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sábado, 18 de junho de 2011

MOTOSSERRA DE OURO PARA DILMA ROUSSEF


Nunca se desmatou tanto no Brasil como no atual governo. Somente em maio a área desmatada na Amazônia cresceu 72% em relação ao mesmo mês do ano passado.

     A floresta perdeu 165 quilômetros quadrados no mês passado, o que levou a um aumento nas emissões de CO2 equivalentes de 55,6 por cento na comparação anual. E tudo isso devido ao sinal verde dado pelo anúncio da aprovação do novo Código Florestal, que já foi aprovado na Câmara e teve como relator Aldo Rebelo, da base governista.

     Os dados divulgados pelo Imazon em abril chegaram a ser contestados por entidades do setor agropecuário, mas a tendência de aumento da perda florestal foi confirmada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, órgão oficial que monitora o desmatamento.

     Segundo o relatório do Imazon, de agosto de 2010 a maio de 2011, os dez meses do ano-calendário do desmatamento, foram desmatadas 1.435 quilômetros quadrados de floresta, o que representa aumento de 24 por cento na comparação com o período entre agosto de 2009 e maio de 2010.

     Esse desmatamento, segundo o Imazon, resultou em emissões de 83,9 milhões de toneladas de carbono equivalente, alta de 10 por cento na comparação com o período anterior.

     O novo Código Florestal anistia os desmatadores e permite que o desmatamento seja maior. Ainda não foi aprovado no Senado, mas todos sabem que o Senado, em sua senilidade demente, aprovará, porque, assim como a Câmara Federal, está nas mãos cheias de dinheiro dos defensores da depredação do patrimônio dos brasileiros.

     Mas, mesmo antes de ser aprovado o Código Florestal no Senado e antes de ser sancionado por Dilma, que diz que fará alguns cortes na lei, os desmatadores estão agindo como se o Brasil fosse deles, desmatando a floresta amazônica como nunca dantes tinha sido imaginado.

     Talvez seja. Talvez o Brasil seja deles e nós, o povo, é que imaginamos que as leis existem também para os muito ricos neste país.

     Pura imaginação, engano, desvario de um povo solertemente desviado da sua função de fiscal do seu próprio território; fiscalização que foi entregue a um Congresso comprado e a um governo cúmplice e omisso.

     Ao mesmo tempo, são assassinados aqueles que protestam e o governo apenas assiste, no seu trono, a sucessão de mortes encomendadas pelos desmatadores. Já foram mortos quatro líderes rurais desde o dia 24 de maio, logo após o novo Código Florestal ser aprovado pela Câmara, e mais 125 pessoas estão ameaçadas de morte.

     No dia 24, terça-feira, o casal ativista José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva foram assassinados por dois atiradores em Nova Ipixuna (Pará). De acordo com organizações não governamentais (ONGs), um dos assassinos cortou uma orelha de Cláudio como prova do crime. O caso ocorreu dentro de uma propriedade onde 300 famílias vivem do cultivo. José frequentemente denunciava invasões à reserva e havia afirmado que, por causa de suas denúncias, ele vivia com a ameaça de "uma bala na cabeça a qualquer momento".

     Na sexta-feira, o líder rural Adelino Ramos morreu em Vista Alegre do Abunã (Rondônia). Membro do Movimento Camponês Corumbiara, ele havia denunciado a exploração madeireira ilegal e recebido ameaças. Em um evento em Manaus, em 2010, ele disse à Comissão de Combate à Violência e Conflitos no Campo e ao Ouvidor Agrário Nacional que temia por sua vida e passou detalhes daqueles que o ameaçavam.

     No sábado, 28 de maio, Erenilto Pereira dos Santos, 25 anos, membro da mesma comunidade do casal assassinado no Pará, foi morto. A polícia investiga eventuais relações entre as mortes.

     Os crimes ocorreram enquanto o Poder Legislativo nacional passava por discussões e votações a respeito de mudanças no Código Florestal. Segundo a Anistia Internacional, ONGs locais estão preocupadas que tais mudanças na legislação gerem conflitos no campo, assim como pequenos proprietários rurais e reservas extrativistas recebem pressão de madeireiros ilegais e pecuaristas.

