sobreviver aos criminosos bombardeios massivos da OTAN.

     Nossos apuros não têm cobertura da mídia corporativa Ocidental.

     Nós somos pessoas simples que colocam princípios acima do medo.

     Nós temos sofrido crimes e sanções, assassinatos em massa e saques, os que consideramos as verdadeiras armas de destruição em massa.

     Temos sofrido semanas e meses de agonia e desespero, enquanto a maldita ONU negociava com as nossas receitas de petróleo em nome de “proteger os civis”.

     Mais de 60.000 inocentes morreram enquanto aguardavam por uma luz no fim de um túnel que não tem fim, para salvar nosso país da colonização e o roubo dos nossos recursos.

     Depois dos crimes das administrações da França e da Grã-Bretanha na Líbia, Nós escolhemos o nosso futuro. É o futuro de toda luta de resistência na história da humanidade.

     É o nosso dever, assim como o nosso direito, lutar contra as forças colonizadoras e condenar suas nações, moral e economicamente pelo que seus governos eleitos roubaram e destruíram na nossa terra.

     Nós não cruzamos oceanos e mares para ocupar a Grã-Bretanha ou a França. Nem somos responsáveis pela crise econômica européia, a qual eles tentam diminuir através do roubo da nossa riqueza soberana.

     Esses criminosos têm tentado esconder seus verdadeiros planos para controle e monopólio dos recursos energéticos do mundo, em face da ameaça de um poder expansível na China e uma África forte e unida.

     É ironico que os líbios devam suportar todo o peso deste conflito imenso e cada vez mais profundo em nome do resto do mundo, que está dormindo!

     Nós não pedimos armas ou soldados, pois já temos muitos.

     Nós os pedimos para formar uma frente mundial contra a guerra e a OTAN. Uma frente que seja governada por sábios. Uma frente que traria reforma e ordem e, também, novas instituições que substituiríam o que agora está corrompido.

     Parem de fazer negócio com a França, os EUA, Inglaterra, Qatar e os Emirados Árabes Unidos. Reduza ou pare o consumo dos produtos e da propaganda deles. Coloque um fim neles antes que eles destruam o mundo inteiro.

     Eduquem aqueles que estejam em dúvida sobre a verdadeira natureza deste conflito.

     Não acredite nas mentiras da mídia corporativa deles.

     As baixas nas suas forças especiais em solo e nas suas marionetes líbias são muito maiores do que eles admitem. Nós desejávamos apenas mais câmeras para mostrar ao mundo a sua verdadeira derrota. O inimigo está em fuga. Eles estão com medo de uma resistência que eles não podem ver nem prever.

     Agora nós escolhemos quando, onde e como atacar. E como nossos ancestrais acenderam a primeira chama de civilização, nós agora redefiniremos a palavra “conquista”.

     Hoje nós escrevemos um novo capítulo nas artes da guerra urbana.

     Saiba que ajudando o povo Líbio, vocês estão se ajudando, pois o amanhã pode trazer a mesma destruição para vocês. Este conflito não é uma guerra localizada.

     Ajudar o povo Líbio não significa fazer novos acordos com França, EUA, Inglaterra, Qatar e Emirados Árabes Unidos.

     Isole-os.

     O mundo também não pode se manter refém do controle deles sobre a ONU para cobrir seus crimes e roubos.

     Nós faremos uma armadilha para eles aqui na Líbia, para drenar seus recursos, homens e vontade de lutar.

     Nós os faremos gastar tudo o que eles roubaram, senão mais.

     Nós iremos interromper e depois deter o fluxo do nosso petróleo pilhado, tornando assim, obsoletas as suas estratégias.

     O quanto antes um movimento revolucionário nascer, mas rápida será a queda deles.

     Aos soldados da OTAN nós dizemos: “Voltem para suas casas, famílias e entes queridos. Esta guerra não é sua. Vocês não estão lutando por uma causa verdadeira na Líbia”.

