quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

DESTAQUES DE 2010


O ano de 2010 deixa saudades para alguns e tristezas para outros, como sempre acontece em todos os anos. Tivemos nascimentos, mortes, tragédias, guerras e momentos emocionantes...

     No Brasil, a eleição de Dilma e a convocação de “Dilmetes” para todos os cargos possíveis – desde segurança até Apontadora Oficial de Lápis Para a Presidente mostrou que a ideologia de Dilma é o Feminístico, ou a mistificação do feminismo. E este é o fato mais brega e engraçado do ano de 2010.

     Não escrevi sobre as lágrimas do Lula ao deixar o Palácio do Planalto com os seus muitos caminhões repletos de presentes – biscuits, fitinhas, porta-retratos, coisas assim... Ou sobre as enchentes ou o assalto às favelas do Rio de Janeiro. Ou, ainda, sobre as fabulosas vitórias dos nossos atletas em suas diversas competições.

     Esses assuntos mais importantes eu vou deixar para as grandes redes de televisão e suas equipes de reportagem.

     Este é um blog simples, limitado. Por isto, simplesmente, limitadamente, segue abaixo o que considerei alguns destaques do ano de 2010.


     A frase do ano: “Você sabe que eu tenho o poder do veto!”. Lula para o seu amigo Sérgio Cabral, sobre os royalties do pré-sal.

     A piada do ano: COP 16. Terminou como começou – emissão de gases 100%, principalmente dos participantes.

     O fiasco: a seleção dos Amigos do Dunga na Copa da África do Sul.

     Prêmio “Segredo de Estado”: a “zerésima” urna eletrônica brasileira. Todos desconfiam e ninguém tem certeza.

     Prêmio “Brumas de Avalon”: as eleições brasileiras com as inescrutáveis urnas eletrônicas.

     O canal de televisão do ano: Globo News, que provou que é possível não informar sorrindo.

     O canal de televisão estrangeiro do ano: Globo News (!), que também acumula o prêmio “Nós Amamos Os Estados Unidos”. Os jornalistas até sabem falar português.

     Prêmio “Time do Ano”: Mazembe.

     Prêmio “Mamãe Eu Quero”: PSDB e aliados.

     Prêmio “Amigo Secreto do Ano”: Aécio Neves, amigão do PT.

     Prêmio “Impostômetro”: vai para o brasileiro, que paga os impostos mais altos do mundo e ainda faz carnaval.

     Prêmio “O Que Será, Que Será?”: para Eduardo Suplicy (PT), que deu cartão vermelho para José Sarney (PMDB), no início do ano, pedindo a sua renúncia e o Sarney terminou o ano como presidente do Senado e aliado do PT.

     Prêmio “Luzes Que Se Apagam”: Yeda Crusius, que conseguiu a façanha de conquistar 19% do eleitorado na tentativa de reeleição como governadora do Rio Grande do Sul.

     Prêmio “Expectativa”: ao Supremo Tribunal Federal, por suas (in)decisões.

     Prêmio “Quem Sou Eu?”: INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), que continua atolado na beira da História.

     Destaque “Quase Poder do Ano”: a Câmara Federal, agora representada dignamente por Tiririca.

     Prêmio “Estória Infantil”: Os Três Porquinhos – de Dilma, la Rousseff.

     O idioma do ano: o Dilmês, somente inteligível pelos altos iniciados do partido da caríssima R$26.723 e todas as mordomias Dilma.

     Melhor Atriz: Marina Silva.

     Melhor Ator: Lula Silva.

     Melhor Atriz coadjuvante: Dilma Silva Rousseff.

     Melhor Ator Coadjuvante: José Serra (que não é Silva).

     Prêmio “Eu Voltei”: Antonio Palocci.

     Chefão do ano: Sérgio “Pré-Sal” Cabral.

     Morte anunciada: Julian Assange, criador do Wikileaks.

     Prêmio “Ditadura II – O Regresso”: Dilma, por arquitetar e construir a hidrelétrica de Belo Monte, em pleno parque do Xingu - o que provocará grande impacto ambiental e desalojará mais de 30 povos indígenas.

     Prêmio “Esquerda Amestrada”: PSOL.

     Prêmio “Direita Travestida”: PT.

     Prêmio “Este É Um País Que Vai Pra Frente”: Ministério da Educação, que acumula o prêmio “Comigo Ninguém Roda”.

     Prêmio Ignóbil da Guerra: Obama, por razões óbvias.

     O desmatador do ano: Aldo Rebelo, do patético PC do B, também conhecido como o partido pelego preferido do PT. Foi o relator do projeto que permitirá desmatar ainda mais a Mata Atlântica.

     O “CARA” do ano: Nelson Jobim – o poderoso invasor de favelas, que também leva o prêmio “O Haiti É Aqui”.

     Prêmio “WikiLeaks do Ano”: Nelson Jobim (de novo?), pela sua estreita amizade com o Grande Irmão do Norte.

     Prêmio “A Raça do Ano”: os nordestinos, segundo Dilma e seus fiéis crentes.

     Prêmio “Boneco Sorridente do Ano”: José Serra, que também leva o Prêmio “Me Engana Que Eu Gosto”.

     A intelectual: Dilma Silva Roussef, por suas inovações lingüísticas.

     Prêmio “Calcinha Preta”: para a semigótica música caipira, que pensa que é country e se diz sertaneja.

     Prêmio “Chico Buarque”: Ministério da Cultura de Dilma.

     Prêmio “Inteligência Artificial”: para os que desejam proibir Monteiro Lobato nas escolas.

     Prêmio “Zé Padilha Ataca Novamente”: “Tropa de Elite 2”, por defender a violência policial.

     Prêmio “Esperançoso”: Michel Temer, vice de Dilma.

     Prêmio “Temerária”: Dilma.

     Prêmio “Carnaval do Ano”: as eleições.

     Prêmio “Povo Brasileiro”: Tiririca.

     Prêmio “Bobo do Ano”: o povo brasileiro.

     Destaque artístico: Lucas Thomazinho. Um dos melhores pianistas brasileiros. 15 anos.

     Destaque de Honra: o povo grego que, ao contrário do brasileiro, vai para a rua e luta pelos seus direitos.


Um Feliz Ano Novo!

Fausto.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O ANO DE 2011 NA NUMEROLOGIA


2011 será um Ano Universal 4 – o 4º ano de um ciclo numerológico de 9 anos, que iniciou em 2008 (Ano Universal 1) e terminará em 2016 (Ano Universal 9).

     Em Numerologia, todos os ciclos são contados de 1 a 9, iniciando-se um novo ciclo após o nono ano. A cada 81 anos há o fim de um grande ciclo numerológico e os tempos se renovam. Cada ano de cada ciclo de 9 anos tem características próprias, de acordo com o seu número indicativo. Os números são apenas indicações gráficas da preponderância das nove principais vibrações que atuam sobre nós e o universo conhecido.

     De acordo com o nome e data de nascimento de cada pessoa, algumas vibrações preponderam, outras ficam apagadas. O ideal seria encontrarmos a harmonia entre todas as vibrações numéricas, mas isto só poderá ser alcançado através do esforço de cada um de nós, objetivando despertar qualidades e aperfeiçoar as virtudes que já trazemos conosco. Também trazemos defeitos, que devem ser reconhecidos e extirpados. O sucesso vem dessa constante busca de aperfeiçoamento espiritual e mental.

     Não somos números. É errado dizer-se, em Numerologia, que fulano ou beltrano é o número “x ou “y”. Na verdade, somos feixes de vibrações Na nossa relação com as demais pessoas, emitimos e recebemos as vibrações mais despertas, que traduzem características pessoais. Ao mesmo tempo, recebemos vibrações do Cosmos, afinando-nos com algumas e descartando outras, conforme for o nosso grau evolutivo.

     Tudo aquilo que fazemos, dizemos e pensamos corresponde a vibrações assimiladas e emitidas. Há uma lei esotérica que diz: “Toda palavra é mantra; todo pensamento é vibração”. Correspondemo-nos com seres e pessoas que são mais afins com as vibrações que emitimos, porque “semelhante atrai semelhante”.

     O pensamento é um forte veículo de criação, e o pensamento coletivo atua com mais força ainda. Assim, quando falamos de número do Ano Universal, mesmo que a datação esteja errada (2011 d.C.) devido à ausência do Ano zero (ano do nascimento de Jesus) e mesmo que os cálculos referentes ao nascimento de Jesus sejam discordantes, criamos, em conjunto, um ente que passou a ter vida no instante que todos passamos a acreditar em sua existência. Uma egrégora, que é alimentada por nossa crença em sua existência. E essa egrégora responde e atua com muita força. Por isso, de fato, o próximo ano será 2011, o 4º ano do atual ciclo numerológico universal.

