terça-feira, 29 de novembro de 2011

A FALSA DEMOCRACIA


A ditadura sem farda faz aliança com os principais meios de comunicação para que somente seja divulgado aquilo que interessa ao governo. E o que interessa ao governo, interessa às Forças Armadas, aos empresários e aos latifundiários. Principalmente.

     O PT, e os seus aliados, é uma força avassaladora contra o povo brasileiro. Neste instante, o submisso senado deve estar aprovando o submisso Código Florestal. Submisso ao latifúndio, aos grileiros e aos desmatadores. Mas a imprensa dirá que é um bom Código Florestal, porque é uma imprensa atrelada ao agronegócio e as grandes empresas.

     Tem razão o Zé Dirceu quando diz aos seus comparsas que os partidos da extrema-direita vão desaparecer. Não haverá razão para que eles continuem a existir, se o PT, PMDB e demais partidos que formam a base aliada do governo estão tomando o seu espaço e fazendo a sua política.

     Até a alguns anos, os povos dos países que tem governos mais progressistas na América Latina acreditavam que o governo petista também era, no mínimo, progressista. Alguns até o consideravam de esquerda. Uma esquerda revisionista, eleitoreira e reformista, que considera o capitalismo um mal necessário ao qual deve atrelar-se. Mas esquerda, porque ainda existem, no Brasil, partidos de extrema-direita.

     Mas, aos poucos, esses povos e esses governos latino-americanos começaram a se dar conta do que o governo petista realmente representa: uma ditadura disfarçada para o seu conformado povo e um governo que tem como objetivo final da sua política de relações exteriores seguir as ordens de Washington e submeter economicamente os países ao seu redor.

     Não é só a corrupção nos diversos escalões do governo que revela a verdadeira identidade do governo. Corrupção para o PT é apenas mais um ingrediente do jogo, porque se o sistema é podre, considera que usar essa podridão em seu proveito é o correto e pragmático. Acredita que se outros governos, supostamente mais à direita, fizeram o mesmo e fariam de novo, porque um governo que ainda pensa que é de esquerda não usaria as possibilidades de corrupção que se apresentam? Tudo em nome do povo. O contrário seria o que costumam chamar de “purismo” – o que, para nós, simples cidadãos, significa honestidade. Mas, para eles, o nome é oportunidade. Se o dinheiro está ali, porque não pegá-lo? – é assim que raciocina um partido que detesta o purismo.

     Ora, se temos uma presidente que assaltou em nome do povo, porque não continuar a assaltar com a mesma desculpa?

     A posição do governo brasileiro em relação às torturas e assassinatos da ditadura militar era esperada com ansiedade e expectativa por pessoas de outros países da América Latina, que acreditam que ser de esquerda não significa ser corrupto e submisso.

     Quando Dilma sancionou a “Comissão da Verdade” os olhos de todos se abriram. Alguns com muita surpresa; outros, com muita tristeza.

     O jornalista argentino Atilio A. Boron, em matéria publicada pela ARGENPRESS (http://www.argenpress.info/2011/11/brasil-ni-juicio-ni-castigo.html) , nesta terça-feira, 29 de novembro, sob o título NI JUICIO NI CASTIGO (Nem Julgamento, Nem Castigo), é um que arregala os olhos.

     “Para sorpresa de muchos la Comisión investigará las violaciones a los Derechos Humanos ocurridas el período 1946-1985 en lugar de concentrarse en los años 1964-1979, que fueron aquellos en los que se perpetraron los crímenes más aberrantes. Además, la Comisión -y esto es lo decisivo- nació privada de la facultad para juzgar y castigar a los responsables de los crímenes.”

     “Para a surpresa de muitos, a Comissão investigará as violações dos Direitos Humanos ocorridas no período de 1946-1985, em vez de se concentrar nos anos 1964-1979, quando se perpetraram os crimes mais aberrantes. Além disso, a Comissão – e isto é decisivo – nasceu privada da faculdade de julgar e castigar os responsáveis pelos crimes.”

     Mais adiante:

     “Conclusión: la fundamental supremacía civil sobre las fuerzas armadas es todavía una peligrosa asignatura pendiente en la "democracia" brasileña.”

     “Conclusão: a fundamental supremacia civil sobre as forças armadas é, no entanto, uma perigosa assinatura pendente na “democracia” brasileira.”

     O autor ainda comenta o fato de Vera Paiva, filha do ex-deputado Rubens Paiva, um dos primeiros desaparecidos políticos, ter sido impedida de falar, representando as vítimas da ditadura militar, na cerimônia de instalação da “Comissão da Verdade”.

     É uma matéria muito boa, que recomendo, e que revela que os jornalistas que a grande imprensa - aliada, muitas vezes, desse tipo de governo – chama ironicamente de “hermanos”, tem uma melhor cultura e consciência política do que a grande maioria dos nossos jornalistas, que se convertem em repetidores da opinião dos seus patrões.

     Uma entre tantas matérias que tem sido escritas por jornalistas de diversos países latino-americanos, alertando para o perigo do crescente imperialismo brasileiro.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

QUAL A MAIOR CORRUPÇÃO?


Assisti parte de um programa onde vários especialistas em Brasil discutiam a corrupção. Em dado momento, um deles disse que a corrupção existe em vários níveis, desde a pequena corrupção – que seria a do PM que faz um lanche e não paga -, passando pela corrupção média – o nosso “inocente” jogo do bixo – até a corrupção nos altos escalões do Governo, como assistimos diariamente, entre choros e declarações de amor de ministros acusados, que dizem que são puros, inocentes, e que só fazem o que deles é esperado e anteriormente combinado e que maldita seja a imprensa que denuncia.

     Qual a maior corrupção? Tenho comigo que corrupção é corrupção, independente do tamanho, do grau ou do nível e que o policial que se acostuma a não pagar pelo seu lanche se um dia estiver em um cargo maior, com certeza continuará corrupto. A diferença é que o prejudicado, no primeiro caso, é apenas o dono da casa de lanches, enquanto que o deputado, o senador, o ministro, o desembargador, o presidente ou a presidente ou qualquer outro que seja corrupto ou conivente com a escancarada corrupção que a imprensa amaldiçoada não só pelo partido governista denuncia e revela todos os dias, e não somente aos sábados, será tão corrupto(a) quanto aquele policial, mas estará afetando um número imenso de pessoas.

     Corrupção não é somente roubar às escâncaras. Também é preparar o roubo, a manipulação, o engano, a mentira. Quem se acostuma a enganar e a mentir já é um corrupto por natureza. Quem gosta de esconder a verdade, maior corrupto será.

     Por falar, a “Comissão da Verdade”, da forma que está sendo organizada, com o Governo em aliança subordinada aos militares para que nada ou quase nada seja revelado, e, se for descoberta alguma coisa mais grave, ninguém será punido ou talvez não seja revelada antes de 25 ou 50 anos, não é uma maneira de mentir? Não é uma forma de corrupção, porque a verdadeira verdade nos será negada e a mentira oficial continuará prevalecendo?

     O desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro que foi parado em uma blitz – conforme matéria de Mariana Lessa, na Folha.com, do dia 25/11/11 - e deu ordem de prisão a um dos integrantes da operação, alegando que, por ser uma autoridade, não deveria ser fiscalizado não estava pensando estar acima da lei e negando aquele princípio que a Lei – pelo menos a Lei – é igual para todos? Não é uma enganadora maneira de pensar acreditar-se acima da lei? Quantos senhores e senhoras que exercem cargos iguais ou semelhantes não se imaginam acima da lei? Isso não é uma forma de corrupção, quase idêntica àquele policial que não paga o seu lanche?

