Mostrando postagens com marcador PAULO FREIRE. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador PAULO FREIRE. Mostrar todas as postagens

domingo, 22 de maio de 2011

A CORRUPÇÃO TAMBÉM NA LÍNGUA



Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura.
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!",
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!


(Olavo Bilac)


Quando erramos, erramos. Ou não erramos? Há quem pense que uma república, por ser coisa do povo – res publica – no ensino da sua língua deve acompanhar a pobreza mental de quem não sabe ler, escrever e falar. O raciocínio parece ser o seguinte: se a maioria do povo não sabe falar (muito menos ler e escrever) o português correto, adote-se o não falar corretamente, o não escrever corretamente como sendo o correto, porque a maioria deve mandar no país, uma vez que a República deve pertencer ao povo.

     E assim pensando, os professores do MEC, do alto das suas altas graduações de pós-pós-doutorado, patrocinaram a edição de um livro didático que ensina que o errado também poderá ser certo, desde que você saiba falar (e talvez escrever) apenas o errado. A idéia é dizer ao povo, em sua grande maioria, que ele manda, mesmo que não saiba pensar, raciocinar e articular uma frase em português correto. Porque o correto poderá estar errado e o errado poderá estar certo, desde que o povo assim decida.

     O volume Por Uma Vida Melhor, da coleção Viver, Aprender, mostra ao aluno que não há necessidade de se seguir a norma culta para a regra da concordância. Os autores usam a frase “os livro ilustrado mais interessante estão emprestado” para exemplificar que, na variedade popular, só “o fato de haver a palavra os (plural) já indica que se trata de mais de um livro”. Em outro exemplo, os autores mostram que não há nenhum problema em se falar “nós pega o peixe” ou “os menino pega o peixe”. Segundo os autores, o estudante pode correr o risco “de ser vítima de preconceito linguístico” caso não use a norma culta. O livro da editora Global foi aprovado pelo MEC por meio do Programa Nacional do Livro Didático.

     Mais um ato de demagogia tipicamente petista. É mais fácil concordar com o que está errado do que ensinar o que é certo. E assim teremos uma segunda língua, alternativa aos analfabetos funcionais, que lembrará o português. E ficará tudo mais fácil para todos. Para que ensinar concordância, regência, análise sintática, que é tão difícil até para os professores? Morfologia...Sintaxe... E os verbos... São tão infinitivos que a sua tendência será desaparecer no infinito. É muito difícil aprender português. Então, para que aprender?

     Convenhamos, a linguagem vem em primeiro lugar, depois é que a língua é formada. Você pode se comunicar através de gestos, olhares, sons guturais e, desde que consiga fazer-se entender dentro do seu grupo social através de uma linguagem primitiva que facilitará essa comunicação... estamos conversados. Daí, para entender a língua conseqüente a essa linguagem e outras complicações ortográficas e gramaticais, deixemos isso para os idiotas que gostam de ler e de escrever. Vamos falar brucutu, inventar o nosso patoá. É mais fácil.

     É mais fácil, também, corromper e ser corrompido e estamos no Brasil onde quem não é corrupto é considerado bobo. Então, vamos corromper também a língua, para que fique bem entendido que a corrupção faz parte da nossa linguagem e entendimento enquanto brasileiros.

     Temos ótimos exemplos de corrupção também no modo de falar dos nossos presidentes. Lula não sabe falar e quando diz alguma coisa, como, por exemplo: “cumpanheiros, nóis tamu aquipra verquenhé qui póde mais!”, é perfeitamente entendido e ovacionado delirantemente pelos seus iguais. É uma língua própria, que está pegando e agora está sendo gramaticalizada, tamanho o exemplo do nosso ex-presidente. E a nossa presidente, que prefere ser chamada de ‘presidenta’, tem o seu próprio linguajar, que alguns apelidaram de “dilmês” – tão graciosa é a maneira como se expressa. Graciosa e ininteligível, muitas vezes, mas graciosa. E o exemplo sempre vem de cima.

