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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A HERANÇA DE GETÚLIO VARGAS


Nascido a 19 de abril de 1882, sentou praça aos 16 anos (1898), em São Borja, sua cidade natal. Com a patente de sargento, em 1902, participou da Coluna Expedicionária do Sul, que se deslocou para Corumbá, durante a disputa entre Bolívia e Brasil pela posse do Acre. Em 1904, matriculou-se na Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre, atual UFRGS. Bacharelou-se em Direito em 1907. Trabalhou como promotor público junto ao Fórum de Porto Alegre, mas preferiu exercer a advocacia em sua cidade.

     Casou-se em 1910 com Darcy Lima Sarmanho, com quem teve cinco filhos. O casamento uniu as duas principais famílias rivais de São Borja. A família de Darcy era maragato (Federalista) e a de Getúlio chimango (do Partido Republicano Rio-Grandense). Foi eleito deputado estadual duas vezes, mas renunciou ao segundo mandato em protesto contra Borges de Medeiros.

     Foi ministro da Fazenda de Washington Luís, em 1926, implantando a reforma monetária e cambial daquele governo. Deixou o cargo, em 1927, para candidatar-se à presidência do Rio Grande do Sul. Elegeu-se presidente (governador) com um discurso de conciliação, substituindo a Borges de Medeiros. Em 1930, os dois partidos gaúchos – chimangos e maragatos – marcharam juntos para acabar com a República Velha. O Brasil começava a ser construído.

     A revolução teve início a 3 de outubro de 1930 e no dia 3 de novembro, Getúlio Vargas tomava posse no Palácio do Catete.

     No dia 26 do mesmo mês decretou a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. Depois, sucederam-se muitas medidas de proteção ao trabalhador, novas modalidades de concessão de férias. Em 21 de março de 1932, institui a Carteira Profissional do Trabalho, retirando os conflitos de patrões e empregados das delegacias de polícia. No documento constava a ocupação do trabalhador, seu salário e o direito de filiar-se a um sindicato, dados pessoais, representando o reconhecimento de sua cidadania. Regularizou o horário de trabalho do comércio e na indústria; regularizou as condições de trabalho das mulheres na indústria e no comércio; instituiu a Convenção Coletiva do Trabalho; disciplinou a condição de trabalho dos menores na indústria.

     Foi só o início. O gigante pela própria natureza erguia-se, assustando aqueles que sempre desejaram o Brasil deitado eternamente em berço esplêndido – talvez numa rede, como Macunaíma ou o Jeca Tatu. Para as demais realizações de Getúlio remeto o leitor a matéria deste blog - “GETÚLIO, UM BRASILEIRO” -  http://fausto-diogenes.blogspot.com.br/2011/08/getulio-um-brasileiro.html 

     A herança de Getúlio Vargas – o nacionalismo, também chamada de trabalhismo – foi golpeada em 1964, dez anos após a sua morte. Os militares que deram o golpe disseram que era um movimento revolucionário para salvar o Brasil do comunismo – provavelmente uma frase fabricada em Washington, durante o período de preparação do golpe militar, no pior momento da guerra fria entre Estados Unidos e aliados contra União Soviética e aliados.

     Naquele tempo, o Brasil era governado por João Goulart, legítimo continuador das ideias de Vargas, que também eram as ideias de Perón, na Argentina, e de muitos outros chefes políticos mundo afora, que não se alinhavam com nenhum dos dois imperialismos e procuravam uma terceira via independente.

     Já previam os ideólogos do imperialismo norte-americano que, a continuar assim, o Brasil - e muitos outros países do Terceiro Mundo – estava a encontrar um caminho muito distante da prescrição liberal “democrata”, que deseja o Estado como um gerente das multinacionais que o governam e não como o defensor do seu povo e das riquezas naturais do país.

     Não lhes servia um Estado voltado para a nação e para o território nacional. Queriam uma nova “abertura dos portos”, uma entrega total às “aves de rapina” que Getúlio Vargas cita em sua carta-testamento. Atualmente, a rapina é muito grande, com os governos neoliberais que se sucedem, fazendo questão de entregar o Brasil, dilapidar o nosso patrimônio, devastar as nossas riquezas naturais e transformar o povo em uma grande massa de pessoas amestradas pela mídia vendida, tendo como única ideologia a do consumo pelo consumo. Um povo que perdeu a sua razão de ser e que é ensinado a não pensar.

     O nacionalismo getulista era de uma grande simplicidade. Em primeiro lugar as nacionalizações. Fundou e nacionalizou a Petrobrás e a Eletrobrás para dar sustentação energética ao país e para que o Brasil pudesse iniciar uma saudável industrialização, não somente baseada nos produtos de exportação (como o café, na época) ou na reprodução dos produtos estrangeiros. Getúlio desejava um empresariado forte e criativo que pudesse competir através de produtos genuinamente nacionais.

     Pagar royalties por serviços que podemos fazer e bens que podemos fabricar é sinal de subserviência. Pior ainda é receber royalties pela exploração dos nossos produtos.

     Ele entendia que o trabalhador deveria ser assistido pelo Estado e criou as leis trabalhistas , junto com o salário mínimo e a previdência social. Um trabalhador saudável e bem remunerado deveria ser o sustentáculo de um forte empresariado que moveria o aé então inexistente desenvolvimento do país. Não o assistencialismo, mas o reconhecimento da força do trabalho.

     Suas realizações foram combatidas desde o início, porque os empresários brasileiros preferiam – e ainda preferem – continuar atrelados ao capital estrangeiro; detestavam – e ainda detestam – o tabalhador organizado, porque o queriam escravizado.

     Getúlio Vargas propôs a independência verdadeira, não o estéril grito o Ipiranga. Eles protestaram e conspiraram até derrubar Getúlio, em 1945 e o obrigarem ao suicídio em 1954. Eles, os que o derrubaram e mataram, preferiam e ainda preferem agir como meretrizes sustentadas pelo cafetão norte-americano.

     Antes de 1964 – a data em que as aves de rapina atacaram –, quando do governo de João Goulart, o nacionalismo brasileiro procurava expandir-se. A reforma agrária estava sendo feita para que o trabalhador do campo ficasse no campo e não fosse aumentar os bolsões de miséria das grandes cidades. Era parte das reformas de base, que pretendiam dar o Brasil para os brasileiros.

     Darcy Ribeiro sonhava com um novo povo – forte, através da miscigenação, revigorado pela identificação das suas origens. Paulo Freire, ministro da Educação, começava a implantar o seu método de ensino revolucionário, que fazia do trabalhador não um autômato alienado, mas consciente e participante da própria realidade.

     Em 1964, com a desculpa de “combater o comunismo” – que nunca souberam exatamente o que significava – os militares brasileiros patrocinados por Wall Street e custodiados pela IV Frota dos Estados Unidos tomaram o poder no Brasil. O nacionalismo brasileiro era demasiado brasileiro, necessitava de um pouco de internacionalismo, de uma boa dose de globalização.

     Depois da “abertura política” – na realidade, um pacto entre as elites conservadoras e as nem tanto com os militares – sucederam-se os governos entreguistas com presidentes civis. Quando chegou ao poder, o PT já era um partido da direita festiva travestida de esquerdismo moderado. O PTB, partido de Getúlio Vargas e de João Goulart foi entregue a grupos interessados em alianças com o poder. O PDT, partido fundado por Leonel Brizola, tansformou-se, depois da morte de Brizola, em um saco de gatos que miam por secretarias e ministérios.

