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domingo, 4 de janeiro de 2015

A QUADRILHA E O ASSASSINATO DE CELSO DANIEL




Os brasileiros mais atentos estão “estarrecidos” (como diria a Dilma) com a recente anulação do processo sobre a morte do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, assassinado em 2002. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal acolheu um pedido para anular o processo, com base em divergências entre o Ministério Público, que apontava motivação política, e a polícia civil, que afirmou que foi um crime comum. Embora essa decisão do STF não extinga outra ação penal que está respondendo Sérgio Sombra (o único beneficiado com a decisão, por enquanto), todos os procedimentos realizados durante o curso da ação, desde 2003, ficaram anulados, incluindo depoimentos de testemunhas, perícias, interrogatórios e sustentações orais dos advogados e promotores.

   A ação contra Sombra deverá ser refeita desde a fase dos interrogatórios, em 2003. Não é a primeira vez que isso acontece no caso do assassinato de Celso Daniel, onde o Partido dos Trabalhadores é suspeito de ser o mandante do crime, que teria sido urdido por Sérgio Sombra a pedido de líderes partidários.

   O assassinato de Celso Daniel ocorreu em janeiro de 2002. Celso Daniel e seu assessor e segurança Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, jantaram em um restaurante de São Paulo, na noite de 18/01/2002. Na volta para Santo André foram seguidos por três carros, a partir da Vila das Mercês, zona sul de São Paulo, um caminho não usual para se chegar a Santo André. O carro onde estava o prefeito era dirigido por Sombra e, mesmo sendo blindado, parou depois de ser alvejado. Celso Daniel foi obrigado a entrar em outro carro, enquanto Sombra era deixado em liberdade, armado e com telefone celular. No dia 20, o corpo do prefeito foi encontrado em uma estrada de Juquitiba, alvejado com onze tiros (outras versões afirmam que foram 13 tiros) e marcas de tortura. 

   Afirma o Ministério Público que Celso Daniel descobrira um esquema de corrupção na Prefeitura de Santo André para financiar campanhas do PT, envolvendo empresários do setor de transporte e integrantes do governo municipal. Os políticos favoreceriam determinadas empresas em troca de propinas mensais. O dinheiro iria para uma “Caixa 2” do PT. Celso Daniel estaria disposto a revelar um dossiê (que teria desaparecido após o assassinato) contendo todo o esquema de corrupção, incluindo nomes dos políticos envolvidos. Por esta razão, membros do PT teriam ordenado a morte do prefeito, e o seqüestro seria uma desculpa para caracterizar crime comum. As torturas que precederam o assassinato de Celso Daniel provavelmente tinham como objetivo descobrir onde o ex-prefeito guardara o dossiê. 

   Após a morte de Celso Daniel, sete testemunhas foram assassinadas, incluindo o agente funerário e o legista que atestou marcas de tortura no cadáver. Em agosto de 2010, a promotora Eliana Vendramini, responsável pela denúncia que apura o assassinato de Celso Daniel, teve o seu carro atingido repetidas vezes por outro automóvel, fazendo com que capotasse três vezes. Salva pelo air-bag e pela blindagem do carro, a promotora sofreu leves escoriações. 

    O site “247” (http://www.brasil247.com), em 18 de janeiro de 2012 publicou matéria de Claudio Julio Tognolli, onde o ex-juiz João Carlos da Rocha Mattos é entrevistado sobre o caso Celso Daniel. Rocha Mattos, com 62 anos de idade na época da entrevista, em 2011, até então tinha sido o único réu preso no caso do assassinato do ex-prefeito de Santo André. A razão, segundo ele: estava de posse de fitas comprometedoras, que a Polícia Federal teria editado e apagado. Na entrevista (http://www.brasil247.com/pt/247/poder/1216/Exclusivo-Rocha-Matttos-reabre-caso-Celso-Daniel.htm) Rocha Mattos afirma que a Polícia Federal não é independente do governo, mas sim “uma polícia do governo, ela é comandada pelo Presidente da República e pelo Ministro da Justiça”. As “fitas comprometedoras” sobre o caso Celso Daniel, que foram apagadas e editadas, segundo Rocha Mattos, pela Polícia Federal, podem ser ouvidas no site “247”, enquanto não forem censuradas ou “hackeadas”, neste endereço: http://www.brasil247.com/pt/247/poder/36280/Vozes-do-além-as-fitas-do-caso-Celso-Daniel 

