terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

GUSANOS





“Gusanos” (vermes) é como são chamados os contra-revolucionários cubanos, o que é quase uma ofensa àqueles invertebrados que tem importante função social na escala biológica, ajudando na decomposição dos corpos e na formação de húmus. Os gusanos cubanos e os gusanos de todos os lugares (inclusive os gusanos brasileiros) não auxiliam em nada a sua sociedade, embora façam o possível para decompô-la. No Brasil, encontramos gusanos por toda parte, basta sair à rua. São reconhecidos pelo hábito ancestral de se apoiarem nos corruptilianos, também conhecidos como corruptilex ou malandrilianos, uma raça de mordedores platelmintes que se alimenta do sangue de todos nós em todas as épocas e todos os momentos, e não só, conforme é veiculado erroneamente pela mídia burlesca e vermilonga, nos dias de carnaval.

     São tantos que quase nos acostumamos a eles e apesar dos protestos e outros remédios igualmente ineficazes tendem a crescer vorazmente a cada dois anos e até em bem menor período, causando a peste scandalírio brasiliensis que provoca um pânico moderado a cada dois ou três dias, aliviada por jogos de futebol intermitentes.

     É próprio dos gusanos o reunir-se em grandes casas, onde ficam por horas a urdir tramas vampirescas e discursar para dessangrados microfones e câmeras sobre a sua inata capacidade de limpeza dos corpos e cofres públicos, o que fazem com muita vocação artística. É dito, muitas vezes, que aos gusanos pertence o poder vermiliforme de encantar multidões e apatetar pessoas, o que é verificado em dias de eleições pelos milhões de patéticos votos virtuais que lhes são dados por crentes e fiéis com o objetivo de mantê-los confinados naquelas casas gigantescas, jogados em divãs, a beber sangue em canudinho, ocasiões em que, depois de embriagados, cometem os célebres diálogos que tanto embevecem a nação peripatética.

   Raramente, e para geral surpresa, gusanos demasiado gordos são processados pelos mais magros e até, se não souberem usar com inteligência a sua gordura excessiva, correm o risco de ser encarcerados em lugares especiais, onde fazem um obrigatório regime de emagrecimento aliado a severo exame de consciência, e isso agrada aos votantes diminuindo a incidência de scandalírio brasiliensis por alguns minutos.

        São tantos os gusanos, tantos, neste país que já não mais nos engana, que ficou grotesco, ridículo, demasiado o fato de ter vindo aportar em praias da Bahia a súplice assumida gusana Yoani Sánchez. Teria como objetivo dar lições de gusanice afogueada não só aos baianos como, inclusive, a cariocas acostumados à malandrilite, a paulistas viciados em vermífugos, gaúchos comedores de transgênicos, mineiros acostumados a silenciosas mineirices e outros povos destes brasis anestesiados.

     Tamanha foi a surpresa causada pela presença da invertebrada visitante que, à sua chegada, muitos foram os protestos. Protestaram os apoiadores de gusanos, protestaram os que já não apoiam mais gusanos, protestaram os que desconfiam dos gusanos oficialescos e até protestaram os que não gostam de gusanos. Um protesto contido quase à força da quase força dos gusanos fardados. Mais protestos são esperados até que a rainha dos gusanos vá embora. Depois, os protestantes silenciarão, cansados, ante as goliardices costumeiras dos gusanos da terra. Ou não – como diria o baiano Caetano.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

A ESTOLA E O AVENTAL (2) – O BANCO MAÇÔNICO DO VATICANO



Cardeal Paul Casimir Marcinkus, responsável pelo Instituto para as Obras Religiosas (Banco do Vaticano), o secretário de Estado do Vaticano e Camerlengo, cardeal Jean Villot, o cardeal norte-americano John Cody, o mafioso Michele Sindona, Roberto Calvi, presidente do Banco Ambrosiano em 1982; Licio Gelli, grão-mestre da loja maçônica Propaganda Due (P-2). Estas as principais personagens envolvidas no escândalo do Banco do Vaticano e com a quebra do Banco Ambrosiano, na época (1982) manipulados e dirigidos por membros da maçonaria ligados à máfia siciliana e estadunidense.