     E para Sarkozy e Cameron nós dizemos: “mandem tudo, como nós nunca esperamos. Vocês possuem outro desafio antes do seu fim?” "

Muamar Kadafi.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

CABO ANSELMO E OUTROS TRAIDORES



Um traidor é um traidor e não há desculpas para um traidor. Um traidor não tem caráter, ideologia, sensibilidade, religião, amor, decência. Há sinônimo para traidor? Um traidor é um traidor. Redundantemente traidor. É alguém que leva à morte e à tortura muitas pessoas que nele confiavam e que não deve ser morto, executado, assassinado por ser traidor, porque isso seria um alívio para a sua consciência eternamente pesada. O único castigo para um traidor deve ser a denúncia de que ele é ou foi um traidor.

     Assisti ao Roda Viva da TV Cultura, na segunda-feira, 17, que entrevistou o mais famoso traidor brasileiro, o Cabo Anselmo. Percebia-se que os jornalistas estavam com nojo ao entrevistá-lo, com asco de falar com uma pessoa de tão baixo nível moral, mas cumpriam o seu dever de jornalistas, que é a investigação da verdade.

     Cabo Anselmo traiu e é responsável por inúmeros assassinatos da ditadura militar, que ainda o protege, mesmo que disfarçada de ditadura civil. Traiu e agora pode sair na rua sem medo de nada, porque outros são os tempos e se ele continuar a ser entrevistado acabará mitificado como se fosse um pop-star.

     Este é um tempo em que um ex-presidente trai aqueles que depositaram o seu voto de confiança nas mudanças que prometia e ainda ganha prêmios, filmes e títulos de doutor. É um tempo de corrupção. Principalmente corrupção moral. Tempo ideal para traidores serem reconhecidos como salvadores da pátria.

     Mas, além do Cabo Anselmo, muitos outros traidores deveriam ser entrevistados. Caso contrário, ficará muito fácil criar uma nova “História do Brasil” onde, na época da ditadura militar aparece somente o Cabo Anselmo como responsável por tantas traições.

     José Genoíno traiu a Guerrilha do Araguaia. Seu apelido ou codinome era Geraldo. Foi preso logo no início da guerrilha e entregou a todos. Ele se desculpa dizendo que foi torturado; a mesma desculpa do Cabo Anselmo.

     No site Opinião e Notícia (http://opiniaoenoticia.com.br/brasil/nacional/revelados-os-segredos-da-guerrilha-do-araguaia/), na matéria “Revelados os Segredos da Guerrilha do Araguaia”, podemos ler que 

     “Após silenciar-se por 35 anos, Sebastião Rodrigues de Moura, o militar responsável pelo ataque final à Guerrilha do Araguaia, revelou onde estão os corpos de guerrilheiros que morreram na batalha e indicou o ex-presidente do PT e deputado federal, José Genuino, como o principal delator dos militantes.”

     E José Genoíno foi Presidente do PT.

     “O militar revelou também que só foi possível acabar com a guerrilha devido à traição de militantes, principalmente a de José Genoino. Segundo Curió, o atual deputado entregou seus companheiros assim que foi preso como mensageiro dos guerrilheiros, revelando os codinomes e contando sobre três unidades de combate do movimento.”

     No blog http://fotolog.terra.com.br/navprog:111, em postagem de Licio Maciel em 12/01/2006, está escrito, entre outras coisas:

     “Sobre o Genoíno, já se sabe tudo. Deu todas as informações, ainda na mata, sem levar um safanão. Depois de preso na mata, levado para Brasília e identificado, Genoíno confirmou todas as informações que já tinha dado na mata e acrescentou maiores detalhes nas diversas inquirições a que foi submetido. Concordou em escrever uma carta aos guerrilheiros, garantindo que estava sendo bem tratado e concitando a que se entregassem. A esta carta foi acrescida uma foto em que aparecia bem disposto, gordo e satisfeito. Foi levado de volta para Xambioá e “desfilou” para que todos confirmassem o que constava na carta.”

     E tantas outras postagens em blogs e sites que reiteram a traição de Genoíno. Atualmente o ex-deputado cassado trabalha no Ministério da Defesa.

