quarta-feira, 12 de novembro de 2014

SEJAMOS REACIONÁRIOS: VAMOS FAZER UMA REVOLUÇÃO?





É claro que não existe mais nenhum Luiz Carlos Prestes, Mariguela ou Lamarca e o movimento operário foi amortecido pelo PT e pelos agentes da ABIN (ex-DOI-CODI) e preferiu a acomodação. Tampouco não mais existem músicas revolucionárias. O Vandré está engajado na Aviação, o Chico está noutra e só o que o povo ouve é aquelas canções pseudo-sertanejas que repetem insistentemente as palavras “amor” e “você”. Que não seja por isso! Na dúvida, podemos cantar “Grandola, Vila Morena” ou “A Marselhesa”. Só não se pode contar com os políticos profissionais. Passadas as eleições, fizeram seus discursos de pedido de desculpas ao povo e estão preparando as malas para projetadas férias em ilhas ignotas, verdadeiros paraísos para a classe A++. Talvez paraísos fiscais.

   “Para a direita não adianta me empurrar que eu não vou” - foi a frase que marcou a entrevista de Aécio Neves ao jornal O Globo, no último domingo. Coerente com a sua postura de centro-esquerda ou de centro-direita ou apenas de centro, apesar de grupos direitistas tentarem aproveitar a sua candidatura para fazer propaganda contra o PT, acreditando ingenuamente que aquele partido é de esquerda, em vã tentativa de provocar uma guerra ideológica inexistente. PT e PSDB são partidos muito parecidos. A diferença é que o PSDB tem uma aparente postura ética, enquanto o PT perdeu a compostura há muito tempo.

   Inútil falar na euforia de corrupção do PT, que se tornou como que um vício para o partido do Lula, porque até uma frase a respeito já foi cunhada pelo jornalista Cláudio Tognolli: “Não se pode escrever “corrupto” sem PT. Talvez seja uma injustiça, o PT é somente o partido mais corrupto, mas, em relação à palavra, é uma verdade. Quem sabe com a artificial reforma ortográfica, Lula, Dilma e prosélitos consigam tirar o “P” de corrupto. O que de nada adiantará. O fato é que os votos recebidos por Aécio, basicamente foram votos contra a corrupção e a fraude. Será que ele já se deu conta disso?

   Quanto à fraude, esperemos que esteja sendo devidamente desvendada - desde que o TSE concordou com a auditoria das urnas eletrônicas feitas somente pelo PSDB e não por um comitê nomeado por vários partidos. De qualquer maneira, se confirmado o convite à equipe do professor Diego Aranha, da UNB, haverá certeza de honestidade na pesquisa aprofundada das urnas eletrônicas utilizadas nas eleições e dentro de um mês estaremos sabendo o resultado. Mas não é impossível que o resultado da auditoria seja escondido do povo, assim como nos esconderam a apuração das eleições.

   Em relação à corrupção, a “vitória” de Dilma e o Congresso dominado por PT e PMDB dão segurança ao governo para que continue a usar o nosso dinheiro da maneira que bem entender. E aí está o ponto. Alguém acredita em CPIs ou CPMIs? Eu não. Nunca levaram a nada. Não com esse Congresso suspeito de corrupção e com esse governo faz-de-conta. Também não se pode esperar que a oposição no Congresso Nacional, por mais valente que seja, possa evitar as tramas a que estão acostumados PT, PMDB e demais aliados.

   Fazer o quê? Reagir. Como aqueles que votaram no Aécio estão sendo chamados de reacionários, vamos honrar a palavra: sejamos reacionários! O povo protestando nas ruas sempre foi a solução mais democrática quando os seus supostos representantes ficam só nas palavras.

  Reagir contra a corrupção. Reagir contra a possibilidade de fraude eleitoral. Reagir contra os políticos tiriricas. Reagir contra a entrega do Brasil ao capital estrangeiro. Reagir contra esse governo aliado das multinacionais, do latifúndio e das oligarquias. Reagir contra a falsidade, a mentira, a calúnia, a difamação. Reagir contra o embuste dos políticos que, de fato, a ninguém representam. Reagir contra os maiores impostos do mundo. Reagir contra a inflação. Reagir contra a preservação da pobreza e da miséria que só serve a fins eleitorais. Reagir contra o trabalho escravo. Reagir contra a criminalização da pobreza. Reagir contra a violência. Reagir contra a degradação dos costumes, patrocinada pelo governo. Reagir contra o desmatamento da mata Atlântica e da Amazônia. Reagir contra Belo Monte. Reagir a favor de um Brasil para os brasileiros.