     O número 4 era considerado o número dos números pelos pitagóricos. Era chamada de Tetractys e simbolizava os quatro elementos – água, terra, fogo e ar. Para os cabalistas, o Tetragramaton contém as quatro letras do nome de Deus: Iod, He, Vau, He. Embora aparentando o número 4, a soma de 1+2+3+4 = 10, e 10 é o número do Cosmos ou da totalidade do universo conhecido.

ANO UNIVERSAL 4

     Em Numerologia, um Ano Universal 4 é o ano base de todo o ciclo de 9 anos. E o número quatro pertence ao elemento Terra, revelando que esse próximo período de doze meses será propício para tudo o que diga respeito à organização, trabalho, poupança, busca do equilíbrio a partir de uma base material.

     Um ano sério, quando decisões importantes serão tomadas. Infelizmente, o nosso mundo ainda é dominado por pessoas extremamente materialistas, e essas decisões poderão ser no sentido de agregar maior poder para os senhores do mundo, que pactuam com forças densas e negativas.

     Na política, decisões duras serão tomadas pelos governos, devido às grandes probabilidades de recessão e inflação. Já está acontecendo na Europa, com a crise de crédito que leva a medidas contra o povo.

     Percebe-se uma tentativa de reestruturação, com a divisão entre países ricos – Inglaterra (que não por acaso não quis adotar o euro como moeda) França, Alemanha, Suíça, Suécia, Holanda; alguns que ficarão na “classe média”, como Itália e Bélgica, e outros (sempre a maioria), os pobres e endividados, com Grécia, Portugal, talvez Espanha, os países dos Bálcãs e os países do Leste europeu.

     E o euro, que deveria ser a moeda que uniria a União Européia, mostra-se como fator de divisão. A sua implantação provocou uma crise de crédito em toda a Europa. Uma única moeda para países com desenvolvimentos diferentes uns dos outros, somente poderia provocar isso.

     As pessoas acreditaram-se iguais e ricas em toda a Europa; as classes médias de cada país investiram, endividaram-se, acreditando na suposta força da moeda e quando os bancos começaram a cobrar o seu dinheiro com ágio altíssimo, os países mais fracos economicamente revelaram as suas fraquezas.

     Também nos Estados Unidos a crise de crédito da classe média, disfarçada com outros nomes, detonou uma crise interna. Mas os Estados Unidos são os donos do FMI e do Banco Mundial. Junto com a Inglaterra e Israel. Alguns bancos quebram, há fusões entre as grandes corporações e o sistema sobrevive e, inclusive, aumenta a sua força de barganha sobre os demais países. Um bom exército é o melhor crédito.

     Claro que lá o povo também sofre as conseqüências das crises. Principalmente nos estados mais pobres. As Federações provocam isso: estados mais pobres, com pessoas mais pobres, que dependem dos estados mais ricos. E os mais pobres pagam sempre quando surgem as crises que provocam recessão e inflação.

     O desemprego aumentou drasticamente naquele país, mas isso não é muito comentado pela imprensa oficial, mesmo que as populações pobres e negras de estados como Louisiana, Missouri e outros estados do sul, reclamem de Barack Obama.
     O capitalismo costuma defender-se das crises econômicas periódicas através de guerras. E os Estados Unidos, junto com vários países da Europa, tem a sua “Força de Paz da ONU” em vários países. Invadiram Afeganistão, Iraque e estão de olho no Irã e com um pé no Paquistão. O objetivo é o total controle do Oriente Médio.

     Na América Latina, deram o seu golpe de estado anual em Honduras, dominam completamente República Dominicana, Panamá, Costa Rica, Porto Rico, Haiti, Colômbia; tem alianças seguras com governos subservientes como o do Brasil, Peru, Chile, Argentina e Paraguai e estão de olho em Cuba, Nicarágua, Bolívia, Equador e Venezuela. Não tanto pelo fator ideológico, mas para expandir o seu domínio e conquistar novos mercados.

     Tudo isso está sendo preparado desde que começou o ciclo universal de 9 anos, em 2008, que foi um Ano Universal 1. 2011, sendo um Ano Universal 4, deverá ser o ano da organização final desses preparativos. Mas sempre haverá a possibilidade de guerra, embora não seja o ano adequado - principalmente contra a Coréia do Norte e Irã.

BRASIL

     Depois de ser mascarada durante 2010, ano de eleições, a bolha da inflação deve explodir em 2011. Aos poucos. Com certeza, medidas serão tomadas para evitar-se uma recessão e, nesses casos, o povo é o mais afetado. Organização, em um Estado capitalista, significa medidas salvacionistas para as elites no poder. Para o povo, promessas, mesadas e muita mídia enganadora.

     O governo de Dilma será aquele que tentará por a casa em ordem, diminuindo gastos e até parando algumas obras do PAC. Será um governo voltado quase exclusivamente para a economia. Significa acordos com multinacionais e grandes capitalistas.

     Individualmente, as pessoas devem se preparar para um ano difícil. Confiar no governo será um erro, porque será um governo voltado apenas para os grandes negócios.

     Com a maioria no Congresso, conchavos com os partidos que foram “oposição” nas eleições (PSDB e DEM) e com o total apoio da maior parte da grande mídia, o governo poderá fazer o que bem entender e o caminho da corrupção e do entreguismo estará aberto.

     Restará ao povo mais esclarecido tentar se organizar dentro dos partidos mais confiáveis – aqueles que não lutam por cadeiras no Congresso – o Congresso já provou a sua ineficácia e já mostrou a quem serve. Ou através de ONGS e demais organizações alternativas. E organizar a luta.

     Com Dilma teremos o “macartismo” brasileiro, com muita polícia e muita censura. Inclusive na Internet. Será gradativo, porque o novo fascismo age disfarçadamente.

     2011 será um ano desafiador. O número 11 vibra uma oitava acima do número 2, e 2 e 11 estão separados pelo zero. O zero é o mensageiro entre os números e estará preso entre a argúcia e a profundidade e a tentativa de evidenciar-se. De um lado a aparente sombra e quietude e, de outro, a necessidade urgente de ação.

     É o Ano do Coelho no Calendário Chinês, mas bem poderia ser o ano da Serpente: por vezes na toca, dormindo, outras, enrodilhada, pronta para dar o bote.

     Em um ano assim, de sutileza e não de jogo aberto, cuidados extras são necessários. A matéria, a extrema densidade, estará em primeiro plano. E os seres que se alimentam de matéria densa, mesmo que aparentemente vibrando em um plano imaterial, estarão mais alertas e dispostos a ajudar os materialistas, que se mostrarão mais arrogantes e agressivos.

     A busca da espiritualidade será uma necessidade para todos aqueles que ainda acreditam que a luta pelo Bem deve triunfar. Assim como a luta defensiva contra o mal, a luta pelos direitos dos cidadãos.

     Sempre lembrando que não se deve combater o Mal com outro mal - pois isto daria maior energia ao inimigo – mas com o esclarecimento, a verdade, a informação. Tornar claras as coisas, iluminar o que parece escuro e inspirar as pessoas, ao ponto de que elas próprias percebam e distingam o certo do errado – estas são as armas do Bem.

     2011 deve ser o ano da organização, da luta, da seriedade, da união daqueles que querem defender os povos, a humanidade e o planeta. Desmascarar este sistema predador deverá ser o foco principal.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O VESTIDO DE DILMA E O FIM DA POBREZA


Dilma receberá a faixa de presidente vestindo branco. Não será um vestido vermelho, conforme todos pensavam. Branco é mais adequado. Vermelho, apenas nas veias, no coração, onde pulsa aquele imenso amor pelo povo brasileiro e a sua vontade indomável de contar com todo esse povo para, enfim, fazer uma revolução socialista no Brasil.

     É o que se entende nas entrelinhas das suas afirmações, quando ela diz que vai acabar com a pobreza no Brasil. Para que isso aconteça, será necessário mudar o regime político, de capitalista para socialista.

     Isto significa ampliar a participação popular em todos os setores da sociedade, acabar com os pequenos grupos de muito ricos, com as oligarquias regionais e nacionais, mudar de uma democracia meramente representativa para uma democracia participativa, quando o povo poderá não só eleger, mas ter o direito de votar pela anulação do mandato daqueles representantes que não cumprirem com as suas promessas de campanha.

