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domingo, 14 de abril de 2013

A COREIA JUCHE ALÉM DO MARXISMO-LENINISMO



A palavra Juche significa autoconfiança ou autossuficiencia e a Ideia Juche é o que move os norte-coreanos. Kim Il Sung, fundador do Partido do Trabalho da Coreia, foi quem concebeu a Ideia Juche a partir do marxismo-leninismo, nas décadas de 1930-1940, que foi desenvolvida depois por Kim Jong Il. Segundo os teóricos da Ideia Juche, esta não é apenas o marxismo-leninismo adaptado à realidade coreana, mas uma nova ideologia que seria superior ao próprio marxismo. A superioridade da Ideia Juche consiste em que indicando a posição e o papel do homem no mundo esclarece-se de maneira mais científica a maneira como o homem forja o seu destino. De acordo com Kim Jong Il: “Se o marxismo criou pela primeira vez a concepção revolucionária de mundo da classe trabalhadora, a Ideia Juche a aperfeiçoou, desenvolvendo-a a uma etapa superior”. O princípio básico da Ideia Juche é que as massas são donas do mundo e de seu próprio destino.

   Além disso, o patriotismo e o nacionalismo são muito importantes na Ideia Juche, levando-se em conta o fato de que um povo que não ama a sua pátria não poderá desejar o melhor para ela e para si mesmo: o socialismo. A Ideia Juche não acredita que aja qualquer contradição entre patriotismo, nacionalismo e socialismo. Sobre o nacionalismo, Kim Jong Il, que escreveu mais de 800 textos sobre a Ideia Juche, afirma que deve-se diferençar o verdadeiro nacionalismo do “nacionalismo da burguesia”, que é sinônimo de exclusivismo, egoísmo nacional e chauvinismo.

   A Ideia Juche resgata parte da herança cultural do Oriente ao introduzir junto ao socialismo posturas éticas ligadas ao confucionismo, taoísmo e budismo. Assim, o amor à pátria deve nascer dentro da primeira célula, com o amor à família, o respeito mútuo, o amor romantizado, a ausência de pornografia, drogas ou atitudes grosseiras; desenvolver-se através da comunidade, onde todos devem colaborar para o bem de cada um e de todos e redundar no que é considerado o verdadeiro nacionalismo socialista, isento de individualismo sem negar o indivíduo.

   O nacionalismo como base do socialismo é uma das principais discussões entre os teóricos marxistas, desde que Marx e Engels ao observarem o período pré-imperialista do capitalismo, entenderam que a revolução proletária deveria ser necessariamente internacionalista. Logo após o triunfo da revolução socialista na União Soviética, as transformações mundiais revelaram o surgimento do capitalismo monopolista e do imperialismo, que reflete as desigualdades sociais também entre os países, ou o desenvolvimento desigual entre os países.

   Após a morte de Lênin, em 1924, ocorreu uma grande discussão dentro do Partido Comunista da União Soviética entre Stálin, que propunha “o socialismo em um só país”, e Trotsky, que defendia “a revolução permanente”. Trotsky acreditava que o proletariado deveria fazer a revolução socialdemocrática – no lugar da burguesia, cada vez mais conservadora – e em seguida evoluir para a revolução socialista. Ao mesmo tempo, entendia que a revolução poderia ser limitada a uma só nação, mas internacionalizada e desenvolvida rapidamente em outros países para poder resistir à pressão hostil dos países capitalistas.

   De certa forma, Trotsky repetia a visão mais ortodoxa de Marx e Engels, mas, como citado acima, na época pré-imperialista do capitalismo. Por seu lado, Stálin defendia que naquele momento histórico, posto que o capitalismo assumira formas monopolistas e imperialistas, acelerando as leis do desenvolvimento desigual, e usando o marxismo não como um dogma, mas como um método de reflexão e ação, e dado a derrota de todas as revoluções socialistas na Europa, excetuando-se a União Soviética, a revolução soviética deveria, em primeiro lugar, reforçar-se internamente.

   Alguns afirmam que esta teria sido uma tese desenvolvida por Nikolai Bukhárin, em 1925, e adotada no XIV Congresso do PCUS. Outros, no entanto, dizem que Stálin se baseava em Lênin que escreveu: “O desenvolvimento econômico e político é uma lei absoluta do capitalismo. Então, a vitória do socialismo é possível em alguns ou mesmo em um país capitalista, tomado isoladamente.” (Escritos Selecionados, V. I. Lênin). Além disso, em “Programa da Revolução Proletária”, Lênin escreveu: “O desenvolvimento do capitalismo procede de forma extremamente desigual nos diversos países. Isto não pode se dar de forma diferente sob o sistema de produção de mercadorias. Disto segue, irrefutavelmente, que a vitória do socialismo não pode ocorrer simultaneamente em todos os países. O socialismo alcançará a vitória primeiro em um ou alguns países, enquanto os demais permanecerão burgueses ou pequeno-burgueses por algum tempo”.