     E o governo nada. Nada faz, apenas lamenta. O mesmo governo que chorou e ainda chora a morte de Chico Mendes, mas gostaria de esconder os cadáveres dos assassinados por culpa do servilismo de um Aldo Rebelo e demais congressistas acovardados ou comprados.

     Um governo que se preocupa muito com a Copa do Mundo, mas permite que o território brasileiro seja devastado e que brasileiros sejam assassinados quando tentam defender a sua terra. E está na Constituição brasileira que o governo tem o dever de defender o seu povo e o território nacional.

     A continuar assim, o que podemos esperar do governo de Dilma Roussef? Apenas reles demagogia e mais devastação e morte. Sangra a floresta e sangra o povo brasileiro.

     Mesmo que a presidente nada saiba do que está acontecendo, ou seja impotente para evitar os desmandos dos grandes empresários, banqueiros e latifundiários, não tem o direito de omitir-se ou de facilitar a opressão e a impunidade. Um governo que age assim é um governo fraco, dominado, perverso em sua embriaguez de poder. Ou é um governo cúmplice.

     Um governo que merece receber a motosserra e a pistola de ouro. Ou deixemos apenas a motosserra de ouro para Dilma Roussef e entreguemos a pistola de ouro para o Congresso Nacional. E o símbolo da impunidade – que poderá ser a máscara de barro da hipocrisia – para o Judiciário.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

COP 16 - A PIADA DO ANO


Defender o Wikileaks é defender a imprensa livre. Então, Wikileaks neles! Eles acreditam poder dominar inteiramente o mundo, a mente das pessoas, principalmente através das redes sociais, que lhes dão uma idéia dos gostos e preferências de cada participante, uma espécie de dossiê oferecido livremente por cada um de nós. 

     Então divirtam-se, senhoras e senhores, que defendem este sistema e que são pagos para vigiar e tentar manipular crentes e não crentes da sua religião do lucro. Divirtam-se. Sirvam-se, a ceia está posta. “El planteo es planteado” – como dizem os nossos irmãos latino-americanos. No hay nada a esconder de ustedes, mas só um detalhe: vocês também não podem esconder mais nada de nós. Estão assustados? Pois ficarão mais ainda. O Sistema está vazando, a cada momento mais, e vocês estão se sentindo sós e abandonados até pelo seu demiurgo implacável, mas falível.

     Na Conferência do Clima, em Cancún, enquanto os representantes de todos os países que estão destruindo o planeta reúnem-se, quase seriamente, fingindo que estão tentando fazer alguma coisa a respeito quando, na verdade, apenas pensam nas suas próprias indignidades, o povo manifesta-se.

     Já é a 16º Conferência e nada ainda foi feito. Por eles. E eles nada farão. Com certeza, saberão onde esconder o seu ouro, as suas verdades e a sua maligna história quando o mundo começar a ruir e a terra decidir cobrar o seu quinhão kármico. 

     Eles não se importam, porque pensam que somente o povo sofrerá e algumas cidades serão invadidas pelas águas. Inundações, tornados, tufões, tsunamis destruirão grande parte do mundo conhecido, mas o que interessa isso para eles? Apenas ficarão livres de vários incômodos e poderão lucrar ainda mais com o que sobrar. São seres que não tem fronteiras em sua malignidade. Para eles, é mais fácil gerenciar e manipular 30% de 6 bilhões de pessoas. 

     Se depender do Japão, o Protocolo de Kyoto - um tratado que prevê a redução de emissões de carbono, e que termina em 2012 - não terá continuidade. Mas a China, através do seu representante Lyu Zhenmin, destacou que para a China, e outros países em desenvolvimento, a defesa e a continuidade do Protocolo de Kyoto é a base fundamental para a continuidade da reunião de Cancún.

     Assinado em 1997, o documento tem por objetivo reduzir os níveis de emissão dos gases do efeito estufa em 5,2% até 2012, comparando-se com os níveis de 1990. Mas os principais poluidores do planeta - Estados Unidos, Canadá e Austrália - não assinaram o Protocolo de Kyoto e continuam a poluir cada vez mais.

