terça-feira, 14 de outubro de 2014

AÉCIO PERDEU O DEBATE NA BAND




Ou Dilma ganhou. O candidato tucano se deixou encurralar e ficou na defensiva, exatamente ao contrário do que era esperado. Mostrou-se nervoso e caiu na estratégia da candidata petista, que levou quase todo o debate para as questões relativas a Minas Gerais. Era como se o restante do Brasil não existisse para os dois debatedores. Exatamente o que Dilma queria. 

   Desejando mostrar-se um “bom moço”, Aécio chegou a fazer elogios a Lula e ao PT, o que foi bem aproveitado por Dilma. Nas questões mais momentâneas, como o último escândalo de corrupção do PT, na Petrobrás, Aécio apenas arranhou a superfície da roubalheira, dando chance ao contra-ataque de Dilma sobre os governos do PSDB em Minas. 

   Dilma esteve impecável, aproveitando todas as oportunidades para atacar Aécio, que não percebia que estava sendo envolvido. Usando da tática de citar dados, números, e sabendo que estava se dirigindo para um público (calculado em cerca de 29%, e que deverá decidir a eleição) de indecisos, Dilma deixou a Aécio pouca margem para reagir, e quando o fez, abordou questões absolutamente distantes do público médio – como o investimento de empresários brasileiros para fazer um porto em Cuba, com o apoio do BNDS, o que somente revela a tentativa do atual governo do Brasil de tornar Cuba dependente economicamente a ponto de, gradativamente, abrir-se para o capitalismo. 

    Por seu lado, quando acusou a nossa Educação de estar na lanterna da Educação mundial, Aécio perdeu uma ótima oportunidade para citar dados que comprovassem a sua afirmação. 

    O PT, que é de centro-direita, usa a demagogia dos investimentos sociais; o PSDB, também de centro-direita só fala em futuras ações que atraiam investimentos estrangeiros. O discurso do PT, ao se travestir de esquerda, vence facilmente o discurso estagnado do PSDB, que é o PT com uma sigla que tem duas letras a mais, mas não sabe nem fingir – como o PT – que está interessado em reformas políticas e sociais. A oposição de centro-direita tem perdido eleições em todo o hemisfério sul das Américas justamente porque não quer ou não sabe avançar políticas progressistas visando o bem comum. 

    Se é certo que o PT rouba – como está sendo provado pelo mensalão e, agora, o petrolão -, as suas desculpas de que rouba a favor do povo, como um moderno Robin Hood, atraem mais do que as queixas do PSDB, que muito pouco propõe e é obrigado a obedecer a forças reacionárias que o tornam um partido paralisado socialmente. 

   Outros aspectos para a derrota de Aécio neste debate relacionam-se com a sua fraca assessoria.

1.   Ainda não aprendeu a empostar a voz.

2.   Usou um terno escuro.

3.   Cortou o cabelo muito curto.

4.   Não sabe controlar um tique nervoso na boca.

5.   Tem baixa estatura e pouca presença de palco.

6. Mexia os olhos seguidamente e houve um momento em que virou a cabeça.

7.   Não sabe usar a necessária pausa que torna um discurso mais contundente.

8.   Procura responder muito rapidamente e em tom monocórdio, o que faz com que muitos dos seus bons argumentos se percam com a rapidez da resposta. 


   Ainda há uma chance. Mas, a continuar assim, Aécio só convencerá a si mesmo e aos seus correligionários. Se não aprender a ser contundente - e até mais agressivo - inevitavelmente perderá a eleição.

domingo, 12 de outubro de 2014

O PT ESTÁ ATUCANADO





Ante o vendaval de revelações sobre corrupção no seu governo e no governo do Lula, Dilma deveria renunciar. Por muito menos do que isso, Getúlio Vargas se suicidou e depois foi comprovado que o famoso “mar de lama” era inexistente. No entanto, Dilma não é Getúlio. Muito longe disso. Getúlio era nacionalista, Dilma é entreguista; Getúlio mobilizava o povo, Dilma tenta comprá-lo; Getúlio lutava pela independência do Brasil, Dilma leiloa o nosso petróleo, quando não coisa pior...

