quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O SABIÁ E AS ELEIÇÕES



Está terminando o horário político, ou “horário de propaganda eleitoral gratuita”. Confesso que ainda não entendi a justiça do critério para a divisão desse horário entre os partidos. Observem que pela Lei Eleitoral Os candidatos a presidente dividem entre si seis minutos em cada dia, inclusive aos domingos.

     Um terço do tempo do horário eleitoral gratuito é dividido igualmente entre todos os candidatos e dois terços proporcionalmente às bancadas dos partidos no Congresso.

     Se tivermos três minutos de propaganda eleitoral gratuita entre três partidos dos quais dois deles tem representação igual no Congresso e o terceiro nenhuma representação, este, o sem representação terá pouco mais de 20 segundos para divulgar suas idéias e propósitos. Os outros dois, terão o restante do tempo.

     Não vejo nenhuma justiça nisso. Justiça haveria se todos os partidos pudessem veicular as suas ideias em igual espaço de tempo. O que acontece hoje no que chamam de “propaganda eleitoral gratuita” é o mesmo que, por exemplo, em uma partida entre Flamengo e Grêmio Prudente, o Flamengo já começasse a partida com dois gols de vantagem porque é o time com maior torcida.

     Daí, surgem as coligações. Quanto mais os partidos se unem, mais representação e mais tempo no rádio e na televisão. E com as coligações, vemos a diluição das propostas partidárias, o fim das ideologias.

     Geralmente, os partidos que se coligam o fazem com fins estritamente eleitoreiros, o que já demonstra a ausência de ideias e a única preocupação em eleger os seus candidatos, os quais, obviamente, apresentam-se apenas como representantes do nada ideológico que os ampara o que resulta em auto-propagandas ridículas de pessoas que se dizem capazes de “fazer e acontecer”, quando, na verdade, para fazer seja o que for elas dependerão totalmente dos acordos dentro dos partidos a que pertencem, entre os partidos de cada coligação e da vontade dos seus chefes partidários.

     Além do que, deverão obedecer aos interesses daqueles que patrocinaram as suas campanhas eleitorais, que não dão dinheiro de graça. Geralmente, os “patrocinadores” são grandes empresas que desejarão ver favorecidos os seus grandes interesses econômicos no Congresso. Assim, em última análise, o voto do povo não vai para o candidato ou partido de sua preferência, mas para os interesses daqueles que pagaram as campanhas dos candidatos e partidos nos quais o povo votou.

     Por isto, os partidos que representam um todo ideológico, uma determinada forma de pensar a política do país, e que, por isso mesmo, para não abrirem mão de sua ideologia não se coligam a outros partidos, que tenham formas de pensar diferentes ou opostas, não elegem os seus candidatos.

     Não porque o povo brasileiro seja ignorante, ou não saiba votar, como se propala, mas porque esses partidos não tem tempo suficiente para divulgarem as suas ideias e não aceitam dinheiro para comprarem mais tempo nos meios de comunicação.

     São os partidos que defendem o povo e nos quais o povo não vota porque mal os conhece ou os conhece mal, devido à contra-propaganda dos demais partidos que entram em coligações, aceitam todos os favores e alianças e quase obrigam o povo a votar neles devido à sua propaganda maciça e enganadora.

     Este é um tempo em que os partidos que dominam o Congresso, aliados às grandes empresas de comunicação, são os agentes principais da tentativa de despolitização e alienação do povo brasileiro.

     Quanto ao sabiá? Pois o sabiá voltou. Aqui perto da minha casa tem um matinho, além de várias árvores na frente de casa. Durante o ano inteiro cantam os bentevis de papo amarelo. Aquele cantar conhecido, mas nunca monótono: “ben-te-vi!” ben-te-vi!” – e eu quase respondo: “eu também te vi!” “eu também te vi!”. O ano inteiro, não interessa a época. É claro que tem outros pássaros, também: joão-de barro, tico-tico e outros que não lembro agora.

     Mas sabiá só no tempo quente. Porque, eu não sei. Passamos o inverno inteiro tentando ouvir sabiá, e nada! Mas agora, com a Primavera, ele voltou. Eu digo “ele”, porque é como se fosse um só, mas são vários, com trinados diferentes. Uma festa para o coração! Cantam primeiro que todos os pássaros, de manhã cedinho e, quando a tarde já vai indo, ouve-se de novo aquele belo cantar.

     Como tudo na natureza, são puros. Não querem ser mais do que os bentevis, nem os bentevis querem ser mais do que os sabiás. Em uma única árvore há lugar para todos, e cada um faz o seu ninho à sua maneira e vive a sua vida. A única tristeza, é que quando vem o tempo frio eles vão embora. Mas sempre temos a certeza de que voltarão na Primavera.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O FILHO DO BRASIL


Como todos nós, Lula é um filho do Brasil. Mas um filho que esperávamos há muito tempo. Tempo demais, talvez. Quando nasceu, todas as promessas que projetávamos para ele foram, aos poucos, se diluindo. Talvez por ser temporão ou por ter passado de atrevido a medroso, Lula deixou de ser o filho do Brasil para ser o filho das classes dominantes, das oligarquias que fingem duelar com ele e com o seu triste partido aburguesado, que já foi dos trabalhadores.

     Mas Lula não tem culpa da decepção causada. Os culpados fomos nós, os brasileiros, que acreditamos que uma única pessoa alicerçada por um partido oportunista poderia não se tornar uma pessoa oportunista. Grave erro. O meio transforma as pessoas, e Lula foi mais um exemplo dessa asserção. É claro que existem pessoas que não se deixam influenciar pelo meio, mas, para isso, é necessário ter muita personalidade e objetivos definidos como projeto de vida.

     Os objetivos de Lula mudaram conforme o seu partido mudou, porque Lula nunca existiu na política sem aquela âncora. Era um líder sindicalista que foi usado e que também usou um projeto partidário - que visava apenas o poder pelo poder - para eleger-se presidente.

     No pós-ditadura dos anos ’80 o PT apareceu como uma espécie de partido “salvacionista”, devido à desagregação das esquerdas, o que o levou a se transformar em um partido que comportava todas as tendências – da esquerda radical ao centro complacente. Enquanto partido, o PT não tinha nenhuma ideologia, mas formou-se através das diversas correntes que representavam alguma vertente marxista, social-democrata e até de centro-direita.

     Mas a característica mais marcante do PT era o fato de ter um eterno candidato a Presidente da República que vinha da classe operária. Ninguém se perguntava se aquele eterno candidato tinha ou não alguma consciência política e ideológica, porque ficava implícito que deveria ser um ungido pelos sacerdotes da confraria oculta da esquerda petista, alguém que viria como um Messias, para transformar a sociedade brasileira e para por um fim à espoliação do nosso povo. E esse messianismo em torno do Lula, essa quase sacralização daquela pessoa tão carismática deu aos verdadeiros donos do partido a visão concreta da tomada do Poder através do voto popular que elegeria, cedo ou tarde, a pessoa do Lula, o partido do Lula, como se o próprio povo estivesse tomando o Poder naquele momento em que isso acontecesse.

     Há uma grande diferença entre o período de João Goulart presidente – que apoiou as Ligas Camponesas e as reformas de base e que prometia uma reforma do ensino com Paulo Freire como Ministro da Educação – quando havia maior participação e consciência popular, através do constante debate a respeito do Brasil que realmente desejávamos – nós, o Povo – e o período após a ditadura militar, que tinha golpeado Jango e o povo, com a crescente ascensão do PT até chegar ao poder. Uma grande diferença, principalmente no que diz respeito à ideologia e a um projeto para o Brasil democrático.

     Naquela época, sabia-se que democracia não se restringe ao direito de votar periodicamente. Procurava-se uma democracia participativa e não meramente representativa, como agora. Buscavam-se alternativas para que essa democracia participativa realmente funcionasse e para que as classes operárias tivessem consciência do seu papel histórico. A própria classe média engajava-se no processo, através da busca de novas possibilidades culturais que mostrassem o Brasil dentro do contexto latino-americano, com uma cultura própria, na tentativa de evitar-se a orgia da subcultura estadunidense que já invadia o país desde o fim da II Guerra Mundial.

     Tudo isso foi golpeado em 1964, e não só o Governo João Goulart. Naquela época, o governo era apenas a representação das forças populares em ação. O que as Forças Armadas fizeram naquela madrugada de 31 para 1º de abril, ao tomarem o poder, foi evitar que o povo brasileiro continuasse o processo de transformação que faria do Brasil um país mais justo e com identidade própria.

     Quando “devolveram” o poder, nos anos ’80, os militares subservientes aos Estados Unidos e ao capital internacional já sabiam que era possível deixar o povo novamente votar – mas apenas votar – porque o trabalho de dissolução do ideal de um Brasil verdadeiramente brasileiro já estava feito. Os partidos de esquerda estavam amortecidos pelo longo e violento processo de repressão e os novos partidos que surgiram, entre eles o PT, não pretendiam nenhuma revolução, nem social nem cultural. Mas alguns retoques ainda foram feitos: o sindicalismo foi atrelado ao Estado e a massificação da nova geração foi intensificada, com a conseqüente alienação das massas populares que passaram a acreditar que o salvacionismo viria através das eleições, ficando implícito que no dia em que o Lula fosse eleito tudo iria mudar.

     O povo esperou por seis vezes que o Lula vencesse as eleições presidenciais, como se ele fosse um santo que faria os milagres da reforma agrária, educação, saúde, moradia, emprego e justiça social. E Lula e seu partido realmente prometiam isso, ao perceberem que o povo estava entregando o seu poder transformador em troca de uma esperança imaginária e beatífica. Não houve preocupação do partido do Lula em esclarecer ao povo que o Poder a ele – povo – pertence e que só pode ser conquistado depois de muita luta e não através de uma única pessoa.

     Naquele momento em que o PT percebeu que o povo brasileiro esperava por Lula como quem espera pela volta de Jesus, ficou claro a eles que todas as alianças seriam possíveis para alcançar o Poder e suas benesses. Foi quando aquelas diversas tendências políticas que formavam o PT começaram a transformar-se em duas ou três fortes tendências – aquelas que realmente dominavam o partido – que convergiram para o objetivo claro de buscar a social-democracia – o reformismo maquiador das diferenças sociais – e não mais a transformação social. Ao mesmo tempo, o PT alcançava vitórias eleitorais, elegendo vereadores, prefeitos, deputados e senadores. Toda uma nova geração ansiosa pela sua fatia de Poder e disposta a todas as concessões para alcançá-la.

