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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O JULGAMENTO DO MENSALÃO OU O CLUBE DOS PERFEITOS





O mensalão é "a instalação do PT na política de direita brasileira", diz o psicanalista Thales Ab'Sáber, da Unifesp. Estudioso dos comportamentos políticos do País, ele lamenta que, depois de denunciado o escândalo, o petismo se empenhe na "tentativa de produzir uma alucinação negativa de que ele não existiu". (Entrevista a “O Estado de São Paulo).

     Outro analista das questões éticas e morais da vida brasileira, o professor Roberto Romano, da Unicamp, entende que o mensalão "é o coroamento de um processo que vem de longe, desde a criação do PT" e resulta da vitória dos "realistas" - com os líderes Luiz Inácio Lula da Silva e José Dirceu à frente -- sobre os grupos católicos e trotskistas na fase de formação do partido. Segundo Romano, ao se adaptar às regras do mercado e ao cumprimento dos contratos, como fez em 2002 com a Carta Aos Brasileiros, o partido "deveria ter convocado um novo congresso e mudado o seu programa, pois o anterior não servia mais." (Entrevista a “O Estado de São Paulo).


     Ministro Ayres Britto - Presidente.

     "Este caso é histórico e emblemático e o país acompanha atentamente os debates, o relatório e cada um de nossos votos. Fiquem certos de que a Suprema Corte está atenta e já está fazendo justiça, não está agindo com açodamento nem com a precipitação, tudo está sendo medido. [...] O lado cidadão também aflora nessas horas. Agora a análise que todo ministro tem de fazer, seja eminentemente jurídica e técnica e nós até dizemos dogmática.”

     Em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, em 24/08/2007.
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     Ministro Joaquim Barbosa - Vice-Presidente.

     Está no Supremo desde 2003 por indicação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

     “Toda essa teia de atividades, muitas delas dissimuladas, tinha como um único objetivo a prática de atividades caracterizadas pela lei penal como crime. [...] Embora alguns acusados queiram jogar a responsabilidade de apoio financeiro uns sobre os outros, isso não tem importância. O que importa é que eles aparentemente receberam as quantias”.

     Durante julgamento do recebimento da denúncia, em agosto de 2007.
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     Ministro Celso de Mello.

     “Os fatos relatados na denúncia são extremamente graves, profundamente preocupantes. Capazes de suscitar a justa indignação de qualquer cidadão. Isso faz com que se intensifique a necessidade de todos os órgãos competentes do Estado de investigarem todos os vestígios de improbidade administrativa, de assalto ao poder público, para que essas manifestações patológicas resultantes do exercício ilegítimo do poder não se repitam mais.”

     Em entrevista ao “Estado de S.Paulo”, em 09/03/2007.
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     Ministro Marco Aurélio Mello.

     É ministro do Supremo desde 1990, indicado pelo ex-presidente Fernando Collor.

     "Nós não estamos no âmbito de uma pizzaria. A sociedade vê nesse julgamento que a lei em si vale para todos, e que as instituições pátrias estão funcionando. [...] Não tomo como ofensa de que esse julgamento seria um julgamento político. Há independência consideradas as esferas política, civil administrativa e penal. E aqui eu ocupo uma cadeira de juiz, não uma cadeira do parlamento.”

     Em entrevista a jornalistas, em 27/08/2007.
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     Ministro Gilmar Mendes.

     Está no STF desde 2002, indicado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

     “Esta corte não está apenas a julgar um caso. Na verdade, esta corte dá lições permanentes para todas as demais cortes do país. Por isso este julgamento assume este caráter problemático. Não podemos permitir que o processo se convole em pena; formular denúncias que se sabem inviáveis para, depois, nos livrarmos dos nossos problemas de consciência e tendermos à opinião pública.”

     Durante julgamento do recebimento da denúncia, em agosto de 2007.
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     Ministro Cezar Peluso.

     É ministro da corte desde 2003, nomeado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

     "Estamos em ano eleitoral e não convém que esse julgamento seja próximo das eleições para não interferir no curso da campanha. Também é preciso prevenir o risco de eventual prescrição. Além disso, a opinião pública pressiona muito. É uma demanda de uma boa parcela da sociedade que esse caso seja esclarecido mais rápido."

     Em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo", em 17/04/2012.
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     Ministro Ricardo Lewandowski.