     Há desconfianças sobre José Dirceu. Em matéria de Maria Inês Nassif (http://guizovermelho.dihitt.com.br/noticia/jose-dirceu-traiu-a-guerrilha) intitulada “José Dirceu Traiu a Guerrilha?”, há o seguinte trecho:

     (...)“o ex-ministro José Dirceu teria sido um agente duplo, responsável pelo desmantelamento do Movimento de Libertação Popular (Molipo). "Segundo as notas de Carioca, depoimentos de alguns militares e as memórias dos coronel Lício [Augusto Maciel] - naquele idos, major -, Daniel [codinome de José Dirceu] teria sido o agente duplo e, antes de morrer, Jeová [de Assis Gomes, militante do grupo armado] informara esse nome como o de quem havia traído o Molipo".

     Mas aconselho a leitura de toda a matéria. É bastante esclarecedora.

     Desconfia-se de muita gente. Curiosamente, muitos pertencem ao PT. Será o PT um partido de infiltrados no Povo Trabalhador?

     Vocês sabiam que Tarso Genro é tenente da reserva? Isso não significa nada; a grande maioria dos tenentes – da reserva ou não – não é composta de traidores. Mas é estranho que um dos grandes líderes do PT tenha feito o CPOR durante a época da ditadura. É o que conta Hugo Studart (http://www.conteudo.com.br/tarso-genro-sob-protecao-secreta-da-familia-ustra) no texto do seu blog intitulado “Tarso Genro Sob Proteção da Família Ustra”.

     "Quando ocorreu a revolução de 64, Tarso Genro, então militante de esquerda, temendo ser preso, fugiu para Rivera, no Uruguai, em atitude de auto-exílio. Depois de algum tempo, verificando que ninguém o procurava, resolveu fazer contato com o Dr. José Augusto Brilhante Ustra, irmão do hoje conhecido Coronel Ustra, conceituado advogado em Santa Maria, RS. Dr. Augusto era amigo do pai de Tarso e foi, pessoalmente, buscar o filho do amigo de volta ao Brasil. Chegando em Porto Alegre, o advogado e o jovem Tarso procuraram o Coronel Athos Teixeira, sogro do Dr. José Augusto e então Secretário de Segurança. Este garantiu que Tarso Genro não seria preso. Posteriormente, sob orientação e proteção do Dr. José Augusto Ustra e do Coronel Athos, Tarso entrou para o Curso de Preparação de Oficiais da Reserva de porto Alegre (CPOR/PA), chegando ao posto de tenente R/2 de Artilharia".

     Curioso, não? Carlos Alberto Brilhante Ustra, da família Ustra, é conhecido como torturador do regime militar.

     Cabo Anselmo não deve ser esquecido e urge que seja inquirido mais vezes para que possamos saber quem são os outros traidores da época da ditadura militar. Os traidores de agora agem às claras.

sábado, 15 de outubro de 2011

DIA GLOBAL DA RAIVA



Da raiva, da indignação, do protesto mundial contra o que eles estão fazendo com as pessoas e a natureza. Grande parte do mundo diz “Não!” neste exato instante em que escrevo. Espero que depois que eu terminar de escrever o grande “Não!” continue, porque não é mais possível continuar assim: destruindo as pessoas e devastando a natureza, com sorrisos e declamações ensaiadas por políticos vendidos.

     Dizer “Não!” não é somente dizer não; também implica em ação. E as pessoas, mundo afora, cansaram de esperar soluções dos seus governos, que, na verdade, são os governos dos bancos, dos empresários, dos latifundiários, dos especuladores. É tudo isso, menos o governo do povo.

     Chamam esse sistema de “democracia” – o sistema onde o povo obedece e, às vezes, vota. É um sistema que se baseia na democracia ateniense, onde os cidadãos tinham poderes iguais. Mas dependiam de escravos e de servos para sobreviverem. É muito fácil exercermos a democracia quando temos escravos e servos.

