terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

NÃO QUEREMOS DILMA, QUEREMOS VILMA





Lula se enganou. Não era a Dilma que devia ter escolhido como sucessora, e sim a Vilma, mas o que esperar do Lula depois que se entregou pros homens do dinheiro, que se transformou no Lula-lá, muito lá, cada vez mais distante do povo? Lula não é mais povo. Virou alguma coisa muito estranha que eu não gosto nem de pensar. É certo que em época de eleições ele fala em povo e vai a comícios e quermesses, dá beijos em criancinhas e faz tudo o que é esperado de um político tradicional. Depois se recolhe para contar milhões. É o que dizem. Dizem tanta coisa que é difícil acreditar em todas elas. E o Lula escolheu a Dilma. Provavelmente porque não conhecia e Vilma e fico me perguntando se ele escolheria a Vilma, se a conhecesse. Duvido!

   Vilma é muito independente. Quando a convidaram para entrar em um desses partidos, ela respondeu: “O quê! E eu sou lá de ficar fazendo conchavos com gente do governo? Necas de pitibiribas!”. Foi o que me disseram, mas dizem tanta coisa... O certo é que Vilma não é a Dilma, longe disso. “Não me confundam! Eu me chamo Vilma e não Dilma” - costuma repetir. E é a pura verdade.

    Participa de todas as passeatas. Já levou cacetada, foi batizada com spray de pimenta, tentaram sufocá-la com gás lacrimogêneo, ouviu insultos e palavrões de PMs, mas nunca desistiu. É sempre a primeira a liderar as manifestações e quando chega aos locais de reunião todos ficam alegres e os mais entusiastas chegam a dizer: “É a Vilma! Vamos que vamos!”

    Vilma é muito diferente de Dilma. Pra começar, o seu nome começa com a letra “V”, de vitória; o nome de Dilma começa com a letra “D”... de que mesmo? Prefiro nem dizer a palavra. Dá azar. Vilma jamais faria do Brasil o paraíso dos banqueiros; já a Dilma, a afilhada do Lula...  

    Todos sabem que a Dilma gosta muito de bons restaurantes e de comidas exóticas, ou, pelo menos, de comidas que nós, simples mortais, sequer imaginamos que um dia poderemos comer. Talvez por isto a Dilma esteja um pouco gordinha. Vilma, ao contrário, é magra, ágil e prefere a comida caseira, o feijão com arroz e salada de todos nós. E olhem que as duas têm a mesma idade! Já viram a Vilma em algum desses restaurantes da moda? Nunca! Quando não está nas passeatas, gosta de fazer longas caminhadas com breve pausa para um frugal piquenique com os amigos.

    Vilma detesta políticos, diz que são corruptos – o que em parte é verdade. A outra parte está esperando melhores ofertas. Dilma, por seu lado, vive criando cargos de confiança, secretarias, ministérios, onde possa abrigar todos aqueles que têm alguma força política, aglomerados no que foi apelidado de “base aliada” e que sabemos que é uma base comprada para aprovar os seus projetos. Políticos querem é ganhar dinheiro, como diria o Tiririca, que é um político que finge de palhaço. Ou vice-versa. E assim como ele... Todos os outros? Deve escapar algum, quem sabe.  

     Vilma não gosta nem de ir a Brasília, costuma dizer que aquela cidade tem uma aura nebulosa. Quando foi, da última vez, em uma daquelas grandes e memoráveis manifestações de 2013, na hora de invadir a Praça dos Três Poderes desabou. Estava se sentindo mal e teve que ser retirada a braços. Foi nocauteada pelo mau cheiro.

   Vilma é extremamente sensível. Não suporta ladroagem, roubalheira, detesta aqueles que assaltam o povo e sofre alguns processos por se negar a pagar impostos. Nem carro ela quer ter – “Primeiro, porque não gosto de usar armas, segundo, porque esses carrinhos que estão fabricando por aí não oferecem a menor resistência a uma simples batida e terceiro porque pagar imposto para andar de carro, quando eu posso fazer o mesmo trajeto de bicicleta, é pedir para ser chamada de otária”.

     Dilma tem aquele cacoete de trocar as palavras ou inventar frases pouco inteligíveis. Vilma costuma falar pouco e de maneira direta e clara e até desculpa a Dilma: “Coitada. Como é que não vai se atrapalhar, com toda aquela bagunça que deve ser o Palácio do Planalto? Acostumou, e a bagunça a acompanha aonde ela for”.  