     Os trabalhadores estão manietados por sindicatos alienantes; lutam apenas por salários, ouvem música country abrasileirada e tem adoração por futebol.

     O Brasil morreu ou está hibernando porque o seu povo morreu – ou está hibernando em estado de ficção.

     Mas a herança de Getúlio Vargas está intocada, simples, realizável. Talvez à espera de uma nova geração de verdadeiros brasileiros.

     Na madrugada de 24 de agosto de 1954, Getúlio Vargas suicidava-se, depois de uma última reunião com o seu ministério. Naquela ocasião, abandonado por todos, depois de Tancredo Neves aconselhar a renúncia, disse que só morto sairia do Palácio do Catete. Assinou a carta que, mais tarde, seria apelidada de carta-testamento, retirou-se para o seu quarto e deu um tiro no coração. No último parágrafo da carta está escrito:

     “E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História." (Rio de Janeiro, 23/08/54 - Getúlio Vargas).

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

GETÚLIO, UM BRASILEIRO


Foi jornalista nos seus tempos de estudante de Direito. Era positivista e acreditava na doutrina de Auguste Comte, assim como toda a sua geração. Formou-se como bacharel e pouco atuou na advocacia; logo foi indicado para o cargo de promotor, onde ficou pouco tempo. A sua vocação era a política. Foi eleito como deputado federal e no Rio de Janeiro percebeu como a nossa pátria estava entregue aos interesses de paulistas, mineiros e cariocas. Como hoje.

     Mais tarde, como Presidente do estado do Rio Grande do Sul, que equivalia a Governador, liderou uma revolução, em 1930, liquidando com a República Velha e com feudalismo dos estados em relação à União. No poder, sentiu que não tinha poder. O Brasil não era dos brasileiros, e o seu governo, as suas idéias e a razão de ser da revolução somente teriam alguma força se fossem apoiados pela legítima força do povo.

     Mas o povo não sabia que tinha força ou que poderia ter força. Acostumara-se a ser escravo das oligarquias que desejavam se eternizar. E foram essas oligarquias que o combateram em 1932, porque se sentiam ameaçadas por um poder que para elas era estranho e começava a acontecer a partir do apoio popular.

     Mas foram derrotadas, porque naquela época, o Brasil tinha militares nacionalistas. Com a vitória, consolidou-se o poder. Criou o Ministério da Indústria e Trabalho, o Ministério da Educação, o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação e Cultura. Criou o primeiro Código Eleitoral do Brasil, o voto secreto, o voto feminino e a Justiça Eleitoral. Outorgou a constituição de 1934, ampliou os direitos trabalhistas, consolidando-os pela CLT. Criou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Correio Aéreo Militar, depois Correio Aéreo Nacional e o Departamento de Aviação Civil.

     Disciplinou o ensino superior no Brasil, criou o Departamento Nacional do Café, o horário de verão e o Departamento de Correios e Telégrafos (ECT). Regulamentou, no Brasil, o exercício da medicina, odontologia, medicina veterinária, da enfermagem e da profissão de farmacêutico. Instituiu, através do decreto nº 21.175, a carteira de trabalho, ou carteira profissional. Foi garantida, aos trabalhadores do comércio, a jornada de trabalho de 8 horas diárias e 48 horas semanais. Essa duração da jornada de trabalho foi estendida aos trabalhadores da indústria.

     Criou o Instituto Nacional do Açúcar e do Álcool, o Código Florestal, o Instituto Nacional de Estatística (IBGE), o Código da Águas.

     Regulamentou a sindicalização das classes patronais e operárias, tornando-se obrigatória a aprovação dos estatutos dos sindicatos trabalhistas e patronais pelo Ministério do Trabalho. Regulamentou, através de decreto, a concessão de férias aos empregados em estabelecimentos comerciais e bancários e em instituições de assistência privada bem como em secções comerciais de estabelecimentos industriais, assim como também regulamento a concessão de férias aos empregados na indústria, sindicalizados.

     Criou o Banco Central e em agosto de 1931, foi declarada uma moratória e renegociada a dívida externa brasileira, com um "Funding loan" de 3 anos, contado a partir de outubro de 1931, autorizado, em 2 de março de 1932, pelo decreto nº 21.113.

     Foram abolidos e proibidos, em 17 de maio de 1932, pelo decreto nº 21.418, os antiquados impostos sobre o comércio interestadual e sobre o comércio intermunicipal, extinguindo-se as barreiras nas fronteiras interestaduais.Também, no mesmo dia, o decreto nº 21.417-A, regulamentou as condições do trabalho das mulheres nos estabelecimentos industriais e comerciais, ordenando que se pagasse, a elas, salários iguais aos dos homens e proibindo o trabalho a gestantes, um mês antes e um mês após o parto.

     Foi proibido, em 7 de abril de 1933, os juros bancários abusivos, através do decreto nº 22.626, conhecido como lei da usura, não revogado até hoje. Em 15 de janeiro de 1934, pelo decreto nº 23.746, é revogado o decreto nº 4.743, de 1923, que era uma lei sobre crimes de imprensa muito repressiva, chamada de "lei infame", e são anistiados todos os condenados por aquele decreto. Em 1934, é iniciada a construção do Aeroporto Santos Dumont no Rio de Janeiro. As obras foram concluídas em 1936.

     Em 10 de julho de 1934, o decreto nº 24.645 estabelece medidas de proteção aos animais. Este decreto ficou conhecido como "lei de proteção aos animais". Está ainda em vigor.

     Antes do seu governo o Brasil não existia. Ou existia apenas para os latifundiários, banqueiros, usineiros e empresários. Como hoje.

     Criou a Carteira de Crédito Agrícola e Industrial do Banco do Brasil, a qual, pela lei nº 454, de 9 de julho de 1937, passou a captar recursos no mercado de capitais e nos fundos de pensões, para finaciamento da agricultura e da pecuária.

     Estatizou o Lloyd Brasileiro, pelo decreto nº 1.708, que explorava a navegação de cabotagem de médio e longo curso, dando início a um período longo de estatizações que se prolongou, no Brasil, até à década de 1980.

     Criou o Conselho Nacional do Petróleo, o Departamento Administrativo do Serviço Público pelo decreto-lei nº 579, de 30 de julho de 1938, com o objetivo de racionalizar a administração pública e que foi extinto, pelo decreto nº 93.211, de 3 de setembro de 1986, a Companhia Siderúrgica Nacional, a Companhia Nacional de Álcalis pelo decreto-lei nº 5.684, de 20 de julho de 1943, a Companhia Vale do Rio Doce pelo decreto-lei nº 4.352, de 1 de junho de 1942, o Instituto de Resseguros do Brasil pelo decreto-lei nº 1.186, de 3 de abril de 1939, a Companhia Hidrelétrica do São Francisco, o Conselho Federal do Comércio Exterior, a lei da sociedade anônima e a Estrada de Ferro Central do Brasil, através do decreto-lei nº 3.306, de 24 de maio de 1941, foi reorganizada como autarquia e ampliadas suas funções.