   Nas gravações aparece o nome de Gilberto Carvalho, que exercia cargo de Secretario de Governo na prefeitura de Santo André, na época do assassinato. Segundo a deputada Mara Gabrilli, ele era conhecido como “o homem do carro preto”, aquele que fazia a coleta das propinas para o PT junto aos empresários. Gilberto Carvalho é considerado um dos homens mais poderosos do Brasil. Foi Chefe de Gabinete de Lula e Secretario Geral da Presidência, durante o primeiro mandato de Dilma. Sabe tudo o que acontece dentro do PT e do Governo. 

   Recentemente deixou de ser ministro, talvez para poupar a imagem da Presidente ou para se auto-preservar de possíveis lembranças quando do caso Celso Daniel. Ao entregar o ministério para seu sucessor, Miguel Rosseto, Gilberto Carvalho repetiu a frase: “Não somos ladrões!” Acrescentou: “A quem diz que perdeu as eleições para uma quadrilha, quero responder que é essa a nossa quadrilha. Para eles, pobre é quadrilha, essa é a quadrilha dos pobres, que foram injustamente vencidos na história, que foram o tempo todo marginalizados e agora estão sendo tratados minimamente com dignidade. Com muito orgulho quero dizer que pertenço a essa quadrilha e vamos continuar mudando o país”. 

   Provavelmente os pobres, que são mais de 6 milhões no Brasil, não sabem que estão sendo supostamente amparados, em sua pobreza que rende votos, por uma quadrilha, à qual Gilberto Carvalho confessou pertencer. A confissão de Gilberto Carvalho faz parte da desesperada manobra do PT, que tenta lançar as camadas mais pobres da população contra os seus adversários políticos que denunciam a escancarada roubalheira na Petrobras. Sem contar o Mensalão e outros escândalos que o partido governista tenta acobertar. 

     Um deles, talvez o mais sério porque implica em assassinatos, é o caso Celso Daniel. Outra versão a respeito é a de João Francisco Daniel, que afirma que Celso Daniel sabia do esquema de corrupção que envolvia, inclusive, José Dirceu. Conta o irmão do ex-prefeito que algumas pessoas começaram a desviar para suas contas pessoais o dinheiro que já era desviado ilegalmente para o PT, e Celso Daniel descobriu e preparou um dossiê, que sumiu após o seu assassinato. Em 2012, Marcos Valério, operador do Mensalão, afirmou à Procuradoria que o ex-presidente Lula e o ex-ministro Gilberto Carvalho estavam sendo extorquidos por um criminoso envolvido no caso Celso Daniel. 

    O que mais chamou a atenção foi o fato de membros do PT, como Gilberto Carvalho e José Dirceu, em todos os momentos defenderem a tese do crime comum. Não se preocuparam em examinar outras hipóteses e contaram com o apoio da Polícia Civil de São Paulo - na época sob governo do PSDB - que defendeu a mesma tese. Não seria a primeira vez que PT e PSDB trocariam favores. Os dois partidos que hoje se anunciam opositores, na verdade são complementares e tem grande interesse em transformar o prisma político-partidário brasileiro em somente duas únicas vertentes políticas (a exemplo dos Estados Unidos, com Conservadores e Democratas) que se revezariam no poder, eternizando o mesmo projeto capitalista. 

     Tanto é assim, que Lula (e, posteriormente, Dilma) deu continuidade à política aliancista e entreguista de Fernando Henrique Cardoso, embora tenha aprofundado o discurso demagógico. É risível observar que petistas se desculpam dos roubos dizendo que o pessoal do PSDB também roubou - o que significa, apenas, que seguiram o exemplo, roubando muito mais “em nome dos pobres”. 

    Roubar e assassinar. O móvel do crime, de acordo com o Ministério Público seria o roubo descoberto por Celso Daniel, que se dispunha a tornar público em um famoso dossiê que sumiu. Quem também sumiu, com medo de ser assassinado, foi o engenheiro e professor de economia Bruno Daniel, o outro irmão de Celso Daniel. Depois de sofrer seguidas ameaças de morte, passou quase seis anos na França. Ele pertencia ao PT e não acreditava na hipótese de crime comum. 