    Todos sabem que as mulheres costumam ser muito unidas, até o momento em que brigam. E Vilma diz estar de mal com a Dilma – “Num momento de recessão, deixar o povo jogado às traças batendo nas portas dos bancos e de outros agiotas menores e ainda por cima aumentar os impostos é o mesmo que condenar à fome e à miséria. No lugar dela eu dobraria o salário mínimo. Ou triplicaria. Se o dinheiro está valendo pouco, o salário deve ser aumentado, não é óbvio? Ou ela não pensa no povo?”

    Esta é uma dúvida que vem aumentando: Dilma pensa no bem-estar do povo? Vilma, por seu lado, se diz socialista, o único sistema político em que acredita – “É uma questão de humanidade, gente. Se eu sou cristã, tenho a obrigação de ser socialista. Jesus não usava só um manto e um par de sandálias? Tá bem, eu sei que vão me dizer que ele era Deus ou coisa que o valha... Mesmo assim, temos que pensar no próximo, não vivemos isolados e eu não agüento ver toda essa injustiça. Pessoal não é preciso repartir tudo, até porque isso iria provocar muita revolta, mas viver no luxo e deixar os outros morrer à míngua é o máximo da insensatez. Vamos fazer um socialismo à brasileira! Só tem uma coisa: nada de partido único. Essa coisa de partido único nunca deu certo, cheira à ditadura e incentiva a corrupção. Vamos respeitar as idéias dos outros para que nos respeitem.”

     Vilma não gosta muito de falar da Dilma ou na Dilma, no entanto, no dia em que deu a sua opinião sobre o socialismo, acrescentando que o capitalismo era um sistema destruidor de consciências porque incentivava o individualismo, e contrário à espiritualidade, uma vez que transforma as pessoas em fanáticas consumistas que ficam sempre desejando agregar bens materiais, Vilma se referiu ao passado de Dilma: “E olha que ela foi uma guerrilheira! Foi até presa e torturada. Lutava contra o sistema, contra os milicos, contra a ditadura; acreditava em um mundo melhor e mais justo... E depois isso... Dá uma pena só em pensar...”.

    Talvez por isso, Vilma tem os seus críticos e sempre que é confrontada em suas idéias, depois de uma boa discussão, ela agradece. – “Gente, como é bom ter quem discorde, lançando idéias das quais também podemos discordar e que sempre acrescentam. Desde que não haja agressão, tudo é válido. A pior coisa são os pensamentos estagnados. Devemos evoluir junto com as idéias; o contrário é o cérebro burocratizado e com tendência ao retrocesso. Quando é mesmo a próxima manifestação? Devemos continuar unidos na luta comum.”

     A luta comum é a luta por melhores condições de vida, a luta a favor dos sem terra e dos sem teto, a luta contra a discriminação, a luta a favor de melhorias salariais, a luta contra predadores da natureza, como a usina de Belo Monte, a luta a favor dos avanços sociais, a luta contra a corrupção e as fraudes, a luta a favor de uma democracia verdadeira. Uma luta interminável.  

    E Vilma sempre está à frente de todos os movimentos, é a primeira nas passeatas e reivindicações, a primeira a apanhar e a dar o troco. Nunca se encolhe, nunca recua. Até quando é derrubada por alguma daquelas balas de borracha que quebram costelas ela grita: “Em frente, gente! Em frente!”

domingo, 25 de janeiro de 2015

SEU CHICO, NICOLAU I E O PAÍS DO FAZ-DE-CONTA





- Seu Chico, o senhor já ouviu falar no imperador Nicolau I? 

- Assim-assim não dá pra lembrar, esse menino, mas imperador é que não faltou na Europa. 

- Não é europeu, seu Chico, é aqui dos pampas. 

- Mas não me diga! E quem seria esse imperador dos pampas? 

- Nicolau Nheenguiru. 

- O chefe guarani que deu combate aos mamelucos e espanhóis? 

- Esse mesmo. 

- Me conte essa novidade. 

- Lhe conto. Pois eu estava lendo um livro sobre a história de Bagé e entre umas e outras coisas me deparo com a afirmação de que Nicolau Nheenguiru – que no livro é chamado de Lenguiru – se autodenominou Nicolau I, imperador dos guaranis, pois o autor, Eurico Salis, afirma que os guaranis eram imperialistas, formavam um império. 