     Criou Ministério da Aeronáutica e da FAB, a construção de um novo quartel-general do exército, de novos quarteis e vilas militares, da nova escola militar em Resende (AMAN), criação de fábricas de armamentos para reduzir a dependência externa e novas leis de organização do exército, de promoções, de ensino, montepio e o Código de Justiça Militar.

     Criou o Código Brasileiro do Ar, para regular o transporte aéreo, que vigorou até 1966.

     Pelo decreto-lei 395 de 29 de abril de 1938, declarou de utilidade pública o abastecimento nacional de petróleo, tornou de competência exclusiva do governo federal a regulamentação da indústria do petróleo e criou o Conselho Nacional do Petróleo. Em 1939, em Lobato (Salvador), na Bahia, pela primeira vez, no Brasil, foi extraído petróleo.

     Foi promulgado o Código Penal Brasileiro, a Lei das Contravenções Penais, o Código de Processo Penal Brasileiro. Foi criado o Código Brasileiro de Trânsito. O Código de Processo Civil, de 1939, ainda vigora parcialmente. Pelo decreto-lei nº 1.985, de 29 de janeiro de 1940, é instituído o Código de Minas, que teve vigência até 1967, quando foi substituído pelo Código de Mineração. O Decreto-Lei nº 7.661, de 21 de junho de 1945, estabeleceu a Lei de falências, que vigorou até 2.005. Pelo decreto-lei nº 2.994, logo substituído pelo decreto-lei nº 3.651, foi criado o primeiro código nacional de trânsito brasileiro.

     Criou a Justiça do Trabalho, no dia 1 de maio de 1939, pelo decreto-lei nº 1.237. Criou o salário mínimo, e concedeu a estabilidade no emprego do trabalhador, após de dez anos no emprego.

     Foi golpeado em 1945 pelos militares brasileiros que voltavam da II Guerra Mundial e que desejavam seguir o imperialismo norte-americano.

     Voltou ao poder em 1950, por eleições livres e diretas e enfrentou uma incansável campanha difamatória financiada pelos Estados Unidos e promovida pela CIA, que tinha agentes no Congresso, como Carlos Lacerda, apelidado de “Abutre”.

     Mesmo assim, naquele período conturbado e tendo contra si a imprensa que já se tornava, naquela época, seguidora entusiasta da ideologia estadunidense, conseguiu várias realizações:

     • A lei nº 1.521, de 26 de dezembro de 1951, sobre crimes contra a economia popular, ainda em vigor.

     • A lei nº 1.522, de 26 de dezembro de 1951, que autoriza o governo federal a intervir no domínio econômico para assegurar a livre distribuição de produtos necessários ao consumo do povo. Esta lei foi substituída pela lei delegada nº 4, em 26 de setembro de 1962.

     • O decreto nº 30.363, de 3 de janeiro de 1952, que dispôs sobre o retorno de capital estrangeiro, limitando-o a 8% do total dos lucros de empresas estrangeiras para o país de origem, revogado em 1991.

     • O decreto nº 31.546, de 6 de outubro de 1952, regulamentou o trabalho do menor aprendiz e vigorou até 2005.

     • A lei nº 1.802, de 5 de janeiro de 1953, que definia os crimes contra o Estado e a Ordem Política e Social, e que revogava a Lei de Segurança Nacional de 1935. A lei 1.802 vigorou até 1967 quando foi substituída por outra Lei de Segurança Nacional.

     • A lei n° 2004, de 3 de outubro de 1953, sobre o monopólio estatal da exploração e produção de petróleo, revogada em 1997.

     • A lei nº 2.083, de 12 de novembro de 1953, sobre a Liberdade de imprensa que vigorou até 1967.

     • A Instrução Sumoc (Superintendência da Moeda e do Crédito) nº 70, de 1953, que criou o câmbio múltiplo e os leilões cambiais.

     • Em 20 de junho de 1952, pela lei nº 1.628, o BNDE, atual BNDES.

     • Em 19 de julho de 1952, pela lei nº 1.649, o Banco do Nordeste.

     • Pela lei nº 1.779, de 22 de dezembro de 1952, o IBC (Instituto Brasileiro do Café), o qual foi extinto em 1990.

     • Em 1953, a PETROBRAS, no aniversário da Revolução de 1930, 3 de outubro, pela citada lei nº 2.004.

     • Em 29 de dezembro de 1953, a lei nº 2.145, criou a CACEX, "Carteira de Comércio Exterior" do Banco do Brasil.

     • Em 11 de janeiro de 1954, foi criado o seguro agrário, pela lei nº 2.168, não revogada até hoje.

     Sancionou a lei nº 2.252, de 1 de julho de 1954, que dispunha sobre a “corrupção de menores”, esta lei vigorou até 2009, revogada pela lei nº 12.015.

     Era demais para os abutres de plantão, que pressionaram o seu governo com uma gigantesca campanha de desinformação. Na noite de 23 de agosto de 1954 reuniu o seu ministério pela última vez e pediu a todos que cumprissem com o seu dever. Na ocasião, um dos seus ministros, chamado Tancredo Neves, disse que a única solução seria a sua renúncia. Ele retrucou que somente morto sairia do Palácio do Catete. O seu corpo foi encontrado na manhã seguinte. Teria sido suicídio, informa a História oficial.

     Seu nome era Getúlio Vargas, um brasileiro.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O FIM DO CONGRESSO E A DITADURA CIVIL



Uma ditadura caracteriza-se principalmente pela inexistência de oposição. O Brasil sofreu durante quase trinta anos sob uma ditadura militar, que, ao final, por se sentir exaurida, permitiu o que foi chamado à época de uma “oposição consentida”.

     Uma oposição sem força alguma, apenas para constar, porque os militares insistiam que o nosso era um país democrático e queriam enganar ao povo ou a quem desejasse ser enganado e também tentavam enganar a opinião pública do exterior ao mostrar que aqui havia eleições e até uma oposição.

     Alguns dos supostos opositores gostaram de ser oposição daquela maneira. Era uma maneira de ganhar dinheiro sem fazer nada, apenas discursos de vez em quando. Quando muito. Formaram-se (o governo militar formou) dois partidos: A ARENA (Aliança Renovadora Nacional) – onde se reuniram todos os políticos aliados dos militares – e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) – onde se reuniram todos os opositores que consentiram em fazer parte da palhaçada - e foram feitas eleições municipais e estaduais para as assembléias estaduais e para o Congresso Nacional.

     O governo tinha um forte apoio da Rede Globo e das demais mídias autorizadas por ele, que insinuavam que se a ARENA não fosse bem votada poderia haver um golpe em cima dos golpistas. E a ARENA era bem votada, porque, como todos sabem, no Brasil as pessoas tem preguiça para raciocinar e acreditam que as coisas se ajeitam por si mesmas, ao andar da carruagem. É um hábito brasileiro o de aceitar qualquer tipo de política e qualquer tipo de político.

     E a ARENA era bem votada e por um bom tempo foi maioria no Congresso Nacional e elegia muitos governadores e prefeitos. Depois de algum tempo com essa experiência política, o sistema decidiu concordar com a “abertura política”, com eleições para presidente. Para que isso acontecesse conforme o combinado entre governo e “oposição” foi montado todo um aparato para convencer o povo que era chegado o momento de eleições diretas para presidente.