     É ministro do STF desde 2006, indicado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

     “Na verdade, o que quis dizer foi que eu é que estava com a faca no pescoço, e era gelada. Não cometi nenhum crime, nenhuma ilegalidade. Sinceramente me considero vítima de uma invasão de privacidade. As coisas acontecem. Eu podia estar no avião da TAM. É a lei de Murphy. Quando uma coisa tem que dar errado, dá tudo errado. Estou pagando o preço de expressar uma posição jurídica que não refletia os anseios da opinião pública."

     Em entrevista ao jornal "O Globo", em 31/08/2007, sobre ligação telefônica presenciada por uma repórter da "Folha de S.Paulo" na qual o ministro teria dito que o STF votou no recebimento da denúncia "com a faca no pescoço".
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     Ministra Cármen Lúcia.

     É ministra do Supremo desde 2006, por indicação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

     “Só pra ficar claro que os partidos [políticos] são legítimos, veículos necessários da sociedade, não são aqueles que constituem quadrilha ou coisa que o valha, mas pessoas que eventualmente deles fazem parte que agiram mal."

     Durante julgamento do recebimento da denúncia, em agosto de 2007.
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     Ministro Dias Toffoli.

     Está no STF desde 2009, nomeado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

     Faltam no currículo do advogado-geral títulos acadêmicos de pós-graduação, que em geral ajudam a comprovar que o indicado atende a um requisito exigido pela Constituição: o notável saber jurídico. Além disso, a trajetória profissional de Toffoli é notoriamente ligada ao PT. Isso coloca em xeque um dos princípios inerentes ao posto de membro do Supremo: a independência em relação a correntes políticas e ideológicas. Pesa ainda contra Toffoli o fato de ele ter sido reprovado em dois concursos públicos para juiz em São Paulo, em 1994 e 1995.

     "Eu não advoguei em nenhum momento no caso do mensalão. Nas campanhas em que atuei como advogado do presidente [Lula], sempre atuei no Tribunal Superior Eleitoral. Não era eu o advogado que atuava no diretório ou no comitê de campanha".

     Durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, em 30/09/2009.
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     Ministro Luiz Fux.

     Primeira indicação da presidente Dilma Rousseff, está no STF desde março de 2011.

     "As vozes sociais têm que ser ouvidas, mas não sobre como devem ser julgados os casos concretos que têm as suas peculiaridades. Senão, o juiz está se despojando de sua função de julgador e transferindo a sua missão à opinião pública. Isso é inaceitável. [...] A opinião pública, nessa parte, não pode interferir."

     Em entrevista ao jornal "Valor Econômico", em 12/06/2012.
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     Ministra Rosa Weber.

     Está no Supremo desde dezembro de 2011, indicada pela presidente Dilma Rousseff.

     “Todos esses processos que dizem respeito a temas mais candentes sofrem uma recomendação de que a eles se dê prioridade. [...] Ao que tenho notícia, mais de seiscentas testemunhas foram ouvidas no caso do mensalão. Há necessidade de tempo para ouvir essas testemunhas e para todas essas medidas."

     Durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, em 6/12/2011.

     Fux e Peluso são os únicos integrantes do STF que foram juízes concursados. Os demais eram advogados ou com outras funções que não a magistratura quando foram convidados para assumir uma cadeira no STF; a maioria deles com títulos de pós-graduação, mestrado e doutorado, assim como centenas de outros advogados no Brasil inteiro. Por que foram indicados pelo Executivo, sabatinados pelo Legislativo e entronizados como ministros do Judiciário?

     Parece óbvio que foram razões políticas. Em um país onde mandam as oligarquias, fingindo que o fazem em nome do povo, principalmente o Executivo, que governa através de medidas provisórias, necessita do respaldo jurídico dos membros do STF. Troca de favores, como acontece em todos os clubes privados.

     Alguns são mais “democráticos”, como o ministro Joaquim Barbosa; outros, mais “autoritários”, como o ministro Gilmar Mendes. Às vezes as vozes se elevam, trocam algumas farpas, mas em seguida tomam cafezinho juntos e talvez falem sobre futebol ou contem eruditas anedotas jurisprudenciais.

     É o clube dos mais iguais, onde o povo não entra. Dele também fazem parte os integrantes do Congresso e ministros do Executivo, assim como o ou a Presidente de plantão.