     Dar saúde, educação e moradia para todos, gratuitamente. Mais que isso, fazer uma reforma radical na saúde e na educação.

     Na saúde, para que todos tenham atendimento digno e, se possível, domiciliar, quando necessário; na educação, para que todos não só aprendam a ler e a escrever, mas saibam raciocinar a respeito de suas próprias vidas e daquilo que desejam para si e para todos, em termos de dignidade humana.

     Mas, principalmente, e antes de tudo, fazer uma reforma agrária de fato, acabando com as terras improdutivas, com os grandes latifúndios e com a escravidão no campo.

     Ao invés do latifúndio, fazendas-modelo, com toda a aparelhagem para os agricultores, que trabalharão em comunidades agrícolas modernas, com escolas, redes de água e de esgoto, centros médicos e hospitalares, parques esportivos e acesso às tecnologias avançadas. Os que trabalharem na agricultura deverão plantar apenas produtos orgânicos, visando em primeiro lugar o mercado interno para depois exportar o excedente.

     Os pecuaristas terão todo o apoio de médicos-veterinários e tudo o mais que for necessário, para que seja aumentada a criação, com qualidade, e o povo possa ter acesso à carne quase a preço de custo.

     Acabar com a monocultura, que só destrói a terra; não usar mais produtos transgênicos, criar leis severas contra o desmatamento e priorizar a proteção à natureza, não construindo hidrelétricas que a destruam, mas procurando alternativas mais saudáveis e naturais, como a energia solar e eólica.

     E também uma reforma urbana. Transformar as vilas e favelas em pequenas cidades onde todos tenham moradia decente e saudável, com água e energia gratuitas, assim como escolas, ginásios esportivos, centros de teleconferência, cinemas, hospitais gratuitos e com médicos e enfermeiros bem pagos pelo Estado, para que possam atender a todos com respeito e equidade.

     Aumentar o número de transportes públicos confortáveis e baratos; diminuir o número de carros; melhorar as estradas, mas dar preferência à construção de ferrovias em todo o país, não só para o transporte de passageiros, mas para facilitar o escoamento da produção.

     Nacionalizar as fábricas, pequenas e grandes, para que o Estado realmente mande no país e não fique a serviço das multinacionais e para que todos tenham trabalho com salário digno. Aumentar a produção, com qualidade, para que todos tenham acesso aos produtos, gastando apenas o necessário para adquiri-los, sem ágio, e o excedente seja exportado e sirva como valor de troca.

     Acabar com a corrupção em todos os setores, a começar pelo governo. Acabar com especulações na Bolsa, ou melhor, acabar com a Bolsa. Não ficar dependente de outros países, porque temos no Brasil todas as condições para que possamos crescer em igualdade com os demais países, com o nosso povo sendo dono de seu próprio destino.

     Isso para começar.

     E traria dignidade ao povo. Aos poucos iríamos perder aquela sensação de cão sem dono, ou melhor, um cão com dono lá no norte da América, mas sempre cão.

     O povo poderia levantar a cabeça e pensar: “Eu tenho orgulho de ser brasileiro, não porque aqui tem o melhor carnaval do mundo, ou porque se joga muito bem o futebol, mas porque lutamos com bravura pela nossa independência econômica e pela liberdade social e política. Aqui ninguém passa fome, todos tem emprego com bons salários e podem prosperar”.

     Parece pouco? A nossa cultura ressurgiria, mesmo que aos poucos, e não seria mais essa cultura importada que nos despersonaliza. Finalmente, agiríamos como latino-americanos e não como imitadores da cultura norte-americana e européia.

     Porque, se Dilma realmente deseja acabar com a pobreza, não poderá fazê-lo em um país capitalista.

     Talvez ela não saiba e seja até bem intencionada, mas a pobreza não poderá acabar através de mesadas. Cria um mau hábito e o povo que recebe mesadas torna-se servilmente dependente do Estado e, aos poucos, desiste de lutar por si mesmo. Além do que, mesadas não acabam com a pobreza.

     Vou explicar para a presidente.

     Capitalismo é um sistema econômico em que os meios de produção e distribuição são de propriedade privada e com fins lucrativos; decisões sobre oferta, demanda, preço, distribuição e investimentos não são feitos pelo governo, os lucros são distribuídos para os proprietários que investem em empresas e os salários são pagos aos trabalhadores pelas empresas.

     Ou seja, no capitalismo o governo não manda, o povo muito menos. O capitalismo é gerador de pobreza, porque os capitalistas necessitam do trabalho assalariado para as suas empresas particulares. É a mão de obra barata que traz o lucro e as grandes fortunas. As grandes fortunas ficam com poucas famílias.

     A tendência lógica dos capitalistas é a de aumentar as suas fortunas ao mesmo tempo em que o povo se torna mais pobre. Aquilo que deveria ser do povo passa para poucas pessoas. Com o apoio do governo, porque no capitalismo o governo sempre é cúmplice dos capitalistas e inimigo do povo, a quem engana com promessas e migalhas.

     O capitalismo é irmão gêmeo da corrupção, da mentira e da vigarice. Traz consigo o pecado mortal do egoísmo. Arrasta as pessoas à degradação moral e física.

     O capitalismo não respeita nada, nem pessoas nem a natureza. Os capitalistas acreditam que são donos de tudo, donos do mundo, e que poderão devastar e matar, se julgarem necessário, desde que isso lhes traga mais lucros.

     Os capitalistas são promotores de guerras e de miséria. Necessitam das guerras para aumentar o número de países sob o seu domínio, aumentando o número de pessoas que consumam os seus produtos. E isso provoca miséria, porque para onde se expande a ganância capitalista formam-se oligarquias, pequenos grupos de pessoas muito ricas que dominam todo o comércio, industrialização e produção e milhões de pessoas empobrecidas que são exploradas na sua força de trabalho.

     Além disso, as guerras são necessárias para os capitalistas porque eles criaram um monstro chamado indústria bélica, que necessita vender armas e munições e está sempre se expandindo. E a guerra promove destruição, morte e miséria.

     O capitalismo destrói a moral e a dignidade das pessoas pobres e as faz acreditar que a pobreza é o seu destino, porque, apoiado por religiões cúmplices, principalmente no Ocidente, inventou um deus falso – que não é o verdadeiro Deus de amor – que provoca temor nas pessoas, incerteza sobre o seu futuro e as torna covardes a ponto de aceitarem o seu presente miserável como inevitável.

     O capitalismo não hesita em destruir a natureza, se isso lhe trouxer lucro.

     Desmatamento, monocultura, construção de hidrelétricas, destruição de povos nativos, destruição da fauna e da flora, plantação de transgênicos são alguns dos aspectos mais visíveis do capitalismo devastador no Brasil.

     O capitalismo é cínico. Fabrica toda a espécie de drogas “proibidas” e depois finge combater os traficantes quando, na verdade, o vício das pessoas é mais uma fonte de lucro capitalista. As drogas mais pesadas também servem para embotar, fechar a mente dos seus soldados, quando os capitalistas os jogam nas guerras que fabricam.

     O capitalismo provoca distorções mentais nas pessoas que são bombardeadas pela imprensa capitalista, o que faz com que todos pensem em termos de dinheiro, lucro e posse. Aprofunda a divisão de classes, provoca o ódio, a inveja, a ganância, o apodrecimento por dentro.

     O capitalismo é corruptor em todos os aspectos da vida. É sinônimo de morte. Primeiro mata por dentro; depois, destrói tudo ao seu redor. Os capitalistas não nascem maus e alguns até pensam que fazem o bem através de obras assistencialistas.

     Mas o sistema que eles inventaram e que lhes dá o prazer da conquista dos bens materiais, que os impele à volúpia do luxo, que os faz se considerarem exceção, seres superiores aos demais, os comeu por dentro. Tirou-lhes as emoções naturais, tornou-os egocêntricos e os faz agir com barbarismo e selvageria em relação a tudo e a todos.

     Se a presidente Dilma pretende de fato acabar com a pobreza no Brasil deverá, primeiro, acabar com o capitalismo no Brasil. Apenas programas de “inclusão social” e assistencialismo de nada adiantará.

     Promover a participação de todos os cidadãos é um dever do Estado, não um ato meritório. Está na Constituição. É claro que todos sabemos que a Constituição foi feita por e para pessoas que já detem o poder. Não se aplica aos pobres e desamparados. Um exemplo claro é o que está acontecendo nas favelas do Rio de Janeiro, neste momento: invasão de domicílios, fim do direito de ir e vir e outras atrocidades ilegais. Com o aval do governo, o beneplácito do Congresso e o silêncio da OAB.