     Quando, depois de todas as alianças, acordos, conchavos secretos, finalmente Lula foi eleito presidente, o PT já se transformara em um partido conciliador de classes, claramente de direita e Lula era um presidente fabricado pelos donos desse partido que buscava apenas regalias, dinheiro e Poder.

     Já não era um filho do Brasil, mas o filho do Brasil das oligarquias vendidas ao capital estrangeiro, objetivando a massificação do povo, a destruição do ensino, contra a reforma agrária e a justiça social, contra os verdadeiros movimentos populares. Lula tinha se transformado de um messiânico sindicalista em mais um presidente sul-americano aliado militarmente dos EUA, pronto para fazer do Brasil a principal filial do império na nossa latino-américa.

     E o seu partido, o PT, que tanto prometera, virou um partidinho que sobrevive das alianças com os partidos mais reacionários do país e que teve como única missão histórica a de atrasar o mais possível as verdadeiras lutas populares no Brasil.

     Esta a herança do Lula: o assistencialismo do Bolsa Família. E a miséria, a corrupção, o analfabetismo, a doença, a fome, o desemprego... Além de deserdar o povo do poder que só a ele pertence.

domingo, 26 de setembro de 2010

LUARES



Em luares vago,
Mas não só luares.
Não esses luares
Cegos de luares.
Reclamo aos luares
Aos sonhos luares,
Recriar luares,
Tornar-me em luares.

Aos luares vedo
Este só luares,
O suar luares
Nesses vãos luares.
Espelho aos luares,
Narcisos luares,
Seus lumes luares.
Falsos, mas luares.

Em luares mago.
Cavalgo luares.
Neste pó luares
Sumo-me em luares.
Proclamo aos luares
Meu saber luares,
Este estar luares:
Eu, Lua, luares.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A FICHA DO SUPREMO


O Supremo Tribunal Federal votou pela Ficha Suja. Foi coerente consigo mesmo, apesar de, por alguns instantes, alguns dos membros terem tido arrepios em suas consciências e votado a favor da Lei da Ficha Limpa ser aplicada ainda nestas eleições .

     Mas foram só alguns. Não passaram de cinco. Os outros cinco, alegando inconstitucionalidade ou quaisquer outras razões que buscaram em seus alfarrábios, votaram contra. Foram eles: Cezar Peluso, Celso de Mello, Marco Auréilio, Toffoli e, claro, o Gilmar Mendes. O voto de Minerva será do Cezar Peluso.

     Quem julga o STF, além da opinião pública que, para eles não vale nada, uma vez que o movimento pela Ficha Limpa veio do povo? Ninguém, é claro. Por isso que o STF é Supremo. Acima dele, nenhuma apelação. É o maior poder existente nesta república manca de direitos e farta de leis que não são cumpridas.

     O Presidente da República é julgado diariamente pelos meios de comunicação e (des)informação que o combatem acerbamente em propaganda dirigida pelos donos das empresas de televisão, jornais e revistas, das quais os jornalistas são apenas os transcritores das ideologias dos seus patrões.

     Os membros das duas casas do Parlamento são mostrados em toda a sua extensa corruptibilidade e mesmo assim são reeeleitos pelos hipócritas que com eles compactuam E continuarão a ser reeleitos, porque tem os seus “currais” eleitorais, justamente porque o STF, que é o único poder inquestionável, assim está permitindo.

     Como pode, em uma democracia, haver um Poder inquestionável, acima de tudo e de todos, que sempre tem a última palavra? E – pior ainda – um Poder que em sua última instância, o STF, os ministros são nomeados pelos membros dos outros dois poderes – especificamente pelo Presidente da República, mas depois de todos os acordos e conchavos entre este e os membros do Parlamento. Democracia para quem?

     Para o povo é que não é, porque, quando o povo se manifesta, farto da corrupção daqueles que seriam os seus “representantes” mas que, na verdade, apenas representam os interesses daqueles que os pagam, surge o Supremo.

     O nome já diz: SUPREMO. Nada além dele, nem Deus. Se Deus for julgado pelo SUPREMO, periga perder a sua dignidade divina. Então fica assim: vivemos em um regime democrático, acima do qual está o SUPREMO. Que bela democracia a nossa!...

     E ainda nos conclamam para votar periodicamente, mas você já votou para eleger algum ministro do SUPREMO?

     O que os torna tão diferentes de nós, ínfimos mortais?

     Em primeiro lugar, o salário. Cada ministro do STF recebe, por mês, R$24,5 mil reais, mais os benefícios, quais sejam: jetom de R$735,00 por cada sessão em que cada um deles participa. A gratificação é limitada a oito sessões por mês, o que totaliza R$ 5.880 por mês. Portanto, se participar das oito sessões, o salário do presidente do TSE pode chegar a R$ 30,3 mil.

     Em época eleitoral (a 90 dias das eleições e até a diplomação de eleitos), todos os ministros que participarem de sessões no TSE têm direito a receber o jetom limitado a até 15 sessões – o que totaliza um acréscimo mensal de R$ 11.025 no salário. Se isso ocorrer, o salário passaria para R$ 35,5 mil.

     Além disso, todos os ministros do Supremo podem ocupar apartamentos funcionais; têm direito a auxílio-moradia limitado a R$ 2.750 por mês.

     Os ministros também têm direito a carro oficial com motorista para deslocamentos no Distrito Federal (DF). O tribunal não estipula uma cota específica de gastos com combustível por mês. Segundo o diretor-geral do STF, os automóveis são utilizados de acordo com a necessidade de cada ministro. Cada um deles pode escolher cinco assessores e um chefe de gabinete, que têm cargos comissionados. Os salários não foram divulgados. Segundo a assessoria do STF, esses gastos fazem parte do orçamento do tribunal.

     Também não existe verba adicional para gastos com serviços gráficos ou telefonia, que também fazem parte do orçamento, ou seja, são custeados pelo STF. Os ministros do Supremo têm direito a uma cota de gastos com passagens aéreas. Isso foi decidido por meio de uma resolução do tribunal.

     Os integrantes do Supremo podem utilizar uma passagem aérea por mês para viajar para seus estados de origem. Segundo a assessoria do tribunal, as passagens não podem ser para um trecho mais distante que Brasília-Aracaju (1.650 km). Não há um valor específico para esse tipo de gasto por mês. O STF estipula que o limitador, neste caso, é a distância do trecho e não o preço, que pode variar.

     Está em tramitação no Congresso projeto de lei que prevê aumento de 5% nos salários dos integrantes do STF.

     Com todo esse dinheiro e com todos esses benefícios, os ministros do STF devem possuir um imenso ego. Devem olhar com um microscópio para o povo brasileiro, que ganha salário mínimo, quando consegue ganhar um salário mínimo. Estão muito acima da realidade brasileira e de tudo o que diga respeito ao Brasil de verdade. E são eles que julgam os brasileiros, lá do seu Olimpo inatacável, com aquelas suas togas pretas que envolvem os seus divinos seres. Esperar o que deles?

     E nós, os bobos como sempre, ainda vamos votar, daqui a alguns dias, para elegermos um parlamento, ou parte dele, constituído de pessoas que ganham mais de R$100.000,00 por mês – mais os benefícios. E serão estes que elegeremos que, depois dos seus concílios secretos, cochicharão para o futuro Presidente qual o membro do clube dos Supremos que merecerá ser indicado para o SUPREMO.

     E nós, micróbios.

ENQUANTO ELES BRIGAM


Enquanto eles brigam através dos jornais, revistas e canais de televisão, e fazem passeatas e discursos e escrevem manifestos e panfletos... O que faz o povo?

     Afinal, toda essa briga é para atrair a atenção do povo trabalhador, daqueles que verdadeiramente trabalham neste país – e que constroem o Brasil a cada dia, com a sua força, as suas dúvidas e inquietações e a herdada angústia de gerações de trabalhadores que acreditaram que teriam um dia, a igualdade social – mesmo que essa igualdade se realizasse em suas imaginações na forma de um terreninho para construir uma casa própria e plantar uma horta -, quem sabe, e quem sabe um mínimo de impostos para poderem sobreviver, de verdade, com o salário que seria justo, enfim, e a talvez possibilidade de poderem educar filhos sadios que teriam uma boa escolaridade e poderiam desenvolver as suas inteligências e com elas contribuírem alguma coisa para tornar mais visível em termos de igualdade social a terra onde eles gostariam de morar sem tanto desespero...

     Enquanto eles brigam, o povo quebra pedras.

     Aqueles do povo que foram sorteados com um emprego de meio salário mínimo, quebram pedras, arrumam ruas, consertam os esgotos e se conservam quietos e contidos em suas ocupações diárias, porque lhes é dito, diariamente, pelo infernal poder da televisão que todos tem – e é só o que todos que tem emprego tem – que a vida vai mudar logo após as próximas eleições.

     E fingem acreditar. Preferem acreditar que será assim, porque recebem múltiplas promessas, todos os dias, a cada hora de cada dia, dos engravatados e sorridentes cândidos candidatos e das bem arrumadas e perfumadas candidatas. E acreditam que um deles – aquele ou aquela que for eleito(a) presidente, ou presidenta desta república de todos os banqueiros e agiotas, estenderá os braços para a salvação de todos.

     Sabem no íntimo, que não será assim, mas preferem acreditar. E sabem que se não apoiarem um ou outro, com os seus votos e os seus sorrisos beatíficos de eternos subordinados, poderá ser bem pior, porque não acreditam em sua própria força e união, preferindo a compaixão da pouca miséria e das migalhas espargidas daqueles que pensam que são os escolhidos por um deus maquiavélico.

     E ainda abaixo desses que aceitam a submissão aos que tem dinheiro e poder e preferem ser ajudados, porque desconhecem a força da união, ainda abaixo deles existem aqueles milhões de desempregados, que nem meio salário tem para a sobrevivência de todos os dias e que vivem de catar lixo, entre os urubus e as fétidas fezes que unem a todos.

