Pensávamos: o mundo
está doente, a desigualdade é imensa, os políticos se especializaram em mentiras
e o povo da maioria dos países jaz hipnotizado em peregrinos labirintos – mas existe
Gabriel García Márquez, nem tudo está perdido; em algum lugar uma feliz senhora
agrada-se de um particular verão, há cheiro de goiaba apesar do veneno da
madrugada exalado no enterro do diabo, que sempre finge que morre como é
próprio dos demônios com olhos de cão azul, quem sabe existe o amor, mesmo
dentro de sua anunciada morte em tempos de tanta cólera, Gabriel García Márquez
deve estar ensinando a contar contos entre amigos, relembrando as suas putas
pobres em textos do Caribe, vivendo para relatar naufrágios, noticiando seqüestros,
reinventando a vida em sestas nas terças-feiras e, súbito, ficamos sabendo que
deu adeus ao seu outono o patriarca da maravilha em literatura, esperava uma
carta que nunca chegou, passou cem anos de solidão ao lado de Maria dos prazeres
e de tantas outras marias, o mundo pode ser incrível e triste ao mesmo tempo e,
ao final – que nunca é verdadeiro final – funerais como o de mamãe grande,
quando sabemos que, na verdade, um senhor muito velho com asas enormes está em
sua última viagem, que nunca será a última, em um navio fantasma que aportará
no que resta de magia em nossos corações.
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quinta-feira, 17 de abril de 2014
terça-feira, 15 de abril de 2014
UCRÂNIA E OS DONOS DA ONU
Há quem acredite – em
acordo com o pseudo-jornalismo “ocidental” – que, como conseqüência das
manifestações orquestradas pela CIA na praça Maidan, em Kiev, o presidente da
Ucrânia teria sido derrubado através de um impeachment. É tanta a propaganda
pró-Estados Unidos e países subservientes que qualquer explicação dada pela
imprensa anexa a esses países é aceita como verdadeira por povos menos
instruídos.
Por falar em povos desinformados, o instituto Survey Sampling
International ouviu 2066 estadunidenses entre os dias 28 e 31 de março para
saber qual deverá ser a atitude do governo dos Estados Unidos diante da crise
na Europa Oriental. Como parte do estudo, os pesquisadores pediram aos
entrevistados que apontassem a Ucrânia no mapa. Descobriu-se que 1 em cada 6
entrevistados sabe onde fica a Ucrânia. Colocaram a Ucrânia dentro dos Estados
Unidos, na África e até na Groenlândia. Um povo completamente midiatizado, ou,
se preferirem, idiotizado pelos meios de comunicação de massa.
Pois muitos entre
eles (e entre nós e pelo mundo afora...) estão sendo induzidos a acreditar que
o golpe de Estado na Ucrânia foi legal. Na verdade, o que houve foi um golpe de
Estado armado, a partir das milícias fascistas, apoiadas em partidos como o
Svoboda (nazista) e com o apoio direto dos Estados Unidos e da União Européia.
Como, na Ucrânia, somente a Corte Constitucional podia deliberar sobre a
possibilidade ou não de um impeachment (após audiências e investigações), cinco
juízes daquela Corte foram destituídos, incluindo o juiz presidente, que tem
imunidade constitucional. Em seguida, um grupo de pessoas se autodenominou
“governo”, que foi aclamado imediatamente pelos Estados Unidos e seus
comparsas. Como fizeram no Brasil, em 1964.
Para os Estados Unidos
e seus cúmplices europeus, a Ucrânia é uma questão estratégica. É através da
Ucrânia que passa todo o gás que vai da Rússia para a Europa, e a Ucrânia é a
porta de entrada para a Rússia, um país que incomoda muito, porque é aliado do
Irã e da Síria, defende outros países que os Estados Unidos tentam abocanhar e
destruir e tem ótimas relações com a China, Vietnã, Cuba, Angola, Moçambique,
Venezuela... embora a Rússia não seja um país comunista ou meramente
socialista. É a Rússia um dos principais países do BRICS (Brasil, Rússia,
Índia, China e África do Sul), que tem ponderado a possibilidade de uma nova
ordem econômica mundial, com a exclusão do dólar como moeda de referência e com
um fundo de ajuda semelhante ao FMI.