     Agora estão com a ‘faca no pescoço’, conforme palavras de Ricardo Lewandowski, extreme defensor dos “mensaleiros”. O seu voto será pela absolvição ou por penas alternativas. Gilmar Mendes é outro muito amigo do poder. Não desejará condenar os amigos. O que dizer do voto de Toffolli, petista emérito? O voto de Luiz Fux deverá ser semelhante ao de Mendes ou Toffolli. E já temos quatro ministros que deverão absolver José Dirceu e Cia. Faltam dois.

     Há quem aposte nas mulheres ministras. Afinal, foram indicadas por Lula e Dilma. Outros dão a entender que Celso de Mello estaria inclinado a absolver José Dirceu – o “chefe da quadrilha”, segundo o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel. Se o chefe da quadrilha for absolvido, o que dizer do restante da quadrilha?

     Faltam provas, dizem os defensores dos supostos quadrilheiros. Invenção raivosa do Roberto Jefferson, afirmam outros. Acusações sem fundamento, concluem os petistas de carteirinha. E, mesmo os que não tem carteirinha nem são petistas talvez digam uns para os outros que neste país a corrupção, o roubo, é tão comum e já passou tanto tempo... Para que condenar pessoas de bem? Ou de bens.

     A absolvição, se ocorrer, talvez com penas leves que não ultrapassem quatro anos para alguns dos mais óbvios culpados, será uma grande vitória do PT e aliados, que se refletirá nas eleições próximas.

     Nada melhor para o Governo do que o julgamento do mensalão neste momento em que o PT perde fôlego e necessita ser inocentado de todas as acusações pendentes, de todas as dúvidas e suspeitas da população. Por necessidade de assepsia política, algumas cabeças rolarão – a de Roberto Jefferson, réu confesso, em primeiro lugar.

     Em seguida, as vitoriosas eleições, comemoradas no eterno clube dos perfeitos. Impunidade? Que palavra é esta?

     Mas espero estar errado.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O PT É DE ESQUERDA!


Enquanto a direita dava um golpe na direita, lá no Egito, com o apoio dos Estados Unidos e das Forças Armadas do próprio Egito, e prepara-se para novos golpes via internet - porque a estratégia facebook, twiter e outras engenhocas deu certo para a classe média egípcia, que pensa estar fazendo uma revolução - Lula esteve no Fórum Social Mundial, em Dakar, Senegal.

     Acostumado com Davos – aquele Fórum Econômico Mundial que se reúne na mesma época do Fórum Social – e sua linguagem restrita, onde os grupos dos muito ricos avisam para os governos do mundo inteiro como deve ser a política econômica durante o resto do ano, Lula meio que se confundiu: foi contra o aumento do salário mínimo no Brasil. Mesmo assim foi aplaudido.

     Todos aplaudem Lula aonde quer que ele vá e diga lá o que diga. É um hábito, no mundo inteiro. O Lula aparece e as pessoas já se preparam para aplaudir. É como aqueles palhaços que quando surgem as pessoas já começam a rir antes que façam palhaçadas. Reflexo condicionado.

     Lula exaltou o Fórum Social e criticou Davos – para onde irá, na semana que vem, receber ordens e orientações. Fez do Fórum Social Mundial um palanque e elogiou o próprio governo de oito anos. E o público aplaudindo. Chegou a dizer – pasmem! – “Nós ensinamos ao mundo como é que uma força de paz deve agir. É motivo de orgulho a quantidade de brasileiros que querem se inscrever para ir até o Haiti.”

     E o público aplaudiu essa tolice gigantesca. No Haiti, o exército brasileiro está às ordens do exército dos Estados Unidos para o que der e vier. Como sempre esteve, desde 1945, ou pouco antes. Desconfia-se que o Fórum Social Mundial não seja o mesmo: cada vez menos social e menos mundial.

     O ministro-chefe da secretaria geral da Presidência, Gilberto Carvalho, com todo esse título pomposo também esteve lá, provavelmente para fazer propaganda do seu governo. Envolveu-se em um debate – o que talvez não esperasse – e disse a seguinte pérola: “O governo do PT não é socialista, mas é de esquerda”. Uma confissão interessante.

     Todos já sabiam que o governo do PT não é socialista, mas a afirmação de que é um governo de esquerda foi surpreendente. O ilustre ministro-chefe, etc., baseou a sua afirmação no fato de que o governo do PT segue, em parte, a Constituição, dando mesadas ao povo mais faminto. E considera que isso é ser de esquerda.