     Para esses países, o que interessa é o lucro e não as consequências do degelos dos pólos, provocado pela emissão de gases poluentes não só de suas fábricas como de suas máquinas de guerra, como o Pentágono.

A POLUIÇÃO DA GUERRA

     De acordo com a jornalista Sara Flounders, o Pentágono é o maior utilizador institucional de produtos de petróleo e energia. E, não obstante, tem isenção geral em todos os acordos climáticos internacionais. As Forças Armadas dos Estados Unidos consomem oficialmente 320.000 barris de petróleo por dia. Esse total não inclui o combustível consumido por empreiteiras ou o combustível consumido em instalações alugadas ou privatizadas. E também não inclui a grande quantidade de energia e de recursos utilizados para produzir e manter seu equipamento letal de bombas, granadas ou mísseis que emprega.

     Steve Kretzmann, diretor da Oil Change International, informa que a guerra do Iraque produziu, pelo menos, 141 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono (MMTCO2E) desde março de 2003 até dezembro de 2007... Essa guerra emite mais de 60% do dióxido de carbono de todos os outros países... 

     Segundo a jornalista e ecologista Johanna Peace, as atividades militares continuarão sendo eximidas de uma ordem executiva assinada pelo presidente Barack Obama e que prevê que as agências federais reduzam suas emissões de gases poluentes até o ano de 2020. Peace assinala que: "As forças armadas representam 80% das necessidades de energia do governo federal". (solveclimate. com).

     A total exclusão das operações globais do Pentágono faz com que as emissões de dióxido de carbono dos EUA pareçam ser muito menores do que são na realidade. E apesar disso, mesmo sem contar com o Pentágono, os EUA têm as maiores emissões de dióxido de carbono do mundo. 

     A guerra de 1991 no Iraque, seguida por 13 anos de cruéis sanções, bem como a invasão de 2003 e a conseqüente ocupação do país, transformou a região - que tem uma história de 5000 anos de ser o celeiro do Oriente Próximo - é hoje uma catástrofe ecológica. A terra arável e fértil do Iraque se converteu em um pântano desértico, no qual o menor vento provoca uma tempestade de areia. 

     O Iraque, que era exportador de alimentos, agora importa 80% de suas necessidades nesse setor. O ministro da agricultura iraquiano estima que 90% da terra sofre uma severa desertificação.

O POVO

     Mas o povo se mobiliza. A Via Campesina conseguiu reunir durante o dia 8 de dezembro – desde às oito da manhã e até às cinco da tarde – representantes de 37 países, que saíram às ruas com o objetivo de pressionar globalmente sobre as negociações da Cúpula do Clima. 

     Todos eles sabem que isso não vai adiantar nada em termos de negociações sobre o clima, mas vai deixar claro que as pessoas que estão em Cancún e que se reúnem no Moon Palace, representando os governos dos países mais nefastos para o planeta – como Estados Unidos, Japão, Inglaterra, Alemanha, França e tantos outros, inclusive o Brasil – na verdade não tem o menor interesse em promover soluções para os problemas climáticos. A COP 16 é a piada do ano.

     Ou, como disse um dos líderes da Via Campesina, Paul Nicholson, do País Basco: “os da COP 16 vivem em outro planeta, inclusive o lugar onde se reúnem revela isso: o Moon Palace. São lunáticos que vivem fora da realidade. Nós, ao contrário, estamos na Terra lutando pela vida.”

     Alberto Gómez, representante da Via Campesina Região Norte da América, acrescentou: “Desejamos que o Acordo dos Povos de Cochabamba seja considerado como o documento de negociação para que os países ricos se comprometam a reduzir suas emissões de gases que provocam o efeito estufa à metade, antes que termine esta década, e seja instituído o Tribunal Internacional de Justiça Climática e Ambiental – entre outras medidas”.

BRASIL DOS ESTADOS UNIDOS

     O Brasil não participou da Cúpula de Cochabamba, nem assinou o Acordo dos Povos. No máximo, mandou algum observador. Naquela época, o governo Lula estava muito preocupado em assinar um tratado militar com os Estados Unidos. 

     Os governantes brasileiros tem o estranho costume de, assim que são eleitos, pedir a bênção aos governantes dos Estados Unidos, como a Dilma está fazendo agora. Não se preocupam com a América Latina, a não ser no sentido de tentar dominá-la.