     Chico Buarque & Cia. visitaram várias capitais fazendo showmícios pelas Diretas Já; fizeram-se passeatas, devidamente dispersadas pela polícia, concordou-se que os exilados – já amansados – poderiam voltar ao Brasil e, por fim, fizeram-se eleições para presidente da República.

     Eleições indiretas. Foi eleito Tancredo Neves, que não era exatamente de esquerda – longe disso! – mas tinha sido do velho PTB nacionalista e aquele que tinha recomendado Getúlio Vargas a renunciar, em agosto de 1954, na última reunião ministerial daquele trágico governo. Após aquele conselho, Getúlio subiu para o seu quarto, no antigo Palácio do Catete, assinou a carta-testamento e preferiu o suicídio.

     Portanto, Tancredo Neves era perfeitamente aceitável para o sistema e a mídia o apoiava. Mas, às vésperas de ser empossado, sofreu o que apelidaram de diverticulite, doença que o levou à morte em poucos dias. Fafá de Belém cantou o Hino Nacional na Globo, após a notícia do falecimento de Tancredo, e todo o povo brasileiro compungiu-se com a morte daquele que prometia ser o salvador da pátria. Assumiu o vice-presidente, José Sarney, para gáudio dos militares. O acordo entre as oligarquias civis e militares estava fechado.

     Naquela época, o PT apenas espreitava, vestido de vermelho e prometendo moralizar o país no dia em que Lula fosse eleito Presidente. E Lula foi eleito Presidente quando já tinha se transformado no “Lulinha paz e amor” e tornou-se grande amigo de banqueiros, empresários, latifundiários, do FMI, dos Estados Unidos, e fez do seu governo de oito anos um misto de populismo com neo-liberalismo – o que muito agradou o império.

     É claro que nas reuniões entre petistas, aquelas reuniões entre os líderes, eles reafirmavam uns para os outros que eram de esquerda – não uma esquerda marxista, porque o sistema tinha avisado que o marxismo deveria acabar e eles tinham que obedecer ao globalizado sistema mundial, mas uma esquerda Fabiana, propondo a aliança entre o capital e o trabalho. Ou seja, exatamente uma postura anti-marxista. E isso muito agradava a todos os líderes petistas, que teriam como principal trabalho o de enganar o povo que neles votava.

     Tão bem o povo foi enganado e tão bem funcionaram aquelas estranhas máquinas chamadas de urnas eletrônicas, que somente são adotadas no Brasil e mais em um ou dois países, que o PT, nas últimas eleições, não só elegeu a desconhecida Dilma como conseguiu ampla maioria nas duas casas do Congresso.

     E voltamos à ditadura.

     Uma ditadura civil, mas ditadura. O governo e todo o sistema que o ampara e guarda – porque é um governo fabricado em aliança com o sistema – faz o que bem entende.

     Comprou o PMDB, o maior partido do Congresso, com ministérios e inúmeros cargos, e mais alguns partidos menores para formarem o que é chamado de base aliada e todas as leis que deseja são aprovadas no Congresso, porque a oposição é mínima, quase inexistente. E um país onde quase não existe oposição é um país com governo ditatorial.

     E na ditadura quase tudo pode ser feito por quem está no poder. Desde a usina hidrelétrica de Belo Monte – que provocará um dos maiores impactos ambientais do mundo – até a entrega total da Amazônia e a destruição da Mata Atlântica para servir aos interesses do agronegócio.

     A desvalorização do trabalho através de salários aviltados foi o primeiro sinal de que o PT se encaminhava para uma ditadura de direita, uma ditadura em que o povo apenas pensa que governa, através das eleições.

     Mas o que mais está marcando a ditadura petista é o fato de a direita oficial – DEM E PSDB – estar, agora, quase com um discurso de esquerda moralista, e a esquerda representada pelo ínfimo PSOL, que parecia, a princípio, que seria um segundo PSB inócuo ou um PC do B que baixa a cabeça e se curva, estar radicalizando e firmando as suas posições marxistas.

     Mas nada disso adianta. Ditadura é ditadura e o PT governa através de medidas provisórias, que funcionam como decretos-leis, e faz as leis que bem entende serem aprovadas no Congresso. E tem o STF ao seu lado, porque o Supremo é apenas um apêndice do Executivo, formado por juízes por ele nomeados.

     Breve, seremos iguais aos Estados Unidos, um país imperialista tentando dominar a América do Sul, com um povo formado por torcedores do futebol. Com a pequena diferença de que nos Estados Unidos o povo é formado por torcedores de basquete e beisebol.

     Hoje, o Congresso apenas funciona na aparência, porque por mais que a oposição lute contra medidas provisórias ou leis inconstitucionais o seu peso é zero e estamos sob uma ditadura civil apelidada de democracia. Como nos velhos tempos da ditadura militar.

domingo, 24 de outubro de 2010

A GLOBO, O PT E A MULHER DE CÉSAR


Durante a república romana, em 73 a. C. quando Júlio César recentemente tinha sido eleito Pontifex Maximus (sacerdote supremo) ocorreu em sua casa uma festa ao deus Baco, reservada somente às mulheres. O jovem Publius Clodius, apaixonado por Pompéia, mulher de César, conseguiu penetrar na festa vestindo-se de mulher, mas foi descoberto pela mãe de Pompéia. Publius Clodius foi acusado de sacrilégio, julgado e absolvido, mas Júlio César divorciou-se de Pompéia. Perguntado pelos senadores porque tinha se divorciado, se não ficara provado o adultério, César respondeu com a célebre frase: “Não basta que a mulher de César seja inocente, ela tem que parecer inocente”.

     Muitas tem sido as interpretações dessa frase de Júlio César, principalmente o papel que diz respeito aos governantes. Mas devemos ater-nos à época. César era o Pontifex Maximus de Roma, título que significava O Sacerdote supremo do Colégio dos Sacerdotes, a mais alta dignidade romana. Literalmente, significava “Máximo” ou “Supremo” construtor de pontes. Simbolicamente, significava que o Pontifex seria o construtor das pontes entre os deuses e os homens. Também poderia ser interpretado como o preparador da estrada, porque a palavra pont em etrusco significa estrada, sendo a palavra romana uma distorção da palavra etrusca.

     A residência oficial do Pontifex Maximus era a Domus Publica, situada entre a Casa das Virgens Vestais e a Via Sacra. O Pontifex Maximus usava as vestes brancas (daí a expressão vestal, que significa pureza e refere-se ao culto à deusa Vesta – que simbolizava a perenidade do Estado), o anel e o báculo, quando de cerimônias importantes do seu cargo.

     Foi na Domus Publica, casa do Pontifex Maximus – Julio César – que se realizou a cerimônia a Baco, que era restrita somente às mulheres, na ocasião em que Clodius foi preso e acusado, justamente, de sacrilégio. O fato de ele, Clodius, estar apaixonado por Pompéia Sula, mulher de César – motivador da sua invasão, disfarçado de mulher – foi secundário. Clodius foi absolvido porque era de uma família patrícia, jovem demais e porque tinha sido descoberto a tempo, antes da realização dos mistérios principais da cerimônia a Baco.

     Acredito que a atitude de César, divorciando-se de Pompéia, foi perfeita. Ele, como Pontifex Maximus, não poderia continuar casado com uma mulher sobre a qual pairasse a menor suspeita.