     A ausência de licitação para a Copa de 2014 não é corrupção? O time do ex-presidente Lula ganhando 800 milhões de reais para construir um novo e desnecessário estádio não é corrupção? Ou é apenas o “jeitinho” brasileiro de agradar aos fiéis torcedores e eleitores?

     O novo Código Florestal que perdoa os desmatadores e lhes dá a possibilidade de desmatar ainda mais e o quanto quiserem não é uma descarada corrupção contra a natureza e contra todos nós que dela fazemos parte?

     A construção de hidrelétricas devastadoras não é uma imperdoável corrupção contra a natureza e os verdadeiros donos da terra?

     Não corrompem a Constituição quando favelas são invadidas e pessoas são revistadas e presas, em clara tentativa de marginalizar a pobreza?

     E os diversos livros proibidos no Brasil? Não é uma tentativa de corromper a sua capacidade de crítica? De manipular a sua opinião? Como se você fosse uma criança, sem capacidade de discernir o certo do errado?

     Qual é a maior corrupção?

     A manipulação das informações pelos meios de comunicação, para que você saiba somente uma parte da verdade do que acontece no Brasil e no mundo - e seja induzido a acreditar em determinadas “verdades” - não é corrupção? Ou você gosta de ser manipulado?

     Ser manipulado não é o mesmo que ser corrompido?

     Acreditar que o consumismo é a principal razão de viver não é uma maneira consciente de se deixar corromper apenas pelos bens materiais?

     As pessoas estão nas ruas. Milhões de pessoas, em diversos países, não estão mais aceitando tanta corrupção e mentira. Não estão aceitando ter a sua vida degradada para que políticos, banqueiros e empresários engordem com a fome, a morte e a mentira. As pessoas estão começando a dizer não e os corruptos de todos os países estão assustados.

     Muitos muros estão sendo derrubados em outros lugares, porque há a necessidade de novos horizontes e maior visão.

     Quando começaremos?

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

“PRESIDENTA” OU CADEIA E CADEIO


Foi aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara de Deputados um projeto de lei de autoria da ex-senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), e que teve como relator o deputado Paulo Maluf, que torna obrigatório o uso da flexão de gênero “para nomear profissão ou grau em diplomas”. Obviamente, se for realmente considerado constitucional, o projeto será sancionado por Dilma Roussef – que tanto insiste ser chamada de “presidenta” e não presidente, como ensina a língua portuguesa.

     Nunca Dilma esteve tão feliz! Ela faz questão de que todos saibam que é mulher e exige dos seus seguidores, servidores e seres servis em geral que a chamem de “presidenta” e não de presidente. É um estranho feminismo à brasileira, baseado na distorção da língua e, até, na criação de uma nova língua.

     O projeto de lei obriga a remissão gratuita do diploma com a flexão de gênero a quem solicitar. Como há cerca de seis milhões de mulheres com curso superior ou trabalhando, se todas desejarem que o seu diploma seja corrigido em acordo com a nova lei, e se calcularmos o custo dessa arrumação em R$10,00 por diploma, cerca de seiscentos milhões de reais serão pagos pelas instituições de ensino superior no Brasil inteiro.

     Um dinheiro que poderia ser empregado na saúde, educação ou até no ensino correto da Língua Portuguesa – de preferência com professores vindos de Portugal para ensinar os pós-doutores do MEC. Poderiam tentar ensinar os políticos, mas seria um esforço demasiado e perdido.

     Mas não são apenas as mulheres que terão o direito de flexionar o gênero para nomear a profissão ou grau em diplomas. Os homens também. Afinal, este é um país democrático, que também dá direitos aos homens. O custo será bem maior, mas espera-se que o Cabral, dono do petróleo brasileiro, cederá essa migalha à sua presidenta muito amada.

     Se Dilma quer tanto ser chamada de presidenta, Lula, se for eleito novamente, terá o direito de ser chamado de presidento. Teremos doutoras e doutoros, bacharelas e bacharelos, puxa-sacos e puxa-sacas, e, porque não, mulheras e homenos? É uma questão de coerência.

     Como uma das intenções do Governo (ou Governa?) é destruir a cultura brasileira começando pela depravação da língua, a moda vai pegar e todos desejarão ser reconhecidos pelo seu sexo. Ou gênero. Haverá certeza de quem é homem (homeno?) e quem é mulher (mulhera?). Não restarão mais dúvidas.

     Certa vez, logo após a posse de Dilma, seu Juca me perguntou qual seria o feminino de hombridade e eu não soube responder, mas agora ficará fácil. O feminino de hombridade será mulheridade – ou mulheridada? A não ser que acabem com a expressão “hombridade” por considerarem que é demasiado machista. Tudo é possível com um submisso Congresso movido a dinheiro, ou dinheira.

     Teremos estudantas e estudantos, adolescentas e adolescentos, políticos e políticas, policialos e policialas, artistas e artistos, cientistas e cientistos, economistas e economistos, etc.

     Acostumaremos a flexionar o gênero inclusive para os animais, talvez lembrando os políticos: asno e asna, barata e barato, sango-sugo e sanga-suga... O feminino de bicho-preguiça ficará bicha-preguiça? Ou teremos nas duas casas do Congresso as bichas-preguiças e os bichos-preguiços? A propósito: gambá não se flexiona; o feminino de gambá não é gamboa. Usa-se o gambá e a gambá. Mas, caso o gambá exija seus direitos, poderá ficar gambona.

     Novas frases serão criadas, fruto(a) da(o) nossa(o) imaginação ou imaginaçona. Por exemplo:

     “A presidenta Dilma, que é mulhera, encontrou-se com o ex-presidento Lulo, que é homeno, para conversarem a respeito e a respeita das abobrinhas e abobobrinhos costumeiras e costumeiros. Na ocasiona, ou no ocasiono, Dilma bebeu uma suca de maracujina, enquanto Lulo preferiu águo sem gáso.”

     O Partido ou a Partida dos Trabalhadoros e das Trabalhadoras finalmente fará uma revolução ou revoluçona no Brasil ou na Brasila. A revolução ou revoluçona da língua ou do línguo. Todos e todas terão de escrevero e escrevera de acordo ou de acorda com a lei(o). Caso contrário ou casa contrária, serão presos e presas ou multados e multadas e, em casos e casas mais gravesas e gravesos poderão até ser enviados e enviadas para a Ilha ou Ilho das Cobras e dos Cobros. Ou para lugaros e lugaras parecidos ou parecidas, onde serão submetidos e submetidas a trabalhos e trabalhas forçados e forçadas em prol da nação ou do naçono, e passarão por um período ou uma períoda de reaprendizagem da língua mátria ou línguo pátrio, somente sendo libertados e libertadas quando souberem dizer “bip-bip” ou “bipa” e “bipo” com clareza e clarezo.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

OBAMA TAMBÉM REZA



Notícia de última hora: Obama ligou para Lula e disse que estará colocando o ilustre ex e próximo presidente nas suas orações. Se for verdade, significa que Obama reza. Mas, para quem reza Obama, que está à frente do país mais belicoso do mundo? Obama, que supostamente dirige o país que não vive sem guerras, reza?

     Em todos os lugares do mundo, os Estados Unidos tem 429 grandes bases estratégicas e 450.000 soldados treinados para matar. Isso faz com que o Grande Irmão do Norte gaste 10% do seu Produto Interno Bruto, ou cerca de 79 bilhões de dólares com as guerras que fabrica. Mas esta informação deve estar defasada, os gastos devem ser bem maiores, porque a ânsia de guerra é constante nos senhores que mandam naquele país.