Dividida em 17 células,  cada qual com um líder que respondia diretamente a Licio Gelli, a Loja Maçônica Propaganda Due era formada ao melhor modelo Illuminati; tão secreta, que até mesmo os seus membros não conheciam o grão-mestre ou os objetivos da organização, agindo como verdadeiros robôs.

A P-2 era composta por 953 membros - incluindo o Ministro da Justiça Adolfo Sarti. Vários ex-Primeiros Ministros, como Giulio Andreotti que exerceu o cargo entre 1972 e 73 e novamente entre 76 e 79; 43 membros do Parlamento; 54 altos executivos do Serviço Público; 183 oficiais das forças naval, terrestre e aérea, incluindo 30 generais e 8 almirantes (entre eles o Comandante das Forças Armadas, Almirante Giovanni Torrisi); 19 juízes; advogados, magistrados, carabiniere; chefes de polícia; poderosos banqueiros; proprietários de jornais, editores e jornalistas (incluindo o editor do maior jornal do país, Il Corriere Della Sera); 58 professores universitários; líderes de diversos partidos políticos (evidentemente, não do Partido Comunista Italiano, por razões óbvias); diretores dos três principais serviços de inteligência do país. Todos esses homens, de acordo com os documentos apreendidos, juraram obediência a Gelli e estavam prontos para responder a seu chamado. 

A história relata que, em 1877, ainda nos tempos da reunificação de Mazzini e Garibaldi, foi fundada pelo Grande Oriente uma loja maçônica em Roma chamada Propaganda Massonica. Era freqüentada por políticos e altos funcionários governamentais que não deviam ter os seus nomes expostos na relação das lojas normais e era diretamente ligada ao Grão-Mestre. Esta seria a Propaganda Uno.
        
Em 1981, o GOI dissolveu e declarou ilegal a P-2 (que também teve o seu reconhecimento suspenso pela Grande Loja Unida da Inglaterra em 1993). Mas o estrago já estava feito. O Vaticano fora quase completamente infiltrado e o seu Banco (IOR) estava à beira da falência. O Banco Ambrosiano - filial do Banco do Vaticano na Itália – se transformara em uma lavanderia da máfia aliada à maçonaria. Quebrou, e a Igreja pagou milhões em indenizações.

Essa infiltração teria ocorrido desde a época em que Paulo VI ainda era o Monsenhor Montini, de Milão. E continuou, sob outras máscaras, após a morte de Albino Luciane (João Paulo I), depois que assumiu o pontificado Karol Woityla (João Paulo II).

A primeira coisa que Albino Luciane tomou conhecimento após ser eleito Papa João Paulo I foi sobre o rombo no Banco do Vaticano. Esse conhecimento já existia antecipadamente, quando ele era apenas um cardeal, mas não sabia dos detalhes, não conhecia os nomes de todos os implicados, não sabia que Licio Gelli era o verdadeiro Papa Negro por trás de Paulo VI e não entendia como isso tinha acontecido. Procurou documentar-se. Afinal, quem era o maçom Licio Gelli?

Gelli foi membro ativo do movimento fascista em 1936, tendo servido ao lado das tropas de Francisco Franco no Batalhão Camisas Negras durante a Guerra Civil Espanhola. Quatro anos mais tarde, recebeu a carteira do Partido Nacional Fascista Italiano. Em 1942, já se tornara secretário dos fascistas italianos no exterior. No período da IIª Guerra Mundial, Gelli, atuando como membro dos Camisas Pretas de Mussolini, chegou a ser oficial de ligação do Exército Italiano com a divisão de elite SS de Hermann Goering. Em 1944, sentindo que os ventos não mais sopravam favoráveis a Mussolini, criou uma rede de resistência conectada à CIA, graças ao V Exército norte-americano recém chegado à península. Após a guerra, migrou para a Argentina sendo o primeiro a obter uma dupla nacionalidade: argentino-italiana.