     Atualmente, a frase de César é usada no sentido de honradez, sempre que um governante é suspeito de alguma atitude ilícita. Mas, principalmente no Brasil, percebe-se muita pouca honra entre os governantes. E, por exemplo, um Presidente da República ou um(a) aspirante ao mesmo cargo dificilmente poderia, em sã consciência e com a mente pura, vestir as vestes brancas.

     Tivemos um único caso em que um Presidente brasileiro – Getúlio Vargas - preferiu o suicídio a deixar a sua honra ser maculada. Mas eram outros tempos, outra geração e tratava-se de uma pessoa ímpar na História brasileira.

     Observem os fatos de agora, vésperas das eleições presidenciais do segundo turno.

     Erenice Guerra, bacharel em Direito, Ministro-chefe da Casa Civil entre abril e setembro de 2010. Pediu demissão do cargo pelo seu envolvimento no escândalo dos cartões corporativos.

     Mas não se limita a isso. Segundo as últimas notícias, o seu filho, Israel Guerra, participou de um esquema de tráfico de influência, com cobrança de propinas e tudo o mais. No mesmo escândalo estão envolvidos mais um irmão e uma irmã de Erenice, por contratos sem licitação.

     Poderia ficar somente na família de Erenice, não fosse o fato de ela ser auxiliar direta de Dilma Roussef durante a pré campanha da candidata. Mais que isso. Além da família de Erenice também está envolvido no mesmo escândalo Márcio Luiz Silva, que integra a coordenação jurídica da campanha de Dilma Roussef.

     Agora, aparece o nome do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, apontado pela Polícia Federal como o responsável por encomendar a quebra de sigilo fiscal de pessoas ligados ao candidato oposicionista José Serra. E tudo aponta para Dilma Roussef, que nega tudo – é claro.

     Mas a informação mais recente é o indiciamento do próprio Partido dos Tabalhadores e de Gilberto Carvalho, assessor do gabinete do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

     O assessor e o PT viraram réus num processo em que são acusados de participarem de uma quadrilha que cobrava propina de empresas de transporte na prefeitura de Santo André para desviar R$ 5,3 milhões dos cofres públicos. O esquema é o precursor do mensalão do governo petista em Brasília.

     Conforme o site br.eleições - http://br.eleicoes.yahoo.net/noticias/4457/chefe-de-gabinete-de-lula-vira-r-u-em-caso-de-corrup-o.html - literalmente:

     “A decisão judicial em acatar a denúncia foi celebrada ontem pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) da região do ABC, responsáveis pela investigação. "Ao receber a denúncia, a Justiça reconhece que há indícios para que a ação corra de verdade. É um caminho importante para resgatarmos o dinheiro desviado", disse ao jornal O Estado de S.Paulo a promotora Eliana Vendramini. Ela destaca que a Justiça decidiu aceitar a denúncia depois de ouvir a defesa de todos os acusados nos últimos três anos.

     “De acordo com a ação, o assessor de Lula transportava a propina para o comando do PT quando era secretário de governo do então prefeito de Santo André, Celso Daniel, assassinado em janeiro de 2002. "Ele concorreu de qualquer maneira para a prática dos atos de improbidade administrativa na medida em que transportava o dinheiro (propina) arrecadado em Santo André para o Partido dos Trabalhadores", diz a denúncia aceita pela Justiça. Segundo a investigação, os recursos eram entregues ao então presidente do PT, José Dirceu.”

     E há quem se pergunte: “Mas o Lula não renuncia?” “O Governo não cai?”.

     Não. Nem o Lula renuncia nem o governo cai, nem a Dilma aceita que todos aqueles indiciados no caso dos cartões corporativos e da quebra do sigilo fiscal dos adversários políticos tenham alguma relação com ela.

     Ela e o Lula são inocentes. Os outros é que poderão ser culpados. Talvez.

     Também não é uma notícia que saia na Globo. No máximo, uma ou duas linhas, sem nenhuma ênfase, no caso de muitas evidências. Por que a Globo? Porque a Globo é o próprio Sistema.

A GLOBO E O PT

     Outros tempos. Lembro quando a Globo quis tirar o Collor: foi questão de dias. Inclusive, o Collor foi absolvido depois. Mas já estava fora do poder, depois de renunciar e, no dia seguinte ser votado o seu impeachment. E, no entanto, as provas eram fracas, insuficientes.

     Agora, sobejam. Mas qual o interesse de uma grande rede de comunicação em revelar as sujeiras de um governo que lhe é fiel?

     Os militantes do PT até hoje atacam a Globo, mas deve ser por vício ou por ofício.

     Quando Lily Marinho, viúva de Roberto Marinho, das Organizações Globo, recebeu Dilma Roussef, no início do ano, ficou muito encantada.

     A Folha de São Paulo relata:

     “Dilma se sentou perto de Lily, em cadeira de rodas por causa de uma queda. "Que tipo de música você gosta?", perguntou a anfitriã. "Clássica. Gosto de Bach", respondeu a candidata. "Ela toca piano e fala francês", revelou uma amiga de ambas a Lily. "Eu tinha curiosidade de conhecê-la", explicava Lily.

     “Não, repetia, ela não vai oferecer almoço a José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV), adversários de Dilma na campanha presidencial. "Eu não sou política. Se ficarem com ciúmes, o que posso fazer? Nada."

     “Aos poucos, o quorum aumentou. "A Lily estava um pouco ansiosa porque muitas têm até medo de chegar perto do PT e da Dilma. Mas todo mundo está chegando, graças a Deus", dizia uma amiga da anfitriã.

     “Na hora do almoço, Dilma e Lily dividiram a mesa com a economista Maria da Conceição Tavares, a escritora Nélida Piñon, a produtora Lucy Barreto e a colunista Hildegard Angel, entre outras.

     “A conversa girou em torno de amenidades. "Todos os candidatos homens já fizeram plástica. To-dos", dizia Dilma. E as pesquisas eleitorais? "Deixa eu ficar no empate [com Serra] que tá bom", respondeu a petista. No cardápio, tartare de salmão com maçã e funcho e filé de cherne com banana caramelada, passas e urucum do chef Claude Troisgros.

     “Antes da sobremesa, Lily leu um rápido discurso. Disse que ofereceu o almoço para homenagear "a senhora D, a senhora democracia".

     “E que seria um privilégio ouvir "a outra senhora D, Dilma Rousseff, que se propõe a ser a primeira mulher presidente do Brasil".

     “Dilma fez um discurso sob medida. Falou de educação, família e cultura -e das "lutas de milhares de brasileiras anônimas". "Eu acho que chegou a nossa hora!" Cantarolou com Alcione ao microfone -e se despediu de Lily: "Te espero na minha posse".”

     Nada de mais. O PT já namora com a Globo há muito tempo.

     Claudio Julio Tognoli, desvenda em sua matéria A NOVA ESTRELA alguns detalhes desse namoro:

     “A Globo "lulou" ao osso porque vai precisar da ajuda do presidente para contornar a sua caleidoscópica situação financeira. E, para sustentar essa resposta, nossa fonte de consulta é uma dissertação de mestrado defendida há dois meses na Escola de Comunicações e Artes da USP: chama-se A Média da Mídia, e o autor é o veterano repórter João Wady Cury, orientado pelo professor-doutor Carlos Marcos Avighi.”