     Nos países capitalistas, como o nosso, as leis são feitas para serem aplicadas apenas quando favorecerem interesses de Estado ou de oligarquias.

     O povo é considerado um corpo estranho que deve ser reprimido a todo custo – principalmente quando esse corpo estranho se manifesta, reivindicando os seus direitos. Ou o que pensa serem os seus direitos. E o povo é mantido na ignorância justamente para que não saiba quais são os seus direitos. Para que não ouse reivindicar, reclamar, ir às ruas. Quando isso acontece, o Estado usa os meios repressores: polícia, exército e o que tiver à mão.

     Outros meios repressores são a imprensa, a chamada grande mídia, que justifica sempre as ações ilegais do Estado,massificando as pessoas para que pensem sempre de acordo com o sistema imposto - e os partidos políticos.

     Os partidos políticos fazem o jogo do sistema ao fingirem que democracia é o mesmo que eleições. Agrupam as pessoas, dão-lhes lições de “comportamento cívico”, impedem que se manifestem espontaneamente, fazendo com que acreditem que a única manifestação deve ser através do voto, periodicamente e em silêncio.

     Em um país capitalista, apenas os partidos políticos de direita tem vez. Os de esquerda são amordaçados ou se acomodam dentro das estruturas do sistema. E obedecem à Direita.

     Assim, “inclusão social” é um apelido do que já está explícito na Constituição, em seu artigo 3º:

“Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

"I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;

"II - garantir o desenvolvimento nacional;

"III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

"IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.”

     Mas serve de propaganda para o partido do governo e seus aliados. Qualquer coisa que for feita no sentido do que já está explicitado nesse artigo como sendo um dever do Estado o povo pensará que é uma dádiva do governo.

     Se Dilma está sendo verdadeira ao dizer que vai acabar com a pobreza no Brasil, deverá liderar um grande movimento no sentido de transformar o Brasil em um país socialista.

     Caso contrário, estará iludindo a si e aos demais, e as suas intenções não são puras como a cor do vestido que provavelmente estará estreando em sua posse.

sábado, 25 de dezembro de 2010

LUZ


A fome é, conforme tantas vezes tenho afirmado, a expressão biológica de males sociológicos. Está intimamente ligada com as distorções econômicas.

(Josué de Castro).



     Lula decidiu antes do Natal que o Brasil é composto apenas pelos estados que tem dinheiro. Como Lula gosta muito do Rio de Janeiro, também decidiu que o Rio de Janeiro é o estado do Brasil que terá mais dinheiro. Sofismando, pode-se deduzir que Lula decidiu que o Brasil é o Rio de Janeiro. Tudo pelo dinheiro do petróleo. O que seria do PT sem o petróleo? Apenas a demagogia do Lula não iria adiantar nada.

     Os demais estados apenas farão vulto no mapa do Brasil. Mas, conforme for, dependendo das prováveis alianças, alguns estados poderão ganhar mais migalhas que os outros – principalmente aqueles que tiverem governadores do PT e de seus aliados.

     Mas, se alguns estados ganham mais ou menos que outros estados, as pessoas que vivem nos estados do nosso país, em sua imensa maioria não tem acesso a esse ganho. O dinheiro vai para os governos e governadores de cada estado, para os bancos, para os muito ricos. 

     O Brasil tem o terceiro pior índice de desigualdade social e econômica do mundo, segundo a ONU. Os dados são de 2010 e o mundo tem 249 países. É um dos 15 países com maior diferença entre ricos e pobres, uma das piores distribuições de renda do planeta. Mas os 100 maiores bancos do País acumularam, no período do governo Lula, R$ 127,8 bilhões em lucros.

     Fala-se em maior distribuição de renda e o povo acredita, porque é um povo infelizmente composto de semianalfabetos dominados pela propaganda do PT. Um povo que aceita a sua miserabilidade acreditando que está melhorando de vida. E o partido do governo faz de tudo para gerenciar a pobreza e a ignorância.

     Distribuição de renda viria apenas com a reforma agrária, mas o governo do PT é o que mais expandiu o latifúndio, visando o crescimento da Balança Comercial. Não se importa com a solução de problemas, somente prorroga o endividamento agrícola com medidas paliativas, não garantindo renda ao produtor rural.

     O chamado agronegócio é um sistema perverso, porque é concentrador de terra, de recursos públicos e de tecnologia; sistema devastador do meio ambiente e que usa e abusa da mão-de-obra dos miseráveis que necessitam urgentemente de qualquer emprego e caem nas mãos de usineiros e empresários.

     E quem sustenta essa corja toda são os impostos da classe média, porque não há tributação sobre as grandes fortunas. De acordo com o site “Os Inimigos do Rei”:

“O Estado Brasileiro cobra, atualmente, a maior carga tributária DO PLANETA. Mais que Suécia, Alemanha ou qualquer outro país que anteriormente era campeão de tributação. Mas, com uma diferença: enquanto em países como Suécia e Alemanha o cidadão sabe que está amparado da hora do nascimento até a hora da morte, neste inferno tropical chamado Brasil, todos têm certeza que a dinheirama gerada por 148 dias de trabalho anuais de todos os cidadãos é embolsada, desviada, e a miséria continua, PLANEJADAMENTE continua, para que exista sempre esta maioria de miseráveis necessitando de Bolsa Família e votando nos espertalhões que deixam o País sem saúde pública de qualidade, com educação pública ridícula, sem segurança pública alguma.” (http://www.osinimigosdorei.blogspot.com/).

     O governo Lula, que termina aparentemente agora, mas continuará com aquele enfático e estranho ser chamado Dilma, é o governo dos banqueiros, dos latifundiários, das multinacionais, do entreguismo, da corrupção e da violência. E o balanço desses oito anos de lulismo é um só: Lula traiu a sua própria classe operária.

O CARA

     Obviamente, Lula não é democrata, mas isso não tem importância para ele, que gosta de vestir vermelho e fingir que é comunista e como não gosta de ler e tem escassa cultura deve achar que comunismo é o mesmo que capitalismo e estamos conversados.

     Lula é a cara do Brasil de hoje. Ele e Tiririca. Com a diferença que Tiririca é um palhaço assumido. Além disso, Tiririca é mais honesto, porque disse em sua campanha que queria ser eleito para ter mais dinheiro, enquanto Lula ainda tenta fingir que não é por dinheiro que foi eleito Presidente. Aperfeiçoou-se como demagogo.

     Na próxima eleição teremos Tiririca para Presidente, e poderá ser eleito. Porque os brasileiros adoram rir de si mesmos. Não elegeram o Lula?

     Pensando que é comunista, Lula começou a ficar parecido com Stálin. Não através de leituras, porque leitura é uma coisa cansativa para Lula. Provavelmente observando os retratos do ex-ditador soviético e comparando-os com os seus. Se tirar a barba, crescer um pouco, diminuir a barriga e aprender a ler e a escrever decentemente, haverá uma possibilidade.

     Como Stálin, Lula tem o partido único, faz o que bem entende com o dinheiro do país e botou as Forças Armadas para matar pessoas nas favelas. Aqui e no Haiti. 

     Lula sente-se poderoso. Poderá ir para a ONU, servir diretamente os senhores do Norte. No Brasil, ficará a poderosa Dilma, a coisa mais engraçada que aconteceu na política brasileira nos últimos tempos.

     Assim como Stálin criou a União Soviética à força, unindo os países do Leste europeu em uma só ideologia fascista, Lula pensa em unir os países da América do Sul também em uma só ideologia fascista: a do PT. E,como Stálin, Lula acredita que fez uma grande obra assistencial durante esses oito anos de mandato.

     Lula não lê, Lula não gosta de ler. É de desconfiar que ele esteja acreditando, de fato, no que lhe contam sobre o seu governo. Se for assim, será patético. O enganador enganado; o ilusionista iludido. Um triste fim de governo. Mais ainda para o povo brasileiro, que continua acreditando nas mentiras dos seus partidos, sindicatos, associações de bairro, que lhe passam a idéia de que o poder sempre está acima, lá, bem longe... E que o povo depende do bom humor desse poder distante, que amordaça e controla a sua força para poder desfrutá-la vampirescamente, gota a gota.

     Mas Lula não manda mais daqui a alguns dias... Não manda? Manda? Não manda? Quem manda? A Dilma? Mas quem é a Dilma, senão o Lula de saias? Apenas uma pessoa escolhida para aparecer à frente do Governo, fingindo que manda. Igual ao Lula.