     É o único país que jogou duas bombas nucleares sobre populações civis, Hiroxima e Nagasáqui, em agosto de 1945, matando mais de 300.000 pessoas imediatamente e provocando seqüelas irreversíveis, não só em seres humanos, como na natureza, que eles desprezam.

     É o único país que está sempre em guerra, desde que se tornou independente da Inglaterra. Primeiro, foi a guerra interna contra os indígenas, que foram massacrados. Depois, arranjaram razões para invadir o México e tomar dois terços do seu território. E continuaram se expandindo pela América Central e América do Sul, provocando golpes de estado para colocar governos títeres e moldáveis à sua vontade.

     De 1898 a 1902 declararam guerra á Espanha. Na época, Cuba, que era da Espanha, foi tomada, e Porto Rico, Filipinas e Guam foram anexados. De 1914 a 1918 ajudaram a Inglaterra e os seus aliados a derrotar os seus inimigos e passaram a ser o centro de poder do capitalismo.

     De 1940 a 1945 ajudaram a Inglaterra e os seus aliados a arrasar o restante da Europa e tornaram-se a maior potência bélica mundial. Foi quando, através de cientistas enlouquecidos pelos seus conhecimentos, como Einstein e Openheimer, resolveram testar as suas bombas nucleares nas populações civis japonesas.

     Depois, veio a “guerra fria” com a União Soviética, que terminou no final dos anos ’80, com o fim da União Soviética. Mas, nesse meio tempo, de 1950 a 1953, tiveram o seu primeiro grande fracasso, quando não conseguiram vencer a Guerra da Coréia, amargando mais de 200.00 baixas, entre mortos e feridos.

     Não satisfeitos, invadiram a Indochina, provocando uma guerra que durou cerca de dez anos contra o Vietnã do Norte e Camboja, e que terminou com a unificação do povo vietnamita, a libertação do Camboja e a derrota dos Estados Unidos, em 1973.

     Nos anos ’80, Líbia, Líbano, Granada e Panamá foram os alvos. Em 1983 invadiram e tomaram Granada. Em 1986 atacaram a Líbia de Kadhafi e nada conseguiram. Antes disso, de 1982 a 1984, invadiram o Líbano, em apoio à política expansionista de Israel, mas fracassaram. A invasão do Panamá foi chamada de Operação Justa Causa. Invadiram, tiraram o presidente do país e tomaram conta do Panamá e das riquezas que passam pelo seu grande canal. Atualmente, Panamá, assim como Porto Rico, Filipinas, Costa Rica, San José, Haiti, Colômbia, são países que se dizem democráticos, mas, na verdade, são colônias dos Estados Unidos.

     Em 1991 tentaram invadira o Iraque, no que chamaram de Operação Tempestade no Deserto. As portas estavam abertas para o domínio do mundo, porque o único opositor até então, a União Soviética, se esfacelava.

     Então, invadiram a Iugoslávia, a Somália e o Haiti. Dominada a Europa, grande parte da África e a América Central, além de terem governos obedientes em toda a América do Sul, no século 21 resolveram tomar conta do Oriente Médio. Afeganistão e Iraque foram rapidamente tomados. Paquistão tornou-se quase uma base militar estadunidense, a Síria é o próximo alvo e depois virá o Irã. Antes disso, ajustaram as contas com Kadhafi, no norte da África.

     E Barack Obama, que representa esse império de devastação liga para o Lula e diz que vai rezar por ele. Isso é muito perigoso. Sinceramente, eu aprecio o Lula pelo que ele já foi e gostaria de vê-lo curado. Pode ser que depois dessa doença volte a ser o velho Lula. Sempre há uma esperança. Mas com as orações de Obama...

     Para quem rezará Obama? Aqueles senhores que dominam o mundo a partir de Wall Street e devido à força do Pentágono, quando rezam, rezam para qual deus?

     Para o deus Mercado? Para o deus dos Exércitos?

domingo, 20 de novembro de 2011

QUAL É O JOGO DA GLOBO?


Muito surpreendente aquele vídeo em que atores da Rede Globo se colocam contra a usina hidrelétrica de Belo Monte. Surpreendente, por ser da Globo.

     Eu não sou o único a ficar surpreso, mas acredito que também os verdadeiros movimentos contra a construção de Belo Monte, como o Movimento Xingu Vivo Para Sempre. Ou seja, o povo do Pará, o povo da Amazônia, que não admite ser saqueado em seus bens naturais e se opõe decididamente e com todas as suas forças não só contra a construção de Belo Monte, como contra a construção das usinas hidrelétricas de Jirau e de Santo Antônio, em Rondônia, e contra a depredação da Amazônia, que vem sendo planejada desde a época da ditadura militar e tem aumentado gigantescamente nos últimos dez anos.

     O Movimento Xingu Vivo Para Sempre – conforme está escrito no seu site (http://www.xinguvivo.org.br/quem-somos/) “é um coletivo de organizações e movimentos sociais e ambientalistas da região de Altamira e das áreas de influência do projeto da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, que historicamente se opuseram à sua instalação no rio Xingu. Além de contar com o apoio de mais de 250 organizações locais, estaduais, nacionais e internacionais, o MXVPS agrega entidades representativas de ribeirinhos, pescadores, trabalhadores e trabalhadoras rurais, indígenas, moradores de Altamira, atingidos por barragens, movimentos de mulheres e organizações religiosas e ecumênicas, tais como:

     “Prelazia do Xingu, Movimento de Mulheres Trabalhadoras de Altamira Campo e Cidade, Instituto Socioambiental –Xingu, Comitê Metropolitano Xingu Vivo, Movimento de Mulheres Campo e Cidade – Pará, Associação das Mulheres Urbana e Rurais de Senador José Porfirio, Associação das Mulheres de Brasil Novo, Movimento de Mulheres de Medicilândia, Movimento de Mulheres de Uruará, Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade de Placas, Movimento de Mulheres de Pacajá, Movimento de Mulheres de Anapu, Movimento de Mulheres de Rurópolis, Associação de Mulheres Agricultoras do setor Gonzaga, Associação das Mulheres do Assentamento Assurini, Pastorais da Prelazia do Xingu- Comissão Justiça e Paz, Pastoral da Juventude, CPT- Xingu, CIMI- Conselho Indigenista Missionário, Pastoral da Criança, Irmãs Franciscanas, Comitê em Defesa da Vida das Crianças Altamirenses, Associação Fundação Tocaia, Equipe Samaritana paróquia Imaculada Conceição, Congregação La Salle, Grupo de Trabalho Amazônico Regional Altamira, Associação Rádio comunitária de Altamira, Mutirão Pela Cidadania, Fundação Elza Marques, S.O.S Vida, SINTEPP-Sindicato dos Trabalhad@res em Educação Pública do Pará sub–sede Altamira, Sindicato dos Trabalhad@res Rurais, Associação Radio Comunitária de Vitoria do Xingu, Associação de Cultura de Brasil Novo, Associação Rádio Comunitária de Medicilândia, Associação Rádio comunitária de Porto de Móz, Forum da Amazônia Oriental, SDDH-Núcleo Altamira, Associação dos moradores da Reserva Extrativista do Riozinho do Anfrísio, Associação dos Moradores da Reserva Extrativista do Rio Iriri, Associação dos Moradores da Reserva Extrativista do Xingu, Comitê de Desenvolvimento Sustentável Porto de Moz, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porto de Moz, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vitória do Xingu, Associação dos Pilotos de Voadeiras e Barcos de Altamira, Centro de Formação do Movimento Negro Transamazônica, SOCALIFRA, Sindicato das Domésticas de Altamira e região, Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Altamira e Região, Pastoral da Juventude Rural, Fórum Regional de Direitos Humanos Dorothy Stang, Sindicato dos Trabalhadores em Saúde no Estado do Para sub-sede Altamira, Associação Pró-moradia Parque Ipê, Associação dos Agricultores Ribeirinhos do Assentamento Itatá, Associação Casa Familiar de Altamira, Associação de Resistência Indígena Arara do Maia-ARIAN Associação dos Produtores da Volta Grande do Xingu, Associação do Povo Indígena do Xingu Km 17, Associação dos Povos indígenas da Aldeia Paquissamba da Volta Grande do Xingu Associação Ação e Atitude, Associação dos Agricultores e Ribeirinhos do Xingu.”