    Sejamos reacionários: vamos fazer uma revolução!

   Ou não. É também provável que a maioria das pessoas que votaram no Aécio queiram somente o fim do PT e de seu modelo populista. Extremamente corrupto, mas populista. Notavelmente demagogo, mas o povo gosta de demagogia. Extraordinariamente falso em suas concepções pseudo-ideológicas; no entanto, há aqueles que preferem a falsidade.

   Talvez muitas dessas pessoas que votaram no Aécio nem saibam que a usina de Belo Monte fica no Pará, vai custar mais de 30 bilhões de reais e sua construção está causando uma devastação ambiental sem precedentes na região do Xingu. Essa monstruosidade foi uma das razões para Marina Silva sair do PT quando era ministra do Meio-Ambiente. Detalhe interessante: o governador do Pará é Simão Jatene, do PSDB, muito aliado do governo de Dilma Roussef e que está adorando a construção da megalômana Belo Monte, que já foi condenada até por organismos da ONU e pela OEA (Organização dos Estados Americanos).

   Belo Monte é um exemplo contra o que devemos reagir. A construção dessa usina tem provocado degradação do meio-ambiente, violações dos direitos humanos, desprezo pelas minorias indígenas e diversos conflitos que a grande imprensa não tem por hábito denunciar.

   Em Belo Monte, assim como em toda a região amazônica, quem reage contra as obras é intimidado e ameaçado de morte – quando não é realmente assassinado. De acordo com matéria de 01/04/2010, publicada no site socioambiental (http://site-antigo.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=3050) “a pressão política para que a obra seja autorizada independentemente das irregularidades no projeto ficou evidente”. Antonia Melo, uma das lideranças do Movimento Xingu Vivo Para Sempre, coletivo que reúne mais de 150 organizações, afirmou: “Para nós está claro que interesses de governo e de grandes grupos econômicos estão se sobrepondo ao que dizem a lei e os tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário”.

   Antonia conta que ela, Dom Erwin, arcebispo do Xingu e outros ativistas foram ameaçados de morte por fazendeiros e políticos que controlam a região. “Em 2008, até mesmo funcionários da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) tentaram me intimidar, mas denunciamos a atuação dos agentes para o Ministério Público”.

   Mais recentemente, em 13/03/2014, entidades denunciaram o governo brasileiro de Dilma Roussef na 25ª sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas por violações de direitos indígenas no processo de construção de grandes hidrelétricas na Amazônia. Adiantou alguma coisa? A ONU é aquilo que todos sabemos: defensora dos ricos e opressores, assim como o governo brasileiro.

   Belo Monte é a cara sem máscara do PT. Aliado ao PSDB. Não por acaso Aécio Neves e Dilma Roussef, em seus debates não tocaram nos temas ecologia, meio-ambiente, desertificação do solo, direitos humanos e criminalização da pobreza. Há grandes interesses econômicos envolvidos e a omissão permite pressupor que os dois partidos são sócios no crime. Somente em um momento do último debate Dilma confessou timidamente que estava construindo Belo Monte. E Aécio não retrucou. Entende-se que políticos que professam os mesmos ideais concordam entre si que certos assuntos devem ser silenciados.

   E não é só Belo Monte. O governo de “inclusão social” do PT, além de expulsar os indígenas das suas terras, criou um novo Código Florestal para favorecer os grandes fazendeiros. Na ocasião da aprovação do Código Florestal, desmatadores, grileiros e invasores de terras foram anistiados dos seus crimes, e a bancada do governo comemorou junto com a bancada dos latifundiários. A taxa de desmatamento na Amazônia é de 613 metros por segundo, e crescendo. Os que reagem, como a índia Kaiowá Marinalva Manoel, de 27 anos, que há cerca de 15 dias compôs uma comitiva que esteve em Brasília em defesa dos direitos dos Guarani-Kaiowá, são mortos. Marinalva foi assassinada no dia 1º de novembro, e seu corpo foi encontrado esfaqueado às margens da rodovia BR-163, perto de Dourados, Mato Grosso do Sul.