     Enquanto isto, ficamos sabendo, através do Wikileaks, que os bens do Brasil são vitais para os Estados Unidos. É o mesmo que dizer que o Brasil é dos Estados Unidos, o que não seria grande novidade.

     Recursos minerais e redes de comunicação no Brasil estão na lista de itens estratégicos dos EUA. Reservas minerais em Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul passaram a ser consideradas "locais vitais". O Brasil possui 98% das reservas de nióbio do mundo, e os EUA estão entre os maiores consumidores. O metal é usado na fabricação de peças de automóveis, aviões, obras de infraestrutura e até lâminas de barbear. Há, também, grande interesse em utilizar o minério de ferro e o manganês brasileiro.

     As redes de comunicação (telefonia, internet e dados) foram colocadas no mesmo patamar de prioridade. Para o governo americano, danos ocorridos nos cabos submarinos da Globenet ou da Americas II podem deixar o país com dificuldade de contato com suas empresas no Brasil. Sites com extensão ".com" teriam problemas de acesso afetando também o comércio eletrônico entre os dois países.

     E, no mesmo dia em que a Via Campesina fazia manifestações em Cancún, uma líder indígena amazônica entregou o prêmio “motosserra de ouro” à senadora Kátia Abreu, "por sua defesa ferrenha de mudanças no Código Florestal, em prol de mais desmatamentos no Brasil". Com o apoio de Aldo Rebelo, do PC do B, que foi o relator do Novo Código Florestal, prevendo o aumento de desmatamentos no Brasil. Mas o líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza disse que o Código Florestal deverá ser aprovado em 2011.

     Quando Dilma, que vai construir Belo Monte e destruir parte da região do Xingu, no Pará, estiver no poder.  

sábado, 23 de outubro de 2010

O ALARMISMO DA DIREITA FESTIVA


Enquanto a vanguarda quase armada do PT – que já não é revolucionário – ataca o candidato da oposição e Marina Silva reassume, sorridente, a sua cadeira no Senado, depois de cumprir a sua missão de eleger Dilma com os seus votos conquistados no primeiro turno... os internautas petistas não perdem tempo.

     A campanha, agora, é alarmista. E dirige-se para aqueles que ainda tem alguma dúvida sobre Dilma ou Serra, mas assustam-se facilmente quando os tempos da ditadura militar são lembrados.

     Fala-se em golpe militar. Os Estados Unidos estariam preparando, junto com setores das Forças Armadas brasileiras, um golpe para o caso de Dilma ser eleita. A idéia é clara. Passar para essa gurizada que estuda pouco e não gosta de ler – como o Lula – que o Serra é o candidato do império enquanto a “revolucionária” Dilma representaria as forças progressistas em ação. O resultado previsto é que essa turma que se considera progressista e de esquerda – embora não saiba exatamente o que seja isso – vote na Dilma, porque ela, certa vez, pertenceu à VPR (Vanguarda Armada Revolucionária), na época da ditadura. Aliás, a VPR mal surgiu acabou. Parece que a sua ação limitou-se apenas a um assalto, divisão do dinheiro, alguns foram presos e outros conseguiram fugir do país. Mas há controvérsias.

     Não vejo essa possibilidade de golpe, embora existam, sim, setores das Forças Armadas que desejariam o poder de volta. Mas os tempos mudaram. E mudaram drasticamente.

     O que se vê, hoje, é um PT totalmente de direita, mas que, às vezes, para efeito de relações exteriores em alguns países da América Latina e proselitismo interno, finge ser de esquerda.

     O PT brasileiro está ficando igual ao PRI mexicano.

     O PRI (Partido Revolucionário Institucional) foi o resultado da coalizão das forças oligárquicas mexicanas – grandes latifundiários, empresários em geral – depois que a revolução mexicana do início do século vinte terminou com a suposta vitória dos revolucionários. Mas, na verdade, com a ascensão de uma nova classe burguesa que tomou o poder – depois de matar Emiliano Zapata, Pancho Villa, tentar alguma coisa mais séria com Porfírio Díaz e Madero e, finalmente estabelecer-se com Obregon, que fundou o PRI, aliando-se à política dos Estados Unidos.