     No Brasil, tivemos algumas passeatas contra a corrupção. Milhares de pessoas disseram “Não!”, mas depois pararam de dizer não. Talvez por causa da aproximação do final de semana, do que chamaram de “feriadão do Dia das Crianças”, que englobou quinta e sexta em dias marasmentos de um pacato “Sim”. Por enquanto. Aqui as revoluções são feitas por etapas. Feriados e fins de semana são para descansar. “Ai, que preguiça!...” – diz a personagem de Mario de Andrade.

     No resto do mundo os indignados aumentam aos milhões. Estão sendo extorquidos, tosquiados, roubados e resolveram dizer “Não!”.

     Coincidindo com o encontro do grupo dos vinte países mais poderosos e que mais alimentam os seus banqueiros e empresários – o G-20, do qual o Brasil participa, despudoradamente – as manifestações estão ocorrendo em muitos lugares do mundo onde as pessoas pensam, dizem “Não!” e partem para a ação.

     Nova Zelândia, Austrália, Espanha, Itália, França, Taiwan, Japão, Estados Unidos, Alemanha, Grécia, Filipinas, Inglaterra, Portugal... Onde mais?

     Em diversas cidades de cada um desses países.

     Em Roma houve confronto com a polícia. Em Tóquio os japoneses também protestaram contra a política nuclear do seu país. Em Manila, capital das Filipinas, centenas de pessoas protestaram frente à embaixada dos Estados Unidos, segurando cartazes com os dizeres "Abaixo o imperialismo norte-americano" e "As Filipinas não estão à venda". Em Londres, os manifestantes tentaram ocupar edifícios de empresas.

     As pessoas não estão à venda. Ou estão? Você está à venda?

     No Brasil é sábado e as pessoas preparam-se para festas, baladas, shows, bailes funk, futebol, churrasco e programas de auditório.

     Aqui, o nosso governo é aliado do imperialismo norte-americano e pretende impor o seu imperialismo sul-americano.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O VIRTUAL E O MÁGICO



O hacker que invadiu o Blog do Planalto na madrugada de quarta para quinta-feira (12-13 de outubro), além de colocar uma foto do Movimento contra a Corrupção, embaixo escreveu uma frase atribuída a Aleister Crowley: “Faze o que tu queres. Há de ser tudo da Lei”.

     Entre outras curiosidades, Crowley nasceu a 12 de outubro. De 1857. Dizem que era uma criança. Principalmente com a magia. E foi nesses brinquedos de magia – entre uma e outra visita ao guardião do umbral, o danado Chorozon – que ele teria recebido o que chamou de Liber Al, ditado diretamente por um mestre ascensionado. O Liber Al, também chamado de Livro da Lei, contêm um texto muito interessante sobre magia cerimonial e Cabala e a frase: “Faze o que tu queres; há de ser tudo da Lei”.

     Eram tempos em que o século vinte estava entrando ainda com resquícios dos iluministas, cabalistas, poetas e taumaturgos do século dezenove. Eu escrevi “poetas e taumaturgos”, porque todo poeta de verdade é, antes de tudo, alguém que “entra em contato” – assim como os taumaturgos, ou praticantes da magia cerimonial. E Crowley foi um pouco de tudo isso. Além de alpinista e bom jogador de xadrez.

     Criou a Ordem de Thelema e participou da Golden Dawn (Ordem da Aurora Dourada). Também foi um dos criadores da O.T.O. (Ordo Templi Orientis). Esteve em contato com os melhores cérebros da sua época, inclusive com Fernando Pessoa, que, como excelente poeta, também era astrólogo. Obviamente, Pessoa “entrava em contato”. Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro – os heterônimos de Fernando Pessoa, as outras pessoas do Pessoa – não surgiram por brincadeira poética.

     E foi o astrólogo e esoterista Fernando Pessoa, autor de ensaios como “O Caminho da Serpente” e “Iniciação” (Yvette Centeno, Fernando Pessoa e a Filosofia Hermética. Editorial Presença, Lisboa, 1985) que, ao ler um artigo sobre Aleister Crowley – na época, já considerado um mago maldito, porque descobrira coisas que não poderia ter descoberto – escreveu a Crowley, em 1930, explicando ao mago que a sua carta astrológica estava errada.