     Já não tem nem a força para o suicídio e sobrevivem quase que inconscientemente, em um dia-a-dia nebular, feito de escuros sonhos e poucas palavras, que se confunde com as noites que os arrastam para os cantos das calçadas, onde se cobrem de papelão e rezam para um deus muito distante pedindo para não mais acordarem.

     São os que não votam nem esperam mais nada. E a eles nada é prometido por nenhum candidato, porque já são contados como mortos que apenas entulham as ruas e calçadas e os caridosos das associações de benemerência chamam a eles de “moradores de rua”, como se eles fossem a escória da total miséria, e lhes dão o pão mofado do supremo escárnio.

     Enquanto eles brigam... Eles, os que se revezam no poder - que usam como definitiva arma para prorrogar a pobreza, a miséria e alimentar a sua própria crueldade – nas favelas, nos morros, e nos lugares que não são morros, mas também são favelas, aqueles que já perderam a esperança e que tem o Estado como inimigo, armam-se.

     Muitos são traficantes – os que alimentam os vícios dos filhos dos donos do poder e com ele compactuam - porque formam parte do mesmo sistema podre que necessita dos seus serviços para que possa sobreviver em seus lúdicos paraísos.

     Mas a grande maioria resiste por defesa própria, sem qualquer ideologia ou outra necessidade que não seja a de preservar a própria vida, que sabem que será curta, porque a qualquer momento podem surgir assassinos fardados e armados, que tem o único trabalho de prender e de matar – tentáculos do mesmo poder que os nutre e preserva, inconscientes e imbecilizados. Votam por obrigação, da mesma forma que os grandes rebanhos das cidades, formados por aqueles que ainda não estão favelizados.

     E mais além - enquanto eles brigam e dividem o poder e fazem acordos e se embrutecem na sua megalomania – em lugares distantes, talvez, ou até muito próximos, tão próximos que não podemos ver ou suspeitar, restam os conscientes, os que vêem o que realmente acontece e que sabem que este tipo de voto, de eleição, é apenas mais uma maneira de enganar, de fingir democracia, e se organizam e se preparam e se armam com enxadas e foices e sementes. Estes votam em si mesmos.

sábado, 18 de setembro de 2010

REVOLUÇÃO FARROUPILHA: MITO E VERDADE



Foi uma guerra gerada por grandes interesses econômicos, quando o povo foi manipulado para acreditar que estava lutando pela independência e liberdade. Guerra que terminou, depois de 10 anos, quando as elites oligárquicas dos dois lados fizeram um acordo que satisfazia a todos – menos ao povo.

     Descontentes com a desigual distribuição de renda que era feita pelo Governo Imperial em relação às suas províncias, com os exorbitantes impostos aos produtos riograndenses, que eram vencidos pela concorrência dos platinos; aproveitando o período de transição da Regência de Feijó (entre Dom Pedro I e Dom Pedro II) as elites gaúchas, marcadamente os grandes latifundiários, aproveitaram o momento histórico para derrubar o governo da província e lutar por seus interesses pessoais. 

     Era sua idéia, com esse ato, forçar o governo imperial a decidir-se por uma solução federalista que daria maior autonomia econômica e política às províncias do Império.

     Como última opção, usariam o argumento separatista com a possibilidade até de uma revolução, mas sabiam que o Império jamais abriria mão do Rio Grande do Sul, principalmente após perder a Cisplatina (hoje Uruguai), em 1825, e acreditavam que o golpe de força ao tomarem o governo da Província seria o suficiente para que o governo de Feijó entrasse em acordo com aqueles que representavam as classes dominantes gaúchas.

     Acreditavam, ainda, que a ameaça de Artigas – que idealizava a criação do que chamava “Pátria Grande do Prata”, um país que se estenderia pelos territórios do Paraguai, as províncias argentinas de Corrientes, Entre-Rios e Missiones e as Missões Brasileiras entre os rios Uruguai, Ibicuí, Vacacaí e Santa Maria – de criar um novo país incluindo parte do Rio Grande do Sul, seria um fator importante para que o Império acatasse as reivindicações dos golpistas, evitando assim a possibilidade de desmembramento através de uma revolução que poderia ter o apoio de potências estrangeiras.

     Ao contrário do mito criado em torno de uma revolução libertária exigida pelo povo gaúcho em pé de guerra contra o Império, a tomada do governo da Província foi combinada, em seus detalhes, dentro dos salões das Lojas maçônicas, ponto de encontro das elites gaúchas.
     Eram duas as correntes maçônicas em solo brasileiro, que se identificavam por cores. A Azul – que pregava o federalismo monárquico – era ligada à Inglaterra, onde atuava como poder oculto através das “quatro colunas” exteriorizadas nas quatro principais instituições inglesas: O Foreign Office (serviço de Relações Exteriores), o Almirantado, o Banco da Inglaterra e o Intelligence Service (serviço secreto).
     A maçonaria Vermelha reivindicava os ideais de Rousseau, Locke e Montesquieu e defendia o Liberalismo Republicano, aos moldes da Revolução dos Estados Unidos e da Revolução Francesa. Eram separatistas e lutavam pelo fim do Império.
     Na verdade, era uma só Maçonaria, com duas estratégias não tão distintas assim. Mesmo o poder dominante da época sendo da Inglaterra monárquica, já era previsto que esse poder iria passar para os Estados Unidos republicano, que já invadia o México, dominava o Panamá e ameaçava a unidade dos países latinos proposta por Bolívar. Nos Estados Unidos, a Maçonaria vermelha dominava com o apoio do Império Britânico – maçonaria azul – que de colonizador, após a guerra da independência passara a principal aliado dos Estados Unidos.

     Essas duas propostas estratégicas da Maçonaria brasileira, no Rio Grande do Sul atraíam desde intelectuais libertários a reacionários latifundiários. Entre as duas colunas todos eram iguais. O importante é que essas “duas colunas” mantivessem a todos os irmãos na mesma obediência e que as decisões finais fossem acatadas.

     No início da Revolução Farroupilha, antes de ela se constituir de fato em uma revolução, mas quando ainda era uma simples revolta que visava unicamente a tomada do governo da Província, objetivando o Federalismo, a influência da maçonaria Azul era preponderante.
     O objetivo era o federalismo monárquico, com mais autonomia econômica para a Província. Futuramente, dentro da estratégia proposta, haveria oportunidade para um golpe de estado que instituísse a República. Mas não pensavam em separação do Brasil. Pequenas insurgências aqui e ali, em diversos estados da Coroa, fariam, aos poucos, que o Império se mostrasse impotente e ultrapassado e a proposta da República – como “saneadora de todos os males” – faria com que o povo aceitasse passivamente quando o golpe republicano viesse a acontecer.

     Era esta a idéia dos rebeldes gaúchos quando se reuniram naquela noite de 18 de setembro de 1835, na Loja Philantropia e Liberdade, da qual Bento Gonçalves da Silva era Venerável-Mestre, em Porto Alegre. Estavam presentes José Mariano de Mattos, Gomes Jardim, Vicente da Fontoura, Pedro Boticário, Paulino da Fontoura, Antônio de Souza Neto e Domingos José de Almeida. Decidiu-se por unanimidade que dali a dois dias, 20 de setembro, tomariam militarmente Porto Alegre e destituiriam o presidente provincial Fernandes Braga.
     Na madrugada de 20 de setembro as tropas dos revoltosos, com cerca de 200 homens, penetraram em Porto Alegre, pela Azenha, encontrando pouca ou nenhuma resistência. O Presidente da Província, Fernandes Braga fugiu para Rio Grande, onde se refugiou. Ocupada a capital, os revoltosos deram posse a Marciano Pereira Ribeiro como Presidente Provincial. Cinco dias depois, Bento Gonçalves leu um manifesto, que deixava clara a intenção do golpe. Entre outras coisas, explicitava: “(...) não nos propusemos outro fim que restaurar o império da lei, afastando de nós um administrador inepto e faccioso, sustentando o trono do nosso jovem monarca e a integridade do império.”
     O final do manifesto termina assim: “Viva a integridade do Império! Viva a união brasileira! Viva o Sr. D. Pedro I, imperador constitucional do Brasil! Vivam o riograndenses! Viva o dia 20 de setembro!”
     Não havia qualquer intenção de revolução contra o Império e esperavam que o Regente Feijó (que também era maçom) mandasse outro Presidente Provincial ao gosto dos que agora detinham o poder.

     Mas a resposta de Feijó foi enviar o novo indicado José de Araújo Ribeiro, acompanhado de um verdadeiro aparato de guerra: onze brigues e escunas, além de diversas canhoneiras, lanchas e iates, carregados de armamento e muitos soldados imperiais, sob o comando do capitão de mar e guerra, o inglês John Pascoe Grenfell.
     Araújo Ribeiro tomou posse do governo da Província na cidade de Rio Grande, no dia 15 de janeiro de 1836, o que foi recebido pelos revoltosos como uma declaração de guerra. Até então não tinha havido nenhum outro combate, desde 20 de setembro de 1835. Mas, imediatamente, as tropas farroupilhas, que estavam dispersas, começaram a ser reunidas sob a liderança de Bento Gonçalves, Marciano Ribeiro, Antônio de Souza Neto, Onofre Pires, David Canabarro, Lucas de Oliveira, Pedro Boticário, Vicente Ferrer de Almeida e José Mariano de Mattos.
     Por seu lado, as tropas imperiais eram lideradas por João da Silva Tavares, Francisco Pedro de Abreu (o Chico Pedro, ou Moringue), Manuel Marques de Souza (mais tarde, Conde de Porto Alegre), Bento Manuel Ribeiro (que depois mudou de lado mais três vezes) e Manuel Luís Osório. Para engrossar as tropas imperiais foram contratados mercenários do Uruguai.

FARRAPOS

     Desde 1831, havia os jornais “Jurujuba dos Farroupilhas” e “Matraca dos Farroupilhas”. Farroupilhas, ou Jurujubas era um termo utilizado no Parlamento do Rio de Janeiro pelos membros do Partido Restaurador, que tentavam, assim, menosprezar os gaúchos vinculados ao Partido Liberal, oposicionistas ao governo central. Por seu lado, os liberais chamavam os conservadores de caramurus ou camelos.