     “Diz a dissertação de João Wady Cury que o balanço consolidado da Globopar no ano de 1998, além dessas informações, registra ainda o endividamento das empresas que formam a Globo Comunicações e Participações S/A: cerca de 3,5 bilhões de dólares, de acordo com o levantamento realizado e assinado pelos técnicos da Ernest & Young Auditores Independentes S/C. Suas principais dívidas, refere o trabalho de Cury, são decorrentes de emissão de eurobônus, commercial papers e empréstimos adquiridos junto a seus principais credores. A curto e longo prazo, seus credores são os bancos internacionais e o montante da dívida, contraída em moeda estrangeira, é de aproximadamente US$ 2,9 bilhões. Estão nesse grupo de credores o Bank of Boston, Banco Sumitomo, o Banco Mitsubishi, o Banco BBA Creditanstalt S/A, o Banco Sogeral S/A, o Unibanco e o Banco de Tokyo.

     “Agora sai também da dissertação de Wady Cury o argumento que habilitaria tecnicamente a resposta segundo a qual é instrumentalizado o "lulismo" da Globo: para instituições financeiras brasileiras, a dívida em reais soma 616,7 milhões de dólares e seu principal credor é o governo brasileiro, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), cujo montante em 1998 era de 148,7 milhões de dólares.”

     Ainda, como fonte, o site Mídia Independente:

     “Se em 1987 e em 1989 (como se vê no excelente documentário "Além do Cidadão Kane", disponibilizado na página da Central de Midia Independente) Lula criticava severamente a parcialidade e cegueira da Rede Globo de Telealienação, a emissora, sempre áulica, hoje defende os pontos de vista do PT, sempre contra o povo brasileiro.

     “Há algum tempo, o "Jornal da Globo", que passa tarde da noite e é apresentado normalmente pela Ana Paula Padrão, gozava de alguma credibilidade. Fatos recentes excluem totalmente esta pífia credibilidade...

     “Quando o noticiário nacional, em todas as outras emissoras de TV, Rádio e Jornais informavam dos problemas envolvendo a remessa escusa de divisas pelo presidente do Banco Central, assim como pelo presidente do Banco do Brasil, além de informar que o presidente do Banco Central sonegou imposto de renda e cometeu falsidade ideológica junto à Justiça Eleitoral, enquanto o presidente Kasseb, do Banco do Brasil, desviava recursos do Banco para a aquisição de uma monumental e suntuária sede para o PT, o "Jornal da Globo", na voz de Ana Paula Padrão "anunciava": "a economia finalmente atingiu a retomada do crescimento!" ou "jacaré dá luz a filhote no zoológico de Recife", ou ainda "Lula vibra com o filme Pelé Eterno!"

     “A Globo é assim: quando interessa - tem dívidas monumentais com o BNDES e não pode contrariar o governo, qualquer governo - nada de manchetes, nada de noticiário, muita auto-referência - fala-se dos atores de novelas no Faustão, fala-se de novos grupos desconhecidos de rock ou pagode, mas nada que interesse para informar a população quanto ao que de fato está acontecendo no Brasil.

     “Apenas para relembrar, durante a ditadura militar, a TV Globo foi adesista de primeira hora, sempre contra o povo brasileiro e sua censura interna sempre foi tão rigorosa que deixava atônitos os censores da ditadura!"

     Em 6 de setembro de 1987, Lula, então deputado federal, disse o seguinte: "Nós hoje somos um país com praticamente 20 milhões de crianças abandonadas. Somos um país com 16 milhões de analfabetos. Somos um país onde a história é contada pela Rede Globo de Televisão porque o senhor Roberto Marinho não faz outra coisa a não ser mentir para o povo”.

     Quando Roberto Marinho faleceu o presidente Lula disse: “"um homem que veio ao mundo para prestar serviços à comunicação, à educação e ao futuro do Brasil".

     Atualmente, a Globo, o PT, Lula e Dilma estão do mesmo lado. Sem a Globo, Dilma não se elegeria. As pesquisas de opinião mostrariam uma grande queda em sua popularidade e as pessoas seriam influenciadas pelas pesquisas. Outros expedientes seriam usados e Dilma não teria a mínima chance. Com a Globo, até o palhaço Tiririca pode ser eleito Presidente. Infelizmente, este é um país de analfabetos, e é importante para o Sistema que continue assim.

     Com tantos escândalos envolvendo PT, Lula, Dilma e assessores diretos e não esperando que nenhum deles venha a renunciar a seus cargos ou aspirações, ou que o PT se desfaça, enojado de si mesmo, porque não há honra naquele meio, o caso da mulher de César fica sendo apenas um exemplo muito antigo.

     Já o caso de Getúlio Vargas é bem menos antigo, foi nos anos ’50. Mas ele era uma pessoa honrada.

     As pessoas, o grande público, a massa tão facilmente moldável por meios de comunicação como a Globo e aderindo facilmente às ideias que esses meios professam, já estão se acostumando com os escândalos e com a amoralidade na política. Não porque seja uma qualidade da política o escândalo, o roubo, a possibilidade de assassinato. Mas porque não há punição para quem usa dessas práticas. No máximo, processos que serão arquivados, ao final. E todos sabem disso. Os três poderes estão muito entrelaçados.

     O Brasil está ficando, cada vez mais, um país ridículo. As pessoas riem dos seus governantes e representantes, riem das leis, riem de si mesmas.

     Não tem nada a ver com a Roma Antiga. Com certeza.



segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A INDEPENDÊNCIA DELES





Estava, no dia 20 de agosto, assistindo televisão quando me deparei, no Canal da Câmara, com uma sessão em homenagem à Maçonaria, por ser aquele o seu dia. Fiquei vendo um pouco os auto-elogios dos “irmãos”, e de como eles fazem e acontecem, e como a história daquela seita está estreitamente vinculada à História do Brasil, quando me dei conta! - percebi que a Câmara, o Congresso Nacional, naquele momento estava se auto-anulando.

     Se a História do Brasil é, como eles mesmos dizem, ditada pelas Lojas maçônicas, para que serve o Congresso Nacional? Talvez apenas para referendar o que já foi decidido “ocultamente” entre os verdadeiros donos do poder. Neste caso, o voto dos profanos, como eu, e de tantos milhões de brasileiros – ai de nós! – que também são profanos – e principalmente das brasileiras (porque é vedada a participação de mulheres) é apenas uma maneira formal de fingir democracia.

     E o Congresso declarou, naquela sessão, a sua nulidade no instante em que concordou – com os seus múltiplos aplausos – tudo o que foi dito pelos irmãos maçons aos outros irmãos da platéia. E concordou que a História do Brasil foi feita, e está sendo feita, pela Maçonaria, e não pela vontade do povo. Se isso é verdade, para que votamos?

     Se é realmente verdade que os donos do poder são os maçons – e isto foi dito por eles, mesmo que em termos oblíquos – é de se supor que o restante do povo, que eles chamam de “profanos”, são considerados cidadãos de segunda classe, apenas número para fazer votos e que nem todos são iguais perante a Lei. Porque se o Poder é deles, obviamente não emana do povo. E isso não pode ser chamado de democracia.