     E é esse Movimento, formado por diversos movimentos populares, que está à frente da luta contra a construção de Belo Monte; que está à frente da luta pela preservação ambiental no Brasil, notadamente na Amazônia.

     É um movimento popular e a Rede Globo não tem nada a ver com povo, mas com empresários. Não é o único movimento contra Belo Monte. Existem mais algumas dezenas, e não só na região amazônica. Assim como existe um grande movimento, principalmente através da Internet, contra a construção das usinas de Belo Monte, Santo Antônio e Jirau e contra a destruição da Amazônia em nome de um desenvolvimentismo caduco, que só serve ao governo que serve às empresas interessadas somente no lucro.

     Por isso a surpresa com a manifestação em vídeo dos artistas que representam a Rede Globo. De início, uma boa surpresa: não se pode escolher os aliados, por piores que sejam, na hora da batalha. Principalmente se a batalha é contra os “podres poderes”. Mas qual é o jogo da Globo?

     As especulações são muitas, mas duas são as principais.

     1. A Globo estaria querendo tomar a frente da luta contra Belo Monte, no instante em que essa luta está se tornando insustentável para o Governo. Diversas entidades muito representativas, assim como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e, inclusive, a OEA (Organização dos Estados Americanos), pedem o fim da construção de Belo Monte. Muitos magistrados se colocam contra a monstruosidade que está sendo criada no Xingu. E a Globo – espertamente – estaria aparecendo de “boazinha” no momento em que a luta popular contra Belo Monte torna-se mais crucial e definitiva. E assim, aos olhos do povo não engajado, no instante em que o povo vencer o Governo nessa luta a Globo apareceria como a responsável por essa vitória.

     2. Os que dizem que a Globo é contra o Governo – petistas e seus aliados da direita – terão mais um argumento para defender a construção de Belo Monte. Em uníssono, gritarão que, se a Globo é contra Belo Monte, com certeza a usina contraria os interesses da empresa e dos seus aliados. E, portanto, a construção de Belo Monte deve acontecer porque será uma luta contra a Globo. O que daria uma falsa legitimidade para a construção da Belo Monte.

     Não percebo nenhuma luta ou manifestação da Globo contra os agrotóxicos, o desmatamento desenfreado no Brasil inteiro, o latifúndio, a plantação de transgênicos ou contra acelerada desertificação do solo. Não vejo a Globo a favor das lutas populares.

     A Globo se notabilizou por ser a favor do regime militar, por ter eleito Collor e depois o retirado do poder, por ter eleito Fernando Henrique Cardoso, por concordar com a inevitável eleição de Lula, depois de transformá-lo em manso cordeiro, e por representar os interesses das multinacionais, dos empresários, dos latifundiários e de todos aqueles que são declaradamente contra as causas populares.

     Por que estaria, agora, contra Belo Monte? Qual é o jogo que está escondido naquele vídeo dos atores da Globo?

     De qualquer maneira, querendo acreditar que a empresa tenha tomado uma súbita consciência social, é bem-vinda na luta.

     Mas vamos ver os próximos capítulos.

sábado, 19 de novembro de 2011

"OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER"*


O blog está completando dois anos de existência neste dia 19 de novembro e agradeço aos seguidores e amigos que tem me incentivado a continuar, “não se entregar pros homens, de jeito nenhum”, seguir em frente, não aceitar as mentiras oficiais ou as verdades fingidas, desmistificar as manipulações dos poderosos e abraçar a causa da vida.

     Quixotesco? Talvez. Mas somente os muito passivos e acomodados ainda acreditam que a palavra “quixotesco” significa ingenuidade. Se a maioria das pessoas acreditasse que “sonhar mais um sonho impossível” pode ser possível, e lutasse por isso, não teríamos este mundo dominado pelos banqueiros e políticos que o estão destruindo, com o apoio das ovelhas muito ovelhas. 

     Felizmente, multidões no mundo inteiro estão acordando para a realidade e tentando agir como verdadeiros cidadãos nos seus países, apesar da troglodita repressão que sofrem. Talvez um dia os brasileiros também acordem.

     Com mais de 280 matérias escritas por mim, nestes dois anos, o blog tem sido visitado por pessoas de grande parte do mundo. Pessoas que moram em mais de 40 países já estiveram por aqui. Alguns, apenas de passagem; outros gostaram e tem sido assíduos freqüentadores. 

     Em número de visualizações, os 10 primeiros países são:

Brasil – 15.960.
Estados Unidos – 3.688.
Portugal – 290.
Alemanha – 289.
Rússia – 199.
França – 143.
Coréia do Sul – 143.
Polônia – 77.
Eslovênia – 75.
Ucrânia – 70.

     Hoje apareceu o primeiro visitante da Austrália, talvez avisado pelos amigos da Nova Zelândia, que, volta e meia dão uma olhadinha no blog. Não faltam os visitantes da América Latina, da África – principalmente Angola e Moçambique – e da Ásia. Pessoas de quase todos os países da Europa visitam este blog. 

     A todos eu deixo o meu agradecimento e um poeminha de fim de semana.


MOINHOS E OUTROS GIGANTES 


Tiro a lança do cabido 
Dizem-me louco por não quedar quieto
Em senil cumplicidade com o Tempo.
Estorva-me a idade, essa tediosa senhora
Que me espreita com seu olhar cego e sábio
Revelando  sonhos, sensações, cicatrizes
Cúmplices de horas súbitas, heróicas.

Eis que chega a aurora do meu dia                         
E a meu fraco rocim - pura magia -
Confere força e bravura tão galante
Que eu, Andante,
Enquanto a luz demora
A fiar em sua aura nossa via
A mim pergunto
Em tom de mote ou jura:
 - “É este o Quixote? Este o Rocinante?”

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* Frase de Carlos Lamarca.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A IRMANDADE DA IMPUNIDADE



É como uma grande irmandade. Sabem aquelas irmandades que, muitas vezes, funcionam como grandes clubes de ajuda mútua, escalando os seus membros para todos os cargos disponíveis, a ponto de influenciar as decisões dos governantes visíveis, que são títeres em suas mãos?

     Aquelas irmandades tão organizadas que tem bancos que fornecem crédito aos seus membros, ocultas Câmaras de Deputados, governantes que somente eles conhecem e, provavelmente, uma polícia particular, e cujos membros se consideram superiores aos poderes constituídos das nações.

     Irmandades que se autodenominam irmandades, justamente porque os “irmãos” que as constituem ajudam-se em todas as situações, como verdadeiros irmãos, e consideram os familiares que não são “irmãos” como agregados e serviçais – porque para eles os laços de sangue somente existem dentro das irmandades, que tudo lhes dá.