     Mesmo que o que venha de cima seja um cacho de bananas na nossa cabeça, indicado pelos especialistas em cachos de bananas para parar o raciocínio supérfluo. Além disso, banana é rica em potássio e fibras. E precisamos de fibra para agüentar este demagógico e corrupto Brasil.

     Tão demagógico que de tanto falar em Paulo Freire, autor de “A Pedagogia do Oprimido”, o PT fez exatamente o contrário: ensina aos oprimidos que a opressão faz bem. E diz a eles que podem optar por continuar como oprimidos até na língua, se assim desejarem. Para não correrem o risco de preconceito lingüístico, poderão criar a sua própria língua – baseada na gíria e na preguiça mental. E, teoricamente, falando e escrevendo como quiserem, os oprimidos se sentirão livres de qualquer preconceito lingüístico. E colocarão a si mesmos em um guetto mental e cultural. 

     Mas como os oprimidos não sabem que são oprimidos, porque a pedagogia da ditadura civil continua a ser a mesma pedagogia da opressão da ditadura militar, e não a pedagogia proposta por Paulo Freire, acreditarão que falar e escrever de qualquer jeito é uma forma de liberdade. Só não sabem, e continuarão a não saber, que, na verdade, é mais uma maneira de opressão e de discriminação. Já não basta ser pobre e excluído; é necessário que fale e escreva errado, com o aval e os sorrisos do governo. Ghetto cultural.

     Na verdade, não importa ao Governo educar corretamente os jovens e adultos. Importa que passem de ano de qualquer maneira e corram para o mercado de trabalho, ostentando o seu diploma. Quanto mais pessoas procurando emprego, menor será o salário, devido à grande concorrência por vagas. É a lei da oferta e da procura também para o trabalhador.

     Ás vezes, quando assisto a um programa sobre a realidade dos países latino-americanos fico surpreso com a facilidade e riqueza de vocabulário com que os irmãos à nossa volta falam o espanhol, com pequenas diferenças de país para país, que não chegam a se configurar em dialetos, mas diferenças como o nosso português do Brasil em relação ao português de Portugal, Angola, Moçambique, etc. E as pessoas entrevistadas são simples, às vezes muito pobres, mas cultuam a sua língua como quem cuida de um filho, porque falar bem a própria língua – embora o atual Ministério de Educação e Cultura pense o contrário – é uma questão de cultura.

     E não percebo que usem gíria. Não tanto como nós. Eles gostam de falar espanhol, de se expressar em espanhol. Não tratam a sua língua como um estorvo, exatamente como nós, ou conforme as últimas orientações do MEC. Mas aqui é uma questão de corrupção até na língua.

     Também gosto de ler os livros em português de Portugal, como os romances de Saramago, que tão suave e agradavelmente sabia se expressar, e percebo o quanto perdemos não só em vocabulário como em amor à nossa própria língua e que a nossa distância de Portugal não é somente física.

     Porque um povo que não ama a própria língua não pode amar a si próprio. 

     À medida que esse desamor aumenta, diminui a sua auto-estima, diminui-se ante si mesmo. E passa a falar e a escrever atravessado, como nas mensagens da Internet, e a desfazer-se do seu orgulho e a sentir-se pequeno, muito pequeno e a adotar outras línguas, como o inglês, por entender, em sua sublime ignorância, que falar corretamente o português é errado. E o errado passa a ser o certo e a identidade nacional dilui-se.

     Talvez seja este o objetivo final deste governo que vai para dez anos: acabar com o que resta de orgulho pátrio. Porque pessoas sem qualquer orgulho, sem referências que não sejam as chuteiras e os cabelos dos jogadores de futebol, são mais fáceis de manipular.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A EDUCAÇÃO DO GRANDE IRMÃO


A educação deve começar em casa. Mas quando não é possível começar em casa, porque as famílias estão desestruturadas e não existem mais valores a defender que não sejam aqueles ligados à luta pela vida – o que é uma coisa insana, porque vivemos em um país que joga todos contra todos e o maior come o menor e o menor, quando não morre, vai catar lixo e viver embaixo da ponte... Quando a estrutura da sociedade, em sua grande maioria, existe apenas como fator de sobrevivência, em 90% das supostas famílias, a educação passa para o Estado.