     Os liberais assumiram o termo e, inclusive, formaram o Partido Farroupilha, cujos membros reuniam-se na Sociedade Continentino (em alusão a Continente de São Pedro, primeiro nome do Rio Grande do Sul), que deu origem à Loja maçônica Philantropia e Liberdade.
     Já naquela época, circulava no Rio Grande do Sul o conde italiano Tito Lívio Zambeccari. Maçom e carbonário, Zambeccari atuava na Sociedade Continentino como uma espécie de elo de ligação entre os carbonários italianos e os maçons gaúchos. Tornou-se amigo e assessor daqueles que viriam a ser alguns dos principais líderes da Revolução Farroupilha: Bento Gonçalves, Onofre Pires e Domingos José de Almeida.
     Segundo relato de seus contemporâneos, Zambeccari, Bento Gonçalves, Onofre Pires e José Calvet é que tratavam dos negócios da República Rio-Grandense, sendo Zambeccari a primeira cabeça que planejava a marcha que se deveria seguir mais tarde. Para o historiador Alfredo Varela, o italiano influenciara os manifestos assinados por Bento Gonçalves, sendo o de 24 de março de 1836, de sua autoria. Assim, também, a bandeira da República Rio-Grandense teria sido idealizada por Zambeccari, antes mesmo do início da revolução. Ao rebentar o conflito, tornou-se secretário e chefe do estado-maior do general Bento Gonçalves. Com ele foi preso na batalha de Fanfa, em 4 de outubro de 1836, e enviado à Presiganga, navio-prisão ancorado no rio Guaíba, para depois ser transferido para a Fortaleza de Santa Cruz, no Rio de Janeiro.

     Assim, o nome Farroupilha não se originou do fato dos revolucionários andarem em farrapos – conforme hoje se veicula, erradamente – mas já existia alguns anos antes de eclodir a revolução. Por outro lado a influência dos maçons Zambeccari, Rossetti e Garibaldi, se não foram decisivas foram predominantes para formar o “espírito revolucionário” necessário para que a revolta libertária tomasse um caráter revolucionário e separatista.

A REVOLUÇÃO

     Em 15 de julho de 1836, os imperiais retomam a cidade de Porto Alegre, ocasião em que foram presos Marciano Ribeiro, Pedro Boticário e mais 32 revoltosos. Bento Gonçalves tentou recuperar a cidade duas semanas depois, mas foi derrotado. Entre 1836 e 1840, Porto Alegre sofreu 1283 dias de cerco – um dos maiores da História – sem que os farroupilhas conseguissem tomar a cidade.

     Em 9 de setembro de 1836 ocorreu o combate de Seival, nos campos dos Menezes, localidade perto de Bagé. Naquela ocasião, os farroupilhas, liderados por Antonio de Souza Netto, derrotaram fragorosamente as tropas de João da Silva Tavares. Naquele momento, a revolução ainda detinha um caráter estritamente regional. Mas, entusiasmados com o feito, os revolucionários, apesar da ausência de Bento Gonçalves, decidiram proclamar a República Riograndense, o que foi feito dois dias depois, 11 de setembro. A primeira sede do governo foi em Piratini – por isto, também foi apelidada de República de Piratini. A capital da República foi mudada mais duas vezes: para Caçapava do Sul, em 1939 e para Alegrete, em julho de 1842.

     Em outubro de 1836, Bento Gonçalves foi preso na Batalha de Fanfa. Transferido para a Bahia, ficou preso no Forte do Mar. Mesmo preso, foi aclamado Presidente da República Riograndense no dia 6 de dezembro de 1836. Conseguiu fugir, com a ajuda dos maçons baianos e, em 16 de dezembro de 1837, voltou para o Rio Grande do Sul e tomou posse do Governo.

     Foi uma guerra de guerrilhas. Poucas vezes houve confronto direto entre dois exércitos, porque os farroupilhas sabiam que não poderiam enfrentar em campo aberto as forças muitas vezes superiores do Império. A tática de fustigar e recuar foi a mais empregada, provocando desgaste e constante apreensão no inimigo que nunca sabia o momento em que poderia ser atacado. Ocorreram 118 confrontos entre os farrapos e os imperialistas, com 59 vitórias para cada lado. A estimativa é de que morreram 3.400 homens.

     Embora tenha durado dez anos, os combates ocorriam geralmente no verão ou primavera. No tempo frio, os combatentes se recolhiam nas fazendas dos caudilhos, cuidava-se do gado e da cavalhada. Mas não havia desmobilização - o inverno era o período de recrutamento e organização. Período ideal para planejamentos e para os negócios. Durante a revolução, os chefes farroupilhas compravam armas, munições e víveres através dos seus contatos nos países do Prata. 

     Para isso era necessário dinheiro, porque a revolução não poderia ser financiada apenas pelos estancieiros ricos, porque, se fosse assim, em pouco tempo os recursos estariam exauridos e a guerra perdida. Foi então que entrou em cena Irineu Evangelista de Souza, o barão e visconde de Mauá. Natural de Arroio Grande, RS, Mauá também era maçom e muitas vezes ajudou a libertar, com o seu dinheiro, líderes farroupilhas que estavam presos na capital do Império.Há indícios de que Mauá coordenou a capitalização da revolução através de seus contatos na Inglaterra. No Brasil, ele representava a firma Carruthers, Castro e Cia., de Manchester – da qual tornou-se gerente e depois sócio. 

     A revolução tomou novo ímpeto com a vinda de Giuseppe Garibaldi e de Luigi Rosseti, da Itália. Ambos carbonários e maçons. Eram exímios guerrilheiros. Garibaldi tinha fugido da Itália, depois do fracasso do levante liderado por Mazzini. Condenado à morte, em 1835, fugiu para Marselha e depois para a Tunísia. Em 1839 veio para o Brasil e juntou-se à revolução.

     Com Garibaldi, a revolução teve o seu período romântico. Organizou-se uma pequena frota, na tentativa de combater pelo mar, o que apenas deu a oportunidade ao Império de bloquear o acesso à Lagoa dos Patos e ao oceano. Para romper o cerco, Garibaldi mandou construir dois enormes lanchões numa fazenda do atual município de Camaquã (que dista cerca de 125 km de Porto Alegre), que foram arrastados entre o atual município de Palmares do Sul e a foz do Rio Tramandaí (no atual município de Tramandaí) sobre carreta de 8 rodas, por cerca de 200 bois.
     Em Araranguá, no Estado de Santa Catarina, o lanchão Rio Pardo naufragou; todavia, seguiram em frente com o lanchão Seival, comandado pelo estadunidense John Griggs. Em Laguna, as tropas de Garibaldi e de David Canabarro obtiveram grande vitória e anexaram a Província, em 29/07/1839, denominando-a República Juliana.
     Foi naquela ocasião que Garibaldi conheceu Ana Maria de Jesus Ribeiro, com quem veio a casar-se e que ficou conhecida como Anita Garibaldi e que o acompanhou em suas lutas – tanto no Brasil, como no Uruguai e, depois, na guerra da unificação italiana.
     Na batalha de Curitibanos, no início de 1840, Anita foi feita prisioneira, mas o comandante do exército imperial, admirado com o seu temperamento indômito, deixou-se convencer a deixá-la procurar o cadáver do marido, supostamente morto na batalha. Em um instante de distração dos guardas, tomou um cavalo e fugiu. Após atravessar a nado com o cavalo o rio Pelotas, chegou ao Rio Grande do Sul, e encontrou-se com Garibaldi em Vacaria.
     Em 16 de setembro de 1840 nasceu o primeiro filho do casal, que recebeu o nome de Menotti Garibaldi, em homenagem ao patriota italiano Ciro Menotti. Depois de poucos dias, o exército imperial cercou a casa e Anita fugiu a cavalo com o recém-nascido nos braços e alcançou o bosque onde ficou deitada por quatro dias, até que Garibaldi a encontrou.

     Os imperiais retomaram Laguna em 15/11/1839. Em 1842, Bento Gonçalves dispensou Garibaldi, que foi para o Uruguai, lutar contra Rosas. O jornalista Luigi Rossetti, que editava o jornal farroupilha “O Povo”, tinha morrido no combate de Viamão, em 1840, com o posto de capitão. 

     Apesar dos inúmeros combates – mais escaramuças que combates – nenhuma grande batalha ocorreu. Durante aqueles quase dez anos de guerra houve um jogo tático entre os comandantes dos dois exércitos. Mas três grandes combates foram quase decisivos. A tentativa de tomada de São José do Norte pelos farroupilhas, quando não houve vitória, mas muito derramamento de sangue; a tomada de Caçapava pelos legalistas, que também foi cruenta, e o combate de Taquari, quando tropas de Bento Gonçalves enfrentaram as tropas legalistas, mas foram obrigadas a recuar.

     A guerra não se decidia e as tropas farroupilhas, apesar dos feitos heróicos, estavam exauridas. Foi quando assumiu o governo da Província o maçom Luiz Alves de Lima e Silva - Barão de Caxias.

AS TRAIÇÕES E O MASSACRE DE PORONGOS

[…] Regule V. S. suas marchas de maneira que no dia 14, às duas horas da madrugada possa atacar as forças a mando de Canabarro, que estará nesse dia no Serro dos Porongos. […] No conflito poupe o sangue brasileiro o quanto puder, particularmente da gente branca da Província ou índios, pois bem sabe que essa pobre gente ainda nos pode ser útil no futuro. […] Não receia a infantaria inimiga, pois ela há de receber ordem de um ministro de seu general-em-chefe para entregar o cartuchame sob o pretexto de desconfiarem dela. Se Canabarro ou Lucas forem prisioneiros deve dar-lhes escápula de maneira que ninguém possa nem levemente desconfiar […]

     Assinado por Luiz Alves de Lima e Silva, o então Barão de Caxias.

(Contestado por muitos defensores de Canabarro, o documento escrito por Duque de Caxias para o coronel Francisco Pedro de Abreu, o Moringue, em 9 de novembro de 1844 foi publicado em 1950 pela editora oficial do Exército, sob ordens do então Ministro da Guerra, General Canrobert Pereira da Costa, junto com outros documentos do Duque de Caxias. O documento apresentado, inclusive com a devida assinatura de Caxias, é reconhecido como autêntico pelo Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul.)