     Vítor Manuel Adrião, em seu livro “A História Secreta de Portugal”, descreve brilhantemente o encontro entre os dois ocultistas, porque Crowley não se deu por achado e foi a Lisboa. Naquela ocasião, os dois se encontraram, trocaram figurinhas herméticas e Crowley, depois de quase um mês em Lisboa, simplesmente desapareceu no que foi considerado o mistério da “Boca do Inferno”.

     Escreve Vítor Manuel Adrião, no livro citado:

     “...” Com efeito, a 25 de outubro, Aleister Crowley, que estivera hospedado em Lisboa, no Hotel l’Europe, com a sua companheira de viagem, Anni L. Jaeger, desaparece. Certa cigarreira, depositada sobre uma carta, é recolhida pelo jornalista e ocultista Augusto Ferreira Gomes, junto da “Boca do Inferno”, no sítio de “Mata-Cães”, quando por aí passava acidentalmente...”.

     A carta de Crowley dizia: “Não posso viver sem ti. “A outra Boca do Inferno” apanhar-me-á; não será tão quente como a tua.”

     "Hisos                                           Tu Li Yu."

     Registre-se que a companheira de Crowley, miss Jaeger, tinha viajado antes, quase fugido do hotel, por se dizer perseguida por satanistas.

     Pouco tempo depois, Crowley reaparecia em outros lugares da Europa. Interessante o detalhe de que a companheira de Crowley tinha por sobrenome Jaeger, e a banda Rolling Stones, eternamente liderada por Mike Jaeger, escreveu uma música intitulada “Simpatia Pelo Demônio” (Sympathy for the Devil) e costuma citar Aleister Crowley.

     E o que tem a ver tudo isso com o Movimento Contra a Corrupção e a invasão (pacífica, convenhamos) do Blog do Planalto?

     Acredito que várias coisas. O que são os corruptos, senão pessoas que pensam que podem fazer tudo o que quiserem, porque há de ser tudo da Lei?

     Ou seja, pessoas que acreditam na impunidade que a Lei (qual Lei? - vocês perguntarão) lhes dá. Talvez seja uma Lei esotérica, mas não é impossível que, acreditando que tudo podem fazer, os corruptos pensem que toda a sua corrupção é apoiada pela Lei; a Lei que conhecemos e que já está ficando famosa por deixar os muito corruptos muito ricos e impunes.

     Vocês já pensaram no quanto o mundo virtual tem de mágico? Formas de pensamento podem prejudicar ou auxiliar, passes mágicos podem transmutar – mas isso pode levar tempo e, em certos casos, alguns acordos satânicos são necessários. Observem quantos acordos com entidades satânicas que desejam dominar o mundo tem feito os nossos governos para dominar o povo e depredar o país. Observem com cuidado: nada mais que magia negra.

     Mas, através do mundo virtual é mais fácil. E muito mais rápido. É só conhecer a fórmula certa. Fiquei sabendo de viagens que o Lula fazia acompanhado do Paulo Coelho! Talvez para garantir a fórmula mágica certa. Antigamente, quando os reis iam fazer acordos com outros reis mais poderosos – acordos para entregar o seu país e as suas riquezas – iam acompanhados por membros do alto clero.

     Hoje, a expressão “alto clero” está ligada aos aliados do Governo. Aqueles que vendem a alma e o que mais tiverem para vender. Por um bom preço.

     E o Governo, existe de verdade ou é um engano virtual? Tenho dúvidas... Lula, Dilma e aqueles congressistas que passam a vida inteira tentando enriquecer são reais ou virtuais? Não será tudo magia? Magia virtual, como a maquininha das eleições, para enganar bobos como nós.

     Mas bobos não são os portugueses? Eu acho que nós é que somos bobos por pensarmos que os portugueses são bobos...