   Sejamos reacionários: vamos reagir também contra isso! O silêncio dos políticos bem alimentados não impede esses assassinatos ou que neste momento mais de dez milhões de brasileiros passem fome e sejam tratados como cidadãos de segunda categoria.

   Eu sei que em sua santa inocência muitos acreditam que as eleições resolvem tudo, como se fosse uma questão de troca de guarda nos cargos administrativos; como se, após as eleições, realmente os políticos eleitos, tomados de ímpeto bravio optassem pela honestidade e defesa do povo. Se fosse assim, não existiria Belo Monte. Não precisaríamos nos preocupar com os conluios dos congressistas, com os incessantes casos de corrupção, com as mentiras dos demagogos.

   É necessário dar um basta nisso tudo. Que tal... Uma revolução? Quando o povo quer, acontece. O maio de 1968 ficou famoso no mundo inteiro. Multidões saíram às ruas dos principais países dizendo não ao sistema. Concordo que não resolveu, mas muita coisa mudou e, principalmente, os políticos profissionais foram desmascarados. A Revolução Francesa só tomou verdadeiro ímpeto quando os bairros de Paris se revoltaram. Anos mais tarde, houve a restauração da monarquia por pressão da burguesia assustada com o povo, mas convenhamos que a França já não era mais a mesma. O povo se fez respeitar.

    É isto o que está faltando: respeito. Os políticos nos convocam para eleições, falam coisas bonitas, fazem promessas, são eleitos e continua tudo na mesma, ou pior. É necessário reagir a essa falta de respeito. Sejamos reacionários!