     Irmandades que se mostram aos olhos do público vulgar – ou “profano”, como eles preferem - como filantrópicas, revolucionárias, espiritualistas, e que provavelmente exerçam muita filantropia entre os seus membros, sejam revolucionárias quando as revoluções são reacionárias e lhes trazem grandes benesses, e espiritualistas quando essa espiritualidade lhes proporciona grande poder material.

     Parece uma daquelas irmandades cujos membros são facilmente reconhecíveis pela arrogância e certeza da impunidade.

     É como uma dessas irmandades.

     Dilma sancionou a Comissão da Verdade. Uma estranha Comissão da Verdade. Começa com as datas-limites. As investigações serão feitas, se forem feitas, de 1946 a 1988. Não fica especificado que a razão da “Comissão da Verdade” é deslindar os crimes da ditadura militar, que começou em 1964. É claro que aqueles crimes serão pesquisados, mas daquele jeito que todos sabem: com muito carinho, para que ninguém se machuque.

     O governo Lula/Dilma, desde que tomou posse, em 2003, tornou-se muito amigo dos militares. É o governo civil que os militares sempre desejaram. Podem pesquisar, podem descobrir, podem divulgar, mas não podem punir.

     Depois de 1988, “stop”. Faz de conta que não aconteceu nada depois daquela data; faz de conta que a nova Constituição, elaborada em grande acordo entre civis e militares, impediu que novas torturas e assassinatos políticos acontecessem.

     Além disso, a “Comissão da Verdade” tem algumas cláusulas muito interessantes. Os integrantes da “Comissão” terão o direito de julgar se os dados obtidos poderão ou não ser revelados. Vejam o que diz o Estadão de 18 de novembro de 2011:

     (...)“A lei determina o prazo em que os documentos deverão ser mantidos sob sigilo: 25 anos para informações ultrassecretas, 15 anos para os dados secretos e cinco anos para os reservados. A prorrogação do prazo só será concedida para os documentos ultrassecretos, por única vez, limitando a restrição ao acesso a 50 anos.”

     E essa é a verdade da “Comissão da Verdade”. Saberemos algumas migalhas, as migalhas que os militares consentirem, mas o governo sempre estará dizendo, em óbvia manobra demagógica, que tem uma comissão que busca a verdade.

     O mundo se surpreende com essa “Comissão da Verdade” muito brasileira.

     A revista britânica “Economist” (http://noticias.r7.com/brasil/noticias/-economist-analisa-atraso-brasileiro-em-lidar-com-os-crimes-da-ditadura-20111118.html), em matéria a respeito, diz que

     "O Brasil tem sido lento na revisão dos crimes da ditadura. A Argentina começou a processar os militares logo após o colapso do regime, em 1983", diz a reportagem. "A Suprema Corte do Chile decidiu em 2004 que os "desaparecimentos" não eram passíveis de anistia."

     Mas esse tipo de “Comissão da Verdade” já está dando anistia antecipada aos torturadores e assassinos do regime militar. Na mesma matéria:

     “Segundo a Economist, uma das consequências desse atraso "é que a repressão continua, só que agora a violência se concentra mais na polícia, e não no Exército".

     A revista destaca que a truculência da polícia é raramente punida e frequentemente aplaudida, como acontece nos filmes Tropa de Elite, e que ativistas esperam que a Comissão da Verdade altere essas opiniões.”

     O mundo inteiro sabe que o governo brasileiro marginaliza a pobreza, mas o governo manipula a nossa opinião pública e deseja manipular ainda mais com uma nova lei que está sendo elaborada nos bastidores para cercear, fiscalizar e monitorar a imprensa. Toda ditadura necessita que toda a imprensa fique ao seu lado, ou não será uma ditadura completa.

     Governo e militares formam uma irmandade no Brasil. Uma irmandade daquele tipo.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

HIPÉRBOLE DESPICIENDA


Auxese, auxesys. Proto língua luminescente in barbaris tempus. Do verbo. Tempus fugit até chegar in mec, quando destruíram oficialmente a nossa língua e a tornaram em ruído fluido fluindo em escravo som, gritado som, inapreensível som, somente inteligível em ministérios histéricos e vorazes. Tanques avançavam nas favelas e o povo aplaudia: “Que bom!” Despiciendo povo, diziam os tanques hiperbólicos em sua auxese magnífica, tiros em sequência, que poderia ser poesia concreta, mas era somente o brasil dos iludidos, dos conformados com tão minúscula herança. Ou dos debochados, que se transformavam em metáforas de estátuas e fingiam-se de versos livres, mas seus versos estavam presos, muito presos à vulgar métrica do consentimento e da passividade.

     Alguém falava em liberdade abre as asas sobre nós e todos cantavam nos maracanãs em fúria nas calmas tardes de domingo, quando segunda-feira poderia ser o dia oficial da fome – mas que importa! – e os pássaros de sempre cantam nos hospícios, dizia Torquato Neto, pouco antes do suicídio das onças que se jogavam frente aos caçadores ou das matas que se ofereciam às motosserras ou dos indígenas que se deixavam afogar nas águas das gigantescas hidrelétricas, construídas para deleite de senhoras com tpm pós-menopausa, falando que eram poderosas, osas, osas, osas, repetia o eco pindorâmico em pletórico espasmo lingüístico.

     Signo em si, signo em si, signo em si bemol. Sol, sol, sol a crestar e destruir os restos daquela terra salve-salve-se quem puder, mas quem podia, naquelas tardes de outrora, quando não se ouvia mais o melódico canto do sabiá, somente o mercadejar dos mercadores oferecendo terras e minérios e mulheres com grandes seios e nádegas pomposas para vossa delícia, ó senhores que nos comprais tanto e por tão bom preço?!

     Feicebuques feicebuqueavam e orcutes orcuteavam com pessoas que escreviam sejamos bonzinhos porque tudo passa e a vida é uma ilusão como o amor da primeira primavera, quando vemos apenas a pele e os cabelos e agimos como os embasbacados que aplaudem corruptos, porque tudo é sentir na época das flores e as pessoas se transformam em sorrisos ambulantes e cantam canções bobas, porque somos bobos, mesmo nas últimas ou na última primavera e bendita seja a bobagem nossa de cada dia amém, para todo o sempre era assim no tempo pouco antes do tempo em que surgiram os grandes enganadores, com focinhos de raposa e desejos pretéritos de meretrizes, oferecendo, generosos, o lazer supremo da bem-aventurança, como somente políticos muito políticos sabem oferecer e todos preferiram a ilusão da possibilidade da verdade e somente perceberam a gigantesca e hiperbólica mentira quando já estavam acostumados com a sua presença e com a necessidade de mesuras lavapés rapapés quebraespinhas vênias discursos elogiosos prostituição moral e cívica, palavras esquivas e esguias na hora de pedir, pedir, pedir, talvez implorar de joelhos a tanta necessidade de participar do bolo, da bola, da bolinha, do trem bala da alegria - tanta necessidade de ser joguete nas grandes mãos dos domadores de vontades que diziam este país é nosso, somente nosso e você também poderá ter a sua parte se consentir em dobrar-se, assim, mais um pouco, pronto!, agora é dos nossos, somos todos iguais nesta noite, jorge sentou praça na cavalaria, fio maravilha faz mais um pra não dizer que não falei das flores e tico-tico no fubá não é o mesmo que chico-chico no oba-obá e tudo passa, tudo passará quando você cantar com ardor e dor a canção do grande líder, que agora já é amigo de todas as forças que antes eram inimigas e temos acesso à senha do enriquecimento, basta consentir em não mais pensar.