     E a educação pelo Estado tem sido sucateada propositadamente pelo próprio Estado, já faz mais de 16 anos. Compram-se computadores, kits escolares e constroem-se escolas, mas o ensino é péssimo. Em geral, os professores tem um baixo nível cultural, não passando de repetidores, e são muito mal pagos.

     Há frases de Paulo Freire nas paredes das escolas, mas Paulo Freire é apenas um nome que serve como uma vaga referência à educação ótima. O governo que se diz de esquerda optou pelo ensino de direita: nenhum desenvolvimento do senso crítico dos alunos, nenhum conhecimento da própria realidade.

     Professores que são meros repetidores, aos poucos ficam desprovidos de idéias. E os alunos que recebem aquelas aulas ocas, que em nada lhes estimulam a curiosidade pelo saber, preferem faltar, não estudar, preencher a sua força de vida, a sua vontade de agir e de não somente pertencerem ao mundo, com coisas que julgam interessantes, como as drogas. E, como viciados ficam ainda mais imbecilizados.

     O Estado facilita tudo isso. As faltas não são computadas, ou raramente o são, não é colocado nenhum limite ao educando, que faz o que quer durante as aulas e as provas não são referenciais do saber, porque no novo ensino brasileiro o aluno passa de ano automaticamente, estudando ou não.

     E em toda escola pública existem os pequenos traficantes, patrocinados por maiores traficantes, conhecidos por todos, inclusive pela polícia, mas nada é feito a respeito. Existem leis que não permitem prender menores e os menores do nosso país podem cometer quantas infrações desejarem. Inúmeras são as denúncias de que os policiais são cúmplices do tráfico, que não reprimem porque recebem dos grandes traficantes para não agirem, da mesma forma que fazem com o jogo do bicho.

     E as escolas passam a ser um centro de ensino de infrações. Ali se formam os pequenos marginais, que depois serão os grandes marginais.

     Sucatear a educação nas escolas públicas, torná-la cada vez pior e alvo de todas as críticas faz parte da estratégia de fazer do ensino pago e privado o único que poderá oferecer uma educação de verdade, aos olhos da população.

     Este é um país cada vez mais capitalista e no capitalismo a educação também é um produto que somente poderá ser adquirido por aqueles que tem dinheiro.

     O ensino pago é extremamente alienante, formando castas sociais que passam a deter o saber que é orientado de fora do país, da matriz. Aqueles que se formam em escolas privadas tem uma educação voltada para a competição, para o ganho a qualquer custo, com nenhuma preocupação social, porque se julgam superiores à grande maioria que é jogada nos ghetos escolares do Estado.

     É tamanho o descaso do Estado com a educação – e também com a saúde – que as verbas destinadas ao Esporte são quatro vezes maiores que as destinadas à Saúde e duas vezes e meia maior que as verbas destinadas e Educação, em 2011.

     A obscenidade é ainda maior. Maior anunciante do país, o governo federal tem à disposição R$ 622,8 milhões para aplicar em publicidade neste ano. Deste valor, o equivalente a R$ 210,3 milhões referem-se a anúncios diretamente vinculados à Presidência da República, que tem o maior orçamento entre todas as pastas dos Três Poderes.

     Para um governo assim, a educação deve ficar em último lugar, porque não dá retorno.

     Se as famílias estão desestruturadas e a escola pública é uma vergonha, sempre o governo terá a televisão e as drogas para iludirem o povo.

     Na televisão, para um povo drogado e submisso, tem aqueles programas estúpidos e licenciosos, que dizem ao povo que ele é “livre” para fazer o que quiser. Os BBBs e as novelas ensinam que você deve matar – ou eliminar – o próximo, para o seu próprio bem. Estimulam a concorrência desleal, a perfídia, a corrupção.