sábado, 8 de novembro de 2014

A FALSA GUERRA IDEOLÓGICA




Aqueles que pedem um golpe militar estão muito enganados com as Forças Armadas, eternamente aliadas dos grupos mais reacionários, hoje traduzidos como partidos políticos, entre os quais se destacam o PT e o PMDB, por vezes o PSDB. No governo do PT, principalmente a partir do primeiro governo Lula, as Forças Armadas brasileiras solicitaram e conseguiram ampla liberdade de ação, que as levou a liderar o grupo de países que invadiu o Haiti sob falsos pretextos de assistencialismo, oportunizando às Forças Armadas dos Estados Unidos dominar aquele país tão estrategicamente localizado no Caribe.
   Em seguida, os militares brasileiros passaram a participar de manobras conjuntas com a ONU e seu exército mundial, a OTAN, destacando-se a pequena frota da marinha brasileira que ajuda a cercar o Líbano e aqueles oficiais que são convidados para liderar forças da ONU em países da África que tentam fugir à política de controle dos Estados Unidos e de seus aliados. Nos últimos anos, as Forças Armadas brasileiras foram convocadas para cercar as favelas no Rio de Janeiro com a desculpa de combater o tráfico de drogas e ainda mais recentemente, durante a Copa do Mundo do Brasil, as Forças Armadas brasileiras deram uma demonstração de grande eficiência ao ajudar a CIA e demais serviços de inteligência dos países aliados, como os Estados Unidos, a proteger atletas e torcedores.
   As Forças Armadas são grandes aliadas do governo Dilma, assim como o foram do governo Lula e dos governos de Sarney, Collor, Itamar e Fernando Henrique. Aliás, Lula não poderia ter sido eleito se não fosse esse acordo muito liberal com as Forças Armadas, o mesmo acordo que aconteceu quando os militares decidiram que chegara o momento dos políticos civis liderarem o país, desde que não mudassem os rumos da política estabelecida durante a ditadura iniciada com o golpe militar de 1964. Os políticos podem brincar de política, mas não podem mudar as estruturas do poder.
   Talvez essas urnas eletrônicas que hoje estão sendo auditadas a pedido do PSDB tenham sido escolhidas para inovar as eleições, não devido à sua praticidade, mas justamente porque podem ser manipuladas para dar a vitória à coligação partidária mais próxima aos interesses daqueles que verdadeiramente governam o Brasil – e talvez isso só fosse necessário até o momento em que esses partidos e coligações se revelassem tão iguais entre si, como agora, que a probabilidade de fraude poderia até ser aventada, dando espaço para um sistema eleitoral mais seguro e honesto.
   Setores da direita mais rançosa têm acusado o PT de ser “bolivariano” – que hoje é sinônimo de socialismo pela via pacífica na Venezuela, Bolívia e Equador. Os governos do PT, no entanto, seguem uma linha marcadamente capitalista, de obediência aos ditames do mercado, de aliança em todos os setores com os Estados Unidos e União Européia e internamente obedecem aos grandes empresários e latifundiários. Mais à direita seria o fascismo, apesar do PT se revelar um tanto quanto fascista em sua insistente tentativa de hegemonia política.
   Observe-se que a política petista tem como base o controle dos sindicatos que, por sua vez, dominam os operários a eles filiados, que recebem uma educação política capitalista e consumista. No campo, a reforma agrária está parada, os latifúndios aumentaram de extensão e o maior exemplo disso é a derrubada incessante das florestas, com o objetivo não só de venda de madeira, como de aumentar o tamanho das terras para plantio e pecuária. O Brasil está virando um deserto e poucos se dão conta que isso é resultado da política predatória e entreguista do governo.
   Nas cidades aumenta o caos a cada dia; sem tetos são expulsos a tiros e bombas de suas ocupações e a pobreza é criminalizada. Há mais de dez milhões de miseráveis no país, pessoas que não tem o que comer, e os pobres continuam a ser assistidos pelo governo para que aceitem o assistencialismo como solução da desigualdade social, que só faz aumentar. De acordo com a ONU, de Norte a Sul há 13 grandes bolsões de pobreza no Brasil, com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) igual ao de Uganda, na África. Entre 175 países, o Brasil está na 65ª colocação em Índice de Desenvolvimento Humano.