     Era o tempo em que pessoas se envolviam nas hipérboles oficiais e gostavam do carinhoso contato que oferecia empregos e viagens e uma velhice tranqüila e segura, desde que.

     Imoralia maxima. O amor nasce do sexo, diziam os educadores que davam camisinha para os pré-adolescentes experimentarem o máximo amor e faziam-se passeatas pela liberdade da embriaguez e somente os cinco conhecidos sentidos recebiam nota dez nos festivais de patriotismo, onde meninas com plumas coloridas pulavam – nossa! – e ejaculações precoces, muito precoces eram oferecidas aos donos das nossas mentes, que diziam aqui está o futuro da pátria amada, cantemos o hino que lembra o tempo em que éramos valentes, agora erramos, mas acertaremos de tiro em tiro todas as favelas para que em suas terras tão valorizadas possam ser erguidos edifícios para o nosso lucro eterno.

     Ou quase. A eternidade era uma mentira e todos acreditavam somente no prazer e muitas eram as possibilidades vendidas para que todos tivessem o seu momento encantado de cada dia e poucos, somente os muito pobres e marginalizados, eram oficialmente presos, indignos de vender alegria sem autorização ou diploma de curso superior, este é um país de todos, diziam os donos das nossas vontades e veleidades. Os demais eram mortos. Mortos entre grades e campos de concentração, mortos pela fome ou pela desesperança e mesmo os mortos de esperança eram mortos, números, estatísticas, excesso de povo que deveria ser controlado em seu excesso de fome, caso contrário não teríamos o que exportar para os países ricos – como ficaria a nossa balança comercial?

     Tempos em que ainda existia um país, mesmo que agonizante em seus campos e matas, que se tornavam, a cada dia, mais estéreis e depredados para júbilo dos grandes negociantes, euforia de ministros e membros do congresso dos prostituídos e declamações orgulhosas dos donos das nossas vidas tão democráticas.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

SEU CHICO E OS GOLPES DA REPÚBLICA


- Esses brasileiros tem uma mania estranha de espichar feriados – disse o seu Chico, depois que me encontrou e cumprimentou no dia 15 de novembro, naquele deserto de cidade que até parecia que todos tinham morrido.

- Pois não é, seu Chico?

- Parece que ninguém gosta de trabalhar. Hoje é o dia, mas ontem já foi ponto facultativo e todos preferiram o facultativo ao ponto. Dizem que é costume de carioca essa coisa de feriadão, o senhor não acha?

- Lá malandragem é... Agora, se é coisa de carioca não posso lhe dizer com certeza. Quem sabe não é de paulista estressado?

- Mas estão sempre estressados aqueles paulistas! Será que é porque não ouvem o cantar dos passarinhos?

- Periga ser, seu Chico. Dizem que eles não param de correr mesmo quando estão dentro de casa. Mas deve ser lenda...

- Lenda é essa coisa de que a República foi proclamada com o apoio do povo. Na época, o povo nem sabia o que era República. Talvez até hoje não saiba.

- Foi um golpe de estado no Imperador, seu Chico. Colocaram ele num navio e depois repartiram os cargos.

- E mal repartidos. E olha que de lá pra cá golpes de estado é que não faltaram. Sem contar os da República Velha, que era toda hora, e a revolução de Getúlio em 1930, que foi um favor para o Brasil, depois foi uma sucessão de golpes.

- A começar pelo golpe no próprio Getúlio, em 1945, seu Chico, quando os militares o depuseram por ordem dos Estados Unidos. Na mesma época fizeram o mesmo na Argentina: depuseram o Perón.

- E o povo na orfandade, como sempre. Depois mataram o Getúlio, em 1954, porque eu não acredito que aquilo tenha sido suicídio...

- Mas e a carta-testamento, seu Chico?

- Pois aquela carta ele poderia ter escrito justamente para que o povo o ajudasse a evitar o golpe e teria sido usada pelos golpistas e assassinos para justificar o suposto suicídio. E depois golpearam o Jânio, em 1962.

- Se bem que o Jânio estava pedindo para ser golpeado, seu Chico. Um governo que não fazia nada.

- Não fazer nada por não fazer nada, temos exemplos mais próximos, o senhor não acha? E nem por isso há a necessidade de golpe... Mas aquele foi um golpe duplo. Na verdade, eles queriam era evitar que o Jango, que era o Vice-Presidente, assumisse, e se não fosse o Brizola...

- O Brizola e o povo gaúcho, seu Chico.

- Nas trincheiras. Mas pouco adiantou, porque o Jango não era exatamente um guerreiro. No primeiro ventinho ele saiu voando. Em 1964.

- Ele disse que era para evitar o derramamento do sangue brasileiro.

- Talvez até fosse, talvez até fosse... Mas não convenceu ninguém. De qualquer maneira, o sangue foi derramado e da maneira mais traiçoeira. Torturas, assassinatos...

- Mas agora tem a Comissão da Verdade, seu Chico, que vai desvendar o que realmente houve naquela época de tantas traições e mandar prender os torturadores e assassinos.

- E o senhor realmente acredita nisso?

- A gente tem que acreditar, seu Chico, senão vai acreditar em que?

- Em Deus e Nossa Senhora, meu amigo. Para mim os golpes não cessaram.

- Por que, seu Chico?

- Mas olha só essa roubalheira! Em pleno governo! Mas não é uma falta de pouca vergonha?!

- Mas dizem que isso é invenção da imprensa da direita, seu Chico.

- Se fosse invenção não tinha tanto ministro demitido, tanta CPI e tanta denúncia. O senhor há de convir que os roubos estão sendo provados, um por um. E só não aparece mais é porque o governo daquela senhora faz questão de esconder o lixo embaixo do tapete.

- Será que é por decoro, seu Chico?

- Até pode ser... Mas penso que deve ser mais por vergonha mesmo.

- E porque o senhor disse que os golpes não cessaram?

- Mas existe pior golpe que o golpe no nosso bolso? Além da miséria, do analfabetismo, da saúde porca, da educação zero e da única preocupação com a tal de Copa do Mundo que só vai dar dinheiro para o governo e seus amigos, ainda nos roubam descaradamente! Mas isso não é golpe atrás de golpe?!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A BATALHA DA ROCINHA



E eu pensando que a culpa era do Jobim... Perdoe-me o Jobim, que apenas cumpriu o seu dever e não devia estar muito satisfeito de cumprir aquele tipo de dever. Atacar, humilhar, invadir as casas do povo pobre não é coisa digna das Forças Armadas. Inventou de falar das mulheres da Dilma e foi demitido. Coisas da vida.

     Hastearam duas bandeiras lá no alto da Rocinha: a bandeira do Brasil e a bandeira do Rio de Janeiro. Supõe-se, portanto, que até então, antes das bandeiras tremularem bem no alto do morro, a Rocinha – e favelas adjacentes – não era nem brasileira, nem carioca. No máximo era uma paisagem pitoresca, admirada pelos consumidores de drogas da zona sul.

     Agora cabralizou. Cabral tomou a Rocinha com o auxílio das Forças Armadas. Dizem que foi tudo em paz. Nenhum tiro foi trocado com o terrível e perigoso povo que habita naquela região. Nenhum morto ou ferido. O grande exército da Rocinha preferiu não combater. Esconderam-se! – pensam os nossos gloriosos militares, que estavam preparados para uma grande e penosa batalha.

     A Batalha da Rocinha, que ficaria nos anais da história guerreira do Brasil, não aconteceu. Talvez para tristeza de alguns mais afoitos soldados, que desejavam treinar tiro ao alvo. Não é todo dia que se tem a chance de atirar em alvo vivo. Ficaram frustrados.