     Um programa como o BBB deveria ser proibido pelo próprio Ministério da Educação, se houvesse alguma lógica na moral do governo. Mas o governo precisa da televisão – mesmo com os seus programas podres – para domar as pessoas e fazê-las acreditar na liberdade de passar fome, de não ter saúde e de ser ignorante.

     Os mesmos veículos de comunicação que promovem esse tipo de programa são pagos para fazerem a propaganda governamental, e um governo que precisa de propaganda é um governo que não acredita em si mesmo e tem medo do despertar do povo.

     Para que esse despertar nunca aconteça, continuará promovendo, com a sua política de educação zero, o amor pelo futebol e pelo carnaval, pela maconha e pelo crack.

     Para os mais ricos, cocaína.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O FILHO DO BRASIL


Como todos nós, Lula é um filho do Brasil. Mas um filho que esperávamos há muito tempo. Tempo demais, talvez. Quando nasceu, todas as promessas que projetávamos para ele foram, aos poucos, se diluindo. Talvez por ser temporão ou por ter passado de atrevido a medroso, Lula deixou de ser o filho do Brasil para ser o filho das classes dominantes, das oligarquias que fingem duelar com ele e com o seu triste partido aburguesado, que já foi dos trabalhadores.

     Mas Lula não tem culpa da decepção causada. Os culpados fomos nós, os brasileiros, que acreditamos que uma única pessoa alicerçada por um partido oportunista poderia não se tornar uma pessoa oportunista. Grave erro. O meio transforma as pessoas, e Lula foi mais um exemplo dessa asserção. É claro que existem pessoas que não se deixam influenciar pelo meio, mas, para isso, é necessário ter muita personalidade e objetivos definidos como projeto de vida.

     Os objetivos de Lula mudaram conforme o seu partido mudou, porque Lula nunca existiu na política sem aquela âncora. Era um líder sindicalista que foi usado e que também usou um projeto partidário - que visava apenas o poder pelo poder - para eleger-se presidente.

     No pós-ditadura dos anos ’80 o PT apareceu como uma espécie de partido “salvacionista”, devido à desagregação das esquerdas, o que o levou a se transformar em um partido que comportava todas as tendências – da esquerda radical ao centro complacente. Enquanto partido, o PT não tinha nenhuma ideologia, mas formou-se através das diversas correntes que representavam alguma vertente marxista, social-democrata e até de centro-direita.

     Mas a característica mais marcante do PT era o fato de ter um eterno candidato a Presidente da República que vinha da classe operária. Ninguém se perguntava se aquele eterno candidato tinha ou não alguma consciência política e ideológica, porque ficava implícito que deveria ser um ungido pelos sacerdotes da confraria oculta da esquerda petista, alguém que viria como um Messias, para transformar a sociedade brasileira e para por um fim à espoliação do nosso povo. E esse messianismo em torno do Lula, essa quase sacralização daquela pessoa tão carismática deu aos verdadeiros donos do partido a visão concreta da tomada do Poder através do voto popular que elegeria, cedo ou tarde, a pessoa do Lula, o partido do Lula, como se o próprio povo estivesse tomando o Poder naquele momento em que isso acontecesse.

     Há uma grande diferença entre o período de João Goulart presidente – que apoiou as Ligas Camponesas e as reformas de base e que prometia uma reforma do ensino com Paulo Freire como Ministro da Educação – quando havia maior participação e consciência popular, através do constante debate a respeito do Brasil que realmente desejávamos – nós, o Povo – e o período após a ditadura militar, que tinha golpeado Jango e o povo, com a crescente ascensão do PT até chegar ao poder. Uma grande diferença, principalmente no que diz respeito à ideologia e a um projeto para o Brasil democrático.