Iniciou-se na maçonaria em 1965, buscando se mirar nos dois Grão-Mestres sucessivos do GOI – Gamberini e Salvini – que se interessavam por uma aproximação mais estreita com o Vaticano. Três anos mais tarde, foi nomeado secretário da P2, elegendo-se seu Venerável Mestre em 1975. Gelli convidou Michele Sindona, o gênio financeiro do Vaticano, que trouxe consigo Roberto Calvi, o banqueiro mais chegado ao Vaticano. Em dezembro de 1969, num encontro promovido no escritório romano do Conde Umberto Ortolani, o Embaixador da Ordem de Malta para o Uruguai, que era, na época, o cérebro da P2, foi montado o Estado-Maior da Loja: Umberto Ortolani, Licio Gelli, Roberto Calvi e Michele Sindona.

Em 1973, foi citado como traficante de armas para os países árabes e implicado numa transação de três milhões de liras italianas numa operação conhecida como Permaflex, uma firma que trabalhava com a OTAN. Gelli era tão bem articulado com o establishment político estadunidense que chegou a ser convidado para as festas de investidura de três presidentes: Ford, Carter e Reagan.

Magistrados italianos, examinando cuidadosamente documentos apreendidos na Villa Wanda (nome de sua mulher), de onde Gelli tinha fugido quando a P2 explodiu, encontraram centenas de documentos altamente secretos dos serviços de inteligência. O Coronel Antonio Viezzer, ex-chefe dos serviços secretos de inteligência combinados, foi identificado como a fonte primária desse material, tendo sido preso em Roma por espionar em nome de uma potência estrangeira. Junto com Roberto Calvi,  Licio Gelli usou o Banco Ambrosiano, de Milão, para lavar dinheiro da máfia e da maçonaria, através do Banco do Vaticano, que foi completamente envolvido em fraudes financeiras. O mafioso Michele Sindona era o financista da P-2 e conselheiro de investimentos do Banco do Vaticano, ajudando o Banco a vender os seus ativos italianos e reinvesti-los nos EEUU. Uma trama que aliava a máfia à maçonaria, com o suposto beneplácito de Paulo VI e minava a Igreja na sua base financeira.

Albino Luciane (Papa João Paulo I) representava o oposto de Paulo VI – assim como hoje o Papa Bento XVI mostra-se completamente diferente de João Paulo II, por tentar defender a Igreja dos seus inimigos. E por isto está sendo deposto. João Paulo I não agradava à extrema-direita, pois esta o considerava indulgente em relação ao comunismo e por seu pai ter pertencido aos quadros do Partido Socialista Italiano.  Acredita-se que tenha sido assassinado após saber de todo esse imbroglio, às vésperas  de anunciar grandes modificações que incluiriam os principais nomes da Igreja, na tentativa de sanar os problemas financeiros do Estado do Vaticano e de reorientar a Barca de São Pedro para um caminho verdadeiramente cristão.

Durou um mês o seu pontificado. Após a sua morte e com a eleição de Karol Woytila (João Paulo II) a Igreja continuou permissiva em relação à ação da maçonaria e ao uso do Banco do Vaticano para fins ilegais. É claro que, antes, houve a necessária queima de arquivos. Paul Marcinkus foi exilado para uma paróquia dos Estados Unidos, Calvi e Sindona foram mortos, o GOI considera o assunto tabu – assim como os maçons do mundo inteiro.

Com a morte de Karol Woytila (João Paulo II) – aliado do neoliberalismo econômico - e a eleição de Joseph Ratzinger (Bento XVI) – inimigo do capitalismo desumano – as mesmas forças que apoiavam João Paulo II passaram a hostilizar o novo Papa com todo o poder da sua mídia, e não o perdoaram quando, por sua vez, decidiu sanar o Banco do Vaticano e chamar os católicos ao catolicismo. Era uma grande desobediência aos donos do mundo.


(Continua).