- Mas olha só!... E eu que acreditava que a República Guarani foi uma república, como o nome está dizendo e como afirma Clóvis Lugon no seu livro que trata especificamente dos guaranis. E agora essa... Mas então era um império? 

- Pois é. E tem mais. Fiquei sabendo que aqui em Bagé era uma redução guarani. Redução que durou pouco tempo, porque não existiam índios guaranis nesta região, que era povoada por guenoas, charruas, minuanos... Índios nômades que foram todos assassinados. O senhor conhece algum índio guenoa, minuano ou charrua, seu Chico? 

- Só de ouvir falar. Mataram todos. Não restou nem um pra remédio. Um verdadeiro genocídio! Mas esse autor cita as fontes? 

- Ele diz lá que tem os seus documentos particulares. Fala até de dois padres jesuítas que teriam vindo pra cá lá de Buenos Aires, veja só a distância! - especialmente para fundar essa redução que não deu certo. 

- Mas não é de espantar? Então eram dois padres meio desgarrados. Os outros padres que fundaram as verdadeiras reduções guaraníticas tinham como apoio o vice-rei de Assunção, no Paraguai, e fizeram as reduções, também chamadas de Missões, para tentar salvar os guaranis da sanha escravagista dos mamelucos de São Paulo. O senhor deve saber que todas aquelas entradas e bandeiras eram para caçar índios, que eram vendidos a peso de ouro para os latifundiários. É claro que os historiadores oficiais enfeitaram a coisa escrevendo que os bravos bandeirantes estavam atrás de ouro e pedras preciosas. Na verdade, eram escravagistas. A pior espécie de gente! 

- Ensinam tudo errado para as crianças, seu Chico. 

- Um erro fabricado, o senhor há de convir. Fizeram de bandidos - como João Ramalho, Raposo Tavares, Fernão Dias Paes Leme –, heróis. A História é fabricada de acordo com os interesses dos donos do poder e a história da escravidão indígena é pura mentira! Eu fico indignado só de pensar no que aconteceu. Sabe qual é a desculpa que dão para as crianças de escola, e para outros que não são tão crianças assim? Pois dizem que graças aos bandeirantes os portugueses aumentaram o Brasil devido ao desbravamento de novas terras que seriam dos espanhóis. Mas não é o mesmo que justificar o assassinato pelo roubo? E passam subliminarmente para esses alunos que recém estão formando a sua personalidade a idéia de que é justo matar para roubar. Sem contar o racismo: dão a entender que os indígenas eram inferiores aos brancos e mereciam ser mortos e escravizados. 

- Pois esse autor, que já morreu e escreveu um livro bem interessante, principalmente devido às fotografias, acreditava ou queria acreditar que os indígenas eram imperialistas e até deu o título de Nicolau I para o Nheenguiru. 

- Quanto ao título deve ter sido imaginação, por supuesto. Mas não é de descartar que ele tenha sido influenciado pela propaganda paulista. Todo sistema político, por mais podre que seja, tem os seus defensores e até ideólogos. Recentemente eu li um livro sobre história do Brasil, escrito pelo Eduardo Bueno. “Li” é força de expressão, porque me decepcionei quando chegou justamente nas Missões dos guaranis, que ele passa por alto ou se omite da denúncia. Os guaranis foram criteriosamente massacrados durante séculos, e o que resta da nação guarani está no Paraguai ou morrendo pelos cantos em pequenas reservas que são uma vergonha. 

- Eu acho que se ficarem no Brasil eles correm o perigo de extinção, seu Chico. A política indigenista do Governo é a pior possível. 

- Principalmente agora que a Dilma obedece a tudo que os donos das terras disserem e fizerem. Nunca vi um governo tão reacionário no Brasil! Nem tão entreguista. E quem sofre mais com isso são os mais pobres, os índios, com as suas terras sendo tomadas pelos ruralistas e companhias mineradoras. A mentalidade é a mesma da época do Brasil colônia. 

- E a escravidão indígena continua, seu Chico. Já foram descobertos casos de trabalho análogo à escravidão aqui mesmo, no Rio Grande – em Itaimbezinho e Bom Jesus. E no Mato Grosso do Sul todos sabem que existe escravidão indígena e ninguém faz nada a respeito. 