A Rússia representa
um perigo real para as pretensões imperiais dos Estados Unidos e seus asseclas,
que estavam planejando o seu estrangulamento através de um cerco sob medida no
leste europeu, que culminaria com a tomada da Ucrânia por seus aliados
fascistas e nazistas, dando entrada ao exército ocidental (OTAN) para cercar a
frota russa do Mar Negro e estabelecer uma cabeça-de-ponte na Criméia, de onde
poderiam ser lançados ataques sobre o território russo - caso a Rússia
continuasse a teimar em se opor aos planos ocidentais.
Uma estratégia a médio e
longo prazo, que também prevê o cerco da China através do oceano Pacífico, com
base na aliança segura das colônias intituladas de países soberanos: Coréia do
Sul e Japão. Além disso, os Estados Unidos cooptaram a Mongólia - que fica
exatamente entre a Rússia e a China – e naquele país estão se fortalecendo, sem
contar que a estratégia de derrubada do poder na China passa por uma futura
sublevação no Tibete.
Enquanto isto, a
Ucrânia. Quando a Alemanha nazista invadiu a União Soviética foi através da
Ucrânia. Pararam em Leningrado (São Petersburgo), depois de uma batalha que
durou meses e, quando recuaram, já estavam derrotados. A nova tentativa também
é fascista, como fascistas são os governos ocidentais que se fingem de
democratas para invadir países como Iraque, Afeganistão, Marrocos, Tunísia, Egito,
Líbia, Síria... Uma invasão progressiva rumo à Rússia. Pararam, de momento, na
Ucrânia, devido à reação de Moscou. E Moscou, ingenuamente, ainda acredita na
ONU.
A ONU é aquela organização
de alguns países muito unidos e bem armados (seguidos por muitos países
obedientes), que têm como objetivo impor a sua visão de mundo aos demais países
que não são tão servis, muitos deles mal armados, geralmente desunidos entre si
e que, quando reagem, são devidamente invadidos e rapinados. O mundo é
governado pela ONU, que age como uma grande deusa onipresente em quase todos os
países. E a ONU é governada pelos Estados Unidos e Inglaterra. Alguns outros
países poderiam também ser destacados como “donos” da ONU, como os integrantes
do Grupo dos Sete, que, além dos Estados Unidos e Inglaterra, é constituído por
Japão, Alemanha, França, Itália e Canadá.
O Japão, infelizmente,
todos sabem que foi recriado pelos Estados Unidos após a 2ª Guerra Mundial, que
nele instalou várias bases militares e trocou o antigo orgulho japonês por alta
tecnologia. O Canadá é uma extensão dos Estados Unidos e da Inglaterra, com uma
pitada da França. A França é uma incógnita. Os seus governantes, seja de que
partido forem, seguem a política do império, mas o povo tenta se mostrar digno.
O mesmo acontece com a Itália. O povo alemão ainda procura a sua identidade,
após a catástrofe da 2ª Guerra Mundial. O seu governo é servo dos Estados
Unidos e da Inglaterra. Os demais países europeus, principalmente aqueles que
pertencem à União Européia, não são mais que protetorados da Inglaterra e dos
Estados Unidos.
Então, a Ucrânia.
Durante cerca de três meses, os Estados Unidos e União Européia tentaram uma “primavera
colorida” na Ucrânia com o objetivo de derrubar o governo que não desejava uma
aliança com a União Européia. Tentaram, nada conseguiram e deram um golpe de
Estado impondo um governo ilegítimo. Um governo fantoche que, agora, com o implícito
apoio da ONU (Estados Unidos, Inglaterra e amigos), ataca o seu próprio povo
que se insurgiu não só contra o golpe, mas também contra a ameaça fascista,
buscando o respaldo da Rússia, que reagiu ao retomar a Criméia através de um
referendo e poderá auxiliar o povo do leste da Ucrânia que deseja maior
autonomia e não reconhece a legitimidade do auto-proclamado governo de Kiev.
Sloviansk,
Kramatorsk, Druzhkivka, Artemivsk, Horlivka, Yenakiyevo, Makyivska, Mariupol, Kharkiv,
Donetsk – cidades do leste da Ucrânia, estão sendo atacadas por tanques,
aviões, helicópteros e centenas de soldados, sob incentivo dos Estados Unidos,
Inglaterra e sócios europeus, que apostam na reação da Rússia para que possam
invadir a Ucrânia com as forças da OTAN já postadas nos países adjacentes, como
Polônia, Romênia, Moldávia e Hungria.