     Por trás da Dilma, assim como por trás do Lula, teremos o Zé Dirceu, Palloci e Genoíno. E o Tarso Genro. O Partido.

     E alguma sombra oculta por trás de todos esses, nos bastidores, que é o lugar correto das sombras ocultas do poder. Poderemos denominar essa sombra oculta de Forças Armadas, Illuminati ou Maçonaria, ou todos juntos. E ainda por trás, claro, os Estados Unidos, o Clube Bilderberg... E poderemos ir subindo até chegarmos ao Demiurgo, ou ainda além. Seres do Mal não faltam. Toda a pirâmide. E o Olho ainda acima. Tudo vendo e se deliciando.

     E o povo? É apenas uma palavra, um brinquedo, uma desculpa. O que importa para esse pessoal todo é a sua própria ganância satisfeita. O povo que pague os seus impostos e aceite as suas mesadas. Afinal, é o povo brasileiro, quieto, servil, sorridente e carnavalesco. Que vá assistir novelas, torcer pelos seus times de futebol...

     ...Assistir o bota-fora de Lula e a entronização de Dilma. Os gastos serão em torno de vinte milhões e haverá festas, discursos, sorrisos, gargalhadas e lágrimas. Tudo conforme o script. Dilma deverá estar de vermelho, sorrindo o tempo todo. Quando ela receber a faixa presidencial, Lula fará uma brincadeira, puxando a faixa, para que todos riam mais ainda. O povo ficará uivando de prazer na televisão. Dilma continuará sorrindo. Dirá algumas palavras em Dilmês, que alguém traduzirá para o povo ignaro.

     Depois, o discurso, prometendo a extinção da pobreza, agradecendo ao Lula, dizendo-se devotada às causas sociais. Os ministros babarão, pensando em seus salários e tantos ganhos adicionais; os secretários suarentos suarão e chorarão e todo o restante do trem da alegria, no país inteiro, tremerá alegremente, servilmente...

     Com certeza, haverá missa, quando algum representante da Igreja oficial falará gravemente e ungirá a escolhida. O povo não será convidado, mas continuará uivando, embevecido.

     Enfim, os comes e bebes e Dilma sempre sorrindo, mesmo antes dos bebes. Dúvidas: Lula e Dilma trocarão um beijo? Todos se beijarão? Haverá alguma orgia?

     As pessoas mais simples, nas suas casas, com as suas esperanças, milhões de esperanças, pendendo dos lábios do Galvão Bueno, que narrará tudo como se fosse uma final de Copa do Mundo. Os seus lábios deixarão passar palavras graves e eloqüentes, fruto de pensamentos nobres a respeito do futuro do Brazil. Com Z.

     E o povo se sentirá feliz e bestial, ao mesmo tempo, ao ver os fogos de artifício em Brasília, a cidade artificial. Tanta luz!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O SENHOR DO KARMA

(Foto de Lidia Amaral).

A figura histórica de Jesus é bastante controversa, mas o seu significado e simbolismo são muito interessantes.

     Controversa, porque, independente da fé de cada um, sabe-se que o Cristianismo começou a aparecer para o mundo como religião oficial imposta aos povos ocidentais logo após Constantino assim a ter declarado e ratificado no Concílio de Nicéia. Portanto, uma religião que já nasceu aliada ao império então dominante, assimilando a sua ideologia. E, através do Império Romano, impôs-se, gradativamente às religiões então existentes, que os padres da Igreja, generalizando, chamaram de paganismo.

     Para poder destruir aquelas religiões pagãs, o Cristianismo da época precisou assimilar os seus usos e costumes, suas tradições e até o seu conhecimento, assim dito esotérico. Tudo isso, com o objetivo de unificar os povos submetidos ao império através de uma única religião, que representava, simbolicamente, o poder centralizador.

     Como uma espécie de partido político dominador, porque o Império Romano necessitava de uma reestruturação, estando ele ameaçado por todos os lados pelos povos que ainda eram “bárbaros” em seus hábitos e cultura, que tinham herdado, uns dos outros, deuses, crenças e diversas maneiras de encarar o mundo restrito em que viviam e o universo desconhecido que os cercava.

     O Império Romano necessitava agregar aqueles povos a si ou ser definitivamente destruído. E o Cristianismo foi o fator de coesão, o ponto catalisador entre o Império já decadente e dividido e os demais povos.

     Mas, para isso, teve de ceder um pouco de si mesmo. Teve de ceder frente ao Império aquela força moral que o mantinha unido em uma única fé, uma única certeza e visão de mundo. Reunidos em Nicéia, em 325 - naquele concílio que ficou célebre por instituir como verdade o mistério da Trindade, decidir sobre a celebração da Páscoa, repudiar o arianismo (teoria defendida pelo presbítero Ário, que negava a divindade de Jesus), e instituir os cânones básicos da Igreja Católica - cristãos que eram governados por outros cristãos mais eruditos sentiram-se na obrigação de concertar um acordo com os doutores da Igreja, aceitando aquelas verdades como únicas e incontestáveis ou serem expulsos da congregação dos fiéis.

     Naquele tempo, muitos cristãos ainda não tinham Jesus como Deus – mas como uma espécie de profeta escolhido por Deus para divulgar os caminhos da fé. Outros, não acreditavam na virgindade de Maria, mãe de Jesus, ou em sua divindade. Mas Constantino soube lidar com todos eles, em Nicéia, ao exigir dos pais da Igreja que esta fosse estabelecida sobre cânones e dogmas que a sustentariam e seriam como colunas morais do Império Romano claudicante.

     Para triunfar e tornar-se a única religião do império, a Igreja Católica, agora Romana, teve que suplantar outras religiões preferidas pelos romanos. Principalmente o Mitraísmo.

MITRA

     O Mitraísmo teve origem na mitologia persa e foi trazida para Roma pelos soldados romanos.

     O culto de Mitra chegou à Europa onde se manteve até o século III. O símbolo de Mitra era o touro, usado nos sacrifícios à divindade. A morte do touro, que representaria a Lua, era característica desse mistério que se espalhou pelo mundo helênico e romano por meio do exército. A partir do século II o culto a Mitra era dos mais importantes no Império romano e numerosos santuários (Mithraea, singular Mithraeum) foram construídos. A maior parte eram câmaras subterrâneas, com bancos em cada lado, raras vezes eram grutas artificiais. Imagens do culto eram pintadas nas paredes, e numa delas aparecia quase sempre Mitra que matava o touro sacrificial.

     A religião cristã, que foi levada pelos judeus para Roma, para ser aceita pelo povo como a única religião do império teve que assimilar muitas características do mitraísmo. Por exemplo, desde a antigüidade, o nascimento de Mitra era celebrado em 25 de dezembro. A celebração do Natal Cristão em 25 de dezembro surgiu por paralelo com as solenidades do Deus Mitra, cujo nascimento era comemorado no Solstício (de inverno no hemisfério norte e de verão no hemisfério sul). No calendário romano o solstício acontecia erroneamente no dia 25, em vez de 21 ou 22. Os romanos comemoravam na madrugada de 24 de dezembro o "Nascimento do Invicto" como alusão do alvorecer de um novo sol, com o nascimento do Menino Mitra.

     Jesus, Mitra, Sol Invicto. Todas as religiões antigas sempre cultuaram o grande mistério das mudanças de estações: solstícios e equinócios. Tinha-se que saber o momento de plantar e o momento de colher. O momento em que a vida se encolhe, em suposta morte e o corpo se enregela e fica rígido para, depois, aos poucos, desfazer-se, e nesse desfazer-se aparente novamente originar a vida. Os povos, por mais antigos que fossem, reconheciam que a vida é uma doação, uma doação eterna. E agradeciam por isso. Descobriram que a Natureza nada mais é que a vida revelada e que nós, seres humanos, como a parte consciente do universo que, além de prolífico em manifestações, é mental e espiritual a um só tempo – mas em um tempo que não é tempo, não é contado nem deduzido, e este é o seu grande mistério – tínhamos uma obrigação maior ainda de agradecer e festejar cada uma das quatro belas faces com que a natureza revela a sua magnitude e o seu poder, conscientes da aparência dessa demonstração de força, que é criada na mente do Incognoscível.