     Os ideais dos farroupilhas não foram além da luta pela igualdade de direitos entre duas oligarquias monopolistas. A que centralizava o poder no país – o Império – e os representantes das classes dominantes gaúchas, principalmente latifundiários e profissionais liberais. Não foi uma luta para a melhoria das relações sociais ou, mesmo, uma luta de classes onde o povo teria reivindicado uma reestruturação da sociedade.

     Ao contrário. O povo foi enganado com idéias libertárias vagas, como “direito dos cidadãos” e “luta contra o Império”, que foi demonizado. Mas os verdadeiros direitos que os chefes farroupilhas buscavam eram os seus direitos de classe possuidora dos meios de produção: o poder político.
     Mas, no decorrer da revolução e para atrair adeptos e tornar simpática a sua causa, os farroupilhas lançaram os ideais de Liberdade, Igualdade e Humanidade. Palavras que, na prática, eram nulas, porque aquela era uma sociedade opressora e escravocrata. Percebendo isso, os revolucionários prometeram a libertação dos escravos e maior igualdade social.

     Para que isso se concretizasse e adotasse ares de verdade, e também para fortalecer as forças farroupilhas, foram criados os corpos de Lanceiros Negros. Foram dois corpos de lanceiros constituídos, basicamente, de negros livres ou de libertos pela República Rio-Grandense que lutaram na Revolução Farroupilha. Possuíam 8 companhias de 51 homens cada, totalizando 426 lanceiros .
     Os Corpos de Lanceiros Negros eram integrados por negros livres ou libertados pela Revolução e, após, pela República - com a condição de lutarem como soldados pela causa.Eram recrutados, principalmente, entre os negros campeiros, domadores e tropeiros das charqueadas, e, apesar de lhes ser prometida a liberdade em caso de vitória da revolução, formavam corpos de combatentes separados dos brancos. A sua única e verdadeira liberdade era a de lutar pela causa dos brancos.
     Foram os responsáveis pelas principais vitórias dos farroupilhas, como a de 11 de setembro de 1936 e a da vitória de Laguna, em 1939.

     Com a vinda de Caxias como Presidente de Província, em novembro de 1842 começou a estratégia de estrangulamento da economia dos revolucionários. Para isso contou não só com os seus inexperientes 12.000 soldados como, principalmente com a adesão do eterno traidor Bento Manuel Ribeiro.
     Bento Manuel Ribeiro começou ao lado da Revolução, passou a apoiar o Império, voltou para a Revolução e terminou defendendo o Império e ajudando Caxias. Era a época dos caudilhos, que tinham as suas próprias tropas e Bento Manuel era considerado o fiel da balança. Com o seu apoio, Caxias atacou as cidades de fronteira, evitando o escoamento de charque para Montevidéu e Laguna e comprando cavalos para impedir que os Farrapos tivessem montaria. Mesmo assim, não conseguiu uma vitória decisiva, porque os farroupilhas – com cerca de 4.000 soldados - preferiam escolher o seu próprio campo de batalha e evitavam o confronto direto. Quando perseguidos, os revolucionários se refugiavam no Uruguai. Era a guerra de guerrilhas.
     Ainda assim, os farroupilhas, atacando São Gabriel em 10 de abril de 1843 e, em 26 do mesmo mês, destroçaram Bento Manuel em Ponche Verde. Mas Bento Manuel escapou, para se tornar, depois, marechal do exército imperial. Foi a última vitória dos farrapos.

     Em dezembro de 1842 reuniu-se em Alegrete a Assembléia Constituinte, sob forte discussão política. Era forte a oposição a Bento Gonçalves. Durante 1843 e 1844, sucederam-se brigas entre os farrapos. Numa destas, o líder oposicionista Antônio Paulo da Fontoura foi assassinado. Onofre Pires acusou Bento Gonçalves de ser o mandante. Este respondeu com o desafio a um duelo. Neste duelo (28 de fevereiro de 1844) Onofre foi ferido e faleceu dias depois. Ainda em 1844, Bento Gonçalves iniciou conversações de paz, mas retirou-se por discordar de Caxias em pontos fundamentais, assumindo o seu lugar David Canabarro.

     As tratativas estavam em andamento quando surgiu um grande problema: o Império não aceitava a libertação dos negros. Algo tinha que ser feito nesse sentido para que a paz pudesse ser assinada. A questão dos escravos era o único ponto que ainda barrava a assinatura da paz entre os grandes donos de terras que articularam a Revolução Farroupilha e as forças do governo.

     Em 9 de novembro de 1844 Caxias escreveu o documento acima (grifado) para Francisco Pedro de Abreu, o Moringue, indicando lugar e hora para o ataque aos Lanceiros Negros que estariam desarmados pelo próprio David Canabarro. Em 14 de novembro houve o massacre. Durante a tarde, Canabarro os desarmou deixando apenas as lanças e espadas - e foi passear com o seu estado-maior em uma fazenda próxima. 

     À noite, Moringue atacou, matando mais de cem negros e alguns brancos. Os que escaparam foram “remanejados” para o exército imperial, após a revolução. Muitos foram vendidos como escravos no Rio de Janeiro. Cerca de 40 ex-Lanceiros Negros foram para a fazenda do general Netto, no Uruguai, como escravos. As famílias dos que combateram pelos estancieiros continuaram escravas. Os poucos negros que conseguiram escapar ao massacre formaram pequenos grupos quilombolas.

     O Império precisava da paz devido à ameaça de Rosas e à já prevista Guerra contra o Paraguai – ocasião e que Caxias ficou tristemente famoso. Sua fama de carniceiro é bem conhecida, o povo paraguaio que o diga. Na guerra travada contra o Paraguai, entre 1864 e 1870, ele lá esteve liderando o genocídio de 76% dos habitantes daquele país - conforme os estudos de Júlio José Chiavenato, publicados em livros que ficaram famosos anos atrás.
     Porém, ainda persiste o mito criado pelas classes dominantes brasileiras e suas Forças Armadas de que Caxias seria "magnânimo na vitória", apesar das evidências no Paraguai e do massacre de Porongos. O general Netto também lutou naquela guerra. Foi quando, definitivamente, perdeu a sua alma. 

     Segundo vários historiadores, a famosa “Paz de Ponche Verde” foi uma paz comprada. Ninguém foi punido. Ao contrário, os chefes farroupilhas receberam indenizações do governo. Muitos compraram terras com as indenizações. Os oficiais republicanos passaram a pertencer ao exército imperial, com o mesmo posto angariado na revolução. As dívidas de guerra foram pagas pelo Império. Os ex-revolucionários puderam, finalmente, indicar o Presidente da Província ao seu gosto.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

brasileiríadas - GETÚLIO E JANDIRA: O VOTO NULO DO SISTEMA




- Oi Jandira!

- Oi amor! Como foi o teu dia?

- O de sempre. Muito trabalho, pouco ganho... E o seu?

- Terrível, Getúlio. Aquelas crianças estão a cada dia mais mal-educadas. E eu falo crianças, mas são uns marmanjões. Só querem ficar no celular o tempo todo. Ou falando e gritando. E o pior é que não se pode fazer nada...

- Como, não pode fazer nada, Jandira. Manda desligarem os celulares.

- Nada, Getúlio. Não se pode repreender, nem botar pra fora da aula se algum deles diz um palavrão. Mandar desligar o celular é o mesmo que não dizer nada; eles simplesmente não obedecem.

- Mas por quê?

- Porque é o novo tipo de pedagogia que oprime o professor e libera os diabinhos dentro dos alunos. Proibido gritar, proibido mandar pra fora da aula, proibido qualquer tipo de castigo. Não está explícito, mas se eu mandar alguém pra fora da aula, quem acaba despedida serei eu; ou melhor, colocada à disposição pela diretora.

- No meu tempo, se alguém falasse alto dentro da aula...

- Eu sei, amor. No meu tempo também. E a gente reclamava disso. Agora eu sinto falta daquele tempo, quando os professores eram respeitados, quando a escola não tinha a obrigação de passar os alunos, mesmo que não saibam nada, para receber mais subsídios do governo...

- Está tudo ficando podre neste Brasil, Jandira. Olha só: você tem alunos com mais de 16 anos?

- Alguns. Mas a cada ano mais. Eles não se importam com nada. Já não tem nenhuma educação em casa. Você sabe, os valores sumiram e os pais deixam a educação para as escolas, e ainda reclamam quando os filhos rodam. E isto que para rodar o aluno tem que fazer muito esforço, porque é quase proibido dar nota baixa.

- E são esses seus alunos de 16 anos que vão votar, Jandira. Olha só as cabecinhas! Vão votar em quem?

- Naqueles que os pais deles disserem, Getúlio; ou que acharem mais simpáticos, porque pensar de verdade, raciocinar mesmo, não é com eles. Com raríssimas exceções, é claro.

- As exceções que comprovam a regra. O voto aos 16 anos foi inventado para que os jovens se sentissem mais responsáveis pelo que acontece no país. Mas eu fico pensando...

- No que, Getúlio?

- Se não foi uma maneira de inchar as urnas com votos válidos. Do jeito que a coisa vai e com a campanha do voto nulo...

- Nem isso adianta mais, Getúlio.

- Como assim, Jandira?

- O TSE colocou os votos nulos no mesmo nível dos votos em branco. Última decisão deles. Saiu ontem. Vi agora na televisão.

- Não acredito! Então eles estão colocando os votos dos imbecis ao lado dos votos conscientes! Os votos daqueles que não sabem votar ao lado dos votos daqueles que se negam a ser cúmplices dessa porcaria!... Mas são uns canalhas, mesmo!

- Calma, amor. Não vai sair dizendo essas coisas por aí, que te prendem!

- É só o que falta!... Mas então, cadê a legitimidade do voto? Se a maioria da população votar nulo ou branco, eles elegem, de qualquer maneira os que tiverem votos válidos?

- Modelo copiado dos Estados Unidos, Getúlio. Como tudo neste Brasil. Lá, eles elegeram a linda cara do Obama com menos de 50% dos votos válidos. Deram uma maquiada, para parecer que era um pouquinho mais...

- Mas não adianta, Jandira. Agora mesmo é que eu vou fazer campanha pelo voto nulo, nem que seja só para ver a percentagem, depois.