   E o PT se diz socialista, quando na sua prática é exatamente o oposto, agravado com os seguidos escândalos de corrupção no seu governo que vai se arrastar para 16 anos de incompetência interna e de servilismo ao capital estrangeiro. Finge-se de esquerda para ofuscar a verdadeira esquerda que perdeu o rumo e se protege dentro de pequenos partidos que há muito tempo deixaram de ser revolucionários. Partidos que, ao fim e ao cabo, com raras exceções revelam-se como reservas estratégicas do PT quando este partido tenta travar uma guerra ideológica inexistente.
   Para consumo interno, o PT vende para a sua militância o pensamento de Antonio Gramsci, teórico revisionista italiano que pregou o pluralismo político e a união entre as classes – em oposição à luta de classes – e foi declaradamente anti-marxista. Para a fraca capacidade teórica dos militantes do PT, no entanto, as belas frases de Gramsci satisfazem plenamente, uma vez que não trazem em si o temido espectro da revolução. Tentando a hegemonia proposta por Gramsci, o PT aliou-se a conhecidos oligarcas, como Jader Barbalho, Collor de Mello e José Sarney que, em troca de cargos e de prestígio trazem para o PT os votos a cabresto da maior parte do Nordeste brasileiro.
   Não há nenhum “bolivarianismo” nas idéias de Gramsci, mesmo porque as suas teorias foram escritas com base no panorama europeu do pós-guerra, na tentativa de trazer os partidos de esquerda da Europa para dentro do sistema capitalista.
  O PT é, em primeiro lugar, um partido anti-nacionalista, que fez de tudo para destruir a memória de partidos como o antigo PTB de Getúlio Vargas e João Goulart, que avançavam na possibilidade do Brasil para os brasileiros e não para os amigos empresários, como deseja o PT. Durante os governos de Vargas e Jango pela primeira vez o povo brasileiro sentiu-se dignificado, havia um projeto para o Brasil que passava pelas reformas de base e pela reforma agrária, excluindo-se a interferência norte-americana nos assuntos do país.
   Após o golpe militar de 1964, que entregou o Brasil às multinacionais, e posterior “redemocratização” que continuou, com os governos civis, a política dos militares, o Brasil retrocedeu imensamente e, com o PT, fingiu um avanço que não passou de esboços de reformas sociais na tentativa de perpetuar a hegemonia com o apoio das classes dominantes. A par disso, a corrupção, a compra de votos de políticos, o desvio de dinheiro das grandes empresas estatais, a entrega em leilões espúrios das nossas riquezas estratégicas, como o petróleo.
   Nas recentes eleições não houve qualquer tipo de guerra ideológica, a despeito do PT ter se mostrado ao povo mais amestrado como o “partido dos pobres”, em oposição ao PSDB, que seria o “partido dos ricos”. Mentira após mentira, calúnia após calúnia, o PT conseguiu reeleger a sua presidente com os votos dos mais ignorantes, dos mais maliciosos e daqueles que ganham para trabalhar no partido. E, apesar disso, não é improvável que tenha havido fraude eleitoral.
   A extrema-direita que tanto se queixa do PT deveria apoiá-lo porque é o partido de centro-direita mais alinhado com as suas idéias, e esquecer o que chama de ameaça “bolivariana”, porque, se fosse assim, o PT, antes de tudo teria que ser um partido nacionalista.
   O que aconteceu nas eleições foi um sentimento de repúdio em relação ao governo. Mais da metade dos eleitores votaram contra ou negaram seu voto ao PT. Não foi uma eleição onde determinadas idéias foram escolhidas em detrimento de outras, mas um período eleitoral em que o PT usou de todas as armas da difamação e do ilusionismo para patrulhar as pessoas, incutindo-lhes medo, criando conflitos inexistentes, intimidando a tal ponto que mais de 30 milhões se abstiveram de votar no segundo turno, sem contar os votos brancos e nulos.
   O que revela que o povo não está feliz, nem com as eleições nem com o sistema eleitoral e muito menos com a corrupção que se tornou um hábito entre os políticos. Fala-se em reforma política no momento em que o sistema está caindo de podre e em que todos os políticos são suspeitos. O povo mais esclarecido deseja que alguma coisa aconteça para mudar esse cenário de degradação que estamos vivendo. Há a possibilidade de pedido de impeachment, caso fique provado que a presidente sabia dos roubos na Petrobras, há possibilidade de muita coisa. As eleições foram apenas o começo de uma revolta que está amadurecendo aos poucos.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