   Dilma não renunciará porque lhe falta aquele algo mais que distingue uma mera presidente de um estadista. Ou de uma estadista. Não digo que lhe falte caráter, não a conheço de perto, mas falta caráter ao PT, que se esvai em lama pútrida e ainda deseja mais. Ou o caráter do PT é a podridão?

   Falsidade. É o mínimo que se pode dizer do PT. Lembram-se do Lula que ia transformar o Brasil? Transformou-se. Ou foi transformado pelo brilho ofuscante do poder. Dilma, como todos sabem, é o Lula de saias. Quanto à ideologia, Lula nunca foi falso. Sempre disse que não é socialista, mas sindicalista, o que é verdade. Dilma, no entanto, dizem que tentou ser guerrilheira, o que implica na possibilidade de uma mínima noção de teoria marxista. Pelo que sei, ela gosta é de ler novelas policiais.

   O PT foi formado, inicialmente, por todos aqueles grupos dispersos que acreditavam que ser “de esquerda” significava lutar pela liberdade. Naquela época, ainda estávamos no final de uma ditadura militar. No seu início, o PT era composto por tendências trotskistas, leninistas, stalinistas, maoístas, albanesas e até sindicalistas – o que não chega a ser uma ideologia, mas vá lá! Venceram os capitalistas: Zé Dirceu, Genoíno, Tarso, Lula, Dilma... toda aquela gente. E foi o que se viu: rouba aqui, rouba acolá.    

Nesse meio tempo, entre uma e outra corrupção, muitos petistas que ainda acreditavam que o PT deveria ser um exemplo de honestidade foram expulsos ou preferiram sair do partido. O que restou de “esquerda” no PT foi apenas a cor vermelha, que foi amarelando, provavelmente para ficar da cor do ouro. Ou da lama.

O PT roubava e se acreditava intocável. Quem sabe ainda rouba. Dizem que o roubo torna-se vício, como qualquer outra droga inebriante. Os petistas estão inebriados pelo poder e acreditam que roubar faz parte do que chamam de “projeto político” que, em última análise, significa conquistar mais poder. Quando uma ou outra fraude ou corrupção - ativa, passiva, mista - aparece, o petismo explícito xinga a imprensa, ameaça juízes até fazê-los renunciar, afirma que outros partidos também são corruptos e jura que é inocente.

Os demais partidos não são inocentes. Quando eles têm uma chance, assaltam o dinheiro que deveria ser público. O roubo faz parte da essência do capitalismo. Há quem acredite que pessoas ricas – que depois se entrelaçam em cartéis, oligarquias, empresas multinacionais e demais grupos de poder – são assim por direito divino. Ingênuos, que não sabem que o princípio do capitalismo reside no roubo, às vezes roubo oficializado, mas roubo. O bolo é um só e para que poucos tenham muito dinheiro é necessário que a grande maioria seja roubada. E quando parte dessa grande maioria se revolta, surge a polícia homicida e idiotizada dos donos do nosso dinheiro.

Provavelmente o PT acredita que roubar, enriquecer fraudulentamente faz parte do jogo. Este é o país das fraudes, onde quem rouba sem ser preso é chamado de esperto ou de malandro. O PT tentou ser malandro e não conseguiu. Ou conseguiu? Ainda tenho dúvidas. São doze anos no poder. Imaginem a quantidade de dinheiro “desviado” durante esse período. Os poderosos não roubam: desviam dinheiro, e depois dizem que estão fazendo Caixa 2. Quantas caixas têm o PT escondidas? 2, 3, 4... E os demais grandes partidos, como PSDB e PMDB? Partido grande não surge do nada, mas de doações de campanha para que seus representantes nada façam a favor do povo. Depois acostumam com as doações, os trambiques, as falcatruas, os roubos. Ou alguém acredita que algum desses partidos está interessado em povo, a não ser em época de eleição? O PT é mais um, e o mais escandaloso de todos. Os outros são corruptíveis, o PT é corruptor.