- Eu me nego a votar em qualquer deles, Getúlio! É a mesma corja, com cores diferentes...

- Um é golpista, a outra é continuísta e a outra, coitada, com a sua candidatura, tá sendo usada para legitimar os que forem eleitos.

- Mas o nosso voto nulo não vai valer nada, Getúlio.

- Há muito tempo que não vale nada, Jandira. Há muito tempo... Talvez eu vote no Ivan, só para ver quantos votos ele vai ter aqui nesta cidadezinha de mentalidade burguesa.

- No Ivan eu voto com você, mas em ninguém mais Getúlio, ta legal?

- Não vote comigo, vote em quem você quiser votar, com a sua consciência, Jandira.

- Eu sei, amor. Mas é com a minha consciência que eu vou votar no Ivan. Mas só nele. Os outros votos eu vou anular.

- Eu também, Jandira. Apesar do TSE, do sistema deles, eu vou anular os votos pra governador, deputado e senador.

- Vamos anular eles, Getúlio. Mesmo que eles não considerem os nossos votos como válidos.

- Tudo que eles desejam é anular o povo, Jandira. Para continuarem mandando eternamente. Mas um dia a coisa muda...

- Vamos sair, amor. Já não aguento mais sequer pensar neles. Eles que se anulem em sua podridão mental.

- Vamos. Novela ou futebol hoje, nem pensar. Seria o mesmo que estar votando neles. Vamos comer alguma coisa, dar um passeio, olhar as estrelas...

- Vamos! Melhor que isso, só outro isso, amor! Me dá um beijo!...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O LADO OCULTO DOS ATENTADOS DE 11 DE SETEMBRO DE 2001




Você, possivelmente, acredita em profecias, sabe a respeito do Apocalipse, 666, essas coisas... E, se acredita, provavelmente espera que as profecias se realizem. Mas já pensou na possibilidade de que seja exatamente o inverso? De que grupos de pessoas, usando o que costumamos chamar de “profecias” e aproveitando-se da nossa boa-fé tenham criado uma agenda que inclua a concretização dessas “profecias” com o objetivo oculto de tirar grande vantagem disso?

     Por exemplo, se a maioria das pessoas acreditar que as invasões do Afeganistão e do Iraque estão suficientemente respaldadas pelo medo do terrorismo, devido ao 11 de setembro de 2001, quando do ataque às Torres Gêmeas, aqueles que estão tirando vantagem econômica e estratégica da invasão daqueles dois países, e da provável não tão futura assim invasão do Irã e intervenção no Paquistão poderão agir tranquilamente.

     Mas, para que haja essa tranqüilidade, foi necessário o ataque ao World Trade Center e ao Pentágono e o começo de uma não proclamada III Guerra Mundial, desta vez diferente das outras, escalonada, por etapas. Uma guerra ao mundo muçulmano e à religião islâmica, uma espécie de última cruzada.
     Ao mesmo tempo em que tentam dessacralizar Jesus – através da sua mídia e de outros meios – e lançar dúvidas sobre a razão de ser do Cristianismo, em suas diversas vertentes. Objetivo: liquidando com as duas principais religiões será mais fácil dominar as consciências e impor a sua Nova Ordem Mundial.

     Há inúmeras evidências de que o ataque às Torres Gêmeas foi planejado com muita antecipação, por pessoas dentro do governo dos EUA. Só eles tiveram a ganhar. Aquela foi a grande desculpa que buscavam para invadirem o Oriente Médio. Provavelmente, uma desculpa fabricada.

     Algumas das evidências:

     - O inventor do RPG "INWO - Illuminati: A Nova Ordem Mundial", lançado em 1995, conhecia de antemão os acontecimentos que envolveriam os ataques de 11/9/2001 e os efeitos resultantes. Nove cartas do jogo apresentam detalhes de uma forma precisa demais para ser apenas uma coincidência. Uma das cartas reproduz com exatidão o ataque às Torres Gêmeas.

     - Na manhã do dia primeiro de março, [1990] sem aviso prévio, uma força dos agentes do Serviço Secreto - acompanhados pela polícia de Austin e por pelo menos um 'perito' civil da companhia telefônica - ocuparam os escritórios da Steve Jackson Games e começaram a examinar os computadores. A residência do autor de GURPS Cyberpunk, também foi invadida. Muitos equipamentos foram apreendidos, incluindo quatro computadores, duas impressoras a laser, alguns disquetes soltos e considerável quantidade de hardware de computador. Um dos computadores era o que armazenava e rodava o Illuminati BBS.

     - De acordo com Michel Chossudovsky, Professor de Ciências Económicas na Universidade Ottawa e diretor do Center for Research on Globalization, no dia 10 de Setembro de 2001, Osama Bin Laden, o "Inimigo número um", estava num hospital militar paquistanês em Rawalpindi, cortesia do aliado indefectível dos EUA, o Paquistão, como confirmado por um relato de Dan Rather, da CBS News. De acordo com Dan Rather, da CBS, Bin Laden foi hospitalizado em Rawalpindi um dia antes dos ataques do 11/Set, em 10 de Setembro de 2001. “Ele poderia ter sido preso imediatamente, o que "nos teria poupado um bocado de perturbação", mas nesse caso não teríamos tido uma Lenda Osama, a qual alimentou as cadeias de notícias”.

     “Ele podia ter sido preso rapidamente a partir de 10 de Setembro de 2001. Mas nesse caso nós não teríamos sido privilegiados com todos estes anos de estórias da mídia relativas ao Osama. A administração Bush precisava desesperadamente da ficção de um "inimigo externo da América".

     - Conforme Mateus Bohner, “Numa coincidência incrível, houve uma troca do diretor de operações da Federal Aviation Administration (FAA), entidade que controla todos vôos civis no espaço aéreo americano e, no dia 11 de setembro de 2001, Ben Sliney assumia o cargo e a responsabilidade de ver (ou não ver) ,no painel de controle, aqueles quatro aviões desviarem grosseiramente de suas rotas de viagem. Estranhamente, Ben permaneceu apenas quatro meses como diretor de operações e saiu dizendo que não gostava da burocracia do cargo."

     “Uma das primeiras coisas que despertou desconfiança, foi a incrível cobertura de câmeras que teve os atentados às duas torres, parecia coisa de cinema, dava a impressão de que haveria um diretor coordenando quais seriam os melhores ângulos. Como algo tão inesperado que nem a Força Aérea dos Estados Unidos teve tempo de reagir, foi registrado de uma maneira tão eficaz que não se perdeu nenhum detalhe? Talvez porque não fosse tão inesperado assim.”

     “Intrigante também o fato de o dono da torre 7 do WTC, ter comprado bilhões em seguros dos três prédios, um pouco antes do 11/09…Torre 7 que também foi derrubada, mas sem ser atingida por algum avião, logo depois das duas gigantes desabarem. Convenientemente, dentro da 7, havia uma das maiores sedes da CIA, com um centro de investigação e resposta a ataques terroristas. Estranho é que, quando deveriam colocar uma resposta em ação, os agentes abandonaram o prédio, com tempo para desligar todos os computadores da sala… A maneira como a torre 7 veio abaixo chama a atenção, pois não foi atingida por nenhum incêndio grave e caiu de forma vertical, simetricamente, como numa implosão calculada.”

     “É fato que nenhum dos “peixes grandes” do WTC estavam presentes nos prédios naquele momento. Viajavam à negócios ou estavam de férias. De duas uma: ou foram eles abençoados com uma sorte incrível, ou foram avisados antecipadamente em uma espécie de acordo, o que os torna cúmplices do genocídio. Fico com a segunda opção. Acordo? Mas que acordo? E com quem? Os atentados de 11 de setembro teriam sido um grande negócio promovido por americanos da mais alta elite, extremamente desumanos? Responder a essas perguntas implica fazer acusações gravíssimas à pessoas “poderosas” e o pior, sem provas concretas. Mas você acha que eles deixariam provas?”

     - O Pentágono foi atingido menos de 1 hora após o ataque às Torres Gêmeas. Segundo a versão oficial teria sido por um Boeing 757-200. No entanto, não foram vistos destroços do avião, assim como asas e fuselagem. A única câmera do Pentágono que filmou o ataque não mostra nenhum avião. Todas as câmeras de segurança dos prédios vizinhos foram retiradas pelo FBI logo após o ataque, e seus filmes confiscados e não há nenhuma prova física de que tenha sido um Boeing que atingiu o Pentágono naquele dia. Testemunhas disseram que parecia um jatinho bi-motor ou um míssil. O vôo 77 – do Boeing que teria atingido o Pentágono - desapareceu do radar 45 minutos após o ataque ao Pentágono.

     - Paul H. Koch escreveu, no seu Livro “Illuminati”: “Depois dos atentados de 11 de setembro foi distribuído pela Internet um curioso exercício de papiroflexia com a nota de vinte dólares, que deixou estupefato todo aquele que quis fazê-lo. Tratava-se de dobrar uma nota nova até conseguir uma espécie de aviãozinho de papel no qual se podia contemplar de um lado, um desenho parecido com o Pentágono em chamas e, do outro, uma imagem das Torres Gêmeas do World Trade Center em chamas. E não só isso. Fazendo uma simples dobra em fole sobre a nota, pode-se ler “Osama” em sua parte superior. A pergunta é: Quais as possibilidades matemáticas de que três dobras de um bilhete de vinte dólares contenham acidentalmente uma representação de dois ataques terroristas e, além disso, o nome do suposto autor dos atentados?”

- Se você teclar a seguinte combinação alfanumérica: Q33NY, usando a fonte Wingdings, aparecerá uma espécie de assinatura do atentado.

O NÚMERO 11

     No Tarô, a carta-arcano 11 tem o nome de A FORÇA. Na Numerologia, a vibração 11 é considerada um número-mestre, que significa evidência, força, intuição.

     Para algumas ordens iniciáticas de cunho luciferiano, o número 11, uma oitava acima do número 2, simboliza a ação sobre a natureza, que pode ser manipulada pelo ser humano “superior”; as duas faces de uma mesma moeda; o equilíbrio entre Bem e Mal. E, portanto, a negação de Bem e de Mal: a liberdade para agir e a total ausência de valores. A impiedade.