     É claro que ele não citou Belo Monte e os continuados casos de corrupção em muitos setores do governo Lula (e no governo Dilma é uma questão de tempo, a continuar o mesmo ritmo).

     Vou lembrar de alguns:

     - Caso Celso Daniel. Assassinato do prefeito de Santo André, em 2002. Sete testemunhas morreram em circunstâncias misteriosas. A família pressionou as autoridades para que o caso da morte do prefeito fosse reaberto. Em 5 de Agosto de 2002 o Ministério Público de São Paulo solicitou a reabertura das investigações sobre o sequestro e assassinato do prefeito. Em Agosto de 2010 a promotora Eliana Vendramini, responsável pela investigação e denúncia que apura o assassinato do ex-prefeito Celso Daniel, sofreu um estranho acidente automobilístico em uma via expressa de São Paulo. O veículo blindado e conduzido pela promotora, capotou três vezes após ser repetidamente atingido por outro automóvel, que fugiu sem prestar socorro.

     Há a hipótese de crime político. O irmão de Celso Daniel, João Francisco alega que Celso Daniel, quando era prefeito de Santo André, sabia e era conivente de um esquema de corrupção na prefeitura, que servia para desviar dinheiro para o Partido dos Trabalhadores. O suposto esquema de corrupção envolvia integrantes do governo municipal e empresários do setor de transportes e contava ainda com a participação de José Dirceu. Zé Dirceu foi inocentado recentemente, pouco antes de assumir um dos ministérios de Dilma.

     - Caso José Eduardo Dutra. O senador José Eduardo Dutra foi acusado de envolvimento na violação do painel eletrônico do Senado no episódio da cassação de Luiz Estevão. A denúncia questionava o fato de Dutra ter afirmado que ouvira boatos sobre a violação. A partir de um parecer da Advocacia Geral do Senado, o conselho de ética do Senado decidiu arquivar a denúncia por falta de evidências. José Eduardo Dutra é o atual presidente do PT.

     - Caso Benedita da Silva. Foi governadora do Rio de Janeiro. Deixou o Governo sob polêmica após usar recursos públicos em um evento religioso na Argentina. Devolveu o valor das diárias e das passagens após o caso ser divulgado pela imprensa.

     - Escândalo dos Bingos. O escândalo dos bingos é o nome de uma crise que surgiu em Fevereiro de 2004, após denúncias de que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil José Dirceu, estava extorquindo empresários com a finalidade de arrecadar fundos para o Partido dos Trabalhadores. O escândalo veio à tona após a divulgação de uma gravação feita pelo empresário lotérico (bicheiro) Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira. A gravação mostra Cachoeira sendo supostamente extorquido por Waldomiro Diniz.

     - Escândalo do Mensalão. Escândalo do mensalão, escândalo ocorrido em 2005 no governo Lula e que causou indiciamento no STF de 40 políticos, entre eles José Dirceu. Também conhecido como mensalão do PT.

     - Escândalo dos fundos de pensão. O escândalo dos fundos de pensão foi um entre os muitos escândalos que eclodiram durante a crise do Mensalão, no governo brasileiro do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele veio à tona depois das denúncias feitas para uma Comissão Parlamentar de Inquérito, originalmente criada para investigar denúncias de irregularidades na estatal Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Nos primeiros depoimentos para esta CPI - que ficou conhecida como CPI dos Correios - foram feitas denúncias de que algumas instituições financeiras estariam recebendo investimentos de entidades privadas de previdência complementar (fundos de pensão) através de um esquema montado pelo empresário Marcos Valério.

     - Escândalo da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa.

     Francenildo é um caseiro que obteve notoriedade ao dizer publicamente ter visto o então Ministro da Fazenda Antonio Palocci freqüentar habitualmente uma determinada mansão em Brasília, coisa que o ministro negava com veemência perante a opinião pública e a imprensa.

     No local, conforme narrou Francenildo, teriam ocorrido reuniões, churrascos e festas com a presença de garotas de programa, das quais participavam o ministro (que, segundo o caseiro, tinha o apelido de "Chefe") e os seus ex-assessores da prefeitura de Ribeirão Preto, com o suposto objetivo de se fecharem negócios considerados suspeitos e procederem à divisão do dinheiro relativo a tais negócios.