   Com a vitória política de Stálin sobre Trotsky a União Soviética desenvolveu-se dando maior ênfase ao nacionalismo do que ao “internacionalismo proletário”. Marx e Engels entendiam que o proletariado deveria unir-se mundialmente enquanto classe que tem os mesmo interesses e objetivos. No entanto, as diferenças sociais de país para país muitas vezes transformou essa suposta união em traição, uma vez que nos países imperialistas e seus “aliados” ou vassalos ideológicos, o proletariado nada mais deseja que a ascensão para a pequena-burguesia, da qual adota a cultura e pela qual é massificado pacificamente.

   Mesmo assim, correntes trotskistas do mundo inteiro interpretam um socialismo nacionalista como o da República Democrática Popular da Coréia com certa suspeita e até algum ranço dogmático, porque “está escrito” que o nacionalismo é pequeno burguês – mesmo que seja socialista.

   De acordo com Gabriel Martinez (“Sobre alguns problemas referentes à educação Juche”) “...Isso não quer dizer, de nenhuma maneira, que se enalteça somente a nossa nação, desprezando as outras. Nós, os comunistas, não podemos nos converter em nacionalistas. Ao mesmo tempo, somos autênticos patriotas e internacionalistas. Se insisto em dar a primazia à nossa nação é para destacar a necessidade de fazer de maneira independente a revolução e a construção com o espírito de considerá-la como o que é mais precioso e com um significativo orgulho nacional. Os que idolatra, às cegas, a outras, desdenhando a sua nação não podem ser fiéis ao seu partido ou ao seu povo nem ter uma atitude de donos da revolução do seu país...”

 A Ideia Juche, que prevê a independência através da autossuficiência de cada país socialista não exclui o marxismo ou o internacionalismo, mas vai além ao afirmar que cada país tem características próprias que devem ser preservadas e que cabe a cada nação escolher o socialismo e a igualdade como necessidade de sobrevivência contra o capitalismo sem depender de alianças e tendo como base a autoconfiança = Juche.

Quando se pergunta porque os Estados Unidos e aliados que formam as forças da OTAN estão tão preocupados com a pequena República Democrática Popular da Coréia, a ponto de fazerem manobras ostensivas anualmente em suas águas na tentativa de provocar uma guerra, talvez a resposta não esteja no domínio territorial, na geopolítica.

Muito provavelmente temem a Ideia Juche, que já se espalha pelo mundo. Atualmente, existem o Instituto Internacional da Ideia Juche, o Instituto Asiático da Ideia Juche, o Instituto Regional Africano para o Estudo da Ideia Juche e a Associação da Região Europeia para o Estudo da Ideia Juche. Na América Latina, desde 1978 existe um instituto continental da Ideia Juche. Nos dias de hoje, há mais de mil grupos de estudo, vinte e sete comitês nacionais e quatro organismos continentais.

Nos anos 2000 aconteceram mais de trezentos simpósios sobre a Ideia Juche em mais de quarenta países. Estados Unidos e aliados, assim como alguns setores da esquerda acomodada, temem que o marxismo, através da Ideia Juche, novamente se torne revolucionário e nada mais sabem fazer que tentar destruir a Coreia do Norte a qualquer preço. Mas ideias não podem ser destruídas.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O PT É DE ESQUERDA!


Enquanto a direita dava um golpe na direita, lá no Egito, com o apoio dos Estados Unidos e das Forças Armadas do próprio Egito, e prepara-se para novos golpes via internet - porque a estratégia facebook, twiter e outras engenhocas deu certo para a classe média egípcia, que pensa estar fazendo uma revolução - Lula esteve no Fórum Social Mundial, em Dakar, Senegal.

     Acostumado com Davos – aquele Fórum Econômico Mundial que se reúne na mesma época do Fórum Social – e sua linguagem restrita, onde os grupos dos muito ricos avisam para os governos do mundo inteiro como deve ser a política econômica durante o resto do ano, Lula meio que se confundiu: foi contra o aumento do salário mínimo no Brasil. Mesmo assim foi aplaudido.

     Todos aplaudem Lula aonde quer que ele vá e diga lá o que diga. É um hábito, no mundo inteiro. O Lula aparece e as pessoas já se preparam para aplaudir. É como aqueles palhaços que quando surgem as pessoas já começam a rir antes que façam palhaçadas. Reflexo condicionado.