- Mas este não é o país do faz-de-conta, esse menino? Faz de conta que não há desmatamento, faz de conta que vivemos em uma democracia, faz de conta que existe paz e liberdade, faz de conta que há justiça social, faz de conta que não temos inflação – e até faz de conta que aqui se joga o melhor futebol do mundo. Também faz de conta que não há escravidão, faz de conta que a usina de Belo Monte vai trazer progresso e não devastação ambiental e faz de conta que não estão nos roubando diariamente. O país do faz-de-conta é um país de fantasia, que só existe como realidade para uma turma de corruptos, e para o povo continua sendo o país do futuro. Falta sangue neste povo! 

- Sangue, seu Chico? 

- Sangue, força, bravura, destemor. É um povo anestesiado, cheio de melindres, com medo de tudo. 

- E os que não se melindram são perseguidos de uma maneira ou de outra, seu Chico. Perdem emprego... 

- Mas não é preferível lutar que ficar parado, gemendo e se queixando? Quando é que os brasileiros vão aprender a ser gente, como outros povos que vão pra rua ao primeiro sinal de despotismo?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

JE NE SUIS PAS CHARLIE




A mídia do sistema afirma que o jornal “Charlie Hebdo” faz críticas de tudo e de todos – o que é, no mínimo, uma inverdade. O “Charlie Hebdo” especializou-se em sátiras infamantes contra o Cristianismo e contra o Islamismo, e uma ou outra crítica ao governo francês ou em relação a temas menores, para disfarçar. Criado em 1960, com o objetivo de atacar o crescente nacionalismo francês do pós-guerra, representado pelo presidente Charles de Gaulle que buscava livrar-se das influências norte-americana e britânica, o jornal, que então se chamava “L’hebdo Hara-Kiri”, foi fechado por ordem do então presidente Georges Pompidou, após uma publicação que ridicularizava a morte de De Gaulle em 1970. 

  Renasceu com o nome “Charlie Hebdo” (Hebdomadário = semanal), derivado de uma revista de histórias em quadrinhos, chamada Charlie Mensuel, (Mensuel = mensal) e “Charlie” também serviu como piada interna sobre Charles de Gaulle. Não tem nada a ver com a personagem Charlie Brown, criada pelo desenhista Charles Schulz, como alguns querem dar a entender. Também tem muito pouco a ver com O Pasquim, que foi um jornal satírico sem ser apelativo ou ofensivo. 

   O “Charlie Hebdo” notabilizou-se como um jornal que ataca o Cristianismo e o Islamismo. É claramente xenófobo, racista e, naturalmente, fascista. A xenofobia e o racismo são características do fascismo. A insolência também.  

   O projeto de globalização promovido por aqueles que desejam impor uma nova ordem mundial exclui as grandes religiões. Em matéria datada de 23 de junho de 2011 (“A licenciosidade como meio, o neo-paganismo como meta” - http://fausto-diogenes.blogspot.com.br/2011/06/licenciosidade-como-meio-o-neopaganismo.htm) escrevo a respeito do plano, ou agenda global, que tem como objetivo manipular emocionalmente as pessoas, logo após a extinção das duas grandes religiões: o Cristianismo e o Islamismo. A seguir, um pequeno trecho. 

   “(...) há todo um plano do atual sistema para impor aos povos um governo mundial. E esse plano inclui a destruição das grandes religiões – Cristianismo e Islamismo.
   “O Islamismo está sendo derrotado aos poucos, através de guerras, da mídia e da cooptação de supostos líderes árabes. A guerra da internet ou Guerra do Facebook, que tem jogado multidões iradas e provavelmente drogadas contra as armas dos seus governos – suicidas sem causa – para provocar uma intervenção da ONU, como aconteceu na Líbia e provavelmente venha a acontecer na Síria, tem sido a grande estratégia do imperialismo para derrotar líderes islâmicos, desacreditar aquela religião e confundir as massas. (...)”

   Não só através do Facebook ou de outras redes sociais. O episódio do atentado ao “Charlie Hebdo” é muito parecido ao 11 de setembro de 2001 devido à programada repercussão, com uma passeata gigante justamente no dia 11 de janeiro. Na matéria “O lado oculto dos atentados de 11 de setembro de 2001” (http://fausto-diogenes.blogspot.com.br/2010/09/o-lado-oculto-dos-atentados-de-11-de.html) revelo a importância do número 11 para determinadas organizações secretas.

   “(...) No Tarô, a carta-arcano 11 tem o nome de A FORÇA. Na Numerologia, a vibração 11 é considerada um número-mestre, que significa evidência, força, intuição.