     Aos depoimentos de Francenildo perante a imprensa e a Polícia Federal seguiram-se um polêmico indiciamento por lavagem de dinheiro (já arquivado), tido por certos analistas como meio velado de pressão do governo do PT sobre uma testemunha julgada perigosa, além da muito comentada quebra do sigilo bancário do caseiro, que divulgou para a Revista Época extratos bancários sigilosos nos quais constavam certos depósitos em dinheiro. Aventou-se que tais recursos poderiam ter sido pagos ao caseiro pela oposição ao governo federal, mas logo após foi esclarecido que o dinheiro vinha do pai biológico de Francenildo.

     Os testemunhos de Francenildo e o envolvimento direto de Antonio Palocci e de seus assesores na quebra do sigilo bancário do caseiro foram a principal causa da demissão do mesmo, no dia 29 de Março de 2006. No episódio, também perdeu o cargo o então presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, tido como co-responsável pela quebra do sigilo. Palocci foi inocentado e é um dos principais ministros de Dilma.

     - Escândalo dos Sanguessugas.

     O Escândalo dos Sanguessugas, também conhecido como máfia das ambulâncias, foi um escândalo de corrupção que estourou em 2006 devido à descoberta de uma quadrilha que tinha como objetivo desviar dinheiro para a compra de ambulâncias. Entre seus principais envolvidos estavam os ex-deputados Ronivon Santiago e Carlos Rodrigues.

     O caso daria origem, no mesmo ano, ao escândalo do Dossiê, em que integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) foram presos em flagrante pela Polícia Federal comprando, com 2 milhões em dinheiro vivo, um dossiê que revelaria a suposta participação de políticos do PSDB no esquema, entre eles o então candidato a governador de São Paulo, José Serra, e o candidato à presidência da república Geraldo Alckmin.

     - Escândalo do Dossiê.

     O Escândalo do Dossiê ou Escândalo dos Aloprados, entre outros nomes, são as alcunhas pelas quais se chama a repercussão da prisão em flagrante, a 15 de setembro de 2006, de integrantes do PT acusados de comprar um falso dossiê, de Luiz Antônio Trevisan Vedoin, com fundos de origem desconhecida. O dossiê acusaria o candidato ao governo do estado de São Paulo pelo PSDB, José Serra, de ter relação com o escândalo das sanguessugas. O plano seria prejudicar Serra na disputa ao governo de São Paulo, para destruir em nível nacional o PSDB e ajudar o PT eleger o senador Aloizio Mercadante como governador naquele estado.

     - Escândalo dos cartões corporativos.

     O escândalo dos cartões corporativos foi uma crise política iniciada em 2008 após denúncias sobre gastos irregulares no uso de cartões corporativos. Os cartões foram instituídos em 2001 mas só entraram em funcionamento no ano seguinte para uma maior transparência e rapidez em gastos emergenciais. O problema do cartões corporativos é estrutural, pois o sistema que deveria ser usado para despesas pequenas e urgentes vem sendo usando para dispensar licitações e dar mimos aos governistas. Dos 150 cartões corporativos, o Portal Transparência, site oficial do Governo Federal, só divulgou os dados de 68 cartões.

     - Operação Santa Teresa.

     A Operação Santa Teresa da Polícia Federal foi deflagrada para desmontar um esquema de corrupção envolvendo a liberação de recursos do BNDES que pode ter beneficiado em torno de 200 prefeituras. Alguns presos na operação: Ricardo Tosto de Oliveira Carvalho, advogado, indicado pela Força Sindical para o conselho do BNDES. João Pedro de Moura, amigo do deputado Paulinho.

     - CPI da ONGs.

     A CPI das ONGs é o nome dado para investigações sobre repasses de dinheiro ocorridos no primeiro mandato do governo Lula (entre 2003 e 2006) para ONGs ligadas tanto ao governo federal como ao Partido dos Trabalhadores (PT), e à oposição.

     Tem mais, mas cansei de dar exemplos de corrupção do PT e seus aliados. Também existiram muitos casos de corrupção nos outros partidos de direita, como DEM, PSDB, etc.

     A direita é assim. Carente de ideologia, a não ser a ideologia do individualismo, atira-se ao dinheiro do povo como ratos ao queijo. E uma das características da direita é a corrupção desenfreada. Principalmente se tiver um Judiciário que garanta a impunidade.