     Não só o número 11, como também os números 2, 20 e 29. Quando ocorre algo importante em um desses dias é como se fosse um sinal, um código, para que os demais irmãos saibam que é obra do mesmo grupo e que as “verdades” enunciadas após o ocorrido, as explicações oficiais sobre o fato, devem ser aceitas e corroboradas.

     Alguns detalhes interessantes:

• 911 é o número para emergências nos Estados Unidos.

• Os atentados de 11 de setembro ocorreram exatamente 11 anos após George Bush (pai) declarar guerra ao Iraque, em 11 de setembro de 1990.

• O dia da independência dos Estados Unidos é 4 de julho. Ou seja: 4+7 = 11.

• O primeiro avião que bateu nas Torres Gêmeas era o vôo AA (American Airlines)-11 e o segundo levava a bordo 65 pessoas (6+5 = 11).

• A partir de 11 de setembro faltavam 111 dias para terminar o ano.

• Cada uma das Torres Gêmeas tinha 110 pisos e, se fossem contempladas de longe, pareciam dois números 1 juntos...

• No primeiro aniversário do 11 de setembro, os números que ganharam a loteria de Nova Iorque foram 9-1-1.

• O atentado de Madri ocorreu em 11 de março de 2004. O ataque ocorreu três anos depois, ou 911 dias depois.

• O golpe que matou o socialista Salvador Allende, derrubando o seu governo e colocando no poder o general Augusto Pinochet ocorreu em 11 de setembro de 1973.

     Pergunte a si mesmo(a) se tudo é mera coincidência.

     O imponderável, a incerteza. Qual o grau de certeza de que determinadas pessoas farão determinadas coisas – a um dado e específico momento – atingindo o resultado esperado? Mesmo os seres mais racionais também são emocionais. Emoções que podem levá-los a oscilar em suas certezas. Razão e emoção. São as emoções que não nos deixam ser fanaticamente racionais. E sua recíproca – o fanatismo gerado por emoções tem a sua contraparte racional. A dúvida. O sim e o não podem ser decisivos no momento de importantes decisões.

     O equilíbrio entre razão e emoção faz com que não sejamos robôs programados; faz com que sejamos “humanos”.

     Se os fanáticos são perigosos, também são extremamente perigosos os extremamente racionais.

     Niels Bohr, Einstein, Openheimer, gênios da racionalidade, autores de importantes descobertas e invenções, entre elas a maneira de destruir toda a Natureza: a bomba atômica. Não hesitaram em construí-la. E, ao fazerem isso foram os responsáveis pela morte de milhares de pessoas, plantas e animais somente em Hiroxima e Nagasáki.

     Suas emoções não foram tocadas por isso. Nada lhes restava de humano.

     Talvez tenha sido esta a grande descoberta daqueles que, não sendo mais humanos, desejam dominar o que de humano restar: dividir a humanidade entre os emocionais e os racionais, acabar com o imponderável, com a incerteza.

     Para os menos capacitados intelectualmente, todos os prazeres, a ponto de deixarem-se matar em busca da suprema sensação.

     Para os superdotados, o desafio da total manipulação da natureza, talvez do universo – será este o seu único prazer.

     Há os que não se importam, que deixam acontecer, os indiferentes. Ou, como escreveu Antonio Gramsci:

     “Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel acredito que "viver significa tomar partido". Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.

     "A indiferença é o peso morto da história. É a bala de chumbo para o inovador, é a matéria inerte em que se afogam freqüentemente os entusiasmos mais esplendorosos, é o fosso que circunda a velha cidade e a defende melhor do que as mais sólidas muralhas, melhor do que o peito dos seus guerreiros, porque engole nos seus sorvedouros de lama os assaltantes, os dizima e desencoraja e às vezes, os leva a desistir de gesta heróica."

     Se você acredita em profecias e acha que o nosso destino já está pré-determinado, provavelmente aceitará um novo sistema de governo mundial, que incluirá a globalização mental e emocional de todos - quando seremos monitorados por micro-chips inseridos sob a pele de cada um.
     Aceitará, porque acreditará no que a mídia oficial lhe disser: que somente um governo mundial poderá evitar o terrorismo e as guerras; poderá evitar o Anti-Cristo. Um governo mundial acompanhado por uma religião mundial que fará experiências em seu subconsciente.

     E você será apenas mais um no rebanho.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A INDEPENDÊNCIA DELES





Estava, no dia 20 de agosto, assistindo televisão quando me deparei, no Canal da Câmara, com uma sessão em homenagem à Maçonaria, por ser aquele o seu dia. Fiquei vendo um pouco os auto-elogios dos “irmãos”, e de como eles fazem e acontecem, e como a história daquela seita está estreitamente vinculada à História do Brasil, quando me dei conta! - percebi que a Câmara, o Congresso Nacional, naquele momento estava se auto-anulando.

     Se a História do Brasil é, como eles mesmos dizem, ditada pelas Lojas maçônicas, para que serve o Congresso Nacional? Talvez apenas para referendar o que já foi decidido “ocultamente” entre os verdadeiros donos do poder. Neste caso, o voto dos profanos, como eu, e de tantos milhões de brasileiros – ai de nós! – que também são profanos – e principalmente das brasileiras (porque é vedada a participação de mulheres) é apenas uma maneira formal de fingir democracia.

     E o Congresso declarou, naquela sessão, a sua nulidade no instante em que concordou – com os seus múltiplos aplausos – tudo o que foi dito pelos irmãos maçons aos outros irmãos da platéia. E concordou que a História do Brasil foi feita, e está sendo feita, pela Maçonaria, e não pela vontade do povo. Se isso é verdade, para que votamos?

     Se é realmente verdade que os donos do poder são os maçons – e isto foi dito por eles, mesmo que em termos oblíquos – é de se supor que o restante do povo, que eles chamam de “profanos”, são considerados cidadãos de segunda classe, apenas número para fazer votos e que nem todos são iguais perante a Lei. Porque se o Poder é deles, obviamente não emana do povo. E isso não pode ser chamado de democracia.

O 20 DE AGOSTO E O 7 DE SETEMBRO

     O dia 20 de agosto é o Dia da Maçonaria porque foi em 20 de agosto de 1822 que a Maçonaria decidiu que o Brasil deveria separar-se de Portugal. Sem o povo saber de nada. Para que o povo soubesse disso e para que ficasse oficializada essa separação, o Príncipe-Regente, Dom Pedro I, conhecido como “irmão Guatimozim” na Maçonaria, deu o famoso grito do Ipiranga, no dia 7 de setembro daquele ano. Recebeu a prancha, leu e gritou. Uma encenação perfeita.

     E o povo perplexo, sem nada entender. Ao contrário dos demais países da América Latina, que fizeram as suas revoluções de independência com o apoio do povo e devido à força desse mesmo povo, no Brasil tudo foi feito dentro das Lojas e de cima para baixo. Aliás, neste ano de 2010, a América Latina em peso comemora os duzentos anos de independência, graças à luta e ao sangue do seu povo.

     No Brasil, a independência de Portugal foi declarada devido a fortes interesses. Independência para aqueles que já detinham o poder econômico e queriam a emancipação política para consolidar aquele poder.

     Não foi uma independência que tenha trazido consigo a liberdade, o fim da escravidão, a igualdade e a democracia, como aconteceu na maioria dos demais países latino-americanos, que se constituíram logo em repúblicas após a sua independência da Espanha e, mesmo tendo chefes revolucionários que defendiam a aristocracia, como San Martín, também tiveram defensores do povo, como Bolívar.

     Mesmo assim, os povos dos países latino-americanos continuam lutando pela sua independência até hoje, porque naquele momento, há 200 anos atrás, foram as oligarquias daqueles países que herdaram o poder.

     Ao contrário do povo brasileiro, nos demais povos latinos há uma crescente consciência do significado de liberdade que faz com que a sua luta avance, gradualmente, ano a ano. Uma luta pelo bem-estar dos seus povos, pela independência econômica e conseqüente verdadeira liberdade; uma luta para desmascarar aqueles obscuros “poderes ocultos” que defendem a estagnação, o retrocesso e o entreguismo.

     No Brasil, não surgiu nenhuma revolução visando a independência e a libertação do povo brasileiro. A revolução brasileira ainda está por ser feita. O que aconteceu em 7 de setembro de 1822 foi uma declaração de independência em relação a Portugal, que beneficiou somente as classes dominantes, notadamente a aristocracia rural que ganhava muito dinheiro com a agroexportação e, para que isso continuasse, necessitava do trabalho escravo, e depois, quando a escravidão foi abolida oficialmente, em 1888, o trabalho escravo do povo miserável também foi oficializado, mas sem os grilhões e as senzalas.

     Naquele momento do “Grito do Ipiranga”, Dom Pedro I foi usado, e sabia disso. Ele havia sido alertado por Dom João VI para que tomasse o poder “antes que algum aventureiro” o fizesse. E Dom João VI, em Portugal, era um rei que não reinava, totalmente cerceado por uma Constituição que lhe tirava todos os poderes.

     Dom Pedro I, aliciado para a Maçonaria pelo todo poderoso ministro José Bonifácio, sabia que a independência do Brasil seria o primeiro passo para a República. Mesmo assim, concordou em ser iniciado e proclamar a Independência. Uma semana depois de iniciado na Loja Comércio e Artes já era Mestre Maçom.

     Sabia que era inevitável a independência. Para prepará-la, escreveu o Manifesto de Seis de Agosto – considerado por muitos historiadores como mais importante que a oficial proclamação de independência. Naquele documento, ele escreve: “... Eu, com o conselho dos Representantes populares, e na presença e sob a proteção de Deus Todo-Poderoso, Declaro e proclamo que o Brazil é uma Nação Livre e Independente, e que o Governo Estabelecido é em todos os atos um Governo Independente e Soberano. E a todas as nações amigas Eu declaro que os portos do Brasil estão livres e abertos ao Comércio...”

     Em 7 de setembro, voltando de Santos para São Paulo, recebeu despachos que lhe davam notícias das ordens intransigentes das Cortes de Portugal para a sua volta e do envio de expedições militares. À cavalo, rodeado pelos dragões de sua guarda de honra, uniformizados à austríaca, e dos membros de sua comitiva, arrancou da espada e gritou: “Laços fora, soldados! Pelo meu sangue, pela minha honra, juro fazer a liberdade do Brasil. Independência ou morte!”.