     Lula exaltou o Fórum Social e criticou Davos – para onde irá, na semana que vem, receber ordens e orientações. Fez do Fórum Social Mundial um palanque e elogiou o próprio governo de oito anos. E o público aplaudindo. Chegou a dizer – pasmem! – “Nós ensinamos ao mundo como é que uma força de paz deve agir. É motivo de orgulho a quantidade de brasileiros que querem se inscrever para ir até o Haiti.”

     E o público aplaudiu essa tolice gigantesca. No Haiti, o exército brasileiro está às ordens do exército dos Estados Unidos para o que der e vier. Como sempre esteve, desde 1945, ou pouco antes. Desconfia-se que o Fórum Social Mundial não seja o mesmo: cada vez menos social e menos mundial.

     O ministro-chefe da secretaria geral da Presidência, Gilberto Carvalho, com todo esse título pomposo também esteve lá, provavelmente para fazer propaganda do seu governo. Envolveu-se em um debate – o que talvez não esperasse – e disse a seguinte pérola: “O governo do PT não é socialista, mas é de esquerda”. Uma confissão interessante.

     Todos já sabiam que o governo do PT não é socialista, mas a afirmação de que é um governo de esquerda foi surpreendente. O ilustre ministro-chefe, etc., baseou a sua afirmação no fato de que o governo do PT segue, em parte, a Constituição, dando mesadas ao povo mais faminto. E considera que isso é ser de esquerda.

     É claro que ele não citou Belo Monte e os continuados casos de corrupção em muitos setores do governo Lula (e no governo Dilma é uma questão de tempo, a continuar o mesmo ritmo).

     Vou lembrar de alguns:

     - Caso Celso Daniel. Assassinato do prefeito de Santo André, em 2002. Sete testemunhas morreram em circunstâncias misteriosas. A família pressionou as autoridades para que o caso da morte do prefeito fosse reaberto. Em 5 de Agosto de 2002 o Ministério Público de São Paulo solicitou a reabertura das investigações sobre o sequestro e assassinato do prefeito. Em Agosto de 2010 a promotora Eliana Vendramini, responsável pela investigação e denúncia que apura o assassinato do ex-prefeito Celso Daniel, sofreu um estranho acidente automobilístico em uma via expressa de São Paulo. O veículo blindado e conduzido pela promotora, capotou três vezes após ser repetidamente atingido por outro automóvel, que fugiu sem prestar socorro.

     Há a hipótese de crime político. O irmão de Celso Daniel, João Francisco alega que Celso Daniel, quando era prefeito de Santo André, sabia e era conivente de um esquema de corrupção na prefeitura, que servia para desviar dinheiro para o Partido dos Trabalhadores. O suposto esquema de corrupção envolvia integrantes do governo municipal e empresários do setor de transportes e contava ainda com a participação de José Dirceu. Zé Dirceu foi inocentado recentemente, pouco antes de assumir um dos ministérios de Dilma.

     - Caso José Eduardo Dutra. O senador José Eduardo Dutra foi acusado de envolvimento na violação do painel eletrônico do Senado no episódio da cassação de Luiz Estevão. A denúncia questionava o fato de Dutra ter afirmado que ouvira boatos sobre a violação. A partir de um parecer da Advocacia Geral do Senado, o conselho de ética do Senado decidiu arquivar a denúncia por falta de evidências. José Eduardo Dutra é o atual presidente do PT.

     - Caso Benedita da Silva. Foi governadora do Rio de Janeiro. Deixou o Governo sob polêmica após usar recursos públicos em um evento religioso na Argentina. Devolveu o valor das diárias e das passagens após o caso ser divulgado pela imprensa.

     - Escândalo dos Bingos. O escândalo dos bingos é o nome de uma crise que surgiu em Fevereiro de 2004, após denúncias de que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil José Dirceu, estava extorquindo empresários com a finalidade de arrecadar fundos para o Partido dos Trabalhadores. O escândalo veio à tona após a divulgação de uma gravação feita pelo empresário lotérico (bicheiro) Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira. A gravação mostra Cachoeira sendo supostamente extorquido por Waldomiro Diniz.

     - Escândalo do Mensalão. Escândalo do mensalão, escândalo ocorrido em 2005 no governo Lula e que causou indiciamento no STF de 40 políticos, entre eles José Dirceu. Também conhecido como mensalão do PT.

     - Escândalo dos fundos de pensão. O escândalo dos fundos de pensão foi um entre os muitos escândalos que eclodiram durante a crise do Mensalão, no governo brasileiro do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele veio à tona depois das denúncias feitas para uma Comissão Parlamentar de Inquérito, originalmente criada para investigar denúncias de irregularidades na estatal Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Nos primeiros depoimentos para esta CPI - que ficou conhecida como CPI dos Correios - foram feitas denúncias de que algumas instituições financeiras estariam recebendo investimentos de entidades privadas de previdência complementar (fundos de pensão) através de um esquema montado pelo empresário Marcos Valério.