A Ucrânia é o segundo
maior país da Europa, atrás da Rússia européia, com uma extensão maior que
Portugal e Espanha juntos, ou equivalente ao estado brasileiro de Minas Gerais.
Possui grandes recursos minerais, que incluem ferro, manganês, carvão, gás natural
e petróleo. Foi no norte da Ucrânia, em Chernobyl, que aconteceu o acidente
nuclear de 1986, que matou centenas de pessoas.
Outras centenas de
pessoas poderão ser mortas se eclodir uma guerra civil na Ucrânia, mas Estados
Unidos, Inglaterra e OTAN não se importam com pessoas, e sim com riquezas.
domingo, 13 de abril de 2014
O GRÊMIO DE ENDERSON MOREIRA
Quando,
em um futuro não muito distante, novos torcedores gremistas perguntarem como é
que o Grêmio perdeu de goleada para o Internacional, no dia 13 de abril de
2014, com direito a olé, a resposta talvez seja uma só: ingenuidade. “Por quê?”
– insistirão os novos torcedores. “Porque o técnico do Grêmio não sabia escalar
o time” – será a única honesta resposta. Além disso, poderão dizer que o
técnico do Grêmio também não sabia motivar a sua equipe, que era muito teimoso,
lento de raciocínio e que talvez – somente talvez – admirava tanto o técnico do
Internacional que preferia ficar assistindo o time adversário jogar. Outra
explicação? O Inter tinha um grande jogador, chamado D’Alessandro, que ninguém
sabia marcar, e o técnico gremista era tão burocrático em seus conceitos, com
tanta falta de imaginação, que preferia o certo pelo duvidoso, e o certo nem
sempre era certo, como ficou provado naquele Gre-Nal de triste memória, e a
única desculpa encontrada foi o cansaço. A torcida ficou muito cansada com o
time. Outras desculpas: o goleiro gremista não estava concentrado, chegou a
levar um gol pelo meio das pernas; os zagueiros, principalmente aquele número
cinco e aquele outro rapazinho que pensava que era lateral-esquerdo, estavam
completamente perdidos, o meio-de-campo era um grande buraco e o ataque uma insensatez.
Aquele Gre-Nal (e o anterior) foi o jogo em que um técnico ingênuo perdeu para
um técnico esperto. Na época em que o Grêmio era o Grêmio de Enderson Moreira.
sexta-feira, 11 de abril de 2014
IOGA PARA OBAMA
É tamanha a histeria
dos Estados Unidos e de seus vassalos europeus depois da reintegração da
Criméia à Rússia que, no dia 3 de abril, o vice-chanceler russo Sergei Ryabkov
disse à agência Interfax que Obama e amigos deveriam praticar ioga. “O que se
pode aconselhar aos nossos colegas norte-americanos? Passe mais tempo ao ar
livre, pratique ioga, mantenha as dietas de combinação de alimentos, talvez
assista a alguns programas de comédia na TV”.
Estados
Unidos e países europeus impuseram sanções a funcionários e empresários
próximos ao Kremlin, as quais, basicamente, são proibições de visitar a Europa
dos Estados Unidos e o próprio território original norte-americano. Tais
sanções, ao contrário do previsto, agora servem de motivo de orgulho aos “castigados”.
Muitos dos que entraram na lista, zombaram das sanções, usando-as como uma
espécie de distintivo de honra.
Os
Estados Unidos e países subordinados da Europa continuaram com o que entenderam
como pressões. Uma delas foi o bloqueio dos cartões Visa e Mastercard, o que
nada afetou os clientes dos bancos russos. Imediatamente, os cartões de crédito
norte-americanos foram substituídos por sistemas de pagamento que incluem o
Union Card, o Zolotaia Korona (Coroa de Ouro), ou o PRO100, ligado ao Sberbank.
Além disso, o sistema chinês Union Pay poderá ser utilizado. Quando tentaram
bloquear os ativos da Rússia em contas européias e nos Estados Unidos, mais de
100 bilhões de dólares já haviam sido transferidos para a Bélgica. São títulos
da dívida norte-americana e européia, papéis que, em caso de crise, se forem
resgatados poderão levar as bolsas ocidentais a uma situação de quase quebra.