O 20 DE AGOSTO E O 7 DE SETEMBRO

     O dia 20 de agosto é o Dia da Maçonaria porque foi em 20 de agosto de 1822 que a Maçonaria decidiu que o Brasil deveria separar-se de Portugal. Sem o povo saber de nada. Para que o povo soubesse disso e para que ficasse oficializada essa separação, o Príncipe-Regente, Dom Pedro I, conhecido como “irmão Guatimozim” na Maçonaria, deu o famoso grito do Ipiranga, no dia 7 de setembro daquele ano. Recebeu a prancha, leu e gritou. Uma encenação perfeita.

     E o povo perplexo, sem nada entender. Ao contrário dos demais países da América Latina, que fizeram as suas revoluções de independência com o apoio do povo e devido à força desse mesmo povo, no Brasil tudo foi feito dentro das Lojas e de cima para baixo. Aliás, neste ano de 2010, a América Latina em peso comemora os duzentos anos de independência, graças à luta e ao sangue do seu povo.

     No Brasil, a independência de Portugal foi declarada devido a fortes interesses. Independência para aqueles que já detinham o poder econômico e queriam a emancipação política para consolidar aquele poder.

     Não foi uma independência que tenha trazido consigo a liberdade, o fim da escravidão, a igualdade e a democracia, como aconteceu na maioria dos demais países latino-americanos, que se constituíram logo em repúblicas após a sua independência da Espanha e, mesmo tendo chefes revolucionários que defendiam a aristocracia, como San Martín, também tiveram defensores do povo, como Bolívar.

     Mesmo assim, os povos dos países latino-americanos continuam lutando pela sua independência até hoje, porque naquele momento, há 200 anos atrás, foram as oligarquias daqueles países que herdaram o poder.

     Ao contrário do povo brasileiro, nos demais povos latinos há uma crescente consciência do significado de liberdade que faz com que a sua luta avance, gradualmente, ano a ano. Uma luta pelo bem-estar dos seus povos, pela independência econômica e conseqüente verdadeira liberdade; uma luta para desmascarar aqueles obscuros “poderes ocultos” que defendem a estagnação, o retrocesso e o entreguismo.

     No Brasil, não surgiu nenhuma revolução visando a independência e a libertação do povo brasileiro. A revolução brasileira ainda está por ser feita. O que aconteceu em 7 de setembro de 1822 foi uma declaração de independência em relação a Portugal, que beneficiou somente as classes dominantes, notadamente a aristocracia rural que ganhava muito dinheiro com a agroexportação e, para que isso continuasse, necessitava do trabalho escravo, e depois, quando a escravidão foi abolida oficialmente, em 1888, o trabalho escravo do povo miserável também foi oficializado, mas sem os grilhões e as senzalas.

     Naquele momento do “Grito do Ipiranga”, Dom Pedro I foi usado, e sabia disso. Ele havia sido alertado por Dom João VI para que tomasse o poder “antes que algum aventureiro” o fizesse. E Dom João VI, em Portugal, era um rei que não reinava, totalmente cerceado por uma Constituição que lhe tirava todos os poderes.

     Dom Pedro I, aliciado para a Maçonaria pelo todo poderoso ministro José Bonifácio, sabia que a independência do Brasil seria o primeiro passo para a República. Mesmo assim, concordou em ser iniciado e proclamar a Independência. Uma semana depois de iniciado na Loja Comércio e Artes já era Mestre Maçom.

     Sabia que era inevitável a independência. Para prepará-la, escreveu o Manifesto de Seis de Agosto – considerado por muitos historiadores como mais importante que a oficial proclamação de independência. Naquele documento, ele escreve: “... Eu, com o conselho dos Representantes populares, e na presença e sob a proteção de Deus Todo-Poderoso, Declaro e proclamo que o Brazil é uma Nação Livre e Independente, e que o Governo Estabelecido é em todos os atos um Governo Independente e Soberano. E a todas as nações amigas Eu declaro que os portos do Brasil estão livres e abertos ao Comércio...”

     Em 7 de setembro, voltando de Santos para São Paulo, recebeu despachos que lhe davam notícias das ordens intransigentes das Cortes de Portugal para a sua volta e do envio de expedições militares. À cavalo, rodeado pelos dragões de sua guarda de honra, uniformizados à austríaca, e dos membros de sua comitiva, arrancou da espada e gritou: “Laços fora, soldados! Pelo meu sangue, pela minha honra, juro fazer a liberdade do Brasil. Independência ou morte!”.

     Um dos despachos, no entanto, segundo Varnhagen, dizia que a independência já fora proclamada pela Maçonaria na sessão de 20 de agosto, “em assembléia geral do povo maçônico”, quando foram reunidas na sede do Apostolado, as três lojas metropolitanas, sob a presidência de Gonçalves Ledo. Cabia ao "irmão Guatimozim" apenas referendar a decisão, fazendo a proclamação da independência ao restante do povo brasileiro.

     Em 9 de setembro, em reunião maçônica no Grande Oriente do Brasil, Dom Pedro foi proclamado imperador. A 4 de outubro, Dom Pedro recebeu o título de Grão-Mestre da Maçonaria brasileira. No dia seguinte, 5 de outubro de 1822, foi-lhe dado o de “Defensor Perpétuo do Brasil”. Logo em seguida, o de “Arconte-Rei”.

     Os maçons se rejubilavam. Tinham o país nas mãos – do Imperador ao último cidadão. Então começou a briga entre eles. Uma das facções, a de Gonçalves Ledo, queria a república; a outra, a dos Andradas, era monarquista. O grupo republicano, de Gonçalves Ledo, ganhava cada vez mais forças. Assim, D. Pedro I alegando "haver muita divergência entre José Bonifácio e Gonçalves Ledo" (as duas principais lideranças maçônicas na época) simplesmente fechou o Grande Oriente do Brasil.

     E aquele ato uniu ainda mais a Maçonaria contra o Império. Depois de uma luta surda de bastidores, em 7 de abril de 1831 D. Pedro I abdicou em favor de seu filho, Pedro de Alcântara (Dom Pedro II) – o qual reinou de 1840 a 1889, quando foi deposto pelos militares maçons que deram o golpe que proclamou a República.

     Mas, naquele 7 de setembro de 1822, Dom Pedro I, prestes a tornar-se Imperador e “Rei-Arconte”, sabia que a independência custava caro. Mas não sabia o quanto!

A DEPENDÊNCIA ECONÔMICA

     Quando Dom João VI veio para o Brasil, em 1808, fugindo do exército de Napoleão, teve que pedir ajuda à Inglaterra, que escoltou os navios da corte portuguesa, com os seus navios de guerra, até a sua chegada ao Brasil. Em troca, quatro dias após chegar ao Brasil, Dom João VI promulgou uma carta-régia que decretava a abertura dos portos às nações amigas – um eufemismo que encobria a entrega dos nossos produtos, para comércio, para a Inglaterra.

     Assim, quando Dom Pedro I declarou que o Brasil era um reino independente de Portugal e teve de enfrentar a reação das tropas portuguesas no Brasil, como não tinha exército ou Marinha contratou mercenários ingleses sob ordens de chefes militares ingleses para fazer o que foi chamado depois de Guerra da Independência. Essa guerra durou até 1824, quando a independência do Brasil foi formalmente reconhecida pelo Reino Unido e por Portugal.