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A ESTOLA E O AVENTAL (1) – O PAPA DESOBEDIENTE



Ao contrário de João Paulo II, Bento XVI revelou-se um Papa desobediente, desde o início do seu pontificado. Uma desobediência que consistia, basicamente, em  defender os postulados e cânones da Igreja Apostólica Romana, una e indivisível, tão dividida desde Paulo VI, com um breve hiato de um mês durante João Paulo I – que declarou o firme propósito de limpar a Igreja dos elementos que a estavam destruindo e logo foi ao encontro de Deus.

         Com João Paulo II, os que manipulavam a Igreja para torná-la devidamente maleável aos seus interesses, se regozijaram. Tinham conseguido eleger um Papa amigo, um Papa verdadeiramente irmão.

E tão irmão se mostrou Karol Woytila que, ao ser levado ao pináculo do Templo, aceitou todos os reinos deste mundo, e com eles todos os poderosos e sua gigantesca mídia e tudo lhe foi dado para ajudá-los, e assim fez com o verdadeiro ardor dos amestrados, e quando finalmente morreu – porque até os muito ligados à terra morrem – recebeu a prometida beatificação no dia certo – um 1º de maio, que lembra a escravidão dos trabalhadores, Walpurgis, ou dia das bruxas, e principalmente lembra o 1º de maio de 1776, quando foi criada a Ordem dos Iluminados da Baviera, ou Illuminati - uma seita maçônica sionista que tem como objetivo dominar o mundo através de uma nova ordem mundial e que, por enquanto, domina os dirigentes dos Estados Unidos, da Europa, em sua maioria, e de muitos países latino-americanos.

O cardeal Joseph Ratzinger, que adotou o nome de Bento XVI, é um erudito que por muitos anos foi o Prefeito da Congregação Para a Doutrina da Fé. Karol Woytila (João Paulo II), em sua ânsia por ecumenismo a qualquer preço, o que resultaria na união das igrejas de todo o mundo, seitas e demais variações supostamente espirituais em uma só organização que teria como princípio básico a crença em um só Deus – exatamente como propõe a maçonaria – e esquecendo-se que isso redundaria no fim da Igreja Católica Romana, em 25 de janeiro de 1983 escreveu o cânon 1374, onde afirmou: “Quem  ingressa em uma organização que maquina contra a Igreja deve ser castigado com um pena justa; quem promove ou dirige essa associação deve ser castigado com entredito”.

Esta nova redação apresentou duas novidades em relação ao Código de 1917: a pena não é automática e não é mencionado expressamente a maçonaria como associação que conspire contra a Igreja.

     Quase desde a sua aparição, a maçonaria gerou preocupações na Igreja. Clemente XII, "In eminenti", havia condenado a maçonaria. Mais tarde, Leão XIII, em sua encíclica "Humanum genus", de 20 de abril de 1884, a qualificava de organização secreta, inimigo astuto e calculista, negadora dos princípios fundamentais da doutrina da Igreja. No cânon 2335 do Código de Direito Canônico de 1917 estabelecia-se que "aqueles que dão seu nome à seita maçônica, ou a outras associações do mesmo gênero, que maquinam contra a Igreja ou contra as potestades civis legítimas, incorrem ipso facto em excomunhão simplesmente reservada à Sede Apostólica".


     De maneira astuta e calculista, João Paulo II, ao escrever o cânon 1374, dava a entender que a maçonaria não é inimiga da Igreja e retirava a excomunhão dos católicos que pertencem àquela seita. Imediatamente, os meios de comunicação do mundo inteiro alardearam que a Igreja estava aceitando a maçonaria, o que provocou grandes festas comemorativas entre maçons e simpatizantes. Finalmente eles estavam alcançando o seu objetivo: senão a derrubada, a infiltração total na Igreja, assim como já acontecera com a Igreja Católica Anglicana, desde os tempos de Henrique VIII.