Europeus
e, principalmente, norte-americanos, estão completamente neurotizados. No
início do que denominaram “crise da Ucrânia”, a risível Hillary Clinton colocou
um bigode em uma fotografia de Vladimir Putin, dando a entender que ele se
parecia com Hitler. No entanto, a reação russa teve origem justamente no golpe
de Estado que derrubou o governo da Ucrânia, concretizado por forças
neonazistas e anti-semitas, apoiadas por União Européia e Estados Unidos.
Inclusive, na sexta-feira, 4 de abril, o Programa Voz da Rússia conversou com o
Cônsul Honorário de Israel no Rio de Janeiro, Osias Wurman, que ressaltou a
amizade entre Vladimir Putin e o movimento hassídico Chabad, na Rússia.
Disse
o rabino,
referindo-se às manifestações anti-semitas na Ucrânia: “Várias sinagogas foram
grafitadas, houve esfaqueamentos em Kiev, assaltos a judeus portando o solidéu,
a kipá... O Rabin Berel Landau, que é um homem escolado e vivido, estava alertando
a comunidade judaica da Ucrânia para que não se manifestasse contra o
Presidente Putin, porque uma das razões que ele alegou para esse rompimento com
o novo governo da Ucrânia, foram não só os movimentos e as manifestações
anti-semitas, mas também o fato de que grande parte dos “revolucionários”
ucranianos é composta pelo Partido Svoboda, que é um partido
ultra-nacionalista, racista, de extrema-direita”.
Continuaram
as “sanções”. Uma delas: os três restaurantes da rede McDonald’s na Criméia
foram fechados. A ministra do desenvolvimento econômico da Criméia, Svetlana Verba,
declarou: “Não há nada de horrível nisso. Eles serão substituídos por outros
estabelecimentos”. Alguns dias depois, no dia 9, a rede de fast-food Burger
King anunciou que está planejando abrir novos restaurantes na Rússia, incluindo
a Criméia.
Furiosos,
apelaram para a OTAN, o exército ocidental do império, composto por 26 países,
mas, na prática, obediente aos Estados Unidos e Inglaterra, o famoso eixo do
mal. A Rússia colocou cerca de quarenta mil efetivos na fronteira com a
Ucrânia, sob o pretexto de exercícios. As principais cidades do leste e sudeste
da Ucrânia se rebelaram contra o ilegítimo governo ucraniano e pedem a
independência e o apoio da Rússia. A OTAN acusa a Rússia de favorecer esses
movimentos e o Ministério das Relações Exteriores da Rússia responde que a OTAN
está usando a crise na Ucrânia para justificar a sua existência.
Por
seu lado, a Ucrânia, que possui um exército suspeito de não obedecer ao governo
fantoche, contratou os mercenários da Greystone – uma organização paramilitar
norte-americana – para tentar desalojar os insurgentes das cidades de Carcóvia,
Luhansk e Donetsk. Até agora, nada conseguiram. Em Donetsk, principalmente, o
povo está armado e esperando o ataque.
Os
reacionários unidos do mundo inteiro estão desejosos de uma ação bélica contra
a Rússia. É o que resta, as sanções não deram em nada e Estados Unidos e União
Européia estão desmoralizados. Talvez a OTAN tente alguma coisa do gênero, mas
é altamente improvável. Atacar a Rússia não é o mesmo que bombardear a indefesa
Líbia, e eles sabem disso.
A
Rússia expulsou a “Voz da América” do seu território, considerada como “spam”
indesejável e pediu o pagamento de mais de 17 bilhões de dólares devidos pela
Ucrânia pelo uso do gás russo, que é estocado no território ucraniano e depois
enviado para a Europa. A propósito disso, o Kremlin enviou carta particular aos
devedores europeus, anunciando que poderia cortar o gás, caso o pagamento não
seja efetuado. A carta vazou para a imprensa, através do Departamento de Estado
dos EUA, e Putin declarou: “A carta não foi destinada a eles, mas aos consumidores
de gás na Europa. Todos já estão acostumados ao fato de que nossos amigos
americanos fazem escutas, mas espionar é ainda mais feio”.
Mas
que vergonha, Obama, que falta de educação! Obama, vai praticar ioga! Calma,
Obama, calma...
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