     E o senhor ministro-chefe diz que o PT é de esquerda. Conheço várias pessoas que, ingenuamente, pensam a mesma coisa. Talvez eles entendam esquerda como uma posição que não seja exatamente a extrema-direita. Como a extrema-direita é muito mais atuante no Brasil, através dos grandes canais de televisão e de programas como “Manhattan Connection”, entre outros, dá pra confundir.

     Confunde ainda mais por não haver esquerda organizada no Brasil. Não se pode chamar de esquerda um PCB imobilizado que se alimenta de teses doutrinárias e ainda espera a revolução burguesa para depois, então, quem sabe, se as condições objetivas e subjetivas forem as apropriadas... É querer demais.

     Tampouco pode ser apelidado de esquerda o PSOL, que apenas tomou o lugar que o PT deixou vago quando o PT ainda se pensava socialista e que se solidariza ao sistema ao legitimar as eleições. O PCO ainda é uma incógnita e o PSTU quer ser trotskista sem saber exatamente o que seja marxismo. Apóia o golpe de estado no Egito como se fosse uma revolução proletária.

     Essa desorganização do que seria a esquerda no Brasil dá um grande espaço para que o PT se autoproclame de esquerda – e as pessoas acreditem. Principalmente pessoas que não tem nenhum conhecimento de política.

     Na verdade, a função do PT no Brasil é a de acabar com a esquerda, e de acabar até com o trabalhismo, que é o seu principal adversário, porque o desmascara.

     Se formos comparar, o governo João Goulart, que iniciou a reforma agrária, instituiu o método Paulo Freire na educação e as reformas de base – que abrangiam os setores educacional, fiscal, político e agrário – esteve anos-luz à frente do que hoje é o PT, com o seu falso humanismo social. E evoluiria naturalmente para o socialismo se não tivesse sido golpeado pelas Forças Armadas aliadas dos Estados Unidos, em 1964.

     Os governos de direita pós-ditadura militar brecaram tudo isso, e principalmente o PT que, fingindo-se de socialista, aos poucos foi se aliando novamente às mesmas forças retrógradas que o trabalhismo sempre combateu.

     O que foi golpeado em 1964 foi a força e a consciência do povo brasileiro em sua capacidade de transformação; foi o trabalhismo, o que ainda restava de nacionalismo no povo brasileiro e que os militares chamaram de “comunismo”. Foram os trabalhistas que foram presos, mortos, torturados e escorraçados do seu país.

     Aquela gurizada da classe média que formou grupos de guerrilha tentando uma resistência armada a um governo totalmente militarizado e que se considerava comunista depois de ler um Politzer e um livro do Che e que, ainda mais tarde, formou o PT e uma Nova Esquerda que abjurava o socialismo, e que hoje está no poder nada teve a ver com o nacionalismo da época de João Goulart.

     E hoje quer ser internacionalista sem conseguir, ao menos, ser socialista.

     Aceitaram alegremente a globalização imposta por Bush & Cia. E hoje pensam que são de esquerda, quando, simplesmente, cumpriram a missão que a direita lhes tinha imposta: a de acabar com qualquer sintoma de nacionalismo no Brasil. A recompensa é o poder. Um poder compartilhado com as Forças Armadas, com as multinacionais, com o grande capital nacional e estrangeiro, mas poder.

     E com o poder, eles podem fazer de tudo, incluindo o máximo de corrupção. E se dizem de esquerda.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

DILMA E SUA TROPA DE ELITE - PALOCCI


Há quem diga que a culpa da derrota de Serra foi do Aécio, que não quis se empenhar como deveria... Briga de tucano é sempre no bico.

     Outros afirmam que a omissão de Marina Silva e do PV foi fundamental para a vitória do PT. Eu não tenho dúvidas que, em cima do muro, o PV ficou apenas esperando para ver quem venceria e ofereceria o primeiro ministério.

     A política brasileira perdeu completamente o decoro. Isto, devido principalmente à curta memória dos brasileiros, que preferem todo o tipo de entorpecentes enquanto cantam “deixa a vida me levar”.

     “Ganhar no mole” e “deixa acontecer para ver como é que fica”, tem sido algumas das frases preferidas daquele brasileiro que se finge de contemplativo em todos os fins de tarde copacabânicos ou que outras praias sejam neste Brasil de muito axé e beleza apenas turística. Os dias com balas perdidas – que atingem somente os outros - estão ficando rotineiros. De noite, assiste-se aos filmes do Zé Padilha e fica tudo certo. Faz de conta que a vida é assim.