    De acordo com Bruno Daniel e com o Ministério Público, Celso Daniel foi assassinado sob encomenda do PT, ou de alguns dos seus membros. Elementos pertencentes à organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) teriam sido contratados para efetuar o assassinato. Alguns deles já estão presos, e insistem que foi um crime comum; outros, que sabiam mais, foram assassinados. Sérgio Sombra, o provável mentor intelectual do crime, está solto. Estão soltos também aqueles que induziram Sérgio Sombra a organizar o assassinato. 

    O processo do assassinato de Celso Daniel foi anulado, a pedido do advogado de Sombra, sob a alegação de que a defesa não pode fazer questionamentos aos outros réus e que haveria um conflito entre a versão da Polícia Civil e a do Ministério Público. Dos sete réus do processo, seis já estão condenados, prevalecendo a tese do Ministério Público de que houve “crime de mando”. Os seis são bandidos comuns, que teriam sido contratados para matar Celso Daniel. Restava Sérgio Sombra, acusado de ser o mandante. Foi solto porque Marco Aurélio Mello e Dias Toffoli acolheram o pedido da defesa, enquanto Luís Barroso e Rosa Weber não admitiram o habeas corpus. O ministro Luís Fux, que foi indicado para a Corte com o apoio de Antonio Palloci e dos réus do Mensalão, omitiu-se de votar, permanecendo ausente da sessão. Com o empate, prevaleceu a defesa. 

   E prevaleceu a impunidade, novamente. A dependência subserviente do Judiciário e do Legislativo ao poder Executivo enseja a prática de crimes políticos, remete a Justiça ao banco dos réus da opinião pública e torna a palavra “político” sinônimo de criminoso. Todo o processo do assassinato de Celso Daniel terá de ser refeito a partir da fase de interrogatórios, e alguém duvida que a impunidade continuará a prevalecer? Vivemos em uma ditadura “branca” civil, que sucedeu dignamente a ditadura militar em prepotência, roubos e assassinatos. Quando Gilberto Carvalho disse “Não somos ladrões” deveria ter acrescentado “Não somos assassinos”. Seria mais coerente.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O PT É DE ESQUERDA!


Enquanto a direita dava um golpe na direita, lá no Egito, com o apoio dos Estados Unidos e das Forças Armadas do próprio Egito, e prepara-se para novos golpes via internet - porque a estratégia facebook, twiter e outras engenhocas deu certo para a classe média egípcia, que pensa estar fazendo uma revolução - Lula esteve no Fórum Social Mundial, em Dakar, Senegal.

     Acostumado com Davos – aquele Fórum Econômico Mundial que se reúne na mesma época do Fórum Social – e sua linguagem restrita, onde os grupos dos muito ricos avisam para os governos do mundo inteiro como deve ser a política econômica durante o resto do ano, Lula meio que se confundiu: foi contra o aumento do salário mínimo no Brasil. Mesmo assim foi aplaudido.

     Todos aplaudem Lula aonde quer que ele vá e diga lá o que diga. É um hábito, no mundo inteiro. O Lula aparece e as pessoas já se preparam para aplaudir. É como aqueles palhaços que quando surgem as pessoas já começam a rir antes que façam palhaçadas. Reflexo condicionado.

     Lula exaltou o Fórum Social e criticou Davos – para onde irá, na semana que vem, receber ordens e orientações. Fez do Fórum Social Mundial um palanque e elogiou o próprio governo de oito anos. E o público aplaudindo. Chegou a dizer – pasmem! – “Nós ensinamos ao mundo como é que uma força de paz deve agir. É motivo de orgulho a quantidade de brasileiros que querem se inscrever para ir até o Haiti.”

     E o público aplaudiu essa tolice gigantesca. No Haiti, o exército brasileiro está às ordens do exército dos Estados Unidos para o que der e vier. Como sempre esteve, desde 1945, ou pouco antes. Desconfia-se que o Fórum Social Mundial não seja o mesmo: cada vez menos social e menos mundial.