     Já a sigla PRI é contraditória. Nenhum partido revolucionário pode ser institucional. Mas o PRI governou o México por 71 anos, como se fosse uma longa dinastia. Depois de muito tempo, o povo, percebendo que não conseguiria nada com um partido entreguista no poder, criou dois exércitos guerrilheiros que atuam nas montanhas do México, junto aos camponeses: o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) - que luta nas montanhas de Chiapas e não é marxista, mas nacionalista – e o EPR (Exército Popular Revolucionário), o mais antigo grupo guerrilheiro mexicano, de tendência marxista, que uniu 14 pequenos movimentos revolucionários. (Aproveite essas informações, porque dificilmente você terá acesso a elas através da mídia oficial).

     São dois exércitos revolucionários que atuam separadamente, mas que tem o mesmo objetivo: derrubar o governo - agora ainda mais conservador e reacionário do que o do PRI - aliado dos Estados Unidos. Ou será que você pensa que aquela enorme cerca militarizada, na fronteira entre México e Estados Unidos, serve apenas para evitar que mexicanos tentem a sorte, como clandestinos, nos Estados Unidos?

     Mas é uma longa história... Sempre deturpada pela mídia oficial. E quem provocou essas guerrilhas não foi a vontade do povo de decidir-se pela luta armada por esporte, cantando “La Cucaracha”. Foi a opressão do PRI, um partido que se dizia de esquerda, que foi bem votado nas primeiras eleições em que participou, mas, depois de ter o poder, aliou-se com as multinacionais estadunidenses do petróleo, com os grandes latifundiários e colocou o povo em segundo plano. Ou em último plano. A mesma história em todos os lugares, nos países capitalistas: opressão, desemprego, fome, miséria e revolta. E um governo corrupto.

     E o PT se encaminha para isso. Informações sobre corrupção já as temos em demasia. É claro que o Lula não sabe de nada. Ele age como se fosse Elizabete I na época da pirataria: dá carta de corso, mas apenas isto. O que se passar nos mares não é com ele. E se os adversários que não participarem da rapina ou que forem rapinados se queixarem, só o que ele – Lula I, O Cara – terá a dizer será: “Sinto muito, mas não é nada pessoal, somente negócios”.

     E de negócio em negócio o PT cresceu e se firmou. Deverá vencer esta última corrida presidencial por absoluta incompetência dos adversários e por comodismo da esquerda – PCO, PSTU, PCB, talvez PSOL – que aceitou participar de mais uma farsa eleitoral para, depois, denunciá-la.

     Por isto o alarmismo dos internautas de plantão do PT não procede. Os Estados Unidos podem ser tudo, menos burros. Jamais tirariam do poder o seu principal aliado na América Latina, com quem recém firmou um acordo militar, e que se encaminha para convencer as FARCs a deixarem de serem FARCs, e está fazendo negócios bilaterais com a maioria dos países sulamericanos, de maneira a torná-los dependentes da economia brasileira e, por tabela, da política estadunidense de dominação.

     Jamais tirariam do poder o PT, que renovou o capitalismo no Brasil, quando as velhas elites – as mesmas que concorrem agora como “oposição” – já se tornavam obsoletas em suas práticas políticas. As eleições de agora entre as duas faces da direita no Brasil será apenas para oficializar de vez o PT como o partido de confiança dos Estados Unidos neste hemisfério.

     É através do governo do PT- e de sua política assistencialista que ainda engana o povo – que as grandes multinacionais de todos os setores podem fazer o que bem entendem no nosso território, com o beneplácito dos congressistas que sempre terão os seus mensalões no caso de se mostrarem um pouco reticentes.

     É o governo do PT que está promovendo as maiores plantações do mundo de arroz e de soja transgênica, através de acordos com empresas transnacionais do setor. Para isso, este governo do PT permite o desmatamento de extensas áreas da Mata Atlântica e da Amazônia, em acordo com os planos do império.

     É este mesmo governo do PT que permite a pecuária extensiva na Amazônia, favorecendo grandes pecuaristas e empresas exportadoras de carne, conforme os planos do império. E, para isso, não tem escrúpulos em liquidar o ecossistema da Amazônia.