     Terão novas chances, asseguram seus chefes. Povo é que não falta no Brasil. Principalmente povo pobre. Povo faminto, drogado, embebedado pelas ilusões lúlicas e dílmicas de bastante futebol, mas povo. E povo pobre sempre é alvo.

     Li que o povo da Rocinha estava com medo que os invasores fizessem o mesmo que fizeram na favela do Alemão: atirassem em quem se mexesse, invadissem as casas a pontapés de coturno, tirassem o direito de ir e vir, revistassem a todos – porque, no Brasil, todo pobre é suspeito de ser marginal e todo marginal é suspeito de ser bandido. Entre outras coisas inconstitucionais. Porque a Constituição, vocês sabem, é somente para os civis. Principalmente civis pobres.

     Que nada! Dizem os grandes veículos de comunicação que tudo transcorreu em paz. É claro que todos os mais de cem mil moradores estão sendo revistados sempre que entram e saem do local onde não se travou a grande batalha. Também é claro que casas foram invadidas – casas suspeitas – e que pessoas foram presas – pessoas suspeitas. Mas o que é isso perto do que poderia ter sido a Grande Batalha da Rocinha, para a qual Exército, Marinha, Aeronáutica e toda a polícia do Rio de Janeiro estavam preparadas?

     O que significa rasgar a Constituição. Nem a OAB se manifesta. Isso já vem acontecendo desde 1964 e ninguém reclama. Muito menos o povo que não é composto por bacharéis e que deve se dar por muito satisfeito por ainda estar vivo, em sua grande maioria. A grande vitória é conseguir viver um dia da cada vez – como dizem alguns dos grandes pensadores da Rocinha e de outras favelas que esperam a sua vez de serem “pacificadas”.

     Tudo por amor ao futebol, uma atividade que orgulha a nossa nação. Teremos uma Copa do Mundo limpa de pobreza.

     Claro que tudo se resume ao combate ao tráfico de drogas. Inclusive, temem alguns muito viciados, não somente da zona sul carioca, que as suas drogas preferidas escasseiem e se tornem mais caras. Craques o povo tem, mas a cocaína nossa de cada dia? – como diriam, ou devem estar pensando, alguns sérios senhores e algumas ansiosas senhoras.

     Ora!, senhoras e senhores... Não se apoquentem! É tudo uma questão de mercado. A apreensão e queima de drogas é necessária para que os preços não sejam demasiado aviltados. Afinal, este é um país muito capitalista. Além disso, este é o país do “jeitinho”. Se o traficante “A” foi preso, sempre restará o traficante “B”. Na falta dos dois e se você tiver alguma influência, é só falar com algum policial amigo.

     O importante mesmo é que as favelas desapareçam ou sejam afastadas para muito longe até a Copa do Mundo. Não esqueçam que o turismo é uma fonte de renda para os que tem renda.

     E o Brasil, principalmente o Rio de Janeiro, tem que mostrar uma cara bonita e faceira para os seus verdadeiros donos, quando eles começarem a chegar, em 2014.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

AMOR DE TENTAÇÃO


O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse na Câmara dos Deputados que ama a Dilma. Dilma, entrevistada sobre a crise no ministério de Lupi, perguntou: “Que crise?”

     Não há crise no Ministério do Trabalho, mas amor. Lupi também afirmou que adora o Lula. São muitas emoções. Fico me perguntando se Dilma, depois da declaração de Lupi, não se olhou no espelho, arrumou a maquilagem e ficou divagando sobre tempos não muitos distantes...

     Também fico me perguntando por que somente a revista Veja denuncia os casos de corrupção nos ministérios de Lula/Dilma. Os demais veículos de comunicação apenas retransmitem notícias, inclusive as da Veja, mas nada investigam. É claro que a maior parte desses veículos recebe do Governo muito dinheiro para fazer propaganda institucional e nem quer saber como vai a nossa corrupção diária.

     Logo a Veja, considerada a revista mais reacionária do Brasil, faz jornalismo investigativo e vai detonando um por um todos os ministérios da Dilma. Na verdade, tenta detonar, porque a dupla dinâmica Lula/Dilma não se deixa abater, como diz o Lupi, e apenas troca os ministros, deixando a corrupção em paz, porque dela necessitam para os seus negócios políticos.

     Tirar um ministro não significa acabar com a corrupção do seu ministério. Poderá até acontecer o contrário. O Governo, avisado pelas matérias jornalísticas de que determinado ministério apresenta falhas gritantes no seu esquema corruptível, depois de um mês de fingidos bate-bocas e negativas demite o ministro daquela pasta e coloca outro do mesmo partido, mas bem mais esperto, que terá a função de tapar os buracos por onde vaza a corrupção ministerial.

     E Dilma, a presidente oficial, ao demitir o ministro em questão é vista pelo povo como alguém que foi traído por ministros inescrupulosos. E os demite, retira os malfeitores, acaba com os malfeitos e se transforma em heroína.

     Será a Veja uma revista do Governo?

     Se for, nada contra. Cada um escolhe o caminho que prefere, mas torna-se suspeita de ser uma grande auxiliar do Governo, quando se limita a críticas sobre ministérios, avisa por onde está correndo o óleo infecto da corrupção, para que possa ser contido a tempo, mas não se preocupa com outros assuntos igualmente malcheirosos e que são a verdadeira razão de Dilma ter sido escolhida para guardar o lugar do Lula.

     Não vejo nas revistas, jornais, redes de televisão acusadas de estar a serviço da oposição, nenhum grande artigo sobre o terror que impera nos campos do Brasil, os assassinatos quase em série daqueles que são contra a devastação e a degradação da natureza.

     Nenhum desses veículos de suposta informação combate as usinas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, fonte de inúmeros males, ou denuncia com força o monstrengo chamado Belo Monte que está sendo criado no Pará.

     Não são contra a plantação de produtos transgênicos, que afetam a saúde de todos os brasileiros e desertificam as terras.

     Nada falam ou escrevem contra a monocultura extensiva, que traz a escravidão ao campo e provoca grandes desertos.

     Não pressionam o Governo para parar de vez com o desmatamento desenfreado na Mata Atlântica e na Amazônia, porque as outras regiões já foram desmatadas.

     Não se colocam a favor de uma distribuição agrária mais justa. Ao contrário: combatem os sem terra e fazem de tudo para desacreditar o movimento que luta por terras para quem nelas trabalha.

     Da mesma forma que o Governo, colocam-se a favor dos banqueiros, dos empresários, dos latifundiários, dos gananciosos que estão vendendo o Brasil.

     Além disso, assim como o Governo, adoram o Obama, os Estados Unidos e todas as ações opressoras que intentam impor um governo mundial.

     Vendem a idéia de que viver é igual a consumir e a buscar a depravação mental, a alienação.

     Por isso, aqueles que seguem as informações desses veículos aparentemente insossos, mas especialistas na ideologia da passividade e do mercantilismo, aos poucos passam a acreditar que o verdadeiro bem resume-se na volúpia de atropelar o próximo; rezam pela cartilha da moral predatória e pensam que mais inteligente é aquele que mais rouba.

     Lupi ama a Dilma e adora o Lula, mas além desse amor e dessa adoração – como todos os demais ministros e políticos de todas as áreas e de quase todos os partidos que fingem nos representar – ama e adora o seu ministério, que significa dinheiro e poder material.

     É um estranho amor, que tem como base um dote estipulado para enriquecer os membros do seu partido em troca dos votos a favor do Governo nas duas casas do Congresso.