     Por isto, as festas iniciáticas dos povos pagãos aconteciam durante os solstícios e os equinócios, quando alguns segredos eram revelados para os neófitos, geralmente através de belas alegorias, como a do deus Mitra matando o touro para fecundar a Terra com o seu sangue. Morte, transformação, renascimento. A necessidade da morte, assim como a necessidade da vida. A dualidade cósmica. A impossibilidade de algo existir sem que haja o seu oposto. Tudo é 2 para que haja o 3 e para que o 3 seja o 1 manifestado, porque o 1 é explosão e inércia ao mesmo tempo; revelação de um novo universo, enquanto desvela a certeza de um não-universo equivalente.

     E aqueles que bebiam o sangue e comiam o corpo do touro sacrificado – símbolo da força da Terra – tinham um pequeno vislumbre da eternidade que chamamos de vida, mas que também é morte. E ficavam orgulhosos por serem deuses no instante em que descobriam os segredos do deus; e aprendiam a ser humildes ante a imensidão dos segredos dos multiversos.

     Provavelmente, os cristãos do século III, que conheciam de Jesus uma pequena história e necessitavam mitificá-lo para trazer a si as religiões que preponderavam entre os romanos, tenham adotado grande parte da simbologia do mitraísmo.

     Segundo os relatos míticos, Mitra nasceu em uma caverna, no dia 25 de dezembro, e foi adorado por pastores. O rito principal do mitraísmo era um banquete que tinha algumas semelhanças com a eucaristia do cristianismo. Achados arqueológicos revelaram que os alimentos oferecidos no banquete eram o pão e o vinho. O simbolismo era o mesmo do cristianismo. Quando Mitra mata o touro, nasce trigo do sangue espargido, simbolizando uma nova vida. O sacrifício de Jesus tem o mesmo significado: morte e ressurreição.

     Mas o cristianismo fez algumas concessões e aperfeiçoamentos. Enquanto o mitraísmo era uma religião de cunho iniciático, que só admitia homens nos mistérios, o cristianismo mostrou-se como religião aberta a todos, inclusive mulheres, e provavelmente a santificação de Maria, mãe de Jesus tenha sido um dos pontos principais para tornar o cristianismo uma religião bem mais popular que o mitraísmo.

DRUIDISMO

     Quando o cristianismo foi institucionalizado como religião oficial do Império Romano, além do mitraísmo e da religião do Sol Invicto, outras religiões proliferavam entre os povos ainda dominados pelos romanos, entre as quais destacava-se, entre os celtas, o druidismo.

     O druidismo se baseava em dois grandes princípios: o respeito à natureza e a crença na imortalidade. Os druidas eram os sacerdotes, presidiam as cerimônias religiosas e exerciam outras funções. Acreditavam na figura suprema da Deusa-Mãe, que simbolizava a Terra e as suas dádivas. Os sacerdotes druidas conheciam as forças telúricas da natureza e a utilizavam nos seus ritos mágicos. Além dos dólmens e menires – gigantescas rochas erguidas em determinados locais para marcar as correntes terrestres em harmonia com o Cosmos e onde eram realizados rituais secretos – tinham em seus templos imagens femininas, que mais tarde foram cognominadas de “virgens negras”, provavelmente utilizadas em seus rituais iniciáticos ou simplesmente para simbolizar a deusa-mãe, ou “a Deusa”.

     A crença na Deusa era muito forte entre os povos celtas, que não podiam aceitar um deus masculino como criador e sustenedor da natureza. O cristianismo usou a santificação de Maria como maneira de dominar aqueles povos também através da religião, colocando-a ao lado de Jesus em poder e até um pouco acima para a visão dos povos que estavam sendo aculturados, porque Maria foi dita como sendo a “Mãe de Deus” - virgem e geradora. E aquelas estátuas das virgens negras encontradas em território celta foram tidas como imagens de Maria.

     Os sacerdotes druidas e as sacerdotisas druidesas não se deixaram enganar, mas os povos celtas, aos poucos, foram aderindo ao cristianismo, que tinha não só uma Deusa, como também um Deus – além de ser uma religião aberta a todos, iniciados e não iniciados.

     E enquanto aqueles povos – celtas e demais “bárbaros” – que cercavam o Império Romano e eram por ele assimilados, e posteriormente o derrubaram, mas continuaram cristãos, não tinham provas escritas das suas crenças ou, se as tinham, estavam em mãos dos altos sacerdotes iniciados e distante do povo, a Igreja Católica Romana não só usava o sincretismo religioso na sua luta contra as religiões “pagãs” como tinha em mãos uma prova escrita que dizia ser divina, inspirada diretamente por Deus. A Bíblia.

A BÍBLIA

     Os primeiros seguidores de Jesus que, inspirados por Paulo, resolveram-se a catequizar os gentios e foram até Roma, a capital do Império, levavam consigo, além das lembranças, alguns escritos – os Evangelhos – que presumivelmente contavam a história de Jesus, dos 30 aos 33 anos.Eram muitos os escritos sobre Jesus, e não somente os quatro evangelhos canônicos aceitos oficialmente hoje. E muitas as histórias contadas através daqueles escritos.

     Em 70 d.C., quando a fé romana ainda era de origem helênica, com influências persas e celtas, ocorreu a segunda dispersão, ou diáspora, do povo judeu pelo mundo, após terem sido derrotados pelos romanos em Jerusalém. Isso fez com que se espalhassem por diversos países e continentes, incluindo a Europa.

     Há indícios que os judeus que foram para a Europa entraram em contato com os cristãos, que também eram judeus em sua maioria e que, desta vez, tenha havido outro sincretismo: o da história do povo judeu (Velho Testamento) com a história de Jesus (Novo Testamento). Desse sincretismo surgiu a Bíblia.

     A Bíblia é um conjunto de pequenos livros ou uma biblioteca. Foi escrita ao longo de um período de cerca de 1600 anos por 40 homens das mais diversas profissões, origens culturais e classes sociais, segundo a tradição judaico cristã. No entanto, exegetas cristãos divergem sobre a autoria e a datação das obras.

     Mateus, Marcos, Lucas e João são os únicos evangelhos aceitos pela Igreja Católica e pelos evangélicos como legítimos e que portanto integram o Novo Testamento da Bíblia. O cânon começou a ser definido por volta de 150 d.C. durante a controvérsia marcionita e aparece documentado pela primeira vez na forma atual em 367, em uma carta de Atanásio, bispo de Alexandria. O Terceiro Sínodo de Cartago em 397, ratificou o cânon aceitado previamente no Sínodo de Hipona Regia, realizado em 393 onde hoje é a Argélia. O Livro de Apocalipse foi contestado sua inclusão no cânon por toda a Idade Média, sendo aceito por católicos e protestantes no Século da Reforma.

     Além dos quatro evangelhos canônicos, existem os livros apócrifos. Muitos são de origem gnóstica e alguns deles foram escritos mais de 200 anos após a morte de Jesus. Dentre os quatro evangelhos, três são chamados de Sinópticos (do grego “syn” = junto), porque apresentam grandes semelhanças entre si: Mateus, Marcos e Lucas. Desses três, sabe-se que Lucas não foi apóstolo, mas uma espécie de “repórter” da época, que pesquisou a vida de Jesus junto aos seus seguidores e a escreveu.

     Foi São Jerônimo, tradutor da Vulgata latina, em fins do século IV, que chamou pela primeira vez ao conjunto dos livros do Antigo Testamento e Novo Testamento de "Biblioteca Divina". A Bíblia é uma coleção de livros catalogados, considerados como divinamente inspirados pelas três grandes religiões dos filhos de Abraão (além do cristianismo e do judaísmo, o islamismo). São, por isso, conhecidas como as "religiões do Livro". O Concílio de Trento, em 1541, estabeleceu um texto único para a Vulgata a partir de vários manuscritos existentes, o qual foi oficializado como a Bíblia oficial da Igreja e ficou conhecido como Vulgata Clementina.

     É composta de 46 livros (alguns admitem apenas 39) do Velho Testamento (história do povo judeu) e 27 escritos do Novo Testamento (história de Jesus).

     O sincretismo bíblico entre o Antigo e o Novo Testamentos fez com que muitos dos ensinamentos de Jesus ficassem diluídos, e grande número de cristãos, talvez a maioria, até hoje acredita que o Novo Testamento é apenas uma continuação do Antigo Testamento.

JESUS

     Na verdade, não é. Os ensinamentos contidos nos quatro evangelhos canônicos – e até nos apócrifos – mostram Jesus como uma pessoa que veio pregar uma nova forma de encarar a vida e não exatamente para reformar a velha lei judaica, com a qual não concordava inteiramente.