ELEIÇÕES VIRTUAIS: JUSTIÇA ELEITORAL SOB SUSPEITA




Foi a primeira vez que o povo não acompanhou a apuração para Presidente da República. Aliás, “acompanhar a apuração” é um forçado eufemismo. O povo não acompanha apurações desde 1996, quando as urnas virtuais tomaram o lugar do voto físico. Mas, pelo menos, em outras ocasiões era possível ficar sabendo como estava indo a (por assim dizer) apuração, em todo o país. Durante todo o dia 26, até às 17hs, as pessoas votaram, ou assim pensaram ao apertar os botõezinhos numerados e ouvir o barulhinho da urna eletrônica, e depois nada mais justo que, pelo menos, lhes fosse oferecido o prazer virtual de saber como a eleição para Presidente estava indo, em sua apuração. 
   Que nada! Tudo secreto, secretíssimo. Soube-se depois que alguns eleitos, os mais iguais dentre os iguais, acompanharam desde o início. Entre eles, os membros do TSE. Também foi veiculado muito depois, que Aécio Neves liderou a eleição do segundo turno até 80% dos votos apurados. Coincidentemente, quando Dilma passou na frente, provavelmente com a avalanche dos votos do Nordeste, já eram 20hs e só então o povo poderia saber o resultado final das eleições.
    Segundo o TSE, isso foi devido ao Acre, e ao horário de verão que coloca aquele estado três horas à frente dos demais estados da Federação, e 20hs em Brasília é igual às 17hs no Acre e a legislação eleitoral não permite a divulgação de resultados enquanto a eleição estiver ocorrendo. Fica a pergunta: porque as eleições no Acre não foram realizadas no sábado, 25? As urnas ficariam lacradas (se é que urnas eletrônicas podem ficar “lacradas”) e seriam as primeiras a serem abertas às 17hs de Brasília, no dia 26. Nada mais simples. Neste caso, porém, observe-se que as primeiras urnas a serem “apuradas”, forçosamente seriam as do Norte e do Nordeste onde Dilma virtualmente teve a maioria, e somente depois as urnas do Centro-Oeste Sudeste e Sul, com grande vantagem de Aécio. 
   Se não houve fraude nada mudaria, apenas uma maior expectativa dos eleitores de Aécio Neves – mas talvez exista alguma lei eleitoral (que eu desconheço) especificando que as primeiras urnas a serem apuradas são as do sul do país, depois sudeste, Centro-Oeste, etc. O fato é que nós, meros eleitores, somente ficamos sabendo do resultado das eleições depois que as urnas já estavam quase totalmente apuradas, Dilma eleita por mínima porcentagem e grande suspeita de fraude. 
    Depois do Mensalão, do roubo na Petrobras, dos seis ministros que a Dilma teve que destituir em seu primeiro mandato, incluindo o Palocci... Depois da campanha nada ética patrocinada pelo PT... Depois das insistentes denúncias de compra de votos... Depois que se soube que o presidente do TSE é o Dias Toffoli, ligado ao PT, e principalmente, depois que pipocaram na internet as denúncias de fraude nas urnas eletrônicas, nada mais natural que o PSDB - por mais orgânico que seja ao poder e suas instituições - solicitasse ao TSE a auditoria das eleições. 
   E pediu de joelhos, quase dizendo “por favor”, afirmando que confia no processo eleitoral, dizendo-se pressionado pelo povo que votou no Aécio e não se conforma com a probabilidade de fraude nas urnas eletrônicas e quer saber a verdade. O PSDB é assim. Talvez mude e se torne um partido mais combativo, mas, se preferir continuar em aparente apatia, deve, ao menos, ter a consciência de que os eleitores de Aécio não comungam, necessariamente, dos ideários do partido do senador. 
   Eis que, logo após o pedido de auditoria nas eleições, o procurador- geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao TSE um parecer contrário à auditoria nas eleições. Diz que a auditoria poderia comprometer a credibilidade do sistema eleitoral – mas a credibilidade do sistema eleitoral já está comprometida e ficará ainda mais, caso a auditoria seja negada. Fala sobre a petição virtual pedindo o impeachment de Dilma, sobre acirramento e discurso de ódio nas redes sociais – mas não justifica porque não deseja a auditoria. Parece um representante do PT. 