     É a tentação, a sedução do poder que move esse amor e essa adoração.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

NEM NA ÉPOCA DA DITADURA OFICIAL


Durante o período que foi convencionado chamar “anos de chumbo” da ditadura militar, os estudantes sentiam-se livres dentro das universidades. Uma universidade é uma república independente, que possui outras repúblicas dentro dela: os alojamentos dos alunos as salas de aula, a reitoria...

     Estudei em Santa Maria e participei do movimento estudantil nos anos ’70, na cidade mais policiada e militarizada do Rio Grande do Sul. Lutávamos contra a vigência do decreto-lei 447 – que permitia a repressão ante qualquer tentativa de crítica política no interior das escolas e universidades - e contra o decreto-lei 228 – que impedia a politização e participação de eleições livres em diretórios acadêmicos.

     Éramos vigiados, fotografados, intimidados, ameaçados, colocavam escutas em todos os lugares. Eventualmente alguns eram presos. Sabíamos dos “estudantes” infiltrados nos cursos e salas de aula com o único objetivo de vigiar os demais estudantes e fazíamos deles “amigos” que levávamos para beber cerveja e os deixávamos embriagados e desmoralizados, gritando vivas ao Che Guevara até que fossem recolhidos pelos seus amigos policiais. E tinham que ser substituídos.

     O estudante mais suspeito era aquele que falava em revolução ou em Che Guevara. Invariavelmente – com a exceção dos muito ingênuos – eram agentes da polícia em busca de informações. Informações que nem entre nós trocávamos.

     Se não podíamos espalhar panfletos do tipo “abaixo a ditadura”, fazíamos quase inofensivos jornais de aula – paginados em máquinas de escrever e mimeografados – onde os colegas ficavam sabendo quem estava namorando com quem e outras fofocas do gênero e, entre as fofocas, alguns toques como “votar em branco nas eleições espúrias e manipuladas do DCE ajuda a sua consciência a ficar em paz” – sob o título “COMO CHEGAR AO NIRVANA”.

     A repressão ostensiva era a cara do sistema, mas não era só a repressão. Tínhamos que lutar também contra a alienação promovida pelo governo que conseguia convencer os mais acomodados que ‘estudante é para estudar’. E essa era a luta mais difícil, porque a maioria costuma ter afeição irrestrita por diplomas e títulos. Talvez um hábito ancestral do nosso país.

     Também estudávamos muito e queríamos os nossos diplomas, mas acreditávamos que a participação política faz o cidadão desde a universidade. Ou antes.

     Quando nos sentíamos demasiadamente oprimidos, íamos para algum lugar do campus, de preferência para a Casa do Estudante. Ali podíamos respirar. E conversar. Conversar baixo, com uma música ao lado para atrapalhar as escutas.

     Outra possibilidade era buscar o refúgio do padre Clarindo, que estava sempre com o salão da igreja aberto para quem necessitava de apoio espiritual e material.

     Apesar de todo esse jogo entre sistema e alunos do movimento estudantil, entre a ditadura e estudantes, nunca tivemos o campus invadido, militarizado.

     Nunca algo como o que está acontecendo na USP ocorreu em Santa Maria da Boca do Monte. Talvez tenha acontecido em outras universidades brasileiras, porque foram os estudantes que derrubaram aquela ditadura – com o apoio fingido de políticos apodrecidos e de um operariado quase omisso, como o de hoje, manipulado por centrais sindicais.

     Mas estudantes se formam, a vida política do país é aparentemente normalizada, civis alcançam o poder e passam a agir com o apoio dos militares; favelas são invadidas, opositores de verdade são assassinados, ou ameaçados de tal forma que precisam deixar o país, marginaliza-se a pobreza, oferecem-se brinquedos eletrônicos para a massa da classe média, em troca de silêncio e passividade de rebanho, compram-se os líderes operários e os membros do Congresso, forjam-se eleições em urnas eletrônicas que garantem a vitória dos mais apreciados da mídia, entrega-se a base de Alcântara à NASA, barganha-se o território brasileiro, o desmatamento acelerado é parte da política do governo entreguista, a pornografia é oficializada e a destruição da língua portuguesa é uma das metas do MEC, usinas gigantescas são construídas para favorecerem o governo e um grupo de empresários, desagregando o ecossistema da Amazônia e desrespeitando os direitos das populações indígenas, o ensino e a saúde são colocados em último plano...

     E as universidades são militarizadas, com o apoio dos estudantes aliados do sistema de agora.

     Jamais os militares da ditadura imaginaram um entreguismo e um fascismo tão descarado.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

PREPARA-SE A GUERRA



Prepara-se a guerra. Estados Unidos, Inglaterra e Israel comunicam ao mundo que invadirão o Irã. Só não sabem exatamente o dia certo. A grande questão é o dia certo, porque está tudo sendo planejado. Israel utilizará os seus mísseis de longo alcance, provavelmente com ogivas nucleares. Estados Unidos e Inglaterra darão o apoio tático necessário, por terra, mar e ar.

     Já estão cansados do que chamam de “regime dos aiatolás”. Essa coisa de Islamismo é muito perigosa para o império. Principalmente quando resolve desmascará-lo. Fizeram o teste com a Líbia de Kadhafi e deu certo. A Síria é o próximo alvo, depois o Irã. Ou o contrário. O importante é que os regimes que tem como base a religião muçulmana desmoronem através das redes sociais ou sejam desmoronados através da guerra.

     O Islã é o último inimigo do império. Ou melhor, o império coloca-se como inimigo declarado do Islã. Prepara-se a guerra e nada poderá impedi-la. Nem os desempregados dos Estados Unidos, nem os indignados da Europa.

     O sistema capitalista tem o mau hábito de fazer guerras sempre que entra em crise. Por duas razões. A primeira é a destruição do inimigo. A segunda é tentar unir o povo, com o apoio da mídia amestrada, em torno de uma causa comum. Com uma bela guerra acabam-se as indignações, porque acena-se para o povo que o botim será dele e que terá empregos e riquezas resultantes do saque.

     O império não sobreviveria sem os seus grandes exércitos, porque é devido a eles que se impõe. Como não fazer a guerra se a gigantesca indústria bélica assim o exige?

     É simples fazer a guerra. Primeiro cria-se uma crise mundial; depois aponta-se para o inimigo como principal responsável pela crise. A mídia ufanista dirá que o inimigo deverá ser destruído para que a crise acabe. Os países em crise unem-se. O povo dos países em crise sente-se na obrigação moral de concordar com o que os donos da guerra dizem que é o certo. E os movimentos anti-capitalismo que estão surgindo por toda a parte serão dissolvidos.

     Na verdade, não são verdadeiros movimentos anti-capitalismo. São movimentos de desespero. Os povos dos grandes países, depois de décadas de crescimento, estão conhecendo a fome e o desemprego. Estão percebendo que vivem em um sistema bancário, apelidado de democrático. São movimentos de conscientização.

     Foi assim em 1914 e em 1939 e em outras datas igualmente famosas. Crises recessivas e depois a guerra. Depois, será fácil demonizar o inimigo vencido.

     A guerra ou a implosão do capitalismo, que já esteve por implodir várias vezes, mas optou pela guerra.

     Os indignados do mundo inteiro continuarão indignados, mas quietos. O sistema aposta na sucessão das gerações, nos brinquedos tecnológicos e nas redes sociais para apaziguar as pessoas. Para amansá-las.

     Será perfeito para o sistema uma guerra logo após o Natal, no ano em que o mundo deverá acabar. Os mais crentes acreditarão que é somente o fim do mundo. E rezarão.
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