     Em 1824, para poder continuar mantendo o Brasil independente, Dom Pedro I autorizou a realização de uma operação de crédito na Inglaterra. O empréstimo foi feito em duas partes, cabendo o contrato da primeira a um consórcio das casas Farquar Crawford, Fletcher Alexander e Thomas Wilson, e o da segunda a Nathan Mayer Rotschild. Todos maçons.

     Depois, a casa Rotschild comprou todo o empréstimo. O total do empréstimo era de 3,7 milhões de libras esterlinas. Mas as cláusulas contratuais foram tão escorchantes que, pelo dinheiro da época, o Brasil recebeu 12 mil contos e ficou devendo 60 mil contos. Pela primeira vez foram hipotecadas as rendas das alfândegas. Era o início da infindável dívida externa brasileira, que empobreceu principalmente o povo brasileiro, enquanto os oligarcas, os donos do poder, as classes dominantes, enriquecem cada vez mais.

     Em 2008, o Banco Central do Brasil informou que o Brasil possui recursos suficientes para quitar a sua dívida externa. Pois o país registrou reservas superiores à sua dívida externa do setor público e do setor privado. Mas se usarmos essas reservas para pagar a dívida o país ficará... sem reservas. E este tipo de dívida em um país capitalista não é passível de ser paga. Constitui parte do jogo politico. Paga-se as amortizações dos juros da dívida, jamais a dívida. A dívida externa para junho de 2010, somou US$225 bilhões, elevando-se US$6,8 bilhões em relação à posição estimada para o mês anterior.

O RESULTADO

     Deodoro da Fonseca, Prudente de Moraes,Campos Salles, Rodrigues Alves, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Wenceslau Brás, Washington Luís. Toda a República Velha foi constituída por presidentes maçons, que nada fizeram pelo povo, mas lutaram pelos seus interesses pessoais.

     Depois, em 1930, Getúlio Vargas tomou o poder. Não era maçom, mas nacionalista. Foi deposto em 1945. Eurico Dutra foi eleito presidente, com o apoio do exército e da Maçonaria. Em 1950 Vargas foi eleito e alvo de campanhas difamatórias preferiu o suicídio a entregar o país a essas “forças ocultas”, que, na época, já eram aliadas dos Estados Unidos. Com a sua morte, assumiu a presidência o maçom Café Filho.

     De 1956 a 1961 foi presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, que era maçom, construiu Brasília e endividou ainda mais o Brasil. O maçom Jânio Quadros foi o próximo presidente eleito. Teve um curto mandato - de 31 de janeiro de 1961 e 25 de agosto de 1961 — data em que renunciou, alegando que "forças terríveis" o obrigavam a esse ato. Com a renúncia de Jânio, assumiu o vice João Goulart – apesar da resistência das Forças Armadas e da Maçonaria – que, por não ser maçom e desejar fazer um governo honesto e voltado para o povo, foi golpeado em 1º de abril de 1964.

     Seguiu-se uma terrível ditadura militar contra o povo, que durou até 1985. A Maçonaria juntamente com os militares, tentou liquidar com os movimentos de esquerda. No governo de Ernesto Geisel, no dia 15 de maio de 1974, o próprio Grão–Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil sendo senador e do partido situacionista, leu um oficio em que o Grande Oriente reafirmava o seu apoio ao regime de governo que se havia instalado em 1964.

     Nos anos ’80, durante o governo do general Figueiredo, não havendo mais necessidade de ditadura, foi feito um acordo de elites entre os maçons Tancredo Neves e Ulisses Guimarães, por um lado, e o maçom Golbery do Couto e Silva, por outro. Ficou acordado que as Forças Armadas passariam o poder para os civis e se retirariam para os quartéis, porque já era tempo do Brasil ostentar um regime “democrático”.

     Assim como no 7 de setembro, quando Dom Pedro I deu o famoso "Grito do Ipiranga" para proclamar uma independência que já tinha sido proclamada nas Lojas maçônicas, nos anos '80 - com o apoio da grande mídia - fizeram-se passeatas e “exigências populares” por “Diretas Já” e “Anistia” para parecer ao povo que era ele - o povo - que tomava a frente do processo político.

     Seguiram-se eleições indiretas, onde foi eleito o maçom Tancredo Neves. Com a sua morte prematura, tomou posse o maçom José Sarney. Em 1988, com a aprovação da nova Constituição, foi referendado o pacto das elites. As eleições diretas poderiam acontecer. O primeiro presidente eleito por voto direto foi o maçom Fernando Collor de Mello, que foi retirado do poder para dar lugar ao seu vice, o maçom Itamar Franco. Depois, o maçom Fernando Henrique Cardoso foi eleito duas vezes, sendo presidente por oito anos, período em que completou a obra dos seus antecessores ao implantar o neoliberalismo econômico e a era das privatizações, que entregou de vez o Brasil ao capital estrangeiro.

     Depois de FHC foi a vez de Lula. Mas somente depois que ele se transformou no “lulinha paz e amor”. Por seis vezes foi candidato a presidente da República. Na sexta vez, já devidamente domesticado, foi eleito. Há evidências de que Lula também tenha se tornado maçom e, por essa razão, daquela vez tenham lhe permitido vencer as eleições. O aperto de mão maçônico que ele trocou com George W. Bush é uma das evidências. E o seu governo é outra. Extremamente demagogo, pouco ou nada fez para diminuir as desigualdades sociais no Brasil, está reestruturando as Forças Armadas, seguiu o modelo neoliberal de FHC, fez uma aliança militar com os Estados Unidos e a sua base política inclui todos os partidos que quiserem participar. Não tem qualquer ideologia.

     E o que restou da influência maçônica no Brasil? Qual o resultado de tantos presidentes maçons?

     Desigualdade social, miséria, analfabetismo, fome, massificação, corrupção, entrega do Brasil ao capital estrangeiro. Tudo isso é tipicamente maçom.

     A Maçonaria no Brasil, que acabou com o Império, lutou contra a escravidão e deu o golpe que instituiu a República, não foi além disso.

     Hoje, nem todos os maçons são extremamente reacionários, mas todos são reacionários.

     A Revolução Francesa colocou no poder a classe burguesa, que já tinha o poder de fato através da sua força econômica. A partir da Revolução Francesa e da Independência dos Estados Unidos, todos os demais países seguiram aquele modelo – com uma fachada democrática que preserva a divisão de classes e o domínio das classes ricas.

     Até ali foi o “progressismo” maçônico. Aquele era o seu objetivo: o domínio e a manipulação do poder. E quando alcançaram o objetivo, deixaram de ser revolucionários.

     Passaram a reagir contra todo o tipo de revolução social, porque se sentiram ameaçados no seu trono imperial construído com juros a prazo fixo.

     Tornaram-se alienados, estanques, envelheceram junto com os seus conceitos que se transformaram em preconceitos. Mostraram-se retrógrados, defensores da divisão de classes, das anomalias sociais, da estupidez policial e das guerras.

     Fecharam-se em grades. Tem medo do povo. Medo do novo.
     Envelheceram e ficaram com medo da morte.
     Vivem da memória dos seus antecessores, que vestiram as mesmas vestes rituais e usaram os mesmos símbolos.
     De vez em quando, para não perderem o hábito, conspiram.
   Conspirações horizontais, visando a preservação e não a evolução.
     Morreram e não sabem que estão mortos.



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