     O ministro-chefe da secretaria geral da Presidência, Gilberto Carvalho, com todo esse título pomposo também esteve lá, provavelmente para fazer propaganda do seu governo. Envolveu-se em um debate – o que talvez não esperasse – e disse a seguinte pérola: “O governo do PT não é socialista, mas é de esquerda”. Uma confissão interessante.

     Todos já sabiam que o governo do PT não é socialista, mas a afirmação de que é um governo de esquerda foi surpreendente. O ilustre ministro-chefe, etc., baseou a sua afirmação no fato de que o governo do PT segue, em parte, a Constituição, dando mesadas ao povo mais faminto. E considera que isso é ser de esquerda.

     É claro que ele não citou Belo Monte e os continuados casos de corrupção em muitos setores do governo Lula (e no governo Dilma é uma questão de tempo, a continuar o mesmo ritmo).

     Vou lembrar de alguns:

     - Caso Celso Daniel. Assassinato do prefeito de Santo André, em 2002. Sete testemunhas morreram em circunstâncias misteriosas. A família pressionou as autoridades para que o caso da morte do prefeito fosse reaberto. Em 5 de Agosto de 2002 o Ministério Público de São Paulo solicitou a reabertura das investigações sobre o sequestro e assassinato do prefeito. Em Agosto de 2010 a promotora Eliana Vendramini, responsável pela investigação e denúncia que apura o assassinato do ex-prefeito Celso Daniel, sofreu um estranho acidente automobilístico em uma via expressa de São Paulo. O veículo blindado e conduzido pela promotora, capotou três vezes após ser repetidamente atingido por outro automóvel, que fugiu sem prestar socorro.

     Há a hipótese de crime político. O irmão de Celso Daniel, João Francisco alega que Celso Daniel, quando era prefeito de Santo André, sabia e era conivente de um esquema de corrupção na prefeitura, que servia para desviar dinheiro para o Partido dos Trabalhadores. O suposto esquema de corrupção envolvia integrantes do governo municipal e empresários do setor de transportes e contava ainda com a participação de José Dirceu. Zé Dirceu foi inocentado recentemente, pouco antes de assumir um dos ministérios de Dilma.

     - Caso José Eduardo Dutra. O senador José Eduardo Dutra foi acusado de envolvimento na violação do painel eletrônico do Senado no episódio da cassação de Luiz Estevão. A denúncia questionava o fato de Dutra ter afirmado que ouvira boatos sobre a violação. A partir de um parecer da Advocacia Geral do Senado, o conselho de ética do Senado decidiu arquivar a denúncia por falta de evidências. José Eduardo Dutra é o atual presidente do PT.

     - Caso Benedita da Silva. Foi governadora do Rio de Janeiro. Deixou o Governo sob polêmica após usar recursos públicos em um evento religioso na Argentina. Devolveu o valor das diárias e das passagens após o caso ser divulgado pela imprensa.

     - Escândalo dos Bingos. O escândalo dos bingos é o nome de uma crise que surgiu em Fevereiro de 2004, após denúncias de que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil José Dirceu, estava extorquindo empresários com a finalidade de arrecadar fundos para o Partido dos Trabalhadores. O escândalo veio à tona após a divulgação de uma gravação feita pelo empresário lotérico (bicheiro) Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira. A gravação mostra Cachoeira sendo supostamente extorquido por Waldomiro Diniz.

     - Escândalo do Mensalão. Escândalo do mensalão, escândalo ocorrido em 2005 no governo Lula e que causou indiciamento no STF de 40 políticos, entre eles José Dirceu. Também conhecido como mensalão do PT.

     - Escândalo dos fundos de pensão. O escândalo dos fundos de pensão foi um entre os muitos escândalos que eclodiram durante a crise do Mensalão, no governo brasileiro do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele veio à tona depois das denúncias feitas para uma Comissão Parlamentar de Inquérito, originalmente criada para investigar denúncias de irregularidades na estatal Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Nos primeiros depoimentos para esta CPI - que ficou conhecida como CPI dos Correios - foram feitas denúncias de que algumas instituições financeiras estariam recebendo investimentos de entidades privadas de previdência complementar (fundos de pensão) através de um esquema montado pelo empresário Marcos Valério.

     - Escândalo da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa.