     - Escândalo da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa.

     Francenildo é um caseiro que obteve notoriedade ao dizer publicamente ter visto o então Ministro da Fazenda Antonio Palocci freqüentar habitualmente uma determinada mansão em Brasília, coisa que o ministro negava com veemência perante a opinião pública e a imprensa.

     No local, conforme narrou Francenildo, teriam ocorrido reuniões, churrascos e festas com a presença de garotas de programa, das quais participavam o ministro (que, segundo o caseiro, tinha o apelido de "Chefe") e os seus ex-assessores da prefeitura de Ribeirão Preto, com o suposto objetivo de se fecharem negócios considerados suspeitos e procederem à divisão do dinheiro relativo a tais negócios.

     Aos depoimentos de Francenildo perante a imprensa e a Polícia Federal seguiram-se um polêmico indiciamento por lavagem de dinheiro (já arquivado), tido por certos analistas como meio velado de pressão do governo do PT sobre uma testemunha julgada perigosa, além da muito comentada quebra do sigilo bancário do caseiro, que divulgou para a Revista Época extratos bancários sigilosos nos quais constavam certos depósitos em dinheiro. Aventou-se que tais recursos poderiam ter sido pagos ao caseiro pela oposição ao governo federal, mas logo após foi esclarecido que o dinheiro vinha do pai biológico de Francenildo.

     Os testemunhos de Francenildo e o envolvimento direto de Antonio Palocci e de seus assesores na quebra do sigilo bancário do caseiro foram a principal causa da demissão do mesmo, no dia 29 de Março de 2006. No episódio, também perdeu o cargo o então presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, tido como co-responsável pela quebra do sigilo. Palocci foi inocentado e é um dos principais ministros de Dilma.

     - Escândalo dos Sanguessugas.

     O Escândalo dos Sanguessugas, também conhecido como máfia das ambulâncias, foi um escândalo de corrupção que estourou em 2006 devido à descoberta de uma quadrilha que tinha como objetivo desviar dinheiro para a compra de ambulâncias. Entre seus principais envolvidos estavam os ex-deputados Ronivon Santiago e Carlos Rodrigues.

     O caso daria origem, no mesmo ano, ao escândalo do Dossiê, em que integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) foram presos em flagrante pela Polícia Federal comprando, com 2 milhões em dinheiro vivo, um dossiê que revelaria a suposta participação de políticos do PSDB no esquema, entre eles o então candidato a governador de São Paulo, José Serra, e o candidato à presidência da república Geraldo Alckmin.

     - Escândalo do Dossiê.

     O Escândalo do Dossiê ou Escândalo dos Aloprados, entre outros nomes, são as alcunhas pelas quais se chama a repercussão da prisão em flagrante, a 15 de setembro de 2006, de integrantes do PT acusados de comprar um falso dossiê, de Luiz Antônio Trevisan Vedoin, com fundos de origem desconhecida. O dossiê acusaria o candidato ao governo do estado de São Paulo pelo PSDB, José Serra, de ter relação com o escândalo das sanguessugas. O plano seria prejudicar Serra na disputa ao governo de São Paulo, para destruir em nível nacional o PSDB e ajudar o PT eleger o senador Aloizio Mercadante como governador naquele estado.

     - Escândalo dos cartões corporativos.

     O escândalo dos cartões corporativos foi uma crise política iniciada em 2008 após denúncias sobre gastos irregulares no uso de cartões corporativos. Os cartões foram instituídos em 2001 mas só entraram em funcionamento no ano seguinte para uma maior transparência e rapidez em gastos emergenciais. O problema do cartões corporativos é estrutural, pois o sistema que deveria ser usado para despesas pequenas e urgentes vem sendo usando para dispensar licitações e dar mimos aos governistas. Dos 150 cartões corporativos, o Portal Transparência, site oficial do Governo Federal, só divulgou os dados de 68 cartões.

     - Operação Santa Teresa.

     A Operação Santa Teresa da Polícia Federal foi deflagrada para desmontar um esquema de corrupção envolvendo a liberação de recursos do BNDES que pode ter beneficiado em torno de 200 prefeituras. Alguns presos na operação: Ricardo Tosto de Oliveira Carvalho, advogado, indicado pela Força Sindical para o conselho do BNDES. João Pedro de Moura, amigo do deputado Paulinho.

     - CPI da ONGs.

     A CPI das ONGs é o nome dado para investigações sobre repasses de dinheiro ocorridos no primeiro mandato do governo Lula (entre 2003 e 2006) para ONGs ligadas tanto ao governo federal como ao Partido dos Trabalhadores (PT), e à oposição.

     Tem mais, mas cansei de dar exemplos de corrupção do PT e seus aliados. Também existiram muitos casos de corrupção nos outros partidos de direita, como DEM, PSDB, etc.