     Sendo uma pessoa espiritualizada fazia diversos milagres, principalmente curas de doentes. Embora tenha sido deificado após a sua morte, ela nunca afirmou ser filho de Deus, mas Filho do Homem, significando que era um ser humano. Estava acima de um ser humano comum, não se prendia a bens materiais, tudo indica que era celibatário e pregava aos seus discípulos que para tudo bastava ter fé.

     Mas a fé que Jesus pregava também foi mal interpretada. Hoje, cristãos do mundo inteiro pensam que ter fé é o mesmo que acreditar ou rezar para Deus, que tudo se resolverá. No entanto, segundo o que se lê nos evangelhos, a fé que Jesus pregava ia além de mera crença. Significava acreditar em si mesmo, ter confiança na sua própria força vital e no poder de transformação que está contido em cada ser humano.

     Nos evangelhos ele repete essa interpretação de fé constantemente aos seus discípulos, que foram escolhidos entre pessoas comuns e não entre sacerdotes iniciados. Aliás, ele chamava os sacerdotes de hipócritas e de “sepulcros caiados”. Que nada deixariam para ninguém, nem mesmo a sua suposta sabedoria.

     Era contra os sacrifícios de animais no templo e disse que deixaria para os discípulos somente dois mandamentos: 1. “Amar a Deus sobre todas as coisas; 2. “Amar ao próximo como a si mesmo”.

     “Assim como”. Esta expressão também está na oração que ele deu aos apóstolos, a que chamamos de “Pai Nosso”. Naquela frase, “Perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” – fica claro o significado.

     Mais tarde, a Igreja mudou para “perdoai as nossas ofensas” – talvez temendo a reação dos mercadores.

     Mas Jesus deixou claro que as “nossas dívidas” somente serão perdoadas na mesma proporção em que perdoarmos “os nossos devedores”. Deu a entender que não basta pedir a Deus, mas temos que ser merecedores daquilo que pedimos. Também no seu segundo mandamento – “Amar ao próximo como a si mesmo” – ele deixa claro o condicional. Você só poderá amar ao próximo na mesma medida em que amar a si mesmo.

     Desta forma, ele se revelou como Senhor do Karma, porque a história da sua vida revela que fazia aquilo que ensinava, e por isso purificou-se, fez prodígios e ressurgiu dos mortos.

     Ensinando para pessoas comuns, muitas vezes através de parábolas, mostrava que tudo o que fazemos aqui tem uma repercussão cósmica e que só teremos resultados de nossas preces na justa medida do nosso merecimento.

     A lei do Karma é a lei de causa e efeito, ação e consequência. Geralmente é relacionada às religiões que pregam a reencarnação, como o Budismo e o Hinduísmo, assim como o Kardecismo. Nessas religiões, acredita-se na roda das encarnações. As pessoas estariam destinadas a reencarnar neste mundo até cumprirem toda a sua dívida kármica em relação a si mesmas e aos outros. Quando isso acontecesse, passariam para um estágio mais avançado da evolução cósmica.

     Jesus não pregava a reencarnação, mas a ressurreição - o que ele chamava de vitória sobre a morte. Mas ensinava aos seus apóstolos a lei do karma, mesmo que ele não a citasse nominalmente, mas aplicada a esta vida neste mundo. A recompensa dos que fossem puros seria o que ele denominava de “Reino de Deus”. Os demais seriam “queimados” no Inferno – um simbolismo para a negação da vida aos que negarem a vida.

     Para que os seus segudores alcançassem a pureza seria necessário harmonizar-se com a Natureza, nada desejando deste mundo a não ser aquilo que nos é dado a cada dia – assim como as flores e os pássaros, conforme ele cita em uma de suas parábolas.

     O sistema capitalista – acumulação de riquezas e geração de lucros – é totalmente oposto ao Cristianismo. E a Igreja Católica Romana e as demais igrejas cristãs são claramente capitalistas, o que as afasta totalmente dos ensinamentos de Jesus.

     É muito provável que não tenhamos mais uma verdadeira igreja cristã no mundo atual, onde o lucro e a obsessão por riquezas tornou-se o principal objetivo das pessoas.

     Vejam o Natal que, a princípio, seria a festa do nascimento de Jesus. Tornou-se a festa do comércio, quando as pessoas saem, desesperadas, para comprar presentes umas para as outras, porque a mídia dominante assim manda – e é a esta mídia que as pessoas obedecem e a nenhum outro deus.

     Voltamos ao paganismo no seu sentido mais feio e execrável. O Capitalismo tornou as pessoas egoístas e insinceras, principalmente consigo mesmas.

     Percebeu-se, no início deste século, uma clara tentativa de dessacralizar Jesus e o pouco que restava dos seus ensinamentos. Objetiva-se uma Nova Ordem Mundial, com uma só religião e um só modo de pensar. Para isso, livros foram e estão sendo escritos. E por isso, há quem negue a sua existência, porque não existem provas além dos evangelhos.

     No entanto, esta não é a questão. Os ensinamentos de sua suposta pessoa e a sua maneira de agir, sempre em concordância com o que pregou, é que é o mais importante. Porque pregou simplesmente a paz, o amor, a harmonia com a Natureza, o respeito entre as pessoas e a naturalidade em relação à vida. E a não aceitação das “tentações”, do luxo desnecessário, do consumismo degradador.

     E é isso que incomoda àqueles que querem a dessacralização de Jesus, querem a prova da sua não existência, buscam ansiosamente provas de que ele não ressurgiu dos mortos, de que ele foi casado e teve filhos. Que foi apenas um mito.

     Se foi um mito, que belo mito! E que belo exemplo de vida e de sacrifício pelos seus semelhantes!

     Parte da história desse “mito” conta que Ele teria lutado contra o que chamava de “Príncipe deste mundo” – e vencido. Mas os cristãos de hoje, liderados por suas igrejas, preferem obedecer so Príncipe deste mundo e ceder às suas ofertas. E acreditam ser cristãos.

     Se foi um mito, foi muito humano.

     Bradou contra os vendilhões do tempo, contra os capitalistas da época, que usavam a religião judaica com único interesse no lucro pessoal. Angustiou-se na noite anterior à sua morte e pediu a Deus que, se fosse possível, afastasse dele aquele cálice de amargura – porque teve medo da morte, como todos nós. Mas foi coerente com a sua fé e acrescentou: “que seja feita a Sua e não a minha vontade”.

     Dizem que foi indevidamente divinizado, mas acredito que tornou-se divino ao revelar o seu todo humano. Muito além dos deuses de pedra e dos hipócritas rituais iniciáticos daqueles que se pensam deuses, e se rendem ao deus das ilusões materiais.

     Não é apenas a mensagem de paz e de amor que devemos passar uns para os outros, neste Natal. Além da mensagem, a ação, porque Jesus era um homem de ação. Expulsava os mercadores do templo, denunciava a hipocrisia.

     O verdadeiro cristão não necessita de um Papa ou de um Arcebispo de Canterbury. Não necessita de bispos que o representem. Não acha necessário grandes ou pequenas igrejas para orar.

     Quando perguntado a respeito, Jesus disse que as orações deveriam ser feitas em lugares tranquilos, de preferência dentro de casa. Que rezassem para o deus íntimo que está em segredo dentro de cada um, agradecendo pelo pão de cada dia e pedindo perdão pelas faltas. Que não fizessem como os hipócritas, que gostam de fingir a sua crença diante de todos. Jesus era radicalmente contra a hipocrisia.

     O verdadeiro seguidor dos ensinamentos de Jesus deve ser, antes de tudo, um indignado contra o terrível mundo em que vivemos. Não só um indignado, mas um lutador pelas causas justas. Deverá saber espalhar-se pelo mundo e dizer não aos que matam, torturam, provocam guerras e degradam a natureza.

     O cristão deve estar na linha de frente, desmascarando as falsidades que nos cercam. Um pregador da paz e da esperança mas também um construtor da paz e da esperança. Não apenas em palavras ou através de atitudes dúbias e acomodadas, mas por seu agir constante e incansável.

     Cabe aos pouquíssimos cristãos que ainda restam, não só neste Natal, mas em todos os momentos - com força e valentia, como Jesus - continuar a expulsar os mercadores e a dizer não à hipocrisia.

Fausto Brignol.

domingo, 19 de dezembro de 2010

NO CORAÇÃO DA TERRA


Não quero os robôs do futuro
nem a beleza artificial de paisagens fabricadas.

Não quero a parvoíce da próxima
imbecilizada geração
de pacíficos mutantes.