E se declara inocente. O Brasil é o país dos inocentes. Rouba-se por todos os lados e todos os ladrões são inocentes, principalmente se o roubo é grande. Roubar é prática comum em todos os níveis da população. Mesmo quem não rouba, gosta de ver roubar ao sentir-se, de alguma maneira, favorecido. Um dos exemplos clássicos é o futebol: se os seus times são “beneficiados” pelas arbitragens as torcidas vibram. Roubar, fraudar, enganar faz parte da cultura de determinadas classes sociais, onde os políticos são os intermediários, os facilitadores das fraudes. No caso remoto da prisão de alguns deles, ficam indignados e pagam milhões para que seus advogados - igualmente corruptos, porque defendem corruptos – encontrem aquela falha nas leis que lhes permitirá a liberdade. Prisão, no Brasil, é para os muito pobres.

Comprar o povo, comprar consciências, comprar lealdade – esta é a principal função dos políticos brasileiros. Quantos bilhões não estão rolando por este Brasil afora para os bolsos de malandras militâncias encarregadas de convencer indecisos? “Este é o jogo da política”, pregam hipocritamente os que se julgam mais espertos ao corromper o povo mais necessitado, que é conservado na pobreza física e mental para que possa ser corrompido sempre que necessário.

A isto eles chamam de democracia: eleições periódicas sustentadas por muito dinheiro. O esperançoso povo vota e só os ricos ganham e continuam a enriquecer. Um partido político capitalista, antes de tudo é uma fábrica oculta de dinheiro, alimentada por empresários de todos os setores. O PT caiu nessa, entrou no jogo e foi descoberto. E ficou literalmente atucanado. A dona Dilma fala em golpe, Lula esbraveja contra a deslealdade da imprensa de oposição que veicula as novas corrupções petistas, agora apelidadas de Petrolão, ou, se preferirem, de Petropina, visto que petistas ganhavam (ainda ganham?) propinas de empresas e demais interessados que desviavam recursos da Petrobrás.

De fato, é um grande golpe denunciar corrupções governistas na época das eleições. Um golpe contra os corruptos. E todos passaram a acreditar que, agora, a vitória será do PSDB - que se diz menos impuro que o PT. Forjam-se alianças, prometem-se cargos, anuncia-se um novo Brasil. Todas as demagogias conhecidas. Não há diferença entre os dois partidos, exceto nos nomes e nas siglas. E no maior ou menor grau de pureza. Ou de honestidade. O povo ainda acredita que um dia, talvez, quem sabe, surgirá um Presidente que fará... Dentro das premissas desse jogo nada será feito contra os interesses dos poderosos. O PT seguiu o roteiro capitalista prescrito, que incluía a licença de roubar, fraudar, enriquecer – e continua se dando bem, apesar de todos os processos.

Mesmo com a incisiva campanha do Aécio, que bate diretamente nas falhas, erros, fraudes e roubos do PT & sócios e recebe com menos força golpes parecidos, porque Dilma é obrigada a ficar na defensiva, dificilmente o PT – que adquiriu a experiência de como ganhar eleições, aliando-se com os mais conhecidos corruptos nacionais – perderá. Alguma coisa poderá acontecer na reta de chegada do segundo turno: promessas ocultas de privatização gradativa da Petrobrás e das riquezas que ainda nos restam, alianças secretas com empresários e com todas as maçonarias detentoras de alguma influência, trocas de favores, como acontece nas mais respeitadas máfias, poderão fazer com que, de repente, as pesquisas passem a apontar Dilma como favorita em São Paulo, Paraná... multipliquem-se os votos no Nordeste... Os institutos de pesquisa existem para esses momentos de atucanação e desespero, e são muito bem pagos.

Porém, se não houver nenhuma interferência que evite a vitória de Aécio, o que restará do PT, além da lembrança do ódio destilado contra seus adversários? Na internet, a militância petista baixou tanto o nível que apela para palavras e expressões chulas, ofensas pessoais, ameaças, todo o tipo de invenções e mentiras, apostando na possibilidade da ignorância política do eleitor indeciso, desejando ganhar votos através do medo, se possível do pânico das massas que desejam conservar tímidas e inconscientes.