     Enquanto isto, vapores dílmicos diretamente do planalto central do Brasil - onde canta a coruja e outros bichinhos sobreviventes tentam sobreviver, enquanto seu lobo não vem - informam que Antonio Palocci volta a ser todo poderoso. Pertence à Tropa de Elite de Dilma.

     Lembram dele? Aquele mesmo. Para a nossa memória artística, tão brasileira, alguns dados a mais.

     Antonio Palocci Filho é um político de carreira. Já foi vereador e prefeito de Ribeirão Preto duas vezes. Embora seja médico, exerce, atualmente, o mandato de deputado federal pelo estado de São Paulo (2007-2011). Foi cofundador do Partido dos Trabalhadores e presidente do PT-SP (1997-1998).

     Em 2002, quando era prefeito de Ribeirão Preto, licenciou-se do cargo para se dedicar a campanha presidencial de Lula e depois para coordenar a equipe de transição governamental e assumir o cargo de Ministro da Fazenda, para o qual foi nomeado no ano seguinte.

     Atualmente, é a sombra de Dilma Roussef, o homem por trás dos bastidores do governo. Foi ele quem coordenou a campanha da presidente eleita e é ele quem está organizando a transição do governo e orientando Dilma na escolha do seu ministério.

     Mas a sua história como político profissional é recheada de acusações de corrupção.

     Somente este ano, em maio de 2010, Palloci sofreu seis ações populares que atestam propaganda irregular em 2001 em sua segunda gestão na cidade de Ribeirão Preto. Após duas ações movidas pelo deputado federal Fernando Chiarelli, o juiz André Carlos de Oliveira, da 2ª Vara da Fazenda Pública de Ribeirão Preto, julgou o caso, que reuniu todas as sentenças, e condenou Palocci a devolver R$ 413,2 mil aos cofres públicos, além de outros R$ 500 mil de suplementação de verba gastos com empreiteiras, valores não corrigidos monetariamente, mas a defesa afirmou que recorrerá da sentença.

     Antes disso, muitas foram as acusações de corrupção.

     - Palocci foi acusado de chefiar um esquema de corrupção da época em que era prefeito de Ribeirão Preto - SP. Através da cobrança de "mesadas" de até 50 mil reais mensais de empresas que prestavam serviços à prefeitura, o ex-ministro da fazenda alimentava os cofres do seu partido, o PT, com dinheiro ilícito.

     - Quando prefeito, Palocci foi acusado de fraudar licitação para a compra de cestas básicas, que deveria incluir a compra de uma lata de molho de tomate peneirado com ervilha - especificidade que gerou suspeita de fraude e favorecimento.

     - Seu assessor Buratti apareceu associado, em 2004, a uma suposta exigência feita por Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil, para a renovação de contrato entre a empresa GTech e a Caixa Econômica Federal. A GTech também acusa Buratti de extorsão, que este fazia em nome de Antonio Palocci Filho.

     - Em 2005, Antonio Palocci Filho se viu envolvido no escândalo do Mensalão, após ser acusado por Rogério Buratti, seu ex-secretário na primeira gestão como prefeito em Ribeirão Preto, de receber entre 2001 e 2004 R$ 50 mil mensais de propina da empresa Leão & Leão, que seria favorecida em licitações da prefeitura. O dinheiro seria usado para abastecer um caixa dois de candidatos do PT. Em junho de 2007, Buratti retirou as acusações contra Palocci. O fato causou a indignação do delegado responsável, porém as investigações continuam, uma vez que existem outras provas documentais e testemunhais.

     - Em 27 de março de 2006, Palocci foi demitido pelo presidente Lula do cargo de ministro da Fazenda. Sua situação ficou insustentável a partir da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa, testemunha de acusação contra Palocci no caso da casa do lobby, mansão alugada pela chamada "República de Ribeirão Preto" para servir de sede para reuniões de lobistas e encontros com prostitutas, conforme investigações da CPI dos Bingos.

     O ex-ministro seria processado pelo Ministério Público Federal, mas, em agosto do ano passado, por 5 votos a 4, os ministros do Supremo Tribunal Federal rejeitaram o pedido de abertura de uma ação penal contra ele.

