Não acredito que a
liberação do consumo da maconha seja a solução para o controle das drogas. Tampouco
o é a repressão aos traficantes, que são intermediários entre os produtores e
os consumidores. Uma política séria a respeito deveria, em primeiro lugar,
acabar com o plantio extensivo, deixando-se o suficiente sob controle do Estado
para a provável fabricação de medicamentos antidepressivos.
Nenhuma planta é, em
si, má ou boa para o ser humano. A quantidade consumida é que determinará
efeitos bons ou indesejáveis. Está provado que o excesso no consumo da maconha
provoca distorções dos sentidos – como qualquer droga alucinógena – e fraqueza
mental, incluindo dificuldade de concentração, diminuição da memória,
dificuldade motora e sentimentos de paranóia ou ansiedade. A euforia produzida
não compensa os prejuízos mentais a médio e longo prazo.
A liberação da
maconha no Uruguai é um triste exemplo de abdicação do Estado no cuidado com os
cidadãos e de derrota perante os grandes cartéis de drogas, que serão os
principais beneficiados com o livre plantio. Liberar a maconha para combater o narcotráfico
revela-se um argumento pífio. Se fosse assim, não só a maconha, mas as demais
drogas deveriam ser liberadas e, com certeza, o Estado passaria a ser o
principal produtor e traficante de todas as drogas imagináveis, e os cidadãos
desse Estado, aos poucos, se tornariam zumbis sorridentes sem qualquer senso
crítico, que tudo aceitariam em troca de momentos de artificial bem-estar.
É o grande sonho dos
dominadores do mundo: uma sociedade que não interrogue, não pergunte, não
discuta; formada por pessoas com comportamentos previsíveis, dependentes ao
extremo das gotas de prazer concedidas pela agradável tutela do Estado. E o
próprio Estado perderá as características de pátria ao ser povoado por uma
população desdenhosa de quaisquer valores e tenderá a ser engolido por um
grande Estado multinacional, doador de prazeres e regalias àqueles que
obedecerem aos seus ditames. Os demais serão afastados, excluídos, reprimidos e
esquecidos.
O papel de educador,
reservado ao Estado, tende a desaparecer à medida que os políticos se rendem a
todos os vícios que levam à degeneração da personalidade em troca da
perpetuação no poder – supremo vício – e todos os hábitos corrosivos de guetos
sociais auto-excluídos, anteriormente combatidos em nome da saúde mental e
física da maioria da população, são aceitos em nome de uma duvidosa inclusão
social claramente demagógica e moralmente condenável. Não me refiro somente ao
Uruguai, que está seguindo as pegadas dos Estados Unidos ao propor a formação
de uma sociedade apática e passiva.
Também no Brasil e em
outros países ocidentais, principalmente, a tolerância e até o incentivo aos
costumes dissolutos passa uma falsa impressão de liberdade, levando a maioria
da nossa população a acreditar que democracia é sinônimo de permissividade, quando
permissivo é o governo que fomenta o fim de quaisquer princípios ou valores
morais.
Curioso o fato de
governos liderados por ex-guerrilheiros, como Dilma Roussef ou Pepe Mujica
terem se curvado às exigências da nova ordem mundial emanada dos Estados Unidos
e da Inglaterra, que tem uma agenda a ser cumprida onde está previsto o fim do
patriotismo e seu irmão, o nacionalismo, a derrocada da família considerada
tradicional, a dissolução de valores inibidores de comportamentos desagregadores
e pervertidos, a liberação de drogas alienantes e, por fim, a adesão a uma
política imperialista que visa somente o lucro e o consumismo.
Não por acaso militares
brasileiros e uruguaios continuam a ser treinados por militares estadunidenses
em diversas bases não muito secretas ao redor do mundo; e não por acaso alguns
desses militares participam de forças de paz da ONU – que nada mais são que
parte da política imperialista contra governos e grupos revolucionários de
esquerda - e até comandam ações contra o seu próprio povo, como acontece no
Brasil em grandes favelas onde se procura criminalizar a pobreza e a miséria.
O que leva a pensar
que ex-guerrilheiros obviamente não são mais guerrilheiros, passaram à
categoria dos que aceitam o sistema e comungam com os ideais do império. E o
império exige que pessoas assim, detentoras de grande influência e poder,
aceitem e promovam a sua agenda que propugna o fim dos sentimentos
nacionalistas a favor de um governo mundial formado por nações inertes e
indiferentes ao seu destino.
Para isso, drogas,
muitas drogas devem ser disseminadas; e vícios desagregadores são incentivados
a proliferar, principalmente nas novas gerações que não sabem o que está
acontecendo e acreditam que liberdade corresponde unicamente à busca do prazer
que leva à íntima satisfação.
Junte-se a isto o
extremo individualismo que leva ao egocentrismo e à competição muito próxima da
corrupção, característica de um sistema sórdido e teremos uma futura
(presente?) sociedade movida por interesses onde predominará a insolência, a
arrogância e o desamor – e pessoas assim serão apelidadas pelo sistema de
empreendedoras. Aos muito pobres a repressão, as migalhas e as drogas mortais.
Prefiro ser careta a
aceitar o programado mundo dos parvos. Houve um tempo, nos anos ’70, ’80 e um pouco
dos ‘90, em que usar drogas era uma forma de contestação e a juventude queria
ser uma metamorfose ambulante. Hoje, é uma forma de aceitação, e a juventude
deseja apenas a lerdeza, a mente plastificada e a ignorância do que se passa à
sua volta. Não toda ela, há os que se salvam e nem todos são caretas. Mas
creiam, para mim, ser careta é o maior barato.
O que dizer, depois deste texto maravilhoso! Concordo em numero, gênero e grau. E sejamos careta. Parabéns amigo. Abraços iluminados sempre...
ResponderExcluirA diferença entre o remédio e o veneno é a dose.
ResponderExcluirEu quero discordar da opinião expressa aqui pelo titular do Blog, relativamente ao tratamento que se deva adotar em relação a política sobre drogas.
A opinião de um Neurocientista, Professor de Psicologia e Psiquiatria, pesquisador desse assunto há vinte anos, retratada nesse link abaixo, e também o livro publicado pelo mesmo, devem evidenciar algumas variáveis que não foram tratadas aqui.
Cordialmente
https://plus.google.com/104776797601463943636/posts/EfPsVDHbzQ7
É... Sempre me considerei careta. Continuo sendo careta. Muito boa matéria sobre a legalização da maconha. Parabéns!
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