  “Para algumas ordens iniciáticas de cunho luciferiano, o número 11, uma oitava acima do número 2, simboliza a ação sobre a natureza, que pode ser manipulada pelo ser humano “superior”; as duas faces de uma mesma moeda; o equilíbrio entre Bem e Mal. E, portanto, a negação de Bem e de Mal: a liberdade para agir e a total ausência de valores. A impiedade.

    “Não só o número 11, como também os números 2, 20 e 29. Quando ocorre algo importante em um desses dias é como se fosse um sinal, um código, para que os demais irmãos saibam que é obra do mesmo grupo e que as “verdades” enunciadas após o ocorrido, as explicações oficiais sobre o fato, devem ser aceitas e corroboradas.

   “Alguns detalhes interessantes:

• “911 é o número para emergências nos Estados Unidos.

• “Os atentados de 11 de setembro ocorreram exatamente 11 anos após George Bush (pai) declarar guerra ao Iraque, em 11 de setembro de 1990.

• “O dia da independência dos Estados Unidos é 4 de julho. Ou seja: 4+7 = 11.

• “O primeiro avião que bateu nas Torres Gêmeas era o vôo AA (American Airlines)-11 e o segundo levava a bordo 65 pessoas (6+5 = 11).

• “A partir de 11 de setembro faltavam 111 dias para terminar o ano.

• “Cada uma das Torres Gêmeas tinha 110 pisos e, se fossem contempladas de longe, pareciam dois números 1 juntos...

• “No primeiro aniversário do 11 de setembro, os números que ganharam a loteria de Nova Iorque foram 9-1-1.

• “O atentado de Madri ocorreu em 11 de março de 2004. O ataque ocorreu três anos depois, ou 911 dias depois.

• “O golpe que matou o socialista Salvador Allende, derrubando o seu governo e colocando no poder o general Augusto Pinochet ocorreu em 11 de setembro de 1973.

   “Pergunte a si mesmo(a) se tudo é mera coincidência.”


         A França é um país racista. Em 2010, mais de 8000 ciganos foram expulsos daquele país durante o governo de Nicolas Sarkozy. Não sei de nenhuma passeata de protesto contra esse péssimo exemplo de segregacionismo e mentalidade medieval. Eram ciganos, e os franceses achavam-se superiores aos ciganos. A expressão usada pela imprensa, na época, foi “repatriação”. Os ciganos que moravam na França foram obrigatoriamente “repatriados” para Romênia, Bulgária e outros países. O Papa Bento XVI, em 22 de agosto de 2010 condenou a expulsão dos ciganos: “Os textos litúrgicos de hoje reafirmam-nos que todos os homens são chamados à saudação. É também um convite a saber acolher a diversidade humana, tal como Jesus representou os homens de todas as nações em todas as línguas”. A campanha difamatória contra a Igreja (incluindo o “Charlie Hebdo”) já estava em andamento, mas um fato interessante aconteceu na França, em agosto de 2012, alguns meses antes de Bento XVI renunciar. Uma simples oração no santuário de Lourdes, que fazia referência à família formada por um pai e uma mãe foi objeto de ataques da imprensa francesa, que classificou a Igreja de “intolerante”.
  
    Islamismo e Cristianismo são os alvos. Ninguém dentro do “Charlie Hebdo” pode fazer uma pequena crítica contra os judeus, ou será imediatamente demitido por “anti-semitismo”. Quando, em 2008, o caricaturista “Siné” (pseudônimo de Maurice Sinet), então com 79 anos, escreveu um comentário satírico no “Charlie Hebdo” sobre Jean Sarkozy, filho do então presidente Nicolas Sarkozy, foi acusado imediatamente pelo jornalista do “Le Nouvel Observateur”, Claude Askolovitch, de “anti-semitismo”.

     No seu texto, Siné escreveu: “Jean Sarkozy, digno filho de seu pai e já conselheiro geral do (partido) UMP saiu quase sob aplausos de seu processo por fuga em uma lambreta. A Justiça o declarou inocente! Diga-se de passagem que o acusador é árabe. E não é tudo: ele declarou que vai se converter ao Judaísmo antes de casar-se com sua noiva, judia, e herdeira dos fundadores de Darty. Vai longe, esse menino!”.
  
   Siné foi demitido do “Charlie Hebdo”. Rejeitou qualquer pedido de desculpas, dizendo que preferia cortar os próprios testículos. O diretor do jornal, Philippe Vall, acabou por despedir o cartunista, sob pressão do Congresso Judaico da Europa. O caso Siné gerou muitas críticas a Vall, que se diz grande defensor da liberdade de expressão - desde que essa “liberdade” não atinja os judeus. Siné, hoje com 86 anos, recorreu aos tribunais e, em 2010, o “Charlie Hebdo” foi obrigado a pagar uma indenização de 90 mil euros.