     O relator do caso, ministro Gilmar Mendes, considerou que, a despeito da ocorrência da quebra irregular de sigilo, e de os dados do caseiro terem sido mostrados a Palocci pelo então presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, não havia provas suficientes de que o ex-ministro tivesse ordenado a ilegalidade.

     Agora, Antonio Palocci Filho volta ao poder junto com Dilma Roussef, ajudando-a a compor os seus discursos e a sua proposta de governo.

     Com certeza, será nomeado para algum ministério.

     Tenho uma sensação de tédio, de déjà-vu, de desgosto, de sensaboria. Um auto exílio interno tentando se formar e, ao mesmo tempo, sendo rechaçado, mas somente levemente rechaçado. Sinto-me órfão de um Brasil que parece muito distante, cada vez mais triste, cada vez mais feio; às vezes irritante e grosseiro. Áspero. Nada a ver com a Mãe Gentil.


     “(...)Quem nos desviou assim, para que tivéssemos um ar de despedida em tudo o que fazemos?(...)”

     (Rainer Maria Rilke – “Elegias de Duíno”, oitava elegia).

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

ALGUMAS PERGUNTAS





Ao final da campanha eleitoral do segundo turno, marcada por mentiras e factóides, algumas perguntas surgem.


     As pesquisas são uma maneira de induzir eleitores indecisos a votar naqueles que “vão ganhar”?

     Uma espécie de profecia às avessas?

     Você “fabrica” o futuro que lhe convem e depois diz que estava escrito?

     Além do PT e seus coligados, a quem interessa que a Dilma seja eleita?

     Por que o tema Reforma Agrária não foi tocado na propaganda eleitoral e nos debates?

     Por que os dois candidatos não propuseram maneiras de resolver a crise no campo, ao invés de ficarem dizendo que o MST deve se comportar?

     Por que não foram colocadas propostas programáticas nas duas campanhas, mas apenas propostas pragmáticas?

     Os intelectuais que apóiam o PT fazem isso apenas por hábito ou por fisiologismo?

     Por que os evangélicos tem tanta força política no Brasil?

     Por que o PT se queixa do Papa e busca o apoio dos evangélicos? O PT é um partido evangélico?

     O Estado brasileiro ainda é laico?

     Por que os dois candidatos são contra o aborto, mas não tem propostas para acabar com a miséria e a desigualdade social?

     Por que o PT ataca o Fernando Henrique, quando os últimos oito anos de entreguismo e política contra o povo foram seus? E nada fez para acabar com a miséria, apenas políticas assistencialistas?

     Por que a Dilma quer acabar com parte do Xingu e desalojar 30 povos indígenas, matar animais e plantas para construir uma hidrelétrica em Belo Monte, provocando um impacto ambiental irreversível?

     E por que ela chama isso de “energia limpa”? Será que ela considera a morte da natureza uma coisa limpa?

     E por que, apesar disso, Marina se omitiu e parte do PV apóia Dilma?

     Quem ganha, de fato, com a construção da hidrelétrica de Belo Monte?

     Por que Lula acha que fez alguma coisa no governo, quando só fez demagogia?

     Por que Lula, Dilma e o PT estão aliados com José Sarney e Fernando Collor, que já foram acusados de corrupção?

     Por que vários ministros do governo Lula fora acusados de corrupção – Benedita da Silva, Romero Jucá, José Dirceu, Antonio Palocci, Luiz Gushiken, Silas Rondeau Cavalcanti Filho, Walfrido dos Mares Guia e Matilde Ribeiro -, indiciados pelo Ministério Público, respondendo a processos e Lula disse que não sabia de nada?

     Por que Lula disse que não sabia de nada sobre o Mensalão no Congresso?

     Por que Lula disse que não sabia de nada sobre o Mensalão mineiro?

     Como ficou o caso Celso Daniel?

     E o caso Erenice, vai ficar por isso mesmo?

     PT significa Partido dos CorruPTos ou Partido dos Transgênicos?

     Dilma Roussef é uma Factóide projetada através de holografia?

     É verdade que o governo Lula é o mais corrupto da nossa História?

     É verdade que a Dilma gostaria de ser chamada de Cristina Kirchner, mas engordou um pouco?

     É verdade que os bonequinhos da campanha de Serra foram criados por um marketeiro petista?

     O mesmo que aconselhou o candidato a não falar nada sobre a corrupção no governo Lula?

     É verdade que o Tiririca é o Lula fantasiado de palhaço? Ou vice-versa?



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