     É este mesmo governo do PT, que ameaça se perpetuar com Dilma e seus asseclas, que não se importa com a desertificação do solo ao plantar cana de açúcar em imensas áreas para produzir etanol.

     É este o mesmo governo que será o responsável pela transposição do rio São Francisco – o que abrangerá somente 5% do território e 0,3% da população do semi-árido – para favorecer os grandes latifundiários nordestinos, liquidando com o ecossistema da região.

     É este o governo que está construindo a usina hidrelétrica de Belo Monte, favorecendo os consórcios de multinacionais do setor e alterando todo o ciclo ecológico da região afetada, atingindo 30 terras indígenas e 12 unidades de conservação. Se construída, será considerada um crime contra a humanidade.

     O mesmo governo que está construindo duas hidrelétricas em Rondônia, que provocarão imenso impacto ambiental apenas para favorecer empresas do setor e exportar energia para países vizinhos, provocando caos ecológico e social.

     E este governo que é tão devastadoramente capitalista, que não respeita os seus próprios povos, que agride a natureza por ganância e permite o desmatamento e a desertificação do solo; que engana o povo com migalhas e promove uma das maiores desigualdades sociais do mundo seria golpeado pelos Estados Unidos, o seu principal aliado?

     E com a ajuda das Forças Armadas brasileiras, que nunca receberam tantas iguarias, como tanques, aviões-caça, navios, aumentos de salário seguidos, promoções e campos para manobras no Haiti e nas favelas brasileiras?

     E isto porque a Dilma já foi guerrilheira por um dia?

     Há uma grande, abissal diferença entre Dilma Roussef e Pancho Villa ou Emiliano Zapata.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

SOBRE O MANIFESTO DOS INTELECTUAIS


Pois saiu o novo manifesto dos intelectuais. Novo, porque nas outras eleições em que o PT concorria também houveram manifestos dos intelectuais. Poetas, escritores, artistas em geral, com Chico Buarque encabeçando a lista, depois Leonardo Boff e segue a fila. Esqueci de dizer que o Manifesto dos Intelectuais é para apoiar a Dilma. Ponto.

     Maniqueísta, o Manifesto coloca a Dilma e a coligação do PT como sendo o lado do Bem e Serra e sua coligação como o lado do Mal. E por isso eles apóiam a Dilma. Resumidamente, muito resumidamente, é claro. Você terá a chance de ler o manifesto na íntegra nos sites apropriados, sites de intelectuais. Não aqui; aqui é um simples blog. É um manifesto contundente, que diz que o PT está melhorando o Brasil e que a eleição de Serra provocaria um retrocesso. Por aí... Eles devem ter razão, porque são intelectuais, e todo intelectual, pelo simples fato de ser intelectual, sempre tem razão. Óbvio.

     Mandaram-me o manifesto, esperando a minha assinatura. Tergiversei. Li todo o trololó e confesso que me senti agastado. Parecia coisa antiga, de outras épocas. Li os nomes dos manifestantes e concordei que deveriam estar ali: são os pop-stars do intelecto brasileiro, os avatares, os ícones. Além do Chico Buarque, que deveria mesmo estar em primeiro na lista, tem o Leonardo Boff, que escreve muito bem na defesa da Natureza, a Marilena Chauí – que conseguiu desideologizar a ideologia marxista, para alívio de sua consciência (mas teve a sua tese rebatida com facilidade pelo Adelmo Genro Filho) e os demais seguidores. Perfeito para o PT.

     Para um partido sem ideologia, um manifesto de intelectuais também sem ideologia combina perfeitamente. Somente estranhei a presença do Oscar Niemeyer, mas não vou assacá-lo de pequeno-burguês somente por isso. Acredito que deve ter as suas assertivas muito particulares para assinar o manifesto. Assim como todos os demais.

     Pronto, já usei todas as palavras da Dilma: tergiversar, trololó, assacar e assertiva. Com isso, penso, ela ficou sem palavras para o próximo debate, mas sempre terá um grande apoio intelectual.

     Um Manifesto de Intelectuais é algo que pesa no intelecto daqueles que se pensam intelectuais.