     Pelo menos, lá em Portugal – e em outros tantos países – as passeatas são de milhões de pessoas. Aqui, a preguiça política está ficando endêmica, principalmente porque acreditamos que os políticos é que devem fazer política. Talvez por excesso de tropicalismo – essa coisa de que organizar um movimento é igual a orientar o carnaval. Ou por complexo de Macunaíma.

     Eis aí... Estamos roubados. Literalmente.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

UMA QUESTÃO DE KARMA




Neste Dia da Criança visite a criança que mora em você. Que bonito, não é? Algumas pessoas que catam lixo em frente à minha casa, quando interrogadas se gostariam de visitar a criança que mora neles – no Dia da Criança – disseram, estranhamente, que não.

     Devem ser pessoas insensíveis, ou que foram perdendo a sensibilidade desde crianças, quando lhes diziam que, quando adultos, a vida seria bela. Cresceram e foram catar lixo. É claro que antes disso passaram por outras aventuras, mas estava escrito nas estrelas que acabariam catando lixo. Uma questão de karma.

     Os espiritualistas dizem que não é bem assim, mas os muito espíritas afirmam que tudo é uma questão de karma. Os que sofrem foram muito maus em outras vidas e os que não sofrem foram bonzinhos. A mesma teoria do céu e inferno católicos, com a diferença de muitas vidas pelo meio. E a palavra karma.

    O nosso destino já estaria traçado antecipadamente e não adianta lutar. É claro que existe o livre arbítrio, mas é um livre arbítrio até certo ponto. Depois daquele ponto é karma. Os donos do mundo adoram essa explicação. É a explicação que os torna ainda mais donos do mundo. Afinal, ninguém é dono do mundo se foi muito mau em outras vidas. Ser dono do mundo é uma recompensa.

     Ser escravo é pagar um karma. Perguntem aos palestinos, que são escravos dos judeus. Estão pagando um imenso karma. E os povos africanos que foram e continuam sendo escravizados? Que karma gigantesco!

     O que tudo isso tem a ver com o Dia da Criança? Mas não é óbvio? Milhões de crianças estarão felizes no seu dia, ganhando presentinhos e sendo afagadas, enquanto outros milhões de crianças – devido ao seu grande karma – estarão apenas chupando o dedo. Um dedo sujo, mas há que diga que a sujeira contém microorganismos que alimentam. Daí a mania dos muito pobres e famintos de chuparem o dedo.

     No Dia das Crianças, onze mil crianças morrerão de fome no mundo inteiro. Não só no Dia da Criança, mas também nos dias anteriores e posteriores ao mais xúxico dia do mundo. Talvez sejam mais de onze mil por dia, porque esta é uma avaliação da ONU e a ONU costuma avaliar para baixo quando se trata de fome ou morte. Mas perguntem aos muito espíritas se essas mortes não são uma questão de karma...! Afirmarão que é melhor morrer que passar fome, mesmo que seja morte de fome. Dirão que os espíritos dessas pobres crianças que morrem de fome reencarnarão futuramente no seio de família ricas - que tem bom karma, e, por isso, são ricas - e não morrerão de fome.

     Tudo é muito simples para os muito ricos e muito espíritas e não é por acaso que o Muito Espiritismo é a religião do momento entre ricos e pobres. Explica tudo e diz que lutar é muito bonito, mas desnecessário. Os pobres necessitam de explicações e os ricos pensam que a sua rica missão é explicar aos pobres porque são pobres.

     Uma das explicações é que se a pessoa se esforçar e, principalmente, não se revoltar, o seu karma poderá ser cumprido ainda nesta vida! Não é maravilhoso?