     A direita é assim. Carente de ideologia, a não ser a ideologia do individualismo, atira-se ao dinheiro do povo como ratos ao queijo. E uma das características da direita é a corrupção desenfreada. Principalmente se tiver um Judiciário que garanta a impunidade.

     E o senhor ministro-chefe diz que o PT é de esquerda. Conheço várias pessoas que, ingenuamente, pensam a mesma coisa. Talvez eles entendam esquerda como uma posição que não seja exatamente a extrema-direita. Como a extrema-direita é muito mais atuante no Brasil, através dos grandes canais de televisão e de programas como “Manhattan Connection”, entre outros, dá pra confundir.

     Confunde ainda mais por não haver esquerda organizada no Brasil. Não se pode chamar de esquerda um PCB imobilizado que se alimenta de teses doutrinárias e ainda espera a revolução burguesa para depois, então, quem sabe, se as condições objetivas e subjetivas forem as apropriadas... É querer demais.

     Tampouco pode ser apelidado de esquerda o PSOL, que apenas tomou o lugar que o PT deixou vago quando o PT ainda se pensava socialista e que se solidariza ao sistema ao legitimar as eleições. O PCO ainda é uma incógnita e o PSTU quer ser trotskista sem saber exatamente o que seja marxismo. Apóia o golpe de estado no Egito como se fosse uma revolução proletária.

     Essa desorganização do que seria a esquerda no Brasil dá um grande espaço para que o PT se autoproclame de esquerda – e as pessoas acreditem. Principalmente pessoas que não tem nenhum conhecimento de política.

     Na verdade, a função do PT no Brasil é a de acabar com a esquerda, e de acabar até com o trabalhismo, que é o seu principal adversário, porque o desmascara.

     Se formos comparar, o governo João Goulart, que iniciou a reforma agrária, instituiu o método Paulo Freire na educação e as reformas de base – que abrangiam os setores educacional, fiscal, político e agrário – esteve anos-luz à frente do que hoje é o PT, com o seu falso humanismo social. E evoluiria naturalmente para o socialismo se não tivesse sido golpeado pelas Forças Armadas aliadas dos Estados Unidos, em 1964.

     Os governos de direita pós-ditadura militar brecaram tudo isso, e principalmente o PT que, fingindo-se de socialista, aos poucos foi se aliando novamente às mesmas forças retrógradas que o trabalhismo sempre combateu.

     O que foi golpeado em 1964 foi a força e a consciência do povo brasileiro em sua capacidade de transformação; foi o trabalhismo, o que ainda restava de nacionalismo no povo brasileiro e que os militares chamaram de “comunismo”. Foram os trabalhistas que foram presos, mortos, torturados e escorraçados do seu país.

     Aquela gurizada da classe média que formou grupos de guerrilha tentando uma resistência armada a um governo totalmente militarizado e que se considerava comunista depois de ler um Politzer e um livro do Che e que, ainda mais tarde, formou o PT e uma Nova Esquerda que abjurava o socialismo, e que hoje está no poder nada teve a ver com o nacionalismo da época de João Goulart.

     E hoje quer ser internacionalista sem conseguir, ao menos, ser socialista.

     Aceitaram alegremente a globalização imposta por Bush & Cia. E hoje pensam que são de esquerda, quando, simplesmente, cumpriram a missão que a direita lhes tinha imposta: a de acabar com qualquer sintoma de nacionalismo no Brasil. A recompensa é o poder. Um poder compartilhado com as Forças Armadas, com as multinacionais, com o grande capital nacional e estrangeiro, mas poder.

     E com o poder, eles podem fazer de tudo, incluindo o máximo de corrupção. E se dizem de esquerda.

domingo, 31 de outubro de 2010

A CONSOLIDAÇÃO DO FASCISMO PETISTA - A VITÓRIA DA MENTIRA E A DERROTA DO POVO


Venceu a melhor organização da amoralidade, a total ausência de ética na política, o uso do dinheiro público, o maquiavelismo em sua mais alta e purificada forma.


     Venceu a política das alianças, dos conchavos, do apadrinhamento, dos currais eleitorais, da institucionalização da pobreza e da chantagem sobre a miséria do povo brasileiro.

     Venceu a subcultura da alienação popular, incentivada pela política de massificação, através da utilização de todos os métodos de propaganda subliminar dos meios de comunicação, que muito devem ao governo e com ele se acumpliciaram.

     Venceu a mentira, a fraude, a miséria moral, a total ausência de cultura, a política de destruição das instituições, o aparelhamento do Estado com o único objetivo de buscar o poder pelo poder.