Não quero prazeres metálicos.

Não quero o morrer senil,
sincopado,
das folhas a cair sem a possibilidade
de tornar-se em húmus
ou preparar a futura explosão da seiva,
sem transmutar-se em nova vida.

Esse morrer não quero.

Quero, ainda, um pouco
da sóbria solidão da sombra
sábia de árvores centenárias
e ouvir a sua conversa com o vento e com a chuva,
e a placidez dos dias de sol,
quando nos sentimos ancorados
no coração da Terra,
e com ela oramos,
silenciosos e reverentes,
no único perfeito momento
entre os múltiplos momentos
da tão perfeita inacabada perfeição.

Quero espairecer, em tarde de total Primavera,
nas águas apressadas de riachos amigos,
que trazem notícias de lugares distantes,
feitos de sonhos e desafios
nos amores das flores silvestres
com esguias folhas efêmeras,
paixões desatinadas de nervosos cipós
ao enrodilhar-se em árvores esquivas e tortuosas,
verde naufragado
em outras cores e outros verdes,
na sôfrega e eterna volúpia da criação.

Quero as rochas
e o seu olhar de olhos luzidios e sinceros
e a palpitante carícia
da areia nos pés,
enquanto a tarde passa, quieta e febril,
entre o líquido marulho
e os feiticeiros rumores da margem
a prometer mistérios
no cantar dos pássaros.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A GERAÇÃO QUE DESISTIU


Palavra que eu acreditei que no século XXI nós teríamos uma geração forte, atuante, culta, inteligente, cobrando os seus direitos, não sendo enganada facilmente por qualquer aventureiro ou aventureira, partindo para a briga, quando necessário, não se acomodando às armadilhas do sistema.

     Pelo que aconteceu nos anos 1960 e 1970, e parte dos ’80, tudo indicava que seria assim. Naquela época as pessoas gostavam de ler, sabiam interpretar as situações, desejavam uma opção à máquina opressora que ainda está aí – mascarada, mas inteira – e procuravam alternativas. Reuniam-se, conversavam, panfleteavam, iam para as ruas. Mostravam que estavam vivas.

     Havia uma necessidade urgente de se ler todos os livros – porque a literatura era excelente -, de se ouvir todos os discos – porque a música era muito boa – de se ir ao teatro – porque havia teatro de verdade – e de freqüentar o cinema – que era novo e instigante no Brasil e maravilhoso na França e na Itália. E até o cinema dos Estados Unidos tinha um ou outro bang-bang que prestava.

     O amor era misterioso e ainda muito romântico, e as pessoas amavam de verdade, não apenas faziam sexo. Era uma época em que tudo estava acontecendo ao mesmo tempo. Tinha até movimento feminista, mas não havia agressividade e competição entre sexos. E os homossexuais de ambos os sexos eram homossexuais de ambos os sexos, sem precisar alardear a sua opção sexual com passeatas. Viam-se pouquíssimos travestis e todas as pessoas de todos os sexos procuravam se ajudar emocionalmente, mesmo porque os nossos pais tinham tido uma educação sexual muito precária. Mas isso era perdoável. Nós seríamos melhores, acreditávamos.

     Era época de ditadura militar e de censura prévia, mas muita música boa era feita na nossa MPB. Apareciam novos cantores e cantoras, compositores e compositoras. Alguns gostavam mais de Rita Lee, outros preferiam Baby Consuelo. Caetano e Gil estavam aparecendo e prometiam uma reconstrução musical no que chamavam de Tropicalismo. Roberto Carlos e a Jovem Guarda conservavam o romantismo, um novo romantismo. Os sambistas faziam bons sambas e até a música sertaneja era realmente sertaneja e não country. Mesmo censurado, foi a época em que Chico Buarque mais criou. Época do surpreendente Milton Nascimento. E dos Secos e Molhados.

     Até o rock era progressivo e prometia mais. Depois dos Beatles e dos eternos Rolling Stones, pensávamos que a revolução musical, que refletia uma revolução cultural, não seria apenas rock, mas algo diferente.

     E foi. Surgiram as óperas-rock –The Who, Queen, Genesis – e o rock que ia além do rock com Led Zepellin, Fran Zappa, Pink Floyd e tantos outros. Épicas continuações da segunda fase dos Beatles, a fase lisérgica e mística. E no cinema “Jesus Cristo Superstar”, “Hair” e “Godspel” abriam novos caminhos.

     O mote era “Viver mais um sonho impossível”. Quixotescos, lutávamos pela felicidade de Dulcinéia.

     Roupas. Cabelos. Gíria. Hábitos. E principalmente confiança -  todos confiavam em todos. E quando estudávamos, era de verdade. Nada nos era dado de presente. Não tínhamos celulares, mas nos comunicávamos facilmente. Para escrever, máquinas de datilografar ou caneta. Para fotografar, máquinas que teríamos que conhecer o seu funcionamento. O mais difícil era o mais interessante.

     Durante a ditadura, alguns enveredaram pela luta armada. Foram traídos pelas mentes fracas de alguns supostos companheiros. Foi quase um suicídio. Mas lutaram acreditando que faziam o certo. As Forças Armadas se revelaram como entidade grotesca. Redesenharam-se com o que foi chamado de abertura política. Passaram o poder para as forças desarmadas, que tinham os mesmos objetivos, mas eram mais sorridentes e faziam mais discursos.

     Redesenhava-se, também, a juventude, que foi chamada para abraçar líderes desconhecidos e esquecer a sua proposta de alternativa ao Poder.

     Forjavam-se os políticos profissionais, que também eram jovens, mas eram somente políticos profissionais. Entreviam grandes possibilidades futuras. Mas precisavam apagar a chama da juventude, no Brasil, para poder usar o seu vigor na política. Preparava-se um novo tipo de mundo, onde não caberia um movimento underground.

     O que o Poder mais teme não é a revolução política. Esta pode ser vencida, seus membros podem ser comprados ou, se vencerem, poderão ser encaminhados, aos poucos, para as velhas práticas que combateram.

     O que o Poder teme é a revolução cultural, que não pode ser prevista, evitada ou controlada; sacode alicerces, derruba templos e faz as suas próprias regras.

     A maneira encontrada foi colocar os jovens em partidos políticos, como se fossem compartimentos estanques. Alguns partidos, como o PT, eram divididos em tendências políticas. Havia lugar para todos. O importante era que cada um se definisse politicamente – para que os dossiês fossem feitos mais facilmente, dentro e fora dos partidos, e as pessoas fossem mais facilmente controladas.

     Em troca do sonho da alternativa cultural que pretendia transformar a sociedade, colocava-se a alternativa política que perpetuaria a mesma corrupta sociedade.

     Pregava-se um aleatório sonho de liberdade. Mas sempre dentro dos padrões estabelecidos pelo Sistema. Já nos anos ’80, percebia-se que aquela juventude que florescera nos ’70, ansiando por derrubar o deus Baal da mentira pertencia agora à sua religião, mas não sabia. A luta contra o Sistema, contra o Establishment, passara a ser uma luta meramente política, entre sistemas dentro do mesmo Sistema. Elis Regina cantava “eles venceram...” – e todos acreditaram.

     Esperava-se que uma nova geração surgisse: os filhos dos que contestaram não só o regime político, mas a cultura da política como única alternativa social.

     E quando essa geração surgiu, o Sistema já estava organizado para comprar a sua força juvenil em troca de máquinas virtuais, sexo e drogas.

     Principalmente no Brasil, um país sem alma e distanciado em sua subcultura anos luz dos demais países latino-americanos – que tem orgulho de si mesmos, de sua história, de suas lutas e de suas tradições - a nova geração concordou em não raciocinar, em não protestar, em não sonhar. Aceitou assimilar todos os valores que lhe fossem dados, tendo o dinheiro como referência principal e o lucro como objetivo de vida. E a escravidão espiritual.

     Aceitaram o medo como um sentimento natural. Seus valores são monetários, seus desejos são físicos. Não ousam ousar: o Sistema é um grande Bicho-Papão que assusta muito esse pessoal. Concordam em tudo que os dominadores da televisão dizem. E terão filhos iguais.

     Hoje, quando olhamos em volta, vemos apenas robôs apressados e ansiosos por cumprir a sua programação diária. No entanto, às vezes, um entre milhares nos mostra algum brilho distinto na maneira de olhar.

     E ressurge alguma esperança de que alguém dentro dessa geração que desistiu de si mesma... Ou talvez seja o hábito de ter esperança.
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