     É muito esclarecedor o uso que a direita mundial está fazendo do atentado ao “Charlie Hebdo”. Conhecidos fascistas que se fazem passar por democratas - entre eles o genocida Benjamin Netanyahu, primeiro ministro de Israel - participaram da passeata em Paris, no dia 11, clamando pela liberdade de expressão. O “Charlie Hebdo” está sendo transformado em símbolo de uma liberdade de expressão que admite o insulto, a afronta, o desacato, a injúria, o vitupério, o abuso, a infâmia – todos os tipos de ofensas imagináveis. Desde que sejam contra o Cristianismo e o Islamismo.

    E uma parte do povo francês - aqueles que não possuem senso crítico e se deixam moldar enquanto massa - acredita que dizer “Je Suis Charlie” (“Eu sou Charlie”) é o mesmo que lutar por uma liberdade de expressão com base na gratuita ofensa contra as religiões. Os franceses que já não gostam de qualquer tipo de estrangeiro, principalmente se não pertencer à Europa branca e dominadora, agora estão sendo induzidos a detestar as religiões. Em troca, lhes é acenado o direito ao insulto e à ofensa e a total ausência de ética e de moral. Não compreendem ou não querem compreender que esse tipo de atitude constitui uma afronta á mais antiga forma de liberdade de expressão, que é a liberdade de expressão religiosa.

    Alguns que se imaginam mais cultos e eruditos chegam a citar a famosa frase "I disapprove of what you say, but I will defend to the death your right to say it" ("Eu discordo do que você diz, mas vou defender até a morte seu direito de o continuar dizendo", em tradução livre) para justificar as ofensas contidas no “Charlie Hebdo”. Atribuída erradamente a Voltaire, a frase pertence à escritora Evelyn Hall, que também fez uma biografia de Voltaire e confessou que errou ao colocar a frase entre aspas, inadvertidamente na primeira pessoa.

     De qualquer maneira, a frase serve como exemplo de discussão democrática entre pessoas com idéias divergentes, onde se inclui um mínimo de educação e respeito ao próximo – estando pressuposta, nessa discussão, aquela outra frase: “O meu direito acaba quando começa o do meu vizinho”.  Jamais poderá ser atribuída como o direito à ofensa, calúnia ou difamação – conforme tem feito o “Charlie Hebdo”, sob pretexto de “liberdade de expressão”. O “Je Suis Charlie” traz subliminarmente a possibilidade do “direito” ao ultraje e à humilhação, confiando que os ultrajados e humilhados não terão como se defender, pois o seu poder político é mínimo. Trata-se, portanto, de provocação, com o claro intuito de gerar um revide violento que levará à criminalização do ofendido.

     É o que está acontecendo na França e em grande parte da Europa, que se pensa “civilizada”. Desde o atentado ao “Charlie Hebdo”, no dia 7, foram constatados mais de 80 casos de agressões contra muçulmanos, como ataques pessoais, tiros e insultos. Uma verdadeira explosão de islamofobia. A própria perseguição aos suspeitos do atentado resultou nas mortes dos perseguidos - óbvios crimes do Estado francês, que lembram “queima de arquivos” e levantam dúvidas a respeito dos verdadeiros autores do atentado, uma vez que o objetivo, que foi o de levantar os franceses e parte do mundo domada pela mídia, contra o Islã, foi alcançado.

    Mais que um protesto, o “Je Suis Charlie” está se transformando em uma senha que se espalha pela França, pelo restante da Europa e demais países vassalos do imperialismo, significando “Abaixo o Islã!” e, nas entrelinhas, “Abaixo a Igreja Católica!”. Não será de estranhar se os muçulmanos, assim como aconteceu com os ciganos, forem expulsos da França e de muitos outros países europeus. O “Je Suis Charlie” poderá se revelar como a senha do ódio e da intolerância em um mundo que, cada vez mais, é levado por indução e convencimento midiático a abdicar de todos os valores morais e éticos para dar lugar à globalização de um carnaval de mentiras e torpezas que visa domesticar as pessoas através do vazio das suas emoções. Com esse mundo e com essa senha eu não concordo, a exemplo de milhões que ainda resistem. Eu não sou Charlie. Je Ne Suis Pas Charlie.
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