     A partir do Concílio Vaticano II a Igreja sofreu todo o tipo de pressões no sentido de reaproximação com a maçonaria, ao ponto de muitos católicos acreditarem que a entrada em uma associação maçônica era lícita. O clima generalizado de aproximação entre as teses de alguns católicos e maçons foi quebrado pela declaração de 28 de abril de 1980 da Conferência Episcopal Alemã sobre a pertença dos católicos à maçonaria. Entre outros argumentos, a Conferência explicitava:

    “Antes de tudo deve recordar-se que a comunidade dos "pedreiros-livres" e as suas obrigações morais se apresentam como um sistema progressivo de símbolos de caráter extremamente absorvente. A rígida disciplina do arcano que nela predomina reforça ulteriormente o peso da interação de sinais e de ideias. Este clima de segredo comporta, além de tudo, para os inscritos o risco de se tornarem instrumentos de estratégias que lhes são desconhecidas.”

      No entanto, em 1983, o muito irmão João Paulo II tentava derrogar, através do cânon 1374, todos os anteriores cânones que legislavam sobre a maçonaria. Em tempo, o então Cardeal Joseph Ratzinger - junto com os demais membros da Congregação Para a Doutrina da Fé - evitou que o mal se espalhasse ao escrever a seguinte Declaração, à qual João Paulo II não tinha o poder de se opor. Foi a primeira desobediência do futuro Bento VI.



CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

DECLARAÇÃO SOBRE A MAÇONARIA


     “Foi perguntado se mudou o parecer da Igreja a respeito da maçonaria pelo facto que no novo Código de Direito Canônico ela não vem expressamente mencionada como no Código anterior.
“Esta Sagrada Congregação quer responder que tal circunstância é devida a um critério redacional seguido também quanto às outras associações igualmente não mencionadas, uma vez que estão compreendidas em categorias mais amplas.
“Permanece portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçônicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas.  Os fiéis que pertencem às associações maçônicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão.
“Não compete às autoridades eclesiásticas locais pronunciarem-se sobre a natureza das associações maçônicas com um juízo que implique derrogação de quanto foi acima estabelecido, e isto segundo a mente da Declaração desta Sagrada Congregação, de 17 de Fevereiro de 1981 (cf.  AAS 73, 1981, p. 240-241).
“O Sumo Pontífice João Paulo II, durante a Audiência concedida ao subscrito Cardeal Prefeito, aprovou a presente Declaração, decidida na reunião ordinária desta Sagrada Congregação, e ordenou a sua publicação.
“Roma, da Sede da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, 26 de Novembro de 1983.”

Joseph Card. RATZINGER
Prefeito
+ Fr. Jérôme Hamer, O.P.
Secretário.


(Continua)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

ENTREVISTA COM CQ SKINDÔ




- Skindô! Skindô! Ôba!

- Alô, amigos e amigas e amigas e amigos, estou aqui para comunicar com o organizador desta inesquecível festa carnavalesca, o famoso Costa Quentes Skindô. Boa noite, CQ!

- Skindô! Skindô! Ôba!

- Ôba, CQ! Um outro Skindô pra ti e para todos os ouvintes que nos ouvem auditivamente, mas é como se estivessem aqui, no calor desta festa memorável e memorativa. Ôba! Skindô! CQ, qual a tua opinião pessoal e intransferível sobre os boatos e não boatos, conversas de comadres e de compadres e até de estudantes de primeiro e segundo grau, para não falar dos de terceiro, quarto...

- Pergunta, essa menina! Skindô!

- Ai, CQ, deixa eu fazer a introdução. É assim que me ensinaram no curso.

- Introduz e vai aos finalmente! Eu não fiz curso nenhum, sou do tempo do irradialismo de rebosteio – curto e grosso! Skindô!

- Ai, CQ, assim tu até me deixa corada... Eu estava e estou perguntando sobre aqueles, aquelas, todos os que comentaram sobre a tua insensibilidade ao realizar o carnaval de qualquer jeito neste momento trágico em que tantos jovens perderam a sua vida naquela trágica tragédia...

- Entendi. Mas tu é enrolada!... Me diz quem é que ganha alguma coisa com sensibilidade, malandra? Skindô!

- Ai, CQ, eu não sou malandra. Só se for malandrinha de carnaval. Nunca te sentiste sensibilizado?

- Muchas veces. Principalmente quando aquele menino, o tal de Obama, disse que o Lula é que é o cara! Esto me fez aflorar la sensibilidad! Será que o Obama esqueceu de mim? Es una desgracia! Skindô!