   Também o Corregedor do TSE, João Otávio de Noronha, diz que não há fatos “que possam colocar em xeque o processo eleitoral”. A que tipo de “fatos” ele se refere? Não bastam as inúmeras denúncias na internet, ou seria necessário que essas denúncias fossem veiculadas pela rede Globo, sabidamente aliada ao poder? O fato principal é que há uma desconfiança generalizada sobre as urnas eletrônicas e se o TSE proibir a auditoria pedida pelo PSDB, então haverá uma “certeza” de que houve fraude nas eleições. 
   Várias são as maneiras de fraudar as urnas eletrônicas e muitas delas já foram veiculadas neste blog. Exemplos: “O Voto dos Cordeiros nas Eleições dos Bodes”, publicada em 13 de novembro de 2010 (http://fausto-diogenes.blogspot.com.br/2010/11/o-voto-dos-cordeiros-nas-eleicoes-dos.html), “A Ditadura é Assim”, matéria publicada em 17 de junho de 2013 (http://fausto-diogenes.blogspot.com.br/2013/06/a-ditadura-e-assim.html), “A Respeito de Fraudes”, publicada em 5 de outubro de 2014 (http://fausto-diogenes.blogspot.com.br/2014/10/fraude.html), “Fraude Anunciada?”, publicada em 22 de outubro de 2014 (http://fausto-diogenes.blogspot.com.br/2014/10/fraude-anunciada.html) e convido o leitor a visitar o site “Fraude nas urnas eletrônicas” (http://www.fraudeurnaseletronicas.com.br/).  
   O que me parece é que esses senhores do TSE, assim como o procurador-geral da República, tem pouco conhecimento a respeito das urnas eletrônicas e querem se apegar à necessidade de que elas (as urnas) “devem” ser invioláveis. Deveriam, mas a maioria dos países do mundo prefere usar o voto de papel. Demora mais para a contagem dos votos, mas é infinitamente mais confiável. 
   Alguns detalhes a respeito de fraude em urnas eletrônicas, que podem ser comprovados no site “Epoch Times” (http://www.epochtimes.com.br/especialistas-afirmam-sistema-urna-eletronica-brasileira-passivel-fraude/#.VFkVbWcQePg):  
   “Após a ordenação dos votos, os fraudadores que queiram coagir eleitores podem anotar a ordem de votação dos eleitores e identificar o voto de cada indivíduo co-relacionando com a hora nos arquivos de log (sendo esta uma informação disponibilizada publicamente)”. Portanto, o voto não é secreto. 
   “A urna DRE grava o voto diretamente em sua memória digital, porém não possibilita aos eleitores que verifiquem que seus votos foram gravados corretamente.” 
   “Devido à impossibilidade de auditoria de gravação dos votos as urnas DRE foram rejeitadas em 50 países e declaradas inconstitucionais na Holanda e na Alemanha.” 
   “Nas eleições municipais de 2012 houve registro de possíveis fraudes em 94 municípios brasileiros, sendo 30 destes no estado de São Paulo.” 
   “A Diebold, empresa fabricante e fornecedora das urnas eletrônicas utilizadas pelo Brasil, recebeu multa de 50 milhões de dólares do Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América por corrupção (suborno de funcionários públicos estrangeiros), falsificação de documentos e colaboração com fraudes na China, na Rússia e na Indonésia.” 
   Portanto, as denúncias que estão acontecendo na internet estão perfeitamente embasadas por fatos e acontecimentos envolvendo urnas eletrônicas que podem sim ser fraudadas. 
   Além disso, conforme o site do jornal Tribuna da Bahia (http://www.tribunadabahia.com.br/2014/11/04/eleicoes-duvidosas) “desde que os técnicos da Universidade de Brasília disseram que nossa urna eletrônica é fraudável, nunca mais foi feito o teste público dessas urnas. Daí a proibição do TSE para que não se faça nenhum teste público antes das eleições. Essa decisão é criticada por especialistas, já que os testes poderiam mostrar as falhas e contribuir para a melhoria do sistema de registro e contagem dos votos". 
   "O problema – mesmo que não haja qualquer erro ou fraude na contagem dos votos – é o fato do ministro Dias Toffoli ter sido advogado do PT, patrono de uma resolução que amordaçava o Ministério Público Eleitoral, integrante da chamada maioria circunstancial garantidora da impunidade no Supremo Tribunal Federal e amigo da cúpula petista. Diante desses fatos, fica difícil acreditar em algo perfeito”.