O PT faz a mesma política demagógica da extrema direita, que é contra o PT por excesso de desinformação, acreditando que aquele partido é “comunista”, tentando inculcar em seus adeptos a visão medieval dos estultos, maldosos e mentalmente débeis, atribuindo ao PT qualidades que não tem, visto ser um partido aliado da direita e que usa as alianças, inclusive através da corrupção, para conseguir o apoio que necessita para se manter no poder.

O que restará após as eleições, senão uma luta ideológica intensa, que promoverá o desmascaramento de todos esses partidos que debocham descaradamente da nação brasileira?

terça-feira, 7 de outubro de 2014

A MÁSCARA CÍNICA DA DIREITA





No blog de Felipe Moura Brasil, (WWW.veja.com/felipemourabrasil), em matéria de 03/10/2014, uma das frases do autor vem a calhar sobre o tema: “(...) as eleições deste ano, disputadas por candidatos apenas de esquerda (Dilma, Marina e Aécio) (...)”. Na verdade, a diferença entre PT e PSDB é quase inexistente. A meu ver, os dois são partidos de direita, uma vez que defendem o capitalismo com uma vertente social assistencialista, estilo Rotary ou Lyons, através da instituição de programas que visam o fim da miséria ou da extrema pobreza, objetivando unicamente incorporar grande parte da população à classe média, e não fazê-la adquirir consciência social e conseqüente capacidade de luta.

   Não se trata de alertar o povo para as causas da sua miséria, resultado de exploração secular, mas de acenar para essa grande massa - que permanece condicionada a determinados padrões que levam à alienação e aceitação do estabelecido como “natural” – para a possibilidade de participação na sociedade de consumo, o que a levará a um maior afastamento da sua realidade e a quase um delírio na busca de bens materiais, impulsionada pelas exaustivas propagandas que apontam produtos absolutamente desnecessários como o grande e único objetivo a ser conquistado na vida.

   Vivemos em um país capitalista, ou seja, em um país no qual as pessoas são induzidas a dar valor apenas ao dinheiro, às conquistas materiais, aos objetos, à aparência – a tudo o que for visível, físico, e que puder acrescentar, de maneira prática, elementos que visem formar uma personalidade que seja o reflexo prosaico da vulgaridade ordenada pelos meios de comunicação. Mais que o conservadorismo que ordena a estagnação, o pensamento de direita, hoje, pretende a estagnação conservadora dentro de modelos pré-elaborados que levem as pessoas a acreditar que estão evoluindo socialmente.

    Nesse cenário, o fator “competição” é exacerbado, e o outro, o próximo, tende a ser considerado como um adversário em potencial. Ao contrário do socialismo, em que se apresenta a possibilidade de união entre as pessoas e, num plano maior, união entre os povos, o capitalismo provoca a separação, a inimizade, obrigatoriamente formando classes sociais que se protegem e hostilizam as demais e, mesmo dentro de cada uma dessas classes – no que é apelidado de pirâmide social -, há uma acirrada disputa pelo poder, visando ascensão material, domínio sobre os demais.

   O capitalismo prevê não só a disputa, como a divisão e oposição entre pessoas da mesma classe social e, principalmente, entre classes de diferentes níveis. Liberdade, para os capitalistas, significa concorrência no seu sentido mais torpe e ganancioso. Notadamente, o capitalismo se caracteriza pela exploração. Um operário é explorado na sua força de trabalho na medida em que produz muito mais do que recebe pelo valor do seu trabalho. Essa diferença foi chamada por Marx de “mais valia”, que é o lucro auferido pelo empregador ao explorar o trabalho assalariado.

   “Liberdade”, para a direita, exprime a idéia de licença para explorar, dividir e exaurir a força das classes assalariadas; subjugar o operário e o camponês – a grande maioria da população – a um sistema de semi-escravidão oficializado pelo Estado capitalista. Para que seja assim, torna-se necessário uma força de trabalho excedente, caracterizada pelos desempregados, o que dá ao empregador a possibilidade de constante rodízio entre os assalariados, obrigando-os a aceitar o pagamento estipulado ou passar fome.