     Francenildo é um caseiro que obteve notoriedade ao dizer publicamente ter visto o então Ministro da Fazenda Antonio Palocci freqüentar habitualmente uma determinada mansão em Brasília, coisa que o ministro negava com veemência perante a opinião pública e a imprensa.

     No local, conforme narrou Francenildo, teriam ocorrido reuniões, churrascos e festas com a presença de garotas de programa, das quais participavam o ministro (que, segundo o caseiro, tinha o apelido de "Chefe") e os seus ex-assessores da prefeitura de Ribeirão Preto, com o suposto objetivo de se fecharem negócios considerados suspeitos e procederem à divisão do dinheiro relativo a tais negócios.

     Aos depoimentos de Francenildo perante a imprensa e a Polícia Federal seguiram-se um polêmico indiciamento por lavagem de dinheiro (já arquivado), tido por certos analistas como meio velado de pressão do governo do PT sobre uma testemunha julgada perigosa, além da muito comentada quebra do sigilo bancário do caseiro, que divulgou para a Revista Época extratos bancários sigilosos nos quais constavam certos depósitos em dinheiro. Aventou-se que tais recursos poderiam ter sido pagos ao caseiro pela oposição ao governo federal, mas logo após foi esclarecido que o dinheiro vinha do pai biológico de Francenildo.

     Os testemunhos de Francenildo e o envolvimento direto de Antonio Palocci e de seus assesores na quebra do sigilo bancário do caseiro foram a principal causa da demissão do mesmo, no dia 29 de Março de 2006. No episódio, também perdeu o cargo o então presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, tido como co-responsável pela quebra do sigilo. Palocci foi inocentado e é um dos principais ministros de Dilma.

     - Escândalo dos Sanguessugas.

     O Escândalo dos Sanguessugas, também conhecido como máfia das ambulâncias, foi um escândalo de corrupção que estourou em 2006 devido à descoberta de uma quadrilha que tinha como objetivo desviar dinheiro para a compra de ambulâncias. Entre seus principais envolvidos estavam os ex-deputados Ronivon Santiago e Carlos Rodrigues.

     O caso daria origem, no mesmo ano, ao escândalo do Dossiê, em que integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) foram presos em flagrante pela Polícia Federal comprando, com 2 milhões em dinheiro vivo, um dossiê que revelaria a suposta participação de políticos do PSDB no esquema, entre eles o então candidato a governador de São Paulo, José Serra, e o candidato à presidência da república Geraldo Alckmin.

     - Escândalo do Dossiê.

     O Escândalo do Dossiê ou Escândalo dos Aloprados, entre outros nomes, são as alcunhas pelas quais se chama a repercussão da prisão em flagrante, a 15 de setembro de 2006, de integrantes do PT acusados de comprar um falso dossiê, de Luiz Antônio Trevisan Vedoin, com fundos de origem desconhecida. O dossiê acusaria o candidato ao governo do estado de São Paulo pelo PSDB, José Serra, de ter relação com o escândalo das sanguessugas. O plano seria prejudicar Serra na disputa ao governo de São Paulo, para destruir em nível nacional o PSDB e ajudar o PT eleger o senador Aloizio Mercadante como governador naquele estado.

     - Escândalo dos cartões corporativos.

     O escândalo dos cartões corporativos foi uma crise política iniciada em 2008 após denúncias sobre gastos irregulares no uso de cartões corporativos. Os cartões foram instituídos em 2001 mas só entraram em funcionamento no ano seguinte para uma maior transparência e rapidez em gastos emergenciais. O problema do cartões corporativos é estrutural, pois o sistema que deveria ser usado para despesas pequenas e urgentes vem sendo usando para dispensar licitações e dar mimos aos governistas. Dos 150 cartões corporativos, o Portal Transparência, site oficial do Governo Federal, só divulgou os dados de 68 cartões.

     - Operação Santa Teresa.

     A Operação Santa Teresa da Polícia Federal foi deflagrada para desmontar um esquema de corrupção envolvendo a liberação de recursos do BNDES que pode ter beneficiado em torno de 200 prefeituras. Alguns presos na operação: Ricardo Tosto de Oliveira Carvalho, advogado, indicado pela Força Sindical para o conselho do BNDES. João Pedro de Moura, amigo do deputado Paulinho.