- CQ, por que estás falando em portunhol?

- Pra disfarçar o meu acentuado sotaque carioca. Está no DNA. O que posso fazer, malandra? Skindô!

- Dizem por aí e por aqui e também aquém e além que estás afrontando o decreto da Prefeitura, CQ.

- Mas será que o prefeito pensa que manda alguma coisa? Isto é uma democracia e democracia é pra todos, pros que estão dentro e fora da casinha! Nesta cidade, tem dez por cento que são carnavaleanos, ou coisa que o valha!... Nós somos a minoria e temos que ser respeitados! Skindô!

- Mas o governo municipal...

- Não me venha com o governo municipal! O que é que eu ganho com o governo municipal? Tenho cara de cem reais pra alguém gostar de mim por causa do governo municipal? O prefeito tem que entender que o carnaval não é dele, é do povo, do meu povo, meu amado povo! Aproveito a ocasião pra dizer que se eleito for, skindô!

- Eleito, CQ?

- Eu disse eleito? Falha nossa. Deve ter sido algum verso de letra de samba. “Mamãe eu quero mamá...”, “Me dá um dinheiro aí...” – uma destas. Skindô!

- E como foi o apoio recebido e percebido para poder realizar esta bela e inolvidável festa do reinado de Momo?

- De tudo que é lado! Da direita, da esquerda, do centro, de cima, de baixo... Olha só, malandra, que quando eu estava no supermercado choveu de gente apoiando. Até nota de cinquenta eu recebi. Poderia ser de cem, mas os tempos estão oscos... Skindô!

- E deu pra ajudar nas compras, CQ?

- Nas compras carnavalarianas ou carnavalescarianas. Este povo me ama! Skindô!

- Soube que um prezado colega nosso faleceu semana passada?

- Faleceu? Antes ele do que eu! A vida é assim, de vez em quando alguém morre. Skindô!

- E o Papa está sendo deposto ou despapado, regurgitado...

- Vai ter vaga no Vaticano? Tô nas bocas! Skindô!

- Voltando ao assunto, CQ... As pessoas que morreram em Santa Maria naquela indescritível tragédia...

- Já morreram, estão  mortos e, que eu saiba, devidamente enterrados. O que eu vou ganhar pensando nisso? Não morre gente todos os dias? Quero mais é carnaval! Skindô!

- Não teme alguma reação do prefeito?

- Daquele? Ainda se fosse o querido e amado ex-prefeito que nos deixou... Mas vai voltar! O véinho lá de cima tá olhando. Ziriguidum! Eu tenho o apoio de generais, coronéis, majores, juízes, advogados, deputados, empresários e até de vereadores que não se elegeram. Ele que tente, que eu acabo virando prefeito! Skindô!

- Prefeito?

- Prefeito do carnaval. Principalmente com a ajuda dos meus dez por cento, da minoria que antes chorava e agora pula, repula, tripula, quadripula! Skindô!

- Tanto assim, CQ?

- Tanto e muito mais! Mais, mais, eu quero mais – como diz aquela canção.

- Obrigada por comunicar comigo e com nossos queridos e atentos ouvintes, CQ. Peço que deixe um recado para os foliões que estão pulando e quadripulando. Meu Deus, como pulam!

- Skindô! Skindô! Ôba! Ôba! Ziriguidum! Ziriguidum! Balacobaco-baco-baco! Telecoteco-teco-teco! Conosco ninguém podosco! Skindô!

sábado, 9 de fevereiro de 2013

O POLÍTICO CARNAVAL BAJEENSE



No dia 4 de fevereiro, o Prefeito Dudu Colombo cancelou o Carnaval de Bagé, em respeito à tragédia de Santa Maria, que já vitimou, até o momento, 238 pessoas. Uma atitude digna, já esperada por quem conhece o caráter do Dudu, que destacou que todas as atividades ligadas ao carnaval foram canceladas, como a escolha da Rainha do Carnaval, Mesa de Bar e Santa Thereza. “As entidades carnavalescas serão indenizadas. Elas deverão apresentar as despesas através de nota fiscal. O ressarcimento será uma antecipação do carnaval de 2014. Vamos cumprir com o nosso compromisso” – afirmou Dudu.