     Venceu o novo capitalismo brasileiro, que já foi nova esquerda e agora se assume definitivamente como nova direita, aliado aos interesses das multinacionais, subserviente ao império comandado pelos Estados Unidos, aparelhando-se – agora definitivamente – para impor a sua política de desenvolvimento desenfreado aos demais países da América do Sul.

     Venceu o populismo, o sindicalismo vendido, a ausência de ideologias, a política de esmagamento dos pequenos partidos de esquerda – e a acomodação de alguns desses partidos a estruturas ultrapassadas de luta, preferindo compor-se com a coligação partidária que consideraram “menos ruim” -, a cooptação com a velha direita para fins de negócios e de lucro, a imposição de um estado totalitário baseado na ilusão dos votos.

     Perdeu o povo brasileiro.

     Mais uma vez, teremos um período de retrocesso político, marcado apenas por lutas pontuais, as lutas permitidas pelo agora todo poderoso Estado petista brasileiro – que domina sindicatos, ONGS, compra a mídia, destrói qualquer semente de nacionalismo e usa a pobreza, a ignorância e o semianalfabetismo da maioria do povo brasileiro, principalmente os bolsões de miséria e inconsciência política do Nordeste, como trampolim para a sua eternização.

     Erram os que pensam que Dilma Roussef foi escolhida por Lula e devido a seus caprichos pessoais. A organização do PT não permite tiros no escuro. Dilma foi escolhida depois de muita pesquisa sócio-política, muito estudo e muitas deliberações entre os próceres do PT.

     O PT não é o Lula. Ao contrário: o Lula é um dos produtos do PT. Também não é um partido aventureiro, feito de grupos esparsos e de caciques com interesses pessoais. Por trás de tudo isso há uma estrutura muito firme. O objetivo é o poder; o meio para alcançar esse objetivo é a utilização do povo como massa de manobra.

     Um dos pontos principais para a escolha de Dilma foi o sexo. O PT percebeu que dava certo, principalmente dentro do eleitorado feminino, uma presidente mulher. Assim como deu certo um presidente negro nos Estados Unidos e outras presidentes em outros países. Pela novidade, pelo impacto provocado nas pessoas, como se a cor ou o sexo fossem determinantes para uma boa política social. As pessoas acreditam nisso, principalmente quando são escravas inconscientes da vontade da mídia e totalmente despolitizadas.

     Com a escolha de uma candidata mulher para a presidência, o lugar comum “mulher vota em mulher” poderia ser utilizado com sucesso, como o foi, e a maior parte do eleitorado feminino já estaria conquistado antecipadamente.

     Outro detalhe importante que os donos do PT perceberam é que não seria mais necessário outro Lula demagógico como candidato. A maioria do povo pobre do Brasil já estava devidamente comprada pelo assistencialismo de programas como o “Bolsa Família” e se acostumando a ser amparada pelo Estado em sua pobreza crônica. Ao mesmo tempo em que o povo foi despolitizado, perdendo a consciência de que o único fator transformador da História é a sua própria união e luta e não viver de mesadas.

     Depois da fase demagógica do Lula, do ufanismo que levou o povo a acreditar que mudanças sociais viriam da vontade de uma única pessoa, do messianismo usado pelo PT em torno do carisma de Lula, era necessário um tecnocrata. Alguém que organizasse o Estado conquistado e o levasse a alcançar maiores vitórias dentro da política de crescimento a qualquer preço, tipicamente capitalista.

     Esses dois fatores estão em Dilma Roussef. É mulher – apesar de não ser simpática, bonita ou meramente atraente – e é uma tecnocrata. Assim como Lula, é um quadro do PT, um produto preparado e amadurecido para ser vendido satisfatoriamente, e por um ótimo preço, agora.

     Dilma também não é o PT. Por trás de Dilma e por trás de Lula está uma organização que vai além das pessoas e que as manipula.

     Lembro que houve uma época durante a ditadura militar, a época do chamado “milagre econômico”, durante a presidência do general Médici, em que aquele governo foi regido por tecnocratas. Também foi a época de pão e circo, como agora. Futebol, carnaval e muita repressão.

     O “milagre econômico” aconteceu, provocando um inchaço na economia que se transformou em inflação galopante, que não foi contida pelos demais governos militares – Geisel e Figueiredo – e que muito contribuiu para a desmoralização e queda do regime militar.

     Hoje, o PT faz o mesmo. Aposta no desenvolvimento acelerado, na política de exportação e de aumento a qualquer custo do PIB, sem se importar com o inchaço da bolha que explodirá em inflação, inevitavelmente, em um futuro próximo. É um governo que quer crescer economicamente porque precisa de dinheiro.

     É o que Dilma chamou de capitalismo de Estado: o Estado engorda, o povo é manipulado e conservado quieto através de favores e as políticas do partido centralizador do poder poderão desenvolver-se porque esse partido deterá o poder econômico quase total.