     Mas não deve se revoltar ou o karma aumentará. Tomem cuidado, crianças! Podem ajudar papai e mamãe a catar lixo, mas nunca considerar que a vida é injusta com vocês. Esta é uma vida de aparências e o que interessa é o que está lá em cima. Não se sabe exatamente o que seja “lá em cima”, porque a Terra é quase redonda e gira no espaço e o espaço não tem lados, ou “acima” e “abaixo”. Neste caso, pensem em dimensões. Em mundos inferiores e mundos superiores. E não se preocupem com este mundo. Tudo aqui é ilusão. Menos o karma.

sábado, 8 de outubro de 2011

VOCÊ NÃO SABE


Você não sabe, mas a greve dos bancários continua. Ou talvez você saiba, mas somente quando tenta ir ao banco. Você não sabe, porque, por razões que somente podemos supor, a valorosa imprensa brasileira não divulga. Ou divulga apenas de passagem, muito rapidamente, como por obrigação, para que você não fique sabendo que o Governo cortou o ponto dos grevistas do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.
     É um governo democrático, como todos sabemos. Oficialmente democrático. Eleito pelo povo, em eleições virtuais - que fazem pensar que o governo e todos aqueles que estão brincando de esconde-esconde em Brasília e outras bulgárias pensam que o povo brasileiro é apenas uma ilusão.
     Você não sabe, porque só poderá saber aquilo que quiserem que você saiba, mas o povo dos Estados Unidos – que não é tão alienado como dava a entender – iniciou um movimento chamado “Ocupar Wall Street”.
     Um movimento que conta com milhões de adesões e já provocou a fúria dos robotizados policiais de Nova Iorque, que prenderam cerca de setecentas pessoas no sábado passado. Utilizaram redes e pescaram todos os que puderam. Ficaram presos uma semana e foram soltos neste sábado.
     A raiva contra o governo e, principalmente contra os bancos que governam o governo dos Estados Unidos está aumentando, assim como na Europa, e o movimento continua recebendo adesões de muitas cidades daquele país. Em Los Angeles, Filadélfia, Boston, Seattle e Chicago grupos de cidadãos expressaram o seu apoio ao movimento e às suas posições contra a crise económica, a desigualdade social e a ganância dos ricos.
     Você não sabe, porque os multimilionários meios de comunicação brasileiros não querem que você saiba que também lá na sede do império as pessoas se revoltam. Também as bilionárias agências de notícias nada querem divulgar e, inclusive, conhecidos sites estão bloqueando e-mails que tratam do assunto.
     O que você pode saber sobre a crise mundial é que os pobrezinhos dos bancos correm o perigo de quebrar e que os governos estão muito preocupados e dando o dinheiro que não tem para que os bancos não quebrem, ou os governos também quebrarão.
     Inclusive a nossa espertissima e multimídia presidente disse que o Brasil está pronto para ajudar a Europa. Prepare o seu bolso.
     Você não sabe que o Brasil está sendo vendido para estangeiros. Vendido aos pedaços.
     A procuradora regional da República Márcia Neves Pinto resolveu fazer uma pesquisa para saber quantos estrangeiros são donos de terras no Brasil e onde elas estão localizadas, mas descobriu que esses dados não existem no país. Ela ficou preocupada, porque o governo deveria fiscalizar a compra de terras pelos estrangeiros, mas não está fazendo isso.
     A procuradora tem razão em se preocupar, afinal não sabemos quanto do nosso território já pertence a estrangeiros, e essa falta de controle põe em risco a soberania nacional porque grandes extensões de terra controladas do exterior podem se tornar "entidades políticas independentes no seio do território nacional, como ocorre em outros países, criando dificuldades políticas”.
     A fiscalização da compra de terras por estrangeiros não está sendo feita porque em 1994 a Advocacia Geral da União fez um parecer dizendo que as empresas com capital majoritário estrangeiro devem ser consideradas brasileiras, e o Estado não precisa controlar a compra de terras feita por elas. O MPF não concorda com isso e quer que a AGU mude seu parecer. Os estados mais procurados pelos estrangeiros para comprar terra são Mato Grosso, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
     Você não sabe, mas muitos congressistas querem que essas vendas aumentem.
     Você não sabe que poderá ser transformado em um objeto manipulável, se não colocar um grande filtro nas informações que jogam sobre você, todos os dias.
     Você não sabe o que realmente está acontecendo, porque este é um mundo onde as informações não são compartilhadas, mas compartimentadas, encaixotadas. E algumas dessas informações são separadas e preparadas com especial cuidado para você.

     Somente algumas.
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