   O capitalismo não seria capitalismo sem a exploração e o desemprego. Em um país onde todos estivessem empregados, a força reivindicatória do trabalhador por melhores salários e estruturas sociais avançadas faria com que o trabalhador fosse remunerado em conformidade com o seu esforço e chegaria um momento em que as classes sociais dominantes desapareceriam ao serem obrigadas a ceder os seus lucros aos operários, provocando o advento do socialismo, ou uma sociedade igualitária sem exploradores.

    A noção de “igualdade” é execrada e considerada como absurdo para os capitalistas. Para eles, igualdade é a grande ameaça que ronda no horizonte, deixando-os muito assustados. A igualdade social implicaria no fim dos seus privilégios, na destruição da falsa e movediça noção de “status”, na eliminação de barreiras entre as classes. Uma única classe social, onde todos contribuam de acordo com as suas capacidades e recebam conforme as suas necessidades, sem miséria ou desemprego, é fator de grande pesadelo para a direita.

    A desigualdade permanente é o que sustenta o capitalismo e dá à direita pressupostos políticos maquiados por valores – alguns, estacionários, apresentando características de mito inquebrantável; outros, mais flexíveis, tentando adequar-se à mudança dos costumes; todos como um feixe de referências ou códigos subliminares que têm em vista jamais aprofundar a questão social, nunca mexer com o que está estabelecido, no máximo propor reformas de caráter horizontal que em nada afetarão as estruturas do poder, que poderá ter partidos que se alternem desde que obedeçam aos estereótipos estabelecidos. 

   Essa alternância no poder é chamada de democracia na medida em que dá ao povo a liberdade de votar e escolher os seus representantes e, ao mesmo tempo, tira do eleitor a possibilidade de participar ativamente do seu destino, uma vez que esses representantes, assim que empossados, passam a obedecer àqueles que patrocinaram as suas campanhas: empresas, bancos, etc. Esta é uma prática política que muito pouco tem de “democrática”, no sentido mais abrangente da palavra: governo do povo, posto que o governo, por mais alternância que haja nos nomes e partidos que desfrutam do poder, continua pertencendo às classes mais abastadas ou ligadas aos interesses do latifúndio, empresariado, multinacionais e outros grupos de poder extremamente afastados da grande massa que forma a população, que é chamada às urnas a cada dois anos para referendar, inconscientemente, a desigualdade social. 

    Neste contexto, partidos políticos, como o PT – que expurgou dos seus quadros os elementos socialistas e optou por uma política de alianças com oligarquias, ficando conhecido pelos atos corruptos de muitos dos seus membros – e PSDB – que entende a social-democracia como forma de amenizar a pobreza e, assim como o PT, trazer o povo a cabresto através de reformas que nada mudam – são partidos claramente de direita, defensores do sistema. Ambos são entreguistas e antinacionalistas, recebendo dinheiro de grandes empresas, optando sempre por privatizações e leiloando as nossas riquezas. 

    Deles, nada pode esperar a classe trabalhadora. E muito menos as classes não trabalhadoras, a grande multidão de miseráveis que moram em barracos ou nas ruas, sobrevivendo de expediente, de favores, de esmolas, eternamente perseguidos pela polícia e criminalizados por sua miséria. Desses partidos hipócritas nada pode esperar a população mais consciente, porque não a representam em suas aspirações por um país verdadeiramente democrático. Nada mudará com a eleição de Dilma ou de Aécio. 

    No entanto, se a derrota do PT acontecer, isso servirá, ao menos, para desmascarar uma política baseada no cinismo; um projeto político que pretende oficializar uma falsa esquerda, a exemplo do PRI (Partido Revolucionário Institucional) mexicano, que se eterniza no poder através de alianças com o capital e obriga a esquerda a organizar guerrilhas, que não podem vencer ou o México será invadido pelos Estados Unidos. A uma “esquerda” assim talvez seja preferível uma direita declarada e essencialmente analfabeta politicamente, como aquela frase: “Prefiro um inimigo sincero a um falso amigo”. 