     Naquela época, sabia-se que democracia não se restringe ao direito de votar periodicamente. Procurava-se uma democracia participativa e não meramente representativa, como agora. Buscavam-se alternativas para que essa democracia participativa realmente funcionasse e para que as classes operárias tivessem consciência do seu papel histórico. A própria classe média engajava-se no processo, através da busca de novas possibilidades culturais que mostrassem o Brasil dentro do contexto latino-americano, com uma cultura própria, na tentativa de evitar-se a orgia da subcultura estadunidense que já invadia o país desde o fim da II Guerra Mundial.

     Tudo isso foi golpeado em 1964, e não só o Governo João Goulart. Naquela época, o governo era apenas a representação das forças populares em ação. O que as Forças Armadas fizeram naquela madrugada de 31 para 1º de abril, ao tomarem o poder, foi evitar que o povo brasileiro continuasse o processo de transformação que faria do Brasil um país mais justo e com identidade própria.

     Quando “devolveram” o poder, nos anos ’80, os militares subservientes aos Estados Unidos e ao capital internacional já sabiam que era possível deixar o povo novamente votar – mas apenas votar – porque o trabalho de dissolução do ideal de um Brasil verdadeiramente brasileiro já estava feito. Os partidos de esquerda estavam amortecidos pelo longo e violento processo de repressão e os novos partidos que surgiram, entre eles o PT, não pretendiam nenhuma revolução, nem social nem cultural. Mas alguns retoques ainda foram feitos: o sindicalismo foi atrelado ao Estado e a massificação da nova geração foi intensificada, com a conseqüente alienação das massas populares que passaram a acreditar que o salvacionismo viria através das eleições, ficando implícito que no dia em que o Lula fosse eleito tudo iria mudar.

     O povo esperou por seis vezes que o Lula vencesse as eleições presidenciais, como se ele fosse um santo que faria os milagres da reforma agrária, educação, saúde, moradia, emprego e justiça social. E Lula e seu partido realmente prometiam isso, ao perceberem que o povo estava entregando o seu poder transformador em troca de uma esperança imaginária e beatífica. Não houve preocupação do partido do Lula em esclarecer ao povo que o Poder a ele – povo – pertence e que só pode ser conquistado depois de muita luta e não através de uma única pessoa.

     Naquele momento em que o PT percebeu que o povo brasileiro esperava por Lula como quem espera pela volta de Jesus, ficou claro a eles que todas as alianças seriam possíveis para alcançar o Poder e suas benesses. Foi quando aquelas diversas tendências políticas que formavam o PT começaram a transformar-se em duas ou três fortes tendências – aquelas que realmente dominavam o partido – que convergiram para o objetivo claro de buscar a social-democracia – o reformismo maquiador das diferenças sociais – e não mais a transformação social. Ao mesmo tempo, o PT alcançava vitórias eleitorais, elegendo vereadores, prefeitos, deputados e senadores. Toda uma nova geração ansiosa pela sua fatia de Poder e disposta a todas as concessões para alcançá-la.

     Quando, depois de todas as alianças, acordos, conchavos secretos, finalmente Lula foi eleito presidente, o PT já se transformara em um partido conciliador de classes, claramente de direita e Lula era um presidente fabricado pelos donos desse partido que buscava apenas regalias, dinheiro e Poder.

     Já não era um filho do Brasil, mas o filho do Brasil das oligarquias vendidas ao capital estrangeiro, objetivando a massificação do povo, a destruição do ensino, contra a reforma agrária e a justiça social, contra os verdadeiros movimentos populares. Lula tinha se transformado de um messiânico sindicalista em mais um presidente sul-americano aliado militarmente dos EUA, pronto para fazer do Brasil a principal filial do império na nossa latino-américa.

     E o seu partido, o PT, que tanto prometera, virou um partidinho que sobrevive das alianças com os partidos mais reacionários do país e que teve como única missão histórica a de atrasar o mais possível as verdadeiras lutas populares no Brasil.

     Esta a herança do Lula: o assistencialismo do Bolsa Família. E a miséria, a corrupção, o analfabetismo, a doença, a fome, o desemprego... Além de deserdar o povo do poder que só a ele pertence.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...