     Na verdade, não é nenhum capitalismo de Estado. Para que haja capitalismo é necessário que o Estado atue apenas como gerenciador dos ganhos dos empresários e não como dono de toda a economia. A lógica keynesiana do capitalismo é o Estado não interferir na economia. Quando o Estado é centralizador, não é capitalismo, mas fascismo – mesmo que não ostente esse nome.

     Por isso, o regime militar, na época de Médici, foi claramente fascista, derivando depois, na época de Geisel, para uma busca nacionalista. Mas, sem o apoio das forças civis e devido a fatores relacionados com a política internacional, como o fato de depender dos Estados Unidos, esgotou-se em si mesmo, na época de Figueiredo.

     Agora, repete-se a História. O governo torna-se fascista ao dominar o povo com futebol, carnaval, alienação total e mesadas. Controla as Forças Armadas, que estão satisfeitas com o acordo militar com os Estados Unidos e com o seu reaparelhamento também acelerado, o que fará o Brasil tornar-se a maior potência militar da América do Sul em poucos anos. Isso imporá um freio aos países que se desejam socialistas, como Bolívia, Equador e Venezuela, porque são Forças Armadas ligadas estreitamente à política internacional do império norte-americano.

     A diferença para o fascismo tradicional que surgiu nos anos ’30 é a total ausência de nacionalismo. O PT optou pelo fim das ideologias e o nacionalismo é uma ideologia que se impõe quando o Estado perde a comunicação com as raízes culturais do seu povo, com o que se poderia chamar de sentimento de brasilidade.

     E esse sentimento vai bem além de meras políticas sociais de contenção popular. É uma reação natural de um povo, que surge em seus diversos estratos sociais, quando há a percepção de que os seus valores mais originais - assim como a sua diversidade cultural e sua identificação com a pátria – estão sendo trocados por valores impostos por uma cultura externa. Como é o caso do atual governo brasileiro, que em tudo quer se assemelhar à cultura e à política dos Estados Unidos, porque depende da mídia - que se vendeu aos valores estadunidenses - para manter-se.

     Quando a República Velha esgotou-se em suas contradições, enlameada nas suas corrupções, surgiu o tenentismo, o movimento Pau-Brasil e a Semana de Arte Moderna – entre outras manifestações de resistência – que foram precursores da revolução de ’30 e do nacionalismo de Vargas.

     O PT, com Dilma Roussef, parte para a sua fase tecnocrata. Acredita que com o domínio do Congresso, com os petiscos que dá às Forças Armadas e com a alienação que amordaça o povo, além das inevitáveis alianças com as velhas oligarquias, poderá impor o seu estilo de governo, mesmo que sobrenadando na amoralidade da sua corrupção moral e física. Pensa que tem tudo sobre controle e que poderá fazer do território e do povo brasileiro aquilo que considerar como melhor para os seus próprios interesses.

     Mas não pode escapar do futuro nem eximir-se do julgamento da História através da demagogia de um Lula ou da voz pesada de uma Dilma.

domingo, 10 de outubro de 2010

EU TERGIVERSO, VOCÊ TERGIVERSA, E O POVO...


No primeiro debate entre os dois candidatos à presidência da República, na Rede Bandeirantes, ficou clara a tranquilidade do Serra frente à instabilidade agressiva da Dilma. Ela até pode ser muito inteligente, e coisa e tal, mas é muito nervosa, a moça.

     Mas o que ficou muito claro também foi a constante comparação entre o governo Lula e o governo Fernando Henrique Cardoso, principalmente no que diz respeito às privatizações. Ambos os candidatos tergiversaram quanto a isso – para usar uma palavra que a Dilma utilizou, no mínimo, umas seis vezes, talvez por falta de melhor vocabulário.

     Nenhum dos dois candidatos é a excelência em si e ambos mostraram, pelos temas abordados no debate, que pretendem fazer um governo apoiado na classe média e na burguesia. O que não é nenhuma novidade.

     Longe, muito longe dos debates febricitantes entre Lula e Collor quando o tema “povo” era o principal. Collor e Lula tinham a preocupação de mostrar para o povo que eles, os candidatos, estariam muito preocupados com ele, o povo.

     Mas neste debate não. Tocou-se na palavra povo en passant. Mas nada que dissesse respeito à diminuição da miséria ou à busca do fim das desigualdades sociais. Nada a respeito da reforma agrária, que é um tema proibido para candidatos de classes mais altas.

     Parece que os interesses dos latifundiários são muito mais importantes. Não só dos latifundiários, mas das grandes empresas – principalmente as multinacionais – que exploram, com voluptuosidade vampiresca, o que eles chamam de agro-negócio – uma expressão que vem diretamente da inglesa agrobusiness, e até nisso o Brasil copia os Estados Unidos.