   Vencendo o PT, a farsa continuará indefinidamente. 

   Vencendo o PSDB, ele trará em seu bojo desde os mais rançosos e absurdos grupos de direita – pessoas com um mínimo de cultura política e um máximo de ódio ao povo – até a centro-direita, que vive de conchavos e acordos e, inevitavelmente, formará aliança com o PT e PMDB no Congresso. E as máscaras cairão. O povo perceberá, aos poucos, que os partidos que detêm o poder não se diferenciam, em essência são todos corruptos e inimigos da verdadeira democracia popular. 

    Por outro lado, o PSDB não poderá – sob pena de suicídio político – deixar de sustentar os planos reformistas e assistencialistas que dão ao PT milhões de votos. Além disso, assim como o PT, evitará avançar objetivando uma democracia participativa, que seria o mesmo que a renúncia ao poder. O inimigo ficará exposto. 

    Alguns afirmam que a vitória de Aécio representaria um retrocesso político. No entanto, o retrocesso já existe desde 1964 e a volta dos militares para os quartéis significou a instituição de uma democracia consentida, baseada somente em eleições que nada acrescentam, com a ascensão de líderes políticos antecipadamente vendidos aos interesses do grande capital, que sobrevivem de acordos, alianças e subornos. A ética e a moral foram colocadas no lixo e a insensibilidade, a barbárie e a truculência dominam. Há maior retrocesso?

domingo, 5 de outubro de 2014

A RESPEITO DE FRAUDES





O professor de computação da Unicamp, Diego Aranha, detectou uma série de falhas de segurança nas urnas eletrônicas, entre elas a probabilidade de violação do sigilo do eleitor e a facilidade de alteração dos votos através de ataque externo (hacker) ou ataque interno (pessoas pertencentes à mesa da zona eleitoral onde ocorre a eleição).

   Aranha revelou que há somente uma chave criptografada para todas as urnas eletrônicas do país, e que, para fraudá-las, bastaria alguém especialista em computação que conhecesse a chave, contratado pelo partido interessado na fraude.

    O Brasil é um dos poucos países do mundo, senão o único, em que não se pode fazer verificação de votos após a eleição. O voto é totalmente virtual e o eleitor não recebe a comprovação física do seu voto. Não há a possibilidade de recontagem dos votos, em caso de suspeita de fraude.

     De acordo com Diego Aranha, as urnas eletrônicas apresentam gravíssimas falhas de segurança.

    Falta transparência, ou seja, ninguém da sociedade civil tem acesso aos detalhes de como os votos são contados pelo software da urna.

    Falta auditoria. Os últimos testes, realizados em 2012, quebraram o sigilo do voto com facilidade. O TSE suspendeu a realização de novos testes.

     Diego Aranha deu diversas entrevistas a respeito do nosso frágil sistema eleitoral.

    Em uma das entrevistas dada a um portal da internet, em que o professor detalhou de maneira técnica todas essas falhas, a resposta oficial do TSE foi, segundo Aranha, dizer que a sua atitude “era uma ameaça à democracia”.

     Visto o desinteresse do TSE, o professor Diego Aranha fez o projeto Você Fiscal (WWW.vocefiscal.org). A idéia é fazer com que os eleitores se mobilizem para realizar uma totalização independente dos votos. Como é direito de todo cidadão, o eleitor que quiser participar do projeto deve chegar na sua seção eleitoral antes das 17h, exigir e fotografar o Boletim de Urna (BU) e depois enviar para o site pelo email bu@vocefiscal.org.

     Ocorre que o TSE proibiu a entrada de eleitores com celulares ou máquinas fotográficas na hora de votar e dificilmente será permitido que cidadãos comuns tenham acesso aos Boletins de Urna.

    Há muito interesse na agilidade da apuração. Depois da rápida divulgação dos resultados pelos meios oficiais e oficiosos nada mais poderá ser feito, mesmo que haja fraude.
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