     - CPI da ONGs.

     A CPI das ONGs é o nome dado para investigações sobre repasses de dinheiro ocorridos no primeiro mandato do governo Lula (entre 2003 e 2006) para ONGs ligadas tanto ao governo federal como ao Partido dos Trabalhadores (PT), e à oposição.

     Tem mais, mas cansei de dar exemplos de corrupção do PT e seus aliados. Também existiram muitos casos de corrupção nos outros partidos de direita, como DEM, PSDB, etc.

     A direita é assim. Carente de ideologia, a não ser a ideologia do individualismo, atira-se ao dinheiro do povo como ratos ao queijo. E uma das características da direita é a corrupção desenfreada. Principalmente se tiver um Judiciário que garanta a impunidade.

     E o senhor ministro-chefe diz que o PT é de esquerda. Conheço várias pessoas que, ingenuamente, pensam a mesma coisa. Talvez eles entendam esquerda como uma posição que não seja exatamente a extrema-direita. Como a extrema-direita é muito mais atuante no Brasil, através dos grandes canais de televisão e de programas como “Manhattan Connection”, entre outros, dá pra confundir.

     Confunde ainda mais por não haver esquerda organizada no Brasil. Não se pode chamar de esquerda um PCB imobilizado que se alimenta de teses doutrinárias e ainda espera a revolução burguesa para depois, então, quem sabe, se as condições objetivas e subjetivas forem as apropriadas... É querer demais.

     Tampouco pode ser apelidado de esquerda o PSOL, que apenas tomou o lugar que o PT deixou vago quando o PT ainda se pensava socialista e que se solidariza ao sistema ao legitimar as eleições. O PCO ainda é uma incógnita e o PSTU quer ser trotskista sem saber exatamente o que seja marxismo. Apóia o golpe de estado no Egito como se fosse uma revolução proletária.

     Essa desorganização do que seria a esquerda no Brasil dá um grande espaço para que o PT se autoproclame de esquerda – e as pessoas acreditem. Principalmente pessoas que não tem nenhum conhecimento de política.

     Na verdade, a função do PT no Brasil é a de acabar com a esquerda, e de acabar até com o trabalhismo, que é o seu principal adversário, porque o desmascara.

     Se formos comparar, o governo João Goulart, que iniciou a reforma agrária, instituiu o método Paulo Freire na educação e as reformas de base – que abrangiam os setores educacional, fiscal, político e agrário – esteve anos-luz à frente do que hoje é o PT, com o seu falso humanismo social. E evoluiria naturalmente para o socialismo se não tivesse sido golpeado pelas Forças Armadas aliadas dos Estados Unidos, em 1964.

     Os governos de direita pós-ditadura militar brecaram tudo isso, e principalmente o PT que, fingindo-se de socialista, aos poucos foi se aliando novamente às mesmas forças retrógradas que o trabalhismo sempre combateu.

     O que foi golpeado em 1964 foi a força e a consciência do povo brasileiro em sua capacidade de transformação; foi o trabalhismo, o que ainda restava de nacionalismo no povo brasileiro e que os militares chamaram de “comunismo”. Foram os trabalhistas que foram presos, mortos, torturados e escorraçados do seu país.

     Aquela gurizada da classe média que formou grupos de guerrilha tentando uma resistência armada a um governo totalmente militarizado e que se considerava comunista depois de ler um Politzer e um livro do Che e que, ainda mais tarde, formou o PT e uma Nova Esquerda que abjurava o socialismo, e que hoje está no poder nada teve a ver com o nacionalismo da época de João Goulart.

     E hoje quer ser internacionalista sem conseguir, ao menos, ser socialista.

     Aceitaram alegremente a globalização imposta por Bush & Cia. E hoje pensam que são de esquerda, quando, simplesmente, cumpriram a missão que a direita lhes tinha imposta: a de acabar com qualquer sintoma de nacionalismo no Brasil. A recompensa é o poder. Um poder compartilhado com as Forças Armadas, com as multinacionais, com o grande capital nacional e estrangeiro, mas poder.

     E com o poder, eles podem fazer de tudo, incluindo o máximo de corrupção. E se dizem de esquerda.
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