     Por falar, nada foi falado sobre nacionalismo – outra palavra considerada maldita nos atuais dicionários da política brasileira.

     Não falaram na reforma agrária porque tem medo de perderem votos da classe média, aspirante a ser pequeno-burguesa, e medo da pequena-burguesia que deseja ascender à burguesia, e medo da própria burguesia, que dá o dinheiro para a campanha dos dois candidatos.

     O agro-negócio é o grande negócio do momento: desmatar para plantar sementes transgênicas para exportação. Ou para substituir a mata nativa por pasto e incrementar a pecuária, também de exportação.

     Já estão fazendo isso em grande parte do Brasil. Primeiro foi o Rio Grande do Sul, onde não se vê mais mato, somente pasto e boi e uma ou outra árvore deslocada e perdida no meio da imensidão do pampa. Depois, os pecuaristas e as grandes empresas foram explorar o Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, avançando sobre o território mais cobiçado, a Amazônia.

     A continuar assim, breve farão da maior parte da Amazônia brasileira um território para pecuária e para semeadura de produtos transgênicos. Junte-se a isso a extração de madeiras preciosas que só existem ali.

     O desmatamento vai a galope. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (2007), 75% da área desmatada na Amazônia é ocupada pela pecuária. São 70 milhões de bovinos, e um terço está no Mato Grosso. A ocupação é de quase uma cabeça de gado por hectare. Somente em agosto passado, a floresta amazônica brasileira perdeu 265 quilômetros quadrados de vegetação. E mais o impacto sobre o meio ambiente, a extinção de espécies, os desalojamentos de povos indígenas...

     Nesses assuntos ninguém tocou no debate. É proibido. Tão proibido quanto falar em reforma agrária.

     Dilma e Serra são candidatos que pedem votos para a classe média que usa celular e banda larga e que, por ser facilmente manipulável, devido ao crescente processo de massificação, é instável em suas opiniões. O povo mesmo, que constrói o país e que é explorado diariamente deverá ficar contente com o salário mínimo. Os que tiverem emprego.

     Porque, acreditam os candidatos, o povo vive em currais eleitorais onde são facilmente domesticados, ou comprados, para votarem em “A” ou em “B” e, sendo assim, não precisa ser convencido a votar, mas instigado, ou obrigado, a isso.

     Talvez por isto, a Dilma tenha como aliados políticos o dono do Maranhão, José Sarney e um dos donos de Alagoas, Fernando Collor. São votos contados. Sem contar que o vice de Dilma – Michel Temer - é um dos principais articuladores do PMDB, um partido que domina grande parte dos “currais” eleitorais do país.

     Falar em um governo do povo e para o povo é pecado político no Brasil. Mas os candidatos falaram, sim, naqueles processos de minimização da pobreza, de dar migalhas para que o povo não se revolte.

     No caso de alguma revolta, como já acontece nas inúmeras e sempre maiores favelas brasileiras, o plano de repressão já está pronto e sendo executado: colocar o exército armado nas favelas para fazer o que eles apelidaram de combate ao narcotráfico. E antes da Copa do Mundo, em 2014, que trará muito dinheiro para a indústria do turismo e atrairá tantos investimentos estrangeiros no país, alguns incêndios em favelas demasiado próximas, ou políticas similares de afastamento do Brasil feio será o necessário – e urgente a ser feito – para que se possa vender aquela imagem de Brasil bonito, com carnaval e futebol.

     Às vésperas das eleições do primeiro turno, perguntei para uma pessoa amiga qual seria o voto dela para presidente. Respondeu que votaria na Marina. Comentei que o Plínio tinha vencido o debate e perguntei o que ela achava dele. Respondeu que gostava do Plínio, mas que as idéias dele eram “muito radicais”.

     Fiquei pensando e considerando comigo mesmo que ela é uma pessoa muito jovem (não tem 30 anos) para ter medo de “idéias radicais”, ou mesmo da possibilidade de algo mais radical ser aplicado na política brasileira. A juventude costuma ser sinônimo de ousadia, mas nem sempre. A nossa juventude está ficando velha em suas idéias. Não toda, é claro, mas grande parte dela. Está ficando aferrada ao que já conhece, aceitando as premissas do sistema, as receitas prontas de como se comportar politicamente.

     É triste ver os jovens terem medo do novo.

     Isso me levou a lembrar de uma frase que li como dístico da introdução de um livro intitulado “Capitalismo E Escravidão no Brasil Meridional”. A frase é a seguinte:

     “Ser radical é tomar as coisas pela raiz. Ora, para o homem, a raiz é o próprio homem” (Marx, Contribuição à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel).

     O livro é de autoria de Fernando Henrique Cardoso.

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