     Dois dias depois, o radialista Edegar Abip Muza, da Rádio Cultura de Bagé, anunciava que o carnaval bajeense, no que respeita aos concursos Rainha do Carnaval de Bagé e Rainha do Carnaval do Estado aconteceria com o apoio das entidades carnavalescas da cidade e de segmentos do comércio que se dizem prejudicados com o decreto da Prefeitura.

     O concurso Rainha do Carnaval do Estado vem sendo realizado há muitos anos pela empresa Muza Publicidade. O Rainha do Carnaval de Bagé também era organizado pelo radialista até o final da segunda gestão de Luiz Fernando Mainardi. Quando Dudu Colombo assumiu a Prefeitura, diversos eventos carnavalescos passaram para a responsabilidade da prefeitura. Este ano foram cancelados e formou-se a polêmica.

  Até agora, além de Santa Maria, mais de vinte cidades gaúchas cancelaram o carnaval: Jaguari, Agudo, Dona Francisca, Faxinal do Soturno, São João do Polesine, Nova Palma, Ivorá, Formigueiro, Santiago, São Martinho da Serra, São Sepé, Silveira Martins, Santa Margarida do Sul e Toropi, Pinhal Grande, Restinga Seca, Cerro Largo, Santa Bárbara do Sul, Tupanciretã, Pejuçara, Bagé, Lavras do Sul e Cachoeira do Sul.

 Através do programa diário “Visão Geral”, da Rádio Cultura de Bagé, o decreto do cancelamento do Carnaval de 2013 vem sendo bombardeado, inclusive com ataques pessoais ao Prefeito. O que parecia, de início, despeito do antigo radialista citado, tomando como questão pessoal o cancelamento das atividades carnavalescas oficiais, foi encampado por toda a Rádio Cultura, que insiste em realizar, além do Rainha do Carnaval do Estado, o Rainha do Carnaval de Bagé, que foi cancelado.

 Inclusive, datas já foram marcadas. O Rainha do Carnaval de Bagé será realizado pela Rádio Cultura no ginásio do clube Flamengo, dia 11, segunda-feira. O Rainha do Carnaval do Estado será no Clube Caixeiral, no dia 16.

 Afirmam os representantes da Rádio que não somente as entidades carnavalescas foram prejudicadas pelo cancelamento do Carnaval, mas, inclusive, o comércio varejista. A Rádio Cultura está fazendo rifas e recebendo doações para poder realizar o seu Carnaval.

 Para o povo muitas vezes desinformado por veículos que deveriam ser de informação a aparência dos fatos revela um confronto entre o radialista Muza e o prefeito Dudu. Isto seria verdade caso o radialista fosse um dos responsáveis diretos pela Rádio Cultura, o que não é verdade. Acima dele e de seus companheiros radialistas existe o diretor – jornalista Vacionir da Silva Lopes – que, com certeza, autoriza tudo o que é veiculado. No entanto, o diretor de qualquer veículo de informação é apenas o representante dos concessionários, dos quotistas, dos donos.

 Cabe ao diretor orientar os jornalistas dentro das idéias daqueles que exercem o verdadeiro poder de mando em uma rádio. Se não fosse assim, ele, o diretor, estaria completamente desabrigado em caso de polêmica ou, mesmo, de algo mais grave, como um processo. Quem dá as diretivas para qualquer veículo de comunicação são os seus donos.

 Os donos atuais da Rádio Cultura de Bagé são os senhores Odilo Dal Molin e Alencar Dal Molin, segundo o Memorial Landel de Moura – www.memoriallandeldemoura.com.br

 Os dois pertencem ao PMDB. Odilo Dal Molin já foi prefeito de Candiota e recentemente, em 2012, concorreu novamente à Prefeitura,  perdendo para a coligação PT/PSDB: Luiz Carlos Folador e Paulo Brum.