sábado, 1 de novembro de 2014

DIGA PRONATEC!




- Diga Pronatec!
- Hã, mãinha?
- Quer rapadura? Diga Pronatec!
- Não serve ine... ine... quí... quí... inequívo... vo... Ai!, acho que vou desmaiar!, essa palavra é muito grande!
- Estarrecedor! No que se refere... Eu ia falar do Neymar, mas há quem diga que ele disse que diria que não vota em mim. Não vai ganhar rapadura. Vocês querem rapadura? Tem colar de miçanga também, pras moças, pras mulheres, hoje não se usa mais a palavra moça, todas são mulheres, por falar nisso vou mandar fazer a casa da mulher.
- Muié-dama, mãinha?
- Taí outra palavra que não se deve mais usar. Dama lembra o tempo dos coronéis, coisa que hoje não se tem mais aqui. Eu rebaixei todos pra capitães. As mulheres deles usavam aqueles vestidos horríveis, com babados e lantejoulas e eram chamadas de damas. Vocês devem imaginar o calor! Só de pensar fiquei acalorada. Alguém me dá um copo d’água? Pode ser de garrafinha mesmo. Não fiquem me olhando assim! Eu sei o quanto essa água faz falta procêis, o meu povo, mas dia há de chegar em que tudo isso vai acabar!
- A água, mãinha?
- No que se refere à água eu tenho um compromisso com a transposição do rio São Francisco que vai inundar tudo isso aqui, e vocês devem saber que São Francisco foi um santo muito bom, amigo dos animais e também dos passarinhos e dos peixes, e dos pobres, porque ele era pobre, ucêis sabiam? Ele tinha uma postura ética de eficiência, gerência e fé. Como eu. Infelizmente nem todos são assim. Vocês podem ver os nossos adversários das elites que não medem o custo-benefício para descaracterizar a pobreza. É esses que temos de combater com todas as nossas armas e até com armas importadas, porque eles não gostam de pobres e isso não pode ser porque da pobreza surge a classe média, o que é muito importante para as causas populares.
- Vai ter casas populares, mãinha?
- Eu tenho um compromisso com a habitação, saúde e esgotos cloacais, porque ucêis devem saber que quem não tem esgoto não tem casa e há casas que não tem esgotos e isso não pode fazer o país avançar em direção às reformas que são necessárias para implementar a saúde nas nossas cidadãs e cidadãos, e até nas crianças e nos cachorros, porque sempre que você olha uma criança há sempre uma figura oculta, que é um cachorro atrás, o que é algo muito importante. Quem quer rapadura?
- Eu!
- Diga Pronatec!
- Assim não vale, mãinha.
- Isso me deixa estarrecida! É por isso que eu fiquei adepta da educação. Eu acho que a educação vem em primeiro lugar, antes mesmo dos esgotos cloacais, e tenho falado isso aqui pro companheiro que vocês todos estão vendo o quanto é importante se educar, e isso não é uma questão de idade, mas de oportunidade e quanto a isso vocês podem apostar que nós aproveitamos todas as oportunidades para promover o progresso social. Vocês podem ter certeza que não vai ficar pedra sobre pedra daqueles que nos acusam de corrupção. O nosso país precisa também de ter um compromisso com aqueles que desviam dinheiro público.
- E a rapadura, mãinha?
- Depois. Agora presta atenção. Eu quero adentrar pela questão da inflação, e dizer a vocês que a inflação foi uma conquista desses últimos anos do nosso governo, e é nossa prioridade. Eu também quero falar... eu vou falar um pouco. Vou explicar por quê: todo mundo, antes de mim, disse que ia falar um pouco, não é? E aí, tinha uma senhora, ali na frente, que falou o que todos nós estamos sentindo. Ela disse assim: “Eu estou com fome”. E eu vou levar em consideração ela, que falou uma coisa que todo mundo está pensando, mas não está falando. Alcança ali uma rapadura pra ela.
- Só tem rapadura, mãinha?
- Não. Têm outras coisas também, coisas que nem posso dizer aqui nem ali nem acolá, porque sempre pode surgir ou ficar escondido e ouvir um desses deles que não são nossos e espalhar por aí, que nem um ET... No que se refere a ET, eu queria dizer que eu respeito muito o ET de Varginha. E eu sei que aqui, quem não viu conhece alguém que viu, ou tem alguém na família que viu, mas de qualquer jeito eu começo dizendo que esse respeito pelo ET de Varginha está garantido. E mesmo que Varginha não seja por aqui, eu devo dizer que eu tenho um compromisso com o povo, não só com os ETs, porque eles são gente, ou não são gente, podem até ser gente... Mas aqui entre vocês que passam fome e pensam que eu só tenho rapadura a oferecer, eu quero deixar esclarecido... Eu quero então voltar aonde eu comecei e dizer que eu tenho muito a oferecer, e não é só rapadura, porque eu sei que tem gente que não pode comer rapadura, fica só chupando o caldo da cana, que é mais mole, e isso eu não aconselho pra ninguém, porque sei por experiência própria do companheiro aqui do lado que vocês todos estão vendo que isso não faz bem pra cabeça, e quem quiser depois, daqui a pouco, porque eu já estou ficando cansada, pode chegar ali que os companheiros...
- Vai ter banquete, mãinha?
- No que se refere a banquete eu tenho a dizer que esta é uma palavra que não deve ser dita em público, muito menos em comício. É uma palavra criada pelas elites e devemos extirpar todas as palavras das elites e criar uma nova língua com as palavras do povo. Por isto eu mandei fazer uma reforma ortográfica para não deixar pedra sobre pedra da língua dos opressores, sejam eles Camões ou Sansões. E devo acrescentar que tudo que as pessoas que estão pleiteando a Presidência da República querem é ser presidente, e aí vocês devem fazer uma triagem pra ver quem é o lobo e quem é a raposa e escolher o leão, porque é pro leão que vocês pagam impostos, mesmo que muitos de vocês ainda não possam pagar impostos, mas logo essa situação vai mudar, pois estamos fazendo uma política de inclusão social para acabar com o paternalismo dos patrões e para que todos tenham direito de pagar os seus impostos. E agora, pra terminar, vamos todos dizer juntos: Pronatec!
- Pronatec!!!
- Estarrecedor...
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