     Um dos despachos, no entanto, segundo Varnhagen, dizia que a independência já fora proclamada pela Maçonaria na sessão de 20 de agosto, “em assembléia geral do povo maçônico”, quando foram reunidas na sede do Apostolado, as três lojas metropolitanas, sob a presidência de Gonçalves Ledo. Cabia ao "irmão Guatimozim" apenas referendar a decisão, fazendo a proclamação da independência ao restante do povo brasileiro.

     Em 9 de setembro, em reunião maçônica no Grande Oriente do Brasil, Dom Pedro foi proclamado imperador. A 4 de outubro, Dom Pedro recebeu o título de Grão-Mestre da Maçonaria brasileira. No dia seguinte, 5 de outubro de 1822, foi-lhe dado o de “Defensor Perpétuo do Brasil”. Logo em seguida, o de “Arconte-Rei”.

     Os maçons se rejubilavam. Tinham o país nas mãos – do Imperador ao último cidadão. Então começou a briga entre eles. Uma das facções, a de Gonçalves Ledo, queria a república; a outra, a dos Andradas, era monarquista. O grupo republicano, de Gonçalves Ledo, ganhava cada vez mais forças. Assim, D. Pedro I alegando "haver muita divergência entre José Bonifácio e Gonçalves Ledo" (as duas principais lideranças maçônicas na época) simplesmente fechou o Grande Oriente do Brasil.

     E aquele ato uniu ainda mais a Maçonaria contra o Império. Depois de uma luta surda de bastidores, em 7 de abril de 1831 D. Pedro I abdicou em favor de seu filho, Pedro de Alcântara (Dom Pedro II) – o qual reinou de 1840 a 1889, quando foi deposto pelos militares maçons que deram o golpe que proclamou a República.

     Mas, naquele 7 de setembro de 1822, Dom Pedro I, prestes a tornar-se Imperador e “Rei-Arconte”, sabia que a independência custava caro. Mas não sabia o quanto!

A DEPENDÊNCIA ECONÔMICA

     Quando Dom João VI veio para o Brasil, em 1808, fugindo do exército de Napoleão, teve que pedir ajuda à Inglaterra, que escoltou os navios da corte portuguesa, com os seus navios de guerra, até a sua chegada ao Brasil. Em troca, quatro dias após chegar ao Brasil, Dom João VI promulgou uma carta-régia que decretava a abertura dos portos às nações amigas – um eufemismo que encobria a entrega dos nossos produtos, para comércio, para a Inglaterra.

     Assim, quando Dom Pedro I declarou que o Brasil era um reino independente de Portugal e teve de enfrentar a reação das tropas portuguesas no Brasil, como não tinha exército ou Marinha contratou mercenários ingleses sob ordens de chefes militares ingleses para fazer o que foi chamado depois de Guerra da Independência. Essa guerra durou até 1824, quando a independência do Brasil foi formalmente reconhecida pelo Reino Unido e por Portugal.

     Em 1824, para poder continuar mantendo o Brasil independente, Dom Pedro I autorizou a realização de uma operação de crédito na Inglaterra. O empréstimo foi feito em duas partes, cabendo o contrato da primeira a um consórcio das casas Farquar Crawford, Fletcher Alexander e Thomas Wilson, e o da segunda a Nathan Mayer Rotschild. Todos maçons.

     Depois, a casa Rotschild comprou todo o empréstimo. O total do empréstimo era de 3,7 milhões de libras esterlinas. Mas as cláusulas contratuais foram tão escorchantes que, pelo dinheiro da época, o Brasil recebeu 12 mil contos e ficou devendo 60 mil contos. Pela primeira vez foram hipotecadas as rendas das alfândegas. Era o início da infindável dívida externa brasileira, que empobreceu principalmente o povo brasileiro, enquanto os oligarcas, os donos do poder, as classes dominantes, enriquecem cada vez mais.

     Em 2008, o Banco Central do Brasil informou que o Brasil possui recursos suficientes para quitar a sua dívida externa. Pois o país registrou reservas superiores à sua dívida externa do setor público e do setor privado. Mas se usarmos essas reservas para pagar a dívida o país ficará... sem reservas. E este tipo de dívida em um país capitalista não é passível de ser paga. Constitui parte do jogo politico. Paga-se as amortizações dos juros da dívida, jamais a dívida. A dívida externa para junho de 2010, somou US$225 bilhões, elevando-se US$6,8 bilhões em relação à posição estimada para o mês anterior.

O RESULTADO

     Deodoro da Fonseca, Prudente de Moraes,Campos Salles, Rodrigues Alves, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Wenceslau Brás, Washington Luís. Toda a República Velha foi constituída por presidentes maçons, que nada fizeram pelo povo, mas lutaram pelos seus interesses pessoais.

     Depois, em 1930, Getúlio Vargas tomou o poder. Não era maçom, mas nacionalista. Foi deposto em 1945. Eurico Dutra foi eleito presidente, com o apoio do exército e da Maçonaria. Em 1950 Vargas foi eleito e alvo de campanhas difamatórias preferiu o suicídio a entregar o país a essas “forças ocultas”, que, na época, já eram aliadas dos Estados Unidos. Com a sua morte, assumiu a presidência o maçom Café Filho.

     De 1956 a 1961 foi presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, que era maçom, construiu Brasília e endividou ainda mais o Brasil. O maçom Jânio Quadros foi o próximo presidente eleito. Teve um curto mandato - de 31 de janeiro de 1961 e 25 de agosto de 1961 — data em que renunciou, alegando que "forças terríveis" o obrigavam a esse ato. Com a renúncia de Jânio, assumiu o vice João Goulart – apesar da resistência das Forças Armadas e da Maçonaria – que, por não ser maçom e desejar fazer um governo honesto e voltado para o povo, foi golpeado em 1º de abril de 1964.

     Seguiu-se uma terrível ditadura militar contra o povo, que durou até 1985. A Maçonaria juntamente com os militares, tentou liquidar com os movimentos de esquerda. No governo de Ernesto Geisel, no dia 15 de maio de 1974, o próprio Grão–Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil sendo senador e do partido situacionista, leu um oficio em que o Grande Oriente reafirmava o seu apoio ao regime de governo que se havia instalado em 1964.

     Nos anos ’80, durante o governo do general Figueiredo, não havendo mais necessidade de ditadura, foi feito um acordo de elites entre os maçons Tancredo Neves e Ulisses Guimarães, por um lado, e o maçom Golbery do Couto e Silva, por outro. Ficou acordado que as Forças Armadas passariam o poder para os civis e se retirariam para os quartéis, porque já era tempo do Brasil ostentar um regime “democrático”.

     Assim como no 7 de setembro, quando Dom Pedro I deu o famoso "Grito do Ipiranga" para proclamar uma independência que já tinha sido proclamada nas Lojas maçônicas, nos anos '80 - com o apoio da grande mídia - fizeram-se passeatas e “exigências populares” por “Diretas Já” e “Anistia” para parecer ao povo que era ele - o povo - que tomava a frente do processo político.

     Seguiram-se eleições indiretas, onde foi eleito o maçom Tancredo Neves. Com a sua morte prematura, tomou posse o maçom José Sarney. Em 1988, com a aprovação da nova Constituição, foi referendado o pacto das elites. As eleições diretas poderiam acontecer. O primeiro presidente eleito por voto direto foi o maçom Fernando Collor de Mello, que foi retirado do poder para dar lugar ao seu vice, o maçom Itamar Franco. Depois, o maçom Fernando Henrique Cardoso foi eleito duas vezes, sendo presidente por oito anos, período em que completou a obra dos seus antecessores ao implantar o neoliberalismo econômico e a era das privatizações, que entregou de vez o Brasil ao capital estrangeiro.

     Depois de FHC foi a vez de Lula. Mas somente depois que ele se transformou no “lulinha paz e amor”. Por seis vezes foi candidato a presidente da República. Na sexta vez, já devidamente domesticado, foi eleito. Há evidências de que Lula também tenha se tornado maçom e, por essa razão, daquela vez tenham lhe permitido vencer as eleições. O aperto de mão maçônico que ele trocou com George W. Bush é uma das evidências. E o seu governo é outra. Extremamente demagogo, pouco ou nada fez para diminuir as desigualdades sociais no Brasil, está reestruturando as Forças Armadas, seguiu o modelo neoliberal de FHC, fez uma aliança militar com os Estados Unidos e a sua base política inclui todos os partidos que quiserem participar. Não tem qualquer ideologia.

     E o que restou da influência maçônica no Brasil? Qual o resultado de tantos presidentes maçons?

     Desigualdade social, miséria, analfabetismo, fome, massificação, corrupção, entrega do Brasil ao capital estrangeiro. Tudo isso é tipicamente maçom.

     A Maçonaria no Brasil, que acabou com o Império, lutou contra a escravidão e deu o golpe que instituiu a República, não foi além disso.

     Hoje, nem todos os maçons são extremamente reacionários, mas todos são reacionários.

     A Revolução Francesa colocou no poder a classe burguesa, que já tinha o poder de fato através da sua força econômica. A partir da Revolução Francesa e da Independência dos Estados Unidos, todos os demais países seguiram aquele modelo – com uma fachada democrática que preserva a divisão de classes e o domínio das classes ricas.

     Até ali foi o “progressismo” maçônico. Aquele era o seu objetivo: o domínio e a manipulação do poder. E quando alcançaram o objetivo, deixaram de ser revolucionários.

     Passaram a reagir contra todo o tipo de revolução social, porque se sentiram ameaçados no seu trono imperial construído com juros a prazo fixo.

     Tornaram-se alienados, estanques, envelheceram junto com os seus conceitos que se transformaram em preconceitos. Mostraram-se retrógrados, defensores da divisão de classes, das anomalias sociais, da estupidez policial e das guerras.

     Fecharam-se em grades. Tem medo do povo. Medo do novo.
     Envelheceram e ficaram com medo da morte.
     Vivem da memória dos seus antecessores, que vestiram as mesmas vestes rituais e usaram os mesmos símbolos.
     De vez em quando, para não perderem o hábito, conspiram.
   Conspirações horizontais, visando a preservação e não a evolução.
     Morreram e não sabem que estão mortos.



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