     Imagine só, você achar que é um intelectual e ser convidado para assinar um Manifesto de Intelectuais e... não assinar! Terrível! Todos os intelectuais olharão você com o nariz empinado – o que já fazem naturalmente, porque são intelectuais, ora... – e de cima do seu pedestal lançarão aquele olhar de desprezo eterno pelo seu intelecto. Desconfiarão da sua capacidade de intelectualizar direito, chamarão o seu cérebro de factóide (eu tinha esquecido a palavra “factóide”, que também é uma das preferidas da Dilma) e se sentirão muito, mas muito, ofendidos. Depois, passarão a desprezá-lo.

     Por essas razões, que não são poucas – e por outras que não lembro – a maioria dos intelectuais que receberem o convite para assinar o Manifesto dos Intelectuais, deverá assiná-lo. Onde já se viu um intelectual não assinar um Manifesto de Intelectuais?

     Um Manifesto de Intelectuais, no Brasil, é uma ótima maneira de angariar muitos votos. Só o fato de você receber o convite para assinar o manifesto que outros intelectuais, reconhecidamente intelectuais, escreveram já faz com que o seu intelecto se sinta engrandecido, porque, implicitamente, você estará sendo reconhecido como igual àqueles intelectuais que constam do manifesto. Você se olhará no espelho e dirá para você mesmo: eu sou um intelectual!

     Mas eu tergiverso.

     Explico, há uma grande diferença entre assinar um manifesto apoiando o Lula, na época em que ele dizia que iria mudar o Brasil e assinar um manifesto apoiando a Dilma, depois que o Lula teve oito anos para cumprir as suas promessas e o que fez foi mudar o Brasil para pior.

     O PT era o Partido dos Trabalhadores, agora é o partido do capital.

     Promove a desigualdade social, através do neo-liberalismo econômico que apenas favorece as empresas.

     O governo do PT fez uma aliança militar com os Estados Unidos no mesmo momento histórico em que muitos países da América do Sul desconfiam das intenções dos governos daquele país e fazem alianças na qual evitam incluí-lo.

     O governo Lula combate militarmente o povo nas favelas do Brasil, combate militarmente o povo nas favelas do Haiti e está modernizando as suas Forças Armadas, o que deixa os demais países vizinhos bastante apreensivos.

     O governo do PT e do Lula degradaram o ensino e a educação no Brasil.

     O governo do PT e do Lula combate os trabalhadores sem terra e apóia os latifundiários e as grandes empresas transnacionais de produtos transgênicos.

     O desmatamento no Brasil aumenta a cada ano e eles nada fazem a respeito.

     A reforma agrária não existe.

     O Lula se transformou de trabalhador indignado em capitalista demagogo. E a Dilma seguirá o mesmo caminho se for eleita.

     E muitas outras coisas, como a corrupção, por exemplo, que vocês poderão lembrar por mim.

     Há pouco, depois de receber o convite por email para participar do Manifesto dos Intelectuais, saí na sacada de minha casa e vi um homem recolhendo parte do lixo que eu coloquei na lixeira ontem à noite. Ele estava separando o que poderia ser reciclado e colocando na sua carrocinha. Por cada quilo de material reciclável ele ganha um valor ínfimo.

     Oito anos atrás, era a mesma coisa. Talvez tenha mudado apenas a pessoa, mas a miséria é a mesma.

     Inclusive, na minha cidade, Bagé, existe uma vila chamada Vila Miséria. Não tem água, esgoto ou luz elétrica. Os que moram naquela vila são os que catam coisas para comer e vestir, ou para reciclar, no lixão da cidade. Já faz mais de oito anos que Bagé tem um prefeito do PT.

     Lembrando disso e escrevendo isto eu não tergiverso mais: na Dilma eu não voto. Dilma nem pensar! Prefiro anular o meu voto.

     Eu não tenho apenas intelecto. Também tenho corpo, e sei das suas necessidades, assim como todos. E não posso ignorar que as pessoas estão passando fome e se sentindo derrotadas pelo sistema vil que as joga para o último plano da existência e do qual o PT é cada vez mais cúmplice. E tenho a minha vida espiritual, que não aceita que a maioria das pessoas seja impedida de crescer interiormente. E tenho consciência.

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