 Alencar Dal Molin candidatou-se a vereador nas eleições de 2012, em Bagé, pelo PMDB, e recebeu 520 votos, equivalentes a 0,76% dos votos válidos. Em sua declaração de bens (2012) revelou-se um dos dois quotistas da Rádio Cultura. É empresário, membro do Rotary Club e já foi presidente do G.E. Bagé.

 Alencar Dal Molin é o Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico de Dudu Colombo. Ganhou a secretaria por exigência, imposição ou acordo do PMDB com o Prefeito. Foram tantas as alianças feitas pelo PT para vencer as eleições que, depois, foi obrigado a premiar cada partido coligado. Para isso, aumentou o número de secretarias para vinte e duas. Por exemplo, a secretaria dada a Alencar Dal Molin chamava-se Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo. Foi desmembrada em duas. E a de Turismo foi para Jean Vieira.

 A nomeação de Alencar Dal Molin foi festejada pelos setores mais à direita e explicada pelo chefe do Executivo pelo fato de Alencar ser um empresário e ter fácil trânsito com outros empresários. Pois é justamente o Sindicato dos Lojistas (Sindilojas) um dos setores que está apoiando o “Carnaval do Muza”, como vem sendo apelidado o Carnaval que a Rádio que também é do secretário do Prefeito está promovendo para afrontar o Prefeito.

 O que acontecerá?

 1) No máximo, Dudu protestará através de outros secretários ou porta-vozes da sua indignação por estar sendo atacado pela Rádio Cultura, mas dificilmente fará algo mais. Deixará passar, como se nada tivesse acontecido, porque a sua autoridade está dividida, muito dividida, a ponto de quase ser um refém dos diversos partidos que o apoiaram nas eleições. Alencar Dal Molin poderá dizer que nada sabia, que é ‘coisa do Muza’ – e tudo se arranjará depois do Carnaval.

 2) Dudu tomará uma atitude mais forte, em respeito também ao povo que o elegeu e não somente aos donos dos partidos.

 O povo, em sua ingenuidade, sente-se resguardado ao eleger determinada pessoa para um cargo executivo. Não conhece os bastidores da política, as tramas, os conchavos. Não sabe que aquela pessoa não pode governar, impor um plano de governo, mesmo que tenha a maioria da Câmara de Vereadores, porque outros interesses estão por trás de tudo o que acontece na cidade – principalmente os interesses econômicos.

 A questão não é o Carnaval ou a falta de sensibilidade do pessoal da Rádio Cultura que, aliás, faz do seu programa “Visão Geral” um ataque diário a tudo o que consideram como “esquerda” – principalmente aos sábados.

 O que está acontecendo no Brasil de tantas alianças é a perda de referência dos partidos, que não mais oferecem programas ou metas de governo. Perderam a personalidade em troca do poder pelo poder, cedendo em todas as frentes e transformando o povo em carnavalesca máscara a ser usada quando é conveniente.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

PARABÉNS AO DUDU


     Parabéns ao Dudu Colombo, Prefeito de Bagé, que teve a coragem de cancelar o Carnaval nesta cidade, em respeito às vítimas da tragédia em Santa Maria. Foi uma atitude digna que vai de encontro aos interesses mesquinhos daqueles que fazem do Carnaval um negócio muito lucrativo.

     Uma pena que o Tarso Genro, atual governador gaúcho e que é natural de Santa Maria, talvez devido ao seu péssimo assessoramento não tenha decidido (ainda) pelo cancelamento do Carnaval no Rio Grande do Sul.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

NOITE



A noite caminha
E, por seus caminhos,
Para onde vou 
Na noite andarilha?

Para onde vou
Nesta noite turva?
Na curva da noite
Onde estou em mim?

Para onde vou
Na noite profana?
Cigana esta noite
Que me rouba assim.

Cigana esta noite
Que leva no bojo
Como seu despojo
O que resta de mim.

Cigana esta noite
Que leva no seio
Todo o meu receio
De ser noite enfim.

A noite caminha
E com ela rumo.
Para onde